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Crítica #4: Eleonor & Park de Rainbow Rowell

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Título: Eleonor and Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Orion Books
Género: Juvenil
Ano de publicação: 2013

Classificação:

4stars

Eleonor & Park é uma história sobre dois adolescentes, alunos de secundário numa cidade americana, que são (e se sentem) diferentes de todos os outros. Eleonor vive com a mãe, o padrasto e os irmãos e a sua vida familiar não é particularmente saudável. Para além disso, tem fortes complexos em relação ao seu corpo. Park tem um pai americano e uma mãe coreana e sente que a sua maneira de ser incomoda o pai e é diferente dos outros rapazes da sua idade. Eleonor é nova na escola e de uma forma inesperada faz amizade com Park. São as suas diferenças que acabam por os unir.

O livro é escrito de forma alternada entre a perspectiva de ambos os protagonistas. Isto permite-nos compreender bem as duas personagens e a maneira diferente como, por vezes, os dois experienciam a mesma situação. A história torna-se interessante logo desde o início, quando percebemos que Eleonor vive numa situação muito delicada. Já antes expulsa de casa pelo padrasto, e só lhe tendo sido permitido voltar após um ano, ela vive no terror de que isso volte a acontecer. A própria mãe vive aterrorizada do namorado, pelo que nunca é uma grande ajuda para Eleonor. Rapidamente a tensão vai aumentando, tanto em relação à situação com a família como na escola, onde Eleonor é atormentada por alguns colegas. O ritmo do livro é bastante acelerado e lê-se com muita facilidade. A cada capítulo vamos conhecendo melhor as mentes dos dois personagens e percebendo o porquê da forte ligação entre os dois.

Um facto curioso deste livro é que, apesar de ser de 2013, passa-se nos anos 80. Eu, que nasci nesta década, gostei deste aspeto e penso que poderá ser muito revelador para os jovens de hoje em dia, que não fazem ideia de como era viver sem telemóveis, WhatsApp, Facebook e internet. Não sabem o que é “ligar para casa” de um amigo nem ouvir música a partir de um walkman a pilhas. Para mim foi uma bela forma de recordar algumas situações antigas que hoje em dia simplesmente não acontecem, como quando ligava para casa da minha melhor amiga para tirarmos dúvidas uma com a outra sobre os trabalhos de casa.

Recomendo o livro a todos os jovens, quer se sintam diferentes ou não, e a todos os pais que queiram perceber alguns do sofrimentos dos adolescentes de hoje em dia, que apesar de todas as diferenças são muitos dos mesmos dos que cresceram na década de 80.

Só mais um pormenor: adoro o trocadilho do título.

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