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Sonhos

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(crédito da imagem: remi skatulski)

 

Eu tenho um sonho. E não é apenas por ser uma frase famosa, é mesmo verdade.

 

Tenho um sonho gigante, um sonho em que consigo visualizar praticamente todos os detalhes. Consigo fechar os olhos e saber exatamente como será a minha vida quando este sonho se tornar realidade.

 

É um sonho novo. É um sonho que vai completamente contra aquilo que eu pensava de mim própria e ao mesmo tempo, percebo agora, tem tudo a ver com a pessoa que sou.

 

Às vezes contamos mentiras a nós próprios. E por tanto contarmos essas mentiras, acabamos por acreditar nelas. E quando isso acontece, é uma sorte conseguirmos aperceber-nos que afinal eram apenas mentiras. Nada mais do que mentiras. E então parece que se abre uma janela. Não se fecha nenhuma porta mas mesmo assim abre-se uma janela. Abre-se uma janela tão grande que nos permite ver outro caminho. A para além de nos revelar esse outro caminho, a janela aberta também deixa a casa mais arejada. Entra mais sol. Parece que ficamos mais leves, mais de bem com a vida. Parece que agora sim, tudo faz sentido, tudo está no seu devido lugar. Nem conseguimos perceber como não tínhamos reparado naquela janela mais cedo (ou se calhar até tínhamos olhado brevemente para ela, mas tínhamos insistido em mantê-la fechada e com as cortinas corridas).

 

Tenho para mim que por vezes custa abrirmos a janela e descobrirmos esse outro caminho porque já gostamos muito do caminho em que estamos. E para além de gostarmos, sentimo-nos confortáveis nele. Ele é conhecido, não é novidade, é como um velho amigo com quem estamos sempre à vontade. Esse caminho já é tão agradável e bonito, então como é que pode haver outro? Outro que ainda por cima é igualmente agradável, ou talvez ainda melhor. E faz-se um grande nó na nossa cabeça enquanto tentamos perceber o que se está a passar. Enquanto tentamos perceber como é que podemos escolher entre os dois caminhos se eles são os dois tão bons e tão feitos à nossa medida. Qual deles escolher? O que for melhor? Mas se ainda não percorremos nenhum deles até ao fim, como é que podemos saber qual é realmente melhor? E se forem realmente bons na mesma medida? Como é que escolhemos então?

 

E é aí que temos de olhar bem para onde se encontra esta janela. Porque afinal a janela está ao lado da porta, não está no canto oposto da casa. E afinal os dois caminhos são paralelos. Não vão em direções opostas e nem sequer se afastam um do outro, como pensámos inicialmente. São simplesmente paralelos e se quisermos, mas se quisermos mesmo muito, podemos percorrer os dois. Vai cansar mais? Vai. Vai dar mais trabalho? Vai. Vamos fazer o dobro dos quilómetros? Vamos. Mas é possível. E se é possível, está nas nossas mãos fazê-lo.

 

Eu tenho um sonho. É um sonho que segue por outro caminho, mas é um sonho tão bom que vale a pena correr o dobro da distância.

 

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1 Comment

  • Reply
    Glória
    February 13, 2017 at 10:42 am

    Deixaste-me curiosa! Não sei de que sonho falas (adorei “ouvir-te” falar de um novo sonho) mas já sabes qual o primeiro sonho que me veio à cabeça. Não sei se será… mas se for é um caminho maravilhoso, de subidas a pique, descidas turbulentas mas sempre repletas de felicidade… Um caminho sem fim à vista e, o melhor de tudo, sem retorno possível! Independente de ser esse o sonho temos de falar!!! 😉

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