Crítica #10: O teu rosto será o último de João Ricardo Pedro

rosto

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Título: O teu rosto será o último
Autor: João Ricardo Pedro
Editora: Leya
Género: Hum… Ficção literária?
Ano de publicação: 2011

Classificação:

4stars

Comprei este livro na Fnac do aeroporto de Lisboa, totalmente por impulso. Nunca antes tinha ouvido falar dele nem do autor (é triste, eu sei). Mas tanto a sinopse como a pequena biografia do autor me chamaram a atenção. Achei muito interessante que o autor fosse um engenheiro electrotécnico que se achou desempregado em 2009 na sequência da crise, e com tanto tempo livre que de repente tinha disponível começou a escrever. E assim nasceu este livro. Ele era engenheiro e agora é escritor. Estão a ver bem? Era engenheiro. Agora é escritor. Já perceberam?

Para além disso, este livro ganhou o prémio Leya de 2011 e eu meti na cabeça que quero ler todos os vencedores do prémio Leya, por isso mais um bom motivo para comprar este livro no aeroporto imediatamente antes de levantar voo para uma viagem de 10 dias para a qual já levava 3 livros comigo, um deles com mais de 600 páginas. (para além deste ainda comprei outro, por isso acabei por arrancar para a viagem com um total de 5 livros, mas sejamos justos, um deles andava a ler há duas semanas e faltavam-me apenas 50 páginas para acabar, por isso no fundo eram só 4.1 livros… para 10 dias… eu nunca disse que não tinha um problema) (para reconforto de alguns, nomeadamente de mim própria, nessas férias acabei as 50 páginas do livro que já tinha começado, li este do João Ricardo Pedro, li um terceiro inteirinho e ainda comecei o de 600 páginas… por isso só o outro que comprei no aeroporto é que voltou de férias intocado, logo não foi assim tão mau quanto isso) (de qualquer forma, voltando ao tópico do post…)

Este livro conta-nos a história do Duarte mas anda à volta de vários personagens da família do Duarte, nomeadamente o avô e o pai. A primeira cena passa-se no 25 de abril de 74 mas a história não é narrada por ordem cronológica. Na verdade, salta no tempo e salta entre personagens, não havendo qualquer indicação no início dos capítulos de qual personagem estamos a acompanhar nem de quando se passa aquela cena. Tais factos poderiam fazer crer que facilmente perderíamos o fio à meada, mas tal não foi o caso, e penso que isso se ficou a dever à mestria do autor a construir os diferentes capítulos.

O avô de Duarte vive numa pequena aldeia perto do Fundão e apesar de os pais dele depois se mudarem para Lisboa, acompanhamos várias cenas típicas de aldeia. Aliás, o romance é muito tipicamente Português, com muitas referências à ditadura e ao Salazar, ao 25 de abril, à guerra do ultramar. Para mim isto dá um certo encanto ao livro, uma vez que adoro histórias portuguesas passadas no pós-25 de abril.

A escrita de João Ricardo Pedro é deslumbrante, o livro lê-se num ápice (não só porque é curto mas também porque se lê mesmo muito bem). Recomendo muito este livro a quem esteja à procura de novos escritores portugueses. O autor lançou há cerca de um ano o seu segundo romance, intitulado Um Postal de Detroit, que quero muito ler.

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