Motivação e Mudança Mudar de vida

5 Coisas de que vais precisar se quiseres mesmo mudar de vida

Mudar de vida

 

Muito se tem falado, ultimamente, sobre esta coisa de mudar de vida. Há cada vez mais pessoas a deixarem empregos tradicionais, a criarem o seu próprio emprego ou negócio, a serem empreendedoras. As estatísticas mostram que não faltam muitos anos para que nos Estados Unidos 40% da população trabalhadora esteja a trabalhar por conta própria. Ouvimos histórias de sucesso, pessoas que relatam vidas fantásticas e que partem em viagem pelo mundo porque podem trabalhar a partir de qualquer lugar. E isso é maravilhoso.

 

Também tenho começado a ver algumas opiniões de crítica a esta tendência. Porque parece estar a tornar-se mesmo uma tendência, no pior sentido da palavra, parece que virou uma moda e quem não a seguir é um ovo podre. E isso pode deixar muitas pessoas baralhadas e perto de tomarem decisões precipitadas e que podem não ser as melhores para si. O que me dá algum medo, confesso.

 

Por exemplo, a Vânia, do blog Lolly Taste, publicou este artigo fantástico sobre este assunto. Nele, ela explica como viu várias pessoas à sua volta a tomarem este tipo de decisões, a despedirem-se e a mudarem as suas vidas, e como isso a deixou confusa e a pensar se estaria a perder alguma coisa por não fazer o mesmo. Começou mesmo a pensar em alternativas para a sua vida profissional e a considerar despedir-se também. Até que percebeu que afinal não era nada disso que queria. E dessa conclusão nasceu este artigo que recomendo mesmo que leiam.

 

O problema é que outras pessoas poderão sofrer o mesmo tipo de influências e tomar uma decisão precipitada, apercebendo-se apenas mais tarde, assim como aconteceu à Vânia, que afinal não era nada daquilo que queriam. E isso é muito grave. Eu nem consigo imaginar o sofrimento que deve ser quando uma pessoa muda toda a sua vida para depois perceber que não queria nada daquilo e que estava bem era antes de mudar.

 

E é por isso que escrevo este artigo hoje. Porque eu acredito mesmo que não é suficiente ter-se uma repentina vontade de ser livre e de se tornar location-independent ou digital nomad para se mudar de vida. É preciso muito mais do que isso. E é essa mensagem que quero transmitir.

 

Quando aqui contei que decidi mudar de vida, penso que consegui que todos percebessem que a minha tinha sido uma decisão muito ponderada. Quem me conhece com certeza sabe que isso é verdade. Mas caso não tenham percebido, deixem-me ser bem explícita e dizer que nada na minha decisão foi precipitado. E hoje gostava de vos falar das 5 coisas que acredito serem absolutamente indispensáveis para quem está a pensar mudar alguma coisa na sua vida.

 

 

1 – Certeza

Tens de ter a certeza que é mesmo isso que queres. Pode parecer óbvio mas é mesmo importante. Enquanto não tiveres a certeza absoluta que é isso que queres, não avances. Não vale a pena arriscar um futuro arrependimento.

 

Tenho muito medo que haja pessoas com dúvidas se realmente o devem fazer ou não e que pensem “bem, está todo mundo a fazê-lo, por isso deve ser fixe e tal…”, sem, de facto, terem e certeza.

 

Não! Por favor.

 

Não tomes enormes decisões de vida sem teres a certeza absoluta que é mesmo isso que queres. E eu sei que às vezes pode parecer difícil perceber se tens mesmo a certeza ou não, mas eu vou dar-te uma pista: se não consegues perceber é porque ainda não tens a certeza. Ponto.

 

Quando tiveres a certeza, vais saber. Não vai haver dúvidas. Vai ser tão claro como a água. Se ainda te sentes hesitante, se ainda sentes o teu corpo a retrair-se quando pensas no assunto, é porque ainda não chegou o momento certo.

