Escrita Eu e as minhas histórias

Tenho de escrever? E porque tenho de escrever

Tenho de escrever

 

A Catarina Duarte desafiou-me a responder a esta pergunta, que ela própria endereçou recentemente no seu blog. É claro que aceitei logo o desafio e também poderá ser bastante óbvio que a minha resposta é “sim”! Sim, claro que tenho de escrever, preciso de escrever.

 

Sinto-me sempre um pouco estranha a responder a este tipo de perguntas, ou mesmo quando apenas penso nelas. Por vezes, sinto-me uma intrusa neste mundo da escrita. Eu não sou aquela pessoa que “escreve desde pequenina” ou que sempre soube que a sua vocação era escrever. Não, pelo contrário, se já me seguem por aqui, então sabem que a escrita surgiu mais tarde na minha vida. Acho que andei, durante muito tempo, a tentar fugir-lhe por ser algo que me deixava desconfortável, até que chegou o dia em que essa fuga não foi mais possível, deixei de conseguir escapar-lhe e ela apanhou-me – na verdade, agarrou-me com as duas mãos e nunca mais me deixou ir.

 

A minha insegurança natural – da qual me tenho vindo a libertar, mas que, por vezes, ainda paira por perto, nem que seja momentaneamente – juntamente com o facto de ser uma “novata” quando comparada com a maioria dos escritores que escrevem “desde sempre”, faz-me ter muitas dúvidas sobre a qualidade da minha escrita, coisa que nunca deixará de ser subjetiva, mas que, ao mesmo tempo, queremos sempre ver validada, de uma forma ou de outra. Mas apesar destas dúvidas, a verdade é que já não consigo não escrever. Escrever faz parte da pessoa que sou, por muito que nem conseguisse imaginar esta realidade há apenas alguns anos.

 

Perceber porquê nunca será simples, mas perceber porquê é também uma parte essencial da equação. E como diz o nosso querido Simon Sinek, “start with why”, ou nas famosas palavras de Bill Walsh “If your why is strong enough you will figure out how!”

 

Aqui ficam os meus “porquês”.

 

1 – Escrevo para ganhar clareza

Escrevo para libertar a minha cabeça de todos os pensamentos que lá vão dentro. Escrevo porque se não puxar os fios do emaranhado de ideias, sonhos e questões que vão dentro de mim, nunca conseguirei ter sossego nem paz de espírito. Escrevo para conseguir criar alguma ordem a partir do caos que são as palavras e os sentimentos que nascem dentro de mim.

 

É aqui que entra a componente de escrita livre – da qual também a Catarina falou recentemente. Este é aquele tipo de escrita que qualquer um pode fazer, mesmo quem nunca sonhou escrever um livro. Esta escrita é para nós próprios, é para mais ninguém ver, se for preciso, pode até ser para rasgar (ou apagar) e deitar fora. Depois das palavras estarem cá fora, já executaram o seu objetivo, já limparam a nossa mente, já nos permitiram ganhar espaço para organizarmos o nosso interior de uma outra forma.

 

Não tem de ser todos os dias (mas pode), tem de ser quando sentimos necessidade e quando nos apetece. Mas acredito que todos nós beneficiaríamos de o fazer de vez em quando.

 

2 – Escrevo porque sinto que tenho coisas para partilhar que não consigo guardar dentro de mim

É aqui que entre a escrita de não-ficção, seja em formato de livro ou aqui no blog, e a vontade de impactar a vida das pessoas que me lêem. Porque é esse o meu objetivo e porque, apesar de acreditar que podemos ter várias missões ao longo das nossas vidas, acredito que neste momento a minha missão é mesmo essa: impactar a vida de quem me lê através das minhas palavras.

