#100/100 – 100 dias de 100 palavras por dia

#100palavraspordia

 

E finalmente chegou ao fim este gigantesco desafio. Como não poderia deixar de ser, o texto de hoje (o último!) vai resumir as principais conclusões que consegui retirar de ter escrito todos os dias, durante 100 dias, um texto com pelo menos 100 palavras.

 

 

1 – Temos muitas mais coisas para dizer do que imaginamos inicialmente

Ao princípio, quando comecei a pensar no desafio, achei avassalador ter de escrever qualquer coisa durante 100 dias. Pensei “como é que eu vou conseguir arranjar coisas para dizer durante 100 dias!?” Parecia-me mesmo impossível. É verdade que nem todos os dias tive coisas muito interessantes para dizer, mas não foi tão difícil como pensava.

 

2 – Nem sempre há assuntos interessantes para escrever

Como disse no ponto anterior, houve dias em que não me ocorria praticamente nada para dizer. Lá acabava por me surgir alguma coisa, mas a muito custo.

 

3 – … e há dias em que parece que não sai mesmo nada

Houve também alguns dias (felizmente poucos) em que o cansaço, a confusão ou qualquer outro estado emocional me afetaram tanto que parecia que não tinha mesmo mais palavras dentro de mim. Aí parece mesmo impossível escrever alguma coisa e acaba por ser uma luta. Tive dois ou três dias em que escrevi qualquer coisa e nem sequer partilhei no Facebook, porque não conseguia mesmo que as palavras fizessem sentido. Mas faz também parte deste desafio, lutar contra esses estados e escrever “no matter what”.

 

4 – É cansativo ter a obrigação de escrever todos os dias

Houve dias em que não me apetecia mesmo nada escrever. Curiosamente, isso não me aconteceu entre janeiro e março deste ano, quando também me obriguei a escrever todos os dias, mas para o primeiro rascunho do meu primeiro livro. Penso que neste desafio aconteceu mais precisamente por causa da obrigação de ter de gerar ideias novas. Quando estava a escrever o meu livro tratava-se apenas de continuar a mesma história, por isso acabava por ser mais fácil. É verdade: gerar ideias nem sempre é fácil.

 

5 – Explorei tópicos que talvez de outra forma não tivesse explorado

E isto foi muito bom. Por exemplo, gosto muito de escrever textos motivacionais, e penso que os explorei mais por causa deste desafio. É algo que quero continuar a fazer (gostam?)

 

6 – A experiência de escrever todos os dias ajudou-me a perceber algumas coisas sobre mim própria

Talvez precisamente por me ter visto obrigada a explorar novos tópicos e a pensar em ideias novas, acabei por perceber algumas coisas sobre mim própria que representaram um abrir de olhos. E isso também foi ótimo.

 

7 – Ter aquela obrigação todos os dias, roubou alguma da minha atenção de outras atividades, mesmo que não demorasse muito tempo a fazer

Escrever 100 palavras não demora muito tempo. Mas por vezes ficava bastante tempo a pensar no que iria escrever e senti que isso roubou a minha atenção a outras atividades. Talvez este tenho sido o ponto menos benéfico deste desafio.

 

 

Em jeito de conclusão, gostei de fazer o desafio e penso que as vantagens acabaram por compensar os aspetos negativos. Acima de tudo, sinto-me feliz e realizada por poder dizer que fui capaz de o fazer.

 

Agora, se voltaria a fazê-lo? Não sei, tão cedo nem quero pensar nisso! Talvez num futuro mais distante.

 

Se recomendo que outros o façam? Depende. Pode ser apropriado para uns mas não para outros. Penso que depende muito da pessoa e dos seus objetivos. Terão mesmo de decidir por vocês, mas os pontos que deixei acima podem ajudar-vos a ter uma ideia.

 

E quais são os meus planos para o futuro calendário deste blog? Bem, para já, quero abrandar. Este vai ser o primeiro fim de semana em mais de três meses em que não me vou ver obrigada a escrever nada (mas já tenho umas coisas que quero adiantar, irónico, não?) e quero descansar um pouco durante o verão. Por isso, o meu plano até ao final de agosto é publicar dois posts por semana, provavelmente às terças e quintas, ou então às segundas e quintas, ainda vou decidir. Depois, a partir de setembro, quero aumentar para pelo menos três posts, e ver como corre. Tudo isto é ajustável, claro.