 

Pode ser que com o tempo venhas a ter a certeza ou pode ser que um passo desses não seja mesmo para ti e não há problema nenhum. Copiar os outros é que não vale: a vida é tua e é responsabilidade tua seres feliz.

 

Agora apenas uma ressalva: ter a certeza não significa não ter medo. Não mesmo! Podes – aliás, vais – ter a certeza e continuar a ter medo. O medo nunca vai desaparecer. O medo significa apenas que te estás a propor fazer coisas que neste momento ainda não estão ao teu alcance ou que ainda não te sentes capaz – e isso até pode acontecer dentro do teu trabalho de todos os dias. Mas quando digo para esperares até teres a certeza não estou a dizer para esperares até deixares de ter medo: se assim fosse, nunca ninguém teria mudado de vida.

 

Precisas de ter a certeza, mas atenção: apenas ter a certeza não é suficiente! Vais precisar de mais quatro coisas.

 

 

2 – Um plano

Sim, é importante teres um plano. Isto não quer dizer que tenhas de saber exatamente o que vais fazer para o resto da tua vida, nada disso! Isto quer apenas dizer que precisas de ter como sobreviver e que não deves dar um salto no escuro sem teres um qualquer meio de te sustentares. Afinal, todos temos contas para pagar!

 

Eu acredito que, às vezes, possa dar vontade de deixar tudo e dar uma grande volta à vida só por estarmos fartos da maneira como a vida é, mas sem um plano estou certa que não pode correr bem.

 

Este plano pode envolver várias coisas. Pode ser que só saias do teu emprego quando já tens outro garantido, ou pode ser que trabalhes no teu negócio nas horas livres até teres a segurança suficiente para saberes que vais conseguir sustentar-te. O plano pode até passar por poupanças que tens no banco e que te vão permitir fazer uma transição mais lenta. Ou até mudares para um emprego que te ocupe menos tempo, como um part-time, para teres mais tempo livre para dedicar ao teu novo negócio enquanto ainda não podes depender apenas dele.

 

Há várias hipóteses e todas elas são válidas. O importante é que este plano exista e te deixe confortável. Precisas de conseguir dormir de noite e despedires-te ou abdicares de um rendimento sem saberes como vais conseguir comprar comida no mês seguinte simplesmente não é uma alternativa.

 

O que também tem de fazer parte deste plano é o que vais fazer a seguir. Como já disse: não tens de saber o que vais fazer para o resto da vida, mas tens de saber o que vais fazer, pelo menos, nos meses seguintes. Podes ainda não saber por que área de trabalho vais enveredar, mas, se for esse o caso, deves pelo menos ter algumas áreas de interesse que te proponhas a explorar para veres qual desperta mais a tua paixão. Porque não, nem todos sabemos à nascença nem desde pequeninos o que queremos fazer com o resto das nossas vidas, mas tens de estar disposto a explorar as tuas opções até encontrares aquela que te faz vibrar mais.

 

 

3 – Uma rede de apoio

Uma rede de apoio que te vai servir dois objetivos. Em primeiro lugar, todos sabemos que nem sempre os planos dão certo, por isso se o plano de que falámos no ponto anterior falhar, convém teres algum apoio, alguém que te possa ajudar durante algum tempo enquanto te voltas a endireitar depois da queda. Esta rede de apoio nem precisa de ser alguém que se disponha a pagar as tuas contas se tu falhares, pode ser alguém que, em vez disso, se disponha a dar-te um trabalho. Mas, mais uma vez, é importante que consigas dormir à noite e este é mais um nível de segurança que vai contribuir para isso.

 

Para além disso, também precisas de uma rede de apoio a nível psicológico. Alguém que acredite em ti, que te dê força e com quem possas conversar.

