Ser feliz

feliz

 

Tenho pensado muito no que é ser feliz. É um tópico difícil e altamente subjetivo mas que considero muito interessante.

 

Eu sou uma pessoa naturalmente feliz. Não sei de onde vem esta minha facilidade em ser feliz, não me parece que alguma vez tenha feito algo intencional para isso nem que os meus pais me tenham ensinado a ser assim. Simplesmente sinto-me feliz mais frequentemente do que não. E penso que me sinto feliz mais frequentemente do que a maior parte das pessoas.

 

Conheço também algumas pessoas que são naturalmente infelizes, ou apenas não felizes. E acredito que para quem tenha essa tendência natural seja muito difícil mudar.

 

Hoje estava a pensar neste assunto e apercebi-me que isto da felicidade é capaz de funcionar muito como o fitness. Já ouvi/li várias vezes que as pessoas que conseguem ter um real sucesso no campo do fitness (não necessariamente a nível profissional, simplesmente serem pessoas fit e saudáveis) são aquelas que não só se focam nos seus objetivos finais mas gostam e sentem prazer com o processo para lá chegar. Gostam de ir ao ginásio, de comer bem, de verem os pequeninos progressos a acumularem-se. Também há uns tempos, num workshop de escrita, o formador nos disse que se queremos ser escritores não basta querer ver o nosso livro publicado. Temos de gostar do processo, de nos sentarmos na secretária a escrever, e de fazê-lo durante horas. Se não gostarmos, nunca vamos ter motivação suficiente para levar um livro até ao fim. E penso que na felicidade é o mesmo.

 

Muitas pessoas, quando questionadas sobre o que precisam para serem felizes listam uma série de coisas. Uma casa, de preferência numa boa localização, uma relação perfeita com o seu parceiro, X filhos e Y euros no banco, conseguir o cargo XPTO na empresa, ter muitos amigos, saúde, etc.

 

Pensando um pouco nisto, penso que se estabelecermos uma lista de objetivos deste género e dissermos “quando conseguir tudo isto, aí sim, vou ser feliz” então com certeza acontecerá uma de duas coisas. Primeira possibilidade: quando tivermos tudo isso vamos perceber que afinal não era nada daquilo que queríamos, ou que até queríamos aquilo mas que tudo isso não nos faz ser verdadeiramente felizes. Segunda possibilidade: sim, queríamos tudo aquilo, mas agora que já lá chegámos queremos um pouquinho mais. Queremos chegar ainda mais longe e com essa ânsia continuamos a ser infelizes.

 

Para mim há duas chaves para se ser feliz. Primeiro, gostar e desfrutar do processo. Se eu tenho uma série de objetivos, não posso adiar o sentimento de felicidade apenas para quando os conseguir. Devo sentir-me feliz cada vez que der um pequeno passo nessa direção. Segundo, apreciar as pequenas coisas. Na realidade, o que nos faz feliz não é a casa ou o dinheiro no banco ou ser diretor na empresa. O que nos faz feliz são as coisas pequenas.

 

O que me faz feliz é sentir que fiz um bom trabalho na empresa e levar um projeto a bom porto, mesmo não sendo (ainda) diretora. É todos os dias escrever um bocadinho do meu livro (se apenas a publicação me trouxesse felicidade, duvido que o escrevesse, sendo tão incerta a possibilidade de o ver um dia publicado). São os momentos que passo com a minha família e com os meus amigos. É o café pela manhã e o chá ao final do dia. É um quadrado de chocolate a derreter na boca e uma boa caminhada pela manhã. É ler um livro muito bom. É acordar ao lado da minha pessoa. É viajar para um sítio diferente e interessante. É ver o sorriso na cara de uma pessoa querida quando ofereço um presente de que gostaram (agora que estamos tão perto do Natal). É reencontrar amigos que já não vejo há muito tempo. É ir passear à beira mar, principalmente no Inverno. É passar a ponte da Arrábida quando chego ao Porto. É ver o rio Tejo do alto quando aterro em Lisboa. É acordar e saber que tenho um novo dia pela frente e que posso fazer dele (e de todos os outros que se seguirão) o que eu quiser.

 

Vamos ser felizes todos os dias.

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