 

É por isso também que quero fazer muito mais aqui no blog. É por isso que quero fazer artigos mais aprofundados sobre tópicos que acho que são muito importantes. E é por isso que me incomoda, neste momento, não ter tempo suficiente para o fazer. Quero escrever coisas que exigem muita pesquisa, quero muito fazer essa pesquisa, é uma das minhas partes preferidas do processo de escrita (porque, caso ainda não saibam, escrever é muito, muito mais do que apenas escrever). E é por isso que estou a tentar que 2018 seja diferente. Que seja um ano mais equilibrado, mais focado, e em que possa dedicar mais tempo a este espaço e a criar conteúdo de valor para quem por aqui passa. E é por isso, também, que peço a vossa paciência. Por favor, aguentem-se aí desse lado! Isto está prestes a melhorar – e vai ser épico!

 

3 – Escrevo porque há histórias dentro da minha cabeça que precisam de ver a luz do dia

Durante muitos anos, acreditei que não era uma pessoa criativa. Hoje sei que estava apenas a enganar-me a mim própria. Em primeiro lugar, porque sempre houve histórias dentro de mim, eu é que as deixava ficar lá dentro sem lhes dar a devida atenção. E em segundo lugar, porque todos podemos ser criativos, mesmo quem acha que não tem essa capacidade. Tem, sim! Podem acreditar. A criatividade é como um músculo e treina-se como qualquer outro. [Já agora, vou estar no workshop de escrita criativa da Rita da Nova, em Lisboa, no dia 17 de dezembro. Quem se junta?]

 

Hoje vejo que as histórias que quero criar são tantas que a parte mais difícil é escolher a qual dar atenção primeiro. A segunda parte mais difícil é alocar o tempo necessário para lhes dar vida, no meio de todas as outras coisas que também quero fazer. Mas tudo a seu tempo, sei que lá chegarei. E sei que, um dia, vocês vão poder ter as minhas histórias nas vossas mãos, o que me invade com uma enorme onda de adrenalina, tanto pela ansiedade que tal aconteça como pelo medo que essa ideia me faz sentir. Mas há de acontecer!

 

4 – E porque as histórias também podem mudar vidas. É esse o poder da narrativa.

Desde que comecei a escrever ficção que tenho vindo a estudar muito sobre a teoria da estrutura narrativa, o que faz uma história funcionar e provocar em nós uma emoção, os diferentes elementos que devem fazer parte de uma boa história e muitos outros tópicos relacionados com a arte de contar histórias. Foi assim que me apaixonei pelo poder da narrativa. Não tenho dúvidas que uma história bem contada pode mudar a vida de uma pessoa, se tocar nos pontos certos e mexer com o interior de quem a lê. Há histórias que mudaram a minha vida. Tenho a certeza que vocês também conseguem pensar em histórias que vos impactaram de uma forma muito significativa – principalmente se forem leitores ávidos.

 

Ainda tenho muito para aprender, mas o meu objetivo é que as minhas histórias tenham um significado mais profundo e que mudem – nem que seja só um bocadinho – a vida de quem as lê.

 

 

É por isto tudo que escrevo e é por isto tudo que já não consigo parar de escrever.

 

Alguém desse lado também escreve? Contem-me o vosso porquê nos comentários e participem também no desafio da Catarina!

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3 Comments

  • Reply
    abpmartins
    November 27, 2017 at 2:01 pm

    Não tenho hábito de escrever, apenas no blog!!

    https://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/

    Beijinhos ♥

    • Reply
      Filipa Maia
      November 27, 2017 at 2:05 pm

      Acho que se escreves num blog, podes sempre responder a esta pergunta =)

  • Reply
    Tenho de escrever? A minha resposta! – Insustentável Leveza (2)
    December 1, 2017 at 10:58 am

    […] escrevo? 2ª Tenho Mesmo de escrever? Para responder à primeira pergunta apetece-me começar por citar a Filipa Maia do blogue Deixa Ser. Escrevo porque: «1 – Escrevo para ganhar clareza 2 – Escrevo porque sinto que tenho coisas para partilhar […]

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