 

Se fores em frente, vais encontrar, no meio deste processo de mudança, pessoas que não acreditam que sejas capaz. Pessoas que te vão deitar a baixo e que te vão dizer que aquilo que queres não é possível. Se não tiveres uma rede de apoio positivo para contrabalançar estes inputs negativos, acredito que possas não ficar num estado psicológico muito saudável. Vais sentir-te sozinho, isolado, que és tu contra o resto do mundo. E isso não é forma de se viver.

 

Se tiveres alguém do teu lado, os momentos mais difíceis vão tornar-se automaticamente mais fáceis e vais conseguir recuperar forças recorrendo a esse apoio.

 

 

4 – Confiança

Confiança em ti. Nas tuas capacidades, na tua força, na tua própria decisão. Confiança de que já tens tudo aquilo de que precisas para seres bem sucedido – nem que seja a capacidade para ires atrás daquilo que ainda te falta. Confiança em ti próprio é algo crítico para quem quer iniciar algo novo – seja o que for esse algo. Sem confiança será mil vezes mais difícil dares os passos que precisas de dar para concretizares o teu plano. Se estiveres sempre a questionar as tuas próprias capacidades, precisarás de muito mais força para conseguires executar, e esse acréscimo de força necessária poderá fazer com que acabes por desistir antes do recomendável.

 

Confiança no processo. Confiança que é possível. Não és o primeiro nem serás o último a mudar algo na sua vida, por isso já sabemos que o processo pode resultar, se deres os passos certos. Por muito medo que possas ter, tens de saber, ao mesmo tempo, que tudo vai funcionar como tem de funcionar. É possível, é mesmo possível. Já dizia o Walt Disney, “se consegues sonhá-lo, consegues fazê-lo” por isso acredita com todas as tuas forças. Confia nas possibilidades.

 

 

5 – Disciplina e muita vontade de trabalhar muito

Se queres mudar de vida, não duvides nem por um momento que vais precisar de trabalhar muito! Podes precisar de voltar a estudar, possivelmente precisaras de treinar ou praticar, existe até uma forte possibilidade de teres de trabalhar de graça, pelo menos no início.

 

Eu tenho como objetivo uma vida mais equilibrada mas sei que nesta fase de transição tenho de dar tudo por tudo. Entre aulas (durante meses com 3 cursos diferentes ao mesmo tempo), trabalhar no meu próprio negócio, trabalho voluntário para ganhar experiência, continuar com o blog e com a escrita, pouco tempo me sobra para parar e tenho tido semanas de total loucura. É duro, mas fui eu que escolhi e sei que é uma fase, que é temporário, que tenho aprendido imenso e que todo este processo me está a fazer crescer ainda mais.

 

Para se fazer tudo isto, no entanto, é essencial uma coisa: disciplina.

 

Porque o teu negócio não se vai montar sozinho, os cursos não te vão ensinar nada se não te aplicares, e se por acaso fizeres trabalho de forma voluntária, não haverá um ordenado no fim do mês a funcionar como incentivo. Terás apenas a ti próprio para te motivar e incentivar. E isso exige, exatamente, disciplina. Resiliência. Grit.

 

Caso não conheçam a definição de grit, é muito simples: paixão + resiliência. E a chave aqui é a resiliência, porque se escolheste algo a que te dedicar, é expectável que tenhas uma paixão ou, pelo menos, um interesse na área. Mas para seres bem sucedido, precisas, para além da paixão, de trabalhar consistentemente, e para isso precisas de disciplina para continuares no longo prazo, e de resiliência para enfrentares os obstáculos.

 

Se não fores capaz de continuar a acordar cedo mesmo não tendo de ir para o escritório, de te sentares na secretária a trabalhar mesmo não tendo ninguém a exigir-te que entregues trabalho, de continuar a aprender todos os dias um bocadinho mais, de trabalhar muitas horas até as coisas começarem a estabilizar, então não vais conseguir. Por isso esta é outra das certezas de que precisas: a certeza de que vais conseguir manter-te disciplinado durante todo o processo. Caso contrário, nem vale a pena tentar.

