#91/100 – A importância (ou não) dos números

#100palavraspordia

 

Na semana passada vi este vídeo dos vlogbrothers – do Hank, apesar de o John ter muito mais piada (mas de qualquer forma, a intenção deste vídeo não é ter piada) – que me fez pensar:

 

 

Este vídeo é sobre um terramoto mas, na verdade, não é mesmo sobre um terramoto – ok, o início é sobre um terramoto, mas a parte importante não é essa.

 

Este vídeo fala de números. Eu sou uma pessoa de números, sempre tive facilidade com eles, e apesar de estar a mudar muitos dos meus interesses, continuo a gostar muito de números, e quero mesmo continuar a trabalhar com números – de várias formas. No entanto, a mensagem deste vídeo acaba por ser contra os números, e eu concordo com ela.

 

Para quem não quis ver o vídeo, o Hank fala de um terramoto que sentiu em casa, e depois fala de vários terramotos, nomeadamente o do Haiti em 2010, com uma intensidade de 7.0 na escala de Richter, e do facto de que no mesmo ano houve mais cerca de 20 terramotos que tiveram a mesma intensidade ou superior, mas que não foram, nem de perto, tão destrutivos como o do Haiti. Ele explica depois quais foram os motivos que levaram a tal disparidade e começa então a fazer um comentário sobre como os números podem ser pouco indicativos das coisas que realmente importam. Dá alguns exemplo de números a que costumamos dar bastante importância, como por exemplo as médias dos testes ou exames, o nosso saldo bancário, o nosso IMC (ou peso), ou o peso que conseguimos levantar no ginásio.

 

Ele afirma, e com toda a razão, que gostamos de olhar para estes números porque eles tornam fácil quantificar diversas coisas. O pior é que depois usamos estes mesmos números para quantificar o nosso valor, e é precisamente aí que está o erro. Quando estes números não são aquilo que esperamos – ou aquilo que a sociedade espera – perdemos confiança, sentimo-nos diminuídos. Ele usa mesmo a frase “you’re not your numbers”, ou “tu não és os teus números”. Porque há tantas outras coisas que não conseguimos quantificar e traduzir num número.

 

Na escola, testamos a Matemática, o Português, a História e a Físico-Química, mas não testamos a persistência, a capacidade de comunicação, a determinação, a assertividade, a empatia ou a capacidade de trabalho. Não só não testamos como não nos preocupamos em ensinar. No entanto, muitas vezes no mundo real, estas últimas capacidades ditam muito mais o nosso sucesso do que a nota que tivemos em tempos a Matemática ou a Português. Não digo que não seja importante aprender os conteúdos de cada uma das disciplinas, obviamente que é, mas e o resto? Podemos alegar que a responsabilidade de ensinar estas “soft skills” deverão cair sobre os pais, mas será mesmo que não há nada que se possa fazer nas escolas para contribuir para uma formação mais completa dos nossos jovens?

 

Se os pais não o souberem, quem é que vai ensinar as crianças e os jovens que precisam de saber comunicar com os seus pares e superiores hierárquicos, que devem ser persistentes e tentar fazer coisas que são difíceis, mesmo que dêem muito trabalho, que se conseguirem auto-motivar-se são capazes e qualquer coisa, que têm de ter confiança neles próprios? Concordo que devem ser os pais, as famílias, a ensinarem o bom comportamento em sociedade, a honestidade, o respeito e outros valores imprescindíveis, mas no que toca a “soft skills” como comunicação, assertividade, auto-confiança entre outras, parece-me que falta muita coisa no nosso sistema de ensino.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

Leave a Reply