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Crítica #14: Anatomy of a Darkened Heart de Christie Stratos

anatomy

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Título: Anatomy of a Darkened Heart
Autor: Christie Stratos
Editora: N.Ap.
Género: Dark victorian?
Ano de publicação: 2015

Classificação:

 

Tomei conhecimento deste Anatomy of a Darkened Heart através do Youtube da autora, que se chama Christie Stratos e é uma editora profissional que também escrever e faz vídeos no Youtube sobre escrita e revisão. Cheguei ao canal dela através dos vídeos do NaNoWriMo do ano passado e gosto muito de a ver.

 

Este foi o primeiro livro independente que li e não me arrependo nada. Comecei a ganhar interesse em ler o livro exatamente ao ver os vídeos da autora sobre escrita. Ela dá conselhos e faz algumas recomendações e por vezes acaba por dar exemplos do seu próprio livro. Ao ouvi-la falar dele fiquei com curiosidade. Além disso, tive todo o gosto em contribuir para a plataforma dela através da compra do ebook.

 

Nesta história seguimos a história da família Whitestone, a partir do nascimento da primeira filha e durante os 20 anos seguintes. É uma história que se centra essencialmente nos personagens e quase nada no enredo. Aliás, quase não existe enredo, apenas o dia a dia de uma família. Uma família conturbada, contudo, que permite que mergulhemos nos sentimentos mais negros da natureza humana. O género desta obra é “dark victorian”, que não sei muito bem como traduzir para português (vitoriano negro será o mais óbvio, mas será que sequer existe?). No fundo, este livro permite-nos observar os possíveis efeitos que ser uma criança não desejada pode ter sobre alguém, na mais terrível forma possível, sendo que este facto nunca foi propriamente escondido desta criança.

 

Lemos sob a perspetiva de todos os membros da família, um total de cinco personagens, todas elas brilhantemente desenvolvidas e totalmente distintas. Mas a personagem principal é Abigail, a filha primogénita e indesejada, que tem uma personalidade completamente distorcida, e nunca chegarmos a perceber se isso é um efeito ou uma causa da atitude da mãe. A mãe é ela própria uma personagem perturbada, com grandes falhas emocionais que provavelmente terão origem no seu passado, sem no entanto chegarmos a perceber exatmente onde. Quanto ao pai, achei-o uma personagem do mais cobarde que pode existir. Os irmãos, Emma e Christopher, apenas surgem na segunda metade do livro. No entanto, as suas personalidades são também bem marcadas e pareceu-me que Christopher acaba por ser quase igual ao pai, enquanto que Emma não se parece com ninguém, nem com a mãe, que sempre a terá preferido à irmã, Abigail, nem com a irmã, com quem Emma solidariza e a quem reconhece o sofrimento em que vive. Achei muito curioso o facto de as cenas do ponto de vista dos homens da família (o pai e o irmão mais novo) estarem quase todas escritas na primeira pessoa, sob a forma de entradas de diário, enquanto que as cenas do ponto de vista das personagens femininas (a mãe e as duas filhas) estão escritas na terceira pessoa.

 

Achei este livro fenomenal, tanto em termos de construção das personagens e cativação do leitor, como em termos da própria escrita e distinção de voz dos personagens. Fiquei contente por ter feito a minha estreia em livros independentes com um de tão elevada qualidade e pretendo continuar a apostar neste mercado, que quem sabe, poderá um dia vir a ser o meu também.

 

Não consigo arranjar outras obras que se comparem a esta para fazer uma recomendação, mas penso que as pessoas que mais gostarão deste livro serão aquelas que mais apreciam histórias centradas em personagens e não em ação. Não esquecer que não existe tradução para português.

 

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