 

 

 

(Apesar de estarmos essencialmente a falar de grandes mudanças de vida, acredito que são precisas exatamente as mesmas coisas para se fazerem mudanças mais pequenas mas que queremos que perdurem)

 

Se te faltar alguma destas 5 coisas, não te precipites. Espera! Não há mal nenhum em dar tempo ao tempo e aguardar pelo momento certo. Não é uma corrida e ninguém te vai criticar se te mantiveres como estás. Está tudo bem.

 

Só não vás atrás de modas só porque todos o fazem, sem teres a certeza que é mesmo isso que queres para ti e sem teres todas as ferramentas que sabes que vão ser necessárias.

 

Se tu já mudaste alguma coisa na tua vida, acrescentarias mais alguma coisa a esta lista? Conta-me nos comentários.

You Might Also Like

4 Comments

  • Reply
    ritamartins
    January 22, 2018 at 9:47 pm

    Li este post e também o da Vânia e acho que estou a apanhar esta onda. Vejo toda a gente a despedir-se (até tu! até o meu namorado!) e sinto que deveria fazer o mesmo. Porque sinto que há uma vida imensa por explorar – mas depois onde vou arranjar o meu rendimento para fazer os cursos todos e viajar o mundo inteiro? Temos MESMO de ter os pés assentes na terra. Temos de perceber as nossas prioridades e procurar fazer aquilo de que gostamos. Esse deve ser o nosso principal objetivo – e depois logo vemos se faz sentido ter ou não horário, se faz sentido ter ou não um chefe, se faz sentido montar uma empresa ou não.
    É uma chatice passar por esta crise de identidade profissional (blogpost idea!!) mas são as dores de crescimento que nos ajudam a ir mais longe. Obrigada pelo post e pela reflexão 😀

    • Reply
      Filipa Maia
      January 22, 2018 at 10:15 pm

      É verdade, Rita, é mesmo preciso ter cuidado. Não é porque “toda a gente” (não é mesmo toda a gente, isso é só o que parece) o faz que temos de ir atrás. Além disso, há uma altura ideal para o fazer. Não precisa de ser já. Há tempo para reunir as condições necessárias e, mais tarde, se for mesmo esse o desejo, então avança-se. Penso mesmo que o importante é as pessoas não ficarem paradas no entretanto. Se pensam que essa pode vir a ser uma possibilidade para elas no futuro, é importante começarem desde logo a construir e trabalhar as ferramentas que virão a ser necessárias. Fazer cursos, fazer side-projects, ganhar portfólio e experiência são coisas que se podem ir fazendo on-the-side, e quando chegar a altura certa já vão mais bem preparadas! E isso é algo que eu sei que tu fazes 🙂 Eu, infelizmente, apenas comecei a fazer isso muito tarde, mas pronto, ainda fui a tempo 🙂 Um dia destes marcamos um cafézinho para falar destas coisas 😉 Beijinho

  • Reply
    Olívia
    January 24, 2018 at 11:32 am

    É realmente uma grande mudança. É preciso pensar bem antes de avançar. E certos negócios próprios dá para começar logo a preparar enquanto ainda trabalhamos para outra pessoa. Já pensei nesse assunto, mas gosto tanto do sítio onde trabalho e dos meus patrões que por enquanto me vou manter onde estou. Tenho excelentes condições de trabalho e somos uma família lá. Para além disso, começar uma clínica veterinária sozinha não é o meu sonho e é preciso um grande investimento.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

    • Reply
      Filipa Maia
      January 24, 2018 at 11:37 am

      Certo: não só é preciso pensar muito como também conhecermo-nos muito bem. Eu também adorava o lugar onde trabalhava e se não fosse todo o trabalho de auto-conhecimento que fiz e que me ajudou a perceber que há outras coisas a que dou mais valor, acredito que lá me teria deixado ficar durante mais uns bons anos! 🙂 Beijinho

Leave a Reply

%d bloggers like this: