Leitura e Escrita Livros

Chapters & Scenes #1 – Pivot e mudar de carreira

mudar de carreira

 

Hoje trago-vos a minha primeira participação no projeto Chapters & Scenes. Este projeto foi pensado pela Mariana Monteiro, do blog It’s OK. É um projeto dedicado às 6ª e 7ª artes e conta com a participação de mais 10 blogs que pretendem fazer reviews de livros, filmes e séries, sob um tema diferente todos os meses. Se quiserem saber mais sobre o projeto podem ler este post da Mariana, onde ela explica tudo muito bem e onde podem consultar quais os outros blogs participantes.

 

O tema para o mês de outubro é Girl Bosses e eu escolhi falar de um livro que acabei de ler ontem (coincidência das coincidências!?) Este é um livro de não-ficção porque é o que mais tenho lido ultimamente. Ainda por cima, adequa-se totalmente à fase por que estou a passar na minha própria vida.

 

pivot

 

O livro chama-se Pivot e foi escrito pela Jenny Blake e, para mim, encaixa no tema Girls Bosses em duplo sentido. Primeiro, porque a própria autora é uma grande girl boss que não teve medo de mudar de vida e deixar um emprego idealizado por muitos. A Jenny (mesmo assim, a tratá-la pelo primeiro nome, pois já ouço o podcast dela há tanto tempo que sinto que somos amigas) trabalhou durante mais de 5 anos na Google, como manager do programa de desenvolvimento de carreiras. No entanto, quando lançou o seu primeiro livro em 2011, Life After College, resolveu tirar uma licença de alguns meses para poder promover o livro. A verdade é que depois dessa licença nunca mais voltou à Google, tendo lançado o seu próprio negócio como coach executiva e estrategista de carreira e de negócio. Lançou o segundo livro, Pivot, em 2016 e este tem a seguinte tag line: “The only move that matters is your next one.” Para além disso, um dos lemas da Jenny é o seguinte: “If change is the only constant, than let’s get better at it.

 

O Pivot é um livro sobre mudança de carreira, em que a Jenny partilha connosco a sua estratégia para mudarmos de emprego, de área, ou simplesmente de modelo de negócio (por exemplo, de emprego tradicional para freelancer, mesmo que dentro da mesma área). E esta é a segunda forma como este livro encaixa no tópico Girl Boss: encoraja-nos a todas nós a mudarmos e irmos atrás daquilo que realmente queremos, sem medos e sem hesitação.

 

(ela vive em Nova Iorque! Sonho!)

 

O título do livro vem de um termo do basquetebol, que traduz o movimento de um jogador que mantém um dos pés bem assente no chão enquanto movimenta o outro pé, à procura da melhor posição para lançar a bola (eu era terrível a Educação Física mas lembro-me perfeitamente de ter aprendido isto):

 

 

A estratégia da Jenny assenta neste mesmo princípio: ela é apologista de manter uma atividade fixa – o nosso emprego normal – enquanto experimentamos outras coisas e tentamos fazer uma avaliação do próximo passo, antes de nos comprometermos totalmente com ele. Assim, a sua estratégia para mudança de carreira passa pelos seguintes estágios:

  • Plant – que consiste nos alicerces de toda a mudança e que se foca em nós próprios: nos nossos valores, interesses, forças, e na nossa visão para o futuro. Tudo o resto tem de partir daqui ou algo não vai funcionar.
  • Scan – em que tentamos ganhar alguns insights, falar com outras pessoas, adquirir novas competências, e tentamos perceber em que direção queremos ir.
  • Pilot – em que fazemos experiências, testamos caminhos, ao princípio sem arriscar tudo, recolhemos informação e tentamos ajustar a cada experiência consecutiva.
    (estes três primeiros passos são repetidos tantas vezes quantas necessário, antes do quarto e último passo…)
  • Launch – esta é a decisão final, em que “cortamos laços” com a carreira anterior e nos lançamos de cabeça na seguinte, com a confiança que já adquirimos graças aos passos anteriores.

 

(”go with your gut”, segue o teu instinto, como já devem ter lido aqui no blog diversas vezes)

 

Penso que o livro é extremamente valioso para qualquer pessoa que esteja a pensar mudar de carreira. Apesar de achar que algumas partes estão demasiado extensas (o chamado “encher chouriços” e por isso mesmo não dei cinco estrelas no Goodreads), tirei notas para mim ao longo de todo o livro e penso recorrer muito a elas no futuro próximo. Tem montes de conselhos práticos e exercícios para percebermos o nosso caminho ideal.

 

 

Gostava de vos deixar com duas das minhas mensagens preferidas deste livro. A primeira é a noção de que se não mudares por ti, provavelmente vais acabar por mudar à força. Já não existem empregos para a vida. Aliás, já é mal visto pelo mercado ficar no mesmo emprego ou na mesma posição durante demasiado tempo. Mostra falta de iniciativa, falta de adaptabilidade e um certo conformismo com aquilo que já se tem. Por isso, não vale a pena ficar à espera que nos mandem dar uma curva (e isto pode acontecer de diversas formas, não apenas como um despedimento): mais vale mudarmos nós, de acordo com a nossa vontade e nos nossos termos.

 

 

A outra mensagem curiosamente apenas ocupa pouco mais de uma página no livro, e portanto facilmente pode ficar perdida no meu de toda a restante informação – é a noção de abundância. A Jenny conta, a certa altura do livro, que durante a sua prática como coach teve alguns clientes que pretendiam mudar a sua carreira no sentido de eles próprios se tornarem coaches executivos. Alguns deles, quando começaram a trabalhar com ela, ficaram com algum receio que ela não os quisesse como clientes pois se fossem bem sucedidos passariam a fazer parte da concorrência. Alguns chegaram mesmo a perguntar-lhe “Jenny, eu quero fazer o que tu fazes. Mesmo assim aceitas ser minha coach?”. Ao que a Jenny respondeu que claro que sim! pois há negócio e clientes suficientes para todos. Diz que chega a indicar clientes para essas pessoas depois de elas iniciarem realmente os seus negócios e quando ela própria está sem margem para aceitar mais trabalho. Aliás, também ela é cliente de coaching, por isso seria muito estranho se ela rejeitasse clientes por eles próprios quererem ser coaches. E gostava que todos nós abraçássemos mais esta perspetiva de que há negócio suficiente para todos, em qualquer área, e que não vale a pena andarmos para aí a competir. Pelo contrário: todos ficamos a ganhar se nos entre-ajudarmos.

 

 

A todas as Girl Bosses (ou potenciais Girl Bosses) desse lado: avancem sem medo! Vocês são as donas do vosso próprio destino, da vossa própria vida. Só depende de vocês!

 

chapters & scenes

You Might Also Like

7 Comments

  • Reply
    ritamartins
    October 8, 2017 at 9:09 am

    Adorei a tua sugestão e a história Jenny! Parece que tem muito para ensinar às pessoas sobre a carreira, um tema que adoro 😀

    • Reply
      Filipa Maia
      October 8, 2017 at 8:05 pm

      Tem mesmo, Rita! Acho que ias gostar =)

  • Reply
    Mariana Monteiro
    October 8, 2017 at 4:23 pm

    Que boa sugestão, Filipa! Já fiquei cheia de vontade de ler o livro 😀
    Será que em pt se chama “Dar a Volta”?

    • Reply
      Filipa Maia
      October 8, 2017 at 8:06 pm

      Sim, Mariana, é esse mesmo =)

  • Reply
    Ada Lovelace, a 1.ª programadora da história | Chapters & Scenes
    October 8, 2017 at 5:51 pm

    […] os outros blogues que estão a participar neste desafio: It’s Ok, Deixa Ser, Nuts For Paper, Andreia Moita, Infinito Mais Um, Limited Edition, Daily Echo, Às Cavalitas do […]

  • Reply
    Sofia Garrido
    October 12, 2017 at 1:03 pm

    Nunca li nada deste género, mas apesar de não tencionar mudar de carreira e já estar na área profissional desejada, como freelancer, há alguns anos, soa-me a um tipo de leitura inspiradora, ainda assim. Há sempre espaço para crescer mais e aprender com os outros, mesmo com profissionais de outras áreas.

    Em relação à parte da mensagem da Jenny sobre ter clientes que também pretendiam tornar-se coaches e como não via nisso um problema porque há mercado para todos, identifiquei-me um pouco com isso também na minha área. Principalmente no início, notava que havia muito receio na partilha de conhecimento por medo da competição, e sempre achei isso errado. Talvez por praticar mais o oposto, acabei por criar relações com outros fotógrafos e acabamos por fazer o mesmo que a Jenny – quando não há disponibilidade para certos trabalhos, recomendamo-nos uns aos outros.
    Oxalá isso fosse transversal a mais áreas e cada vez mais pessoas pensassem assim! 🙂

    Gostei muito do artigo, Filipa!

    Um beijinho,

    Sofia | Monochromatic Wave

    • Reply
      Filipa Maia
      October 12, 2017 at 11:53 pm

      Muito obrigada, Sofia! Fico muito contente que haja mais pessoas com o mesmo ponto de vista =) Dessa forma, todos temos a possibilidade de crescer ainda mais. Um beijinho*

Leave a Reply

%d bloggers like this: