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Fui ver Harry Potter and the Cursed Child

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No fim de semana passado, dia 10 de Dezembro, fui ver a peça Harry Potter and the Cursed Child. Ou melhor, as peças, uma vez que são duas partes. Sim, isso mesmo, cerca de 5 horas de peça de teatro, tudo no mesmo dia.

 

Comprei os bilhetes no dia 28 De Outubro de 2015, no primeiro dia em que eles foram colocados à venda, com exatamente 409 dias de antecedência. Nesse dia foram colocados à venda os bilhetes para as exibições entre julho de 2016 e janeiro de 2017, e apesar de estar colada ao site a tentar desde que ele abriu, já só consegui bilhetes para dezembro.

 

E fui esperando ansiosamente pelo dia da peça, houve alturas em que quase me esqueci que ela iria acontecer, apenas para depois me relembrar e o meu coração saltar com ansiedade.

 

Nos entretantos e a partir de Julho fui evitando ao máximo qualquer espécie de spoilers, quer no Youtube, em blogs ou em sites de notícias. E consegui, não soube o mais pequeno pormenor antes da peça, a não ser aquilo que toda a gente sabia: a peça retomava exatamente onde o epílogo do último livro tinha terminado. Ou seja, 19 anos depois da batalha de Hogwarts.

 

Penso que faz sentido abrir aqui um parêntesis para explicar a minha relação com o Harry Potter. Sim, é uma relação já longa e maravilhosa. Somos velhos amigos.

 

Não me vou alongar muito porque este tema é algo sobre o qual conseguiria estar aqui a escrever durante horas, mas vou-me ficar pelo básico. Li o primeiro livro com 14 anos e fiquei imediatamente enfeitiçada. Foi uma questão de meses até comprar os dois seguintes (quando o fiz, o terceiro tinha acabado de sair) e no Natal seguinte o pedido mais importante foi o quarto livro. Pouco tempo depois, comprei o quarto livro também em inglês e a partir do quinto fui a todos os lançamentos à meia noite na Fnac, tanto das edições inglesas como das portuguesas. Quando saia a edição inglesa, enfiava-me imediatamente (às 0h10) em casa a ler e não fazia mais nada enquanto não terminasse. Chorei muito a ler estes livros. Alguns (os primeiros) já devo ter lido umas 10 vezes, até porque desde o quarto até ao sétimo relia sempre a séria toda em preparação para o novo.

 

Não sei muito bem explicar isto, mas o Harry Potter faz parte de mim, faz parte da pessoa que sou. Não sei explicar mas sinto que aquelas personagens são meus amigos, sinto que enquanto lia consegui sentir algumas das coisas que aquelas personagens sentiam. Sei que a maior parte das pessoas não compreende isto, mas também sei que há uma grande comunidade de pessoas que como eu também sentem isto. Já falei muito com algumas delas na internet. Não conheço ninguém pessoalmente a quem o Harry Potter diga tanto como a mim. Mas sei que eles andam aí.

 

Depois vieram os filmes, mas não é a mesma coisa. E depois veio o Pottermore, em que a autora nos escreve sobre variados tópicos, desde passado de personagens secundárias a explicações mais aprofundadas sobre o funcionamento do mundo mágico que não surgem nos livros, mas também não é a mesma coisa. E agora veio esta peça e também não é a mesma coisa, mas a J.K. Rowling colaborou na escrita e por isso eu tinha de ir ver. Confesso que se ela não tivesse estado envolvida, provavelmente não me teria despertado o interesse. Mas se saiu da cabeça dela e se ela diz que foi isto que aconteceu, então eu tinha de estar lá.

 

E a peça não desiludiu.

 

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Ri, chorei, emocionei-me, soltei expressões de espanto ao mesmo tempo que mais de 1000 outras pessoas que estavam dentro da mesma sala a ver a mesma coisa.

 

O sentido de comunidade foi mais do que muito, as personagens não desapontaram, a história foi suficientemente interessantes para nos deixar com curiosidade em relação ao que aconteceria a seguir. Foram 5 horas de peça altamente empolgantes.

 

A primeira parte começou às 14h e acabou já depois das 16h30. Como a segunda parte apenas começaria às 19h30 fomos jantar (um ramen muito bom) perto do teatro e depois fomos a uma casa de donuts comer um e beber um café (e ficar na conversa). Ainda assim voltámos mais cedo para o teatro porque eu queria ver o merchandise que estava à venda. Comprei o livro souvenir com fotos da peça, um colar dos Gryffindor, uma caneta dos Gryffindor e um pin dos Gryffindor. Depois veio a segunda parte, que me pareceu ter tido mais reações do público do que a primeira, mais gargalhadas, mais expressões de espanto. Gargalhadas e expressões de espanto que só quem conhece muito bem o Harry Potter poderia perceber.

 

Quando terminou, o sentimento foi mais uma vez de alegria e de tristeza ao mesmo tempo. Alegria porque a peça foi gira, porque tive a enorme sorte de poder assistir ao vivo nos primeiros meses de exibição com o cast original, porque revivi sentimentos que só o Harry Potter me transmite. Tristeza porque foi mais um fim, porque acabou mais uma vez, porque não vão existir mais histórias com estas personagens.

 

Adorava que a Jo escrevesse um livro com a história desta peça. Mas um livro mesmo, não a edição que saiu entretanto com o guião da peça. Um livro. Seria maravilhoso e tenho a certeza que com a mestria dela conseguiria introduzir muitos mais pormenores do que os da peça. Mas infelizmente não há previsões de que isso aconteça.

 

Fiquei mais uma vez com vontade de reler os livros todos outra vez. É algo que me custa por causa dos mais de 100 livros não lidos que tenho à minha espera na estante, mas estou mesmo com vontade de relembrar tudo mais uma vez. Ainda tenho a edição ilustrada da Câmara dos Segredos para ler… Sou capaz de ler a Pedra Filosofal antes, depois leio essa edição ilustrada e depois logo vejo se me vai apetecer continuar (pois, claro, como se fosse possível não apetecer…)

 

E por aí, há alguém assim tão fã de Harry Potter? Alguém que tenha ido ver a peça? Gostaram?

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2 Comments

  • Reply
    Joana
    December 19, 2016 at 10:53 pm

    Também gosto imenso de Harry Potter. Não ao teu nível, parece-me, mas gosto muito. Não tivesse sido o Ron a minha segunda crush de miúda (a primeira foi o Pedro da colecção ‘Uma Aventura’, e continuo ainda hoje a achar que não é por acaso que arranjei um marido Pedro com óculos e todo nerd. Adiante). Não fui ver a peça, mas sinceramente não sinto grande curiosidade. Não sei, para mim a história acabou ali, já está, fiz o meu luto, aceitei o fim. Há duas semanas revi todos os filmes de seguida (ou tão de seguida quanto um bebé de sete meses nos permite) e no fim tive novamente a mesma sensação: acabou, é o fim, é a vida. Curiosamente, esta sensação não me acontece com outras coisas (como o Star Wars, por exemplo, que continuo a rever de uma forma maníaca).

    Talvez ainda esteja a recuperar de ter descoberto que o Pottermore acha que sou uma Hufflepuff. Vá, pelo menos o meu Patronus é um golfinho, ao menos isso (que coisa tão Hufflepuff!).

    • Reply
      Filipa M.
      December 20, 2016 at 5:21 am

      Olá Joana!
      O Pottermore acha que eu sou uma Ravenclaw, o que faz algum sentido, mas eu sinto-me mais Gryffindor 🙂
      Também ando com vontade de ver os filmes todos de seguida, talvez o faça agora no Natal. Há cerca de um ano o que fiz foi ouvir os audiobooks todos (enquanto conduzia, ia ao ginásio, fazia caminhadas, arrumava a casa) (versão britânica!) e a narração é absolutamente deliciosa! Tens de experimentar.
      Beijinho

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