 

E assim dou por concluído o desafio, com um texto não de 100, mas de mais de 700 palavras, e pela primeira vez em muito tempo, só regressando aos posts daqui a três ou quatro dias. Tenham um excelente fim de semana!

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#99/100 – Propósito de vida?

#100palavraspordia

 

Tenho uma confissão para fazer. Tenho 32 anos e ainda não descobri o meu “propósito de vida”, coisa de que hoje se fala tanto. Nem sequer tenho a certeza se acredito nisso. Ou seja, acredito em propósitos de vida, mas não me consigo imaginar a ter apenas um. Por isso, não acredito muito em encontrar um propósito e depois ser aquilo para o resto da minha vida. Acredito que cada um de nós pode ter vários propósitos. Vejo-me perfeitamente a ter um propósito nos próximos anos e depois mudar completamente para outro. Gosto de variedade na minha vida e tenho imensos interesses. Se no passado pensava que ia ser a mesma coisa para o resto da vida, hoje não me consigo comprometer com apenas uma coisa para sempre. Consigo facilmente imaginar a minha vida como vários ciclos, de 5, 10, 15 anos, em áreas diferentes – totalmente diferentes mesmo! E sou tão mais feliz depois de perceber – aceitar – isso.

 

Falo em propósito como podia falar em missão. E eu não sei qual é a minha missão nem se consigo viver com apenas uma. Sei qual é a minha missão neste momento, e confesso que essa é muito egoísta e tem apenas que ver com a minha visão, aquilo em que quero que a minha vida se torne. Sei também qual é a missão deste blog, e brevemente vou torná-la bem clara. Neste momento, saber estas duas coisas é, para mim, suficiente. Tenho tempo para descobrir uma missão maior – ou várias. E durante uns tempos senti-me um pouco perdida por não saber exatamente qual era a minha missão ou o meu propósito. Rapidamente percebi que não vale a pena. Estas coisas não se forçam, simplesmente acontecem. Resta-nos deixar acontecer. Deixar ser…

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#98/100 – A Intuição

#100palavraspordia

 

Hoje ouvi uma frase que me fez todo o sentido.

 

Era algo como “A intuição não grita, ela sussurra.”

 

A mim parece-me que ela começa por sussurrar mesmo muito baixinho e é quase impercetível, para além de provavelmente ser intermitente. Vem em momentos isolados e pergunta muito baixinho “será que é mesmo isto?”. Mas ela quer fazer-se ouvir, e por isso vai levantando o tom muito devagar, até que começamos a ouvir qualquer coisa muito ténue. O problema é que muitas vezes ela deixa-nos desconfortáveis, provoca medo, e portanto, mesmo começando a ouvir qualquer coisa, decidimos ignorar e continuar com as nossas vidas como se nada fosse. Mas a intuição insiste, não se cala, e de vez em quando lá vamos reparando nela, sempre sem lhe dar muita atenção.

 

Só mesmo quando paramos e calamos tudo o resto à nossa volta, todo o ruído externo e as interferências do resto do mundo, é que conseguimos ouvir bem o que ela nos está a tentar dizer. E aí, quando a ouvimos com todas as letras, torna-se praticamente impossível de continuar a ignorar. Recebemos a mensagem. E quando chegamos a este ponto, ou cedemos ao medo que essa mensagem continua a transmitir, ou agimos mesmo com medo e apesar do medo. Porque se for realmente importante, vai dar medo.

 

E tu, tens parado para ouvir a mensagem que a tua intuição te quer transmitir? Ou já a recebeste mas ficaste paralisada pelo medo?

 

Está na hora de agir.

 

Senta-te e para. E mesmo com medo, vai em frente.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#97/100 – Podcasts novos

#100palavraspordia

 

Já sabem que adoro ouvir podcasts e já falei desse assunto várias vezes por aqui. Neste post partilhei convosco os meus podcasts preferidos, mas como estou sempre a descobrir novidades, hoje vou dar-vos a conhecer alguns dos que comecei a ouvir mais recentemente.

 

Design Life

Já não me lembro como descobri este podcast, penso que foi por ter ouvido uma das apresentadoras a ser entrevistada num outro podcast, mas não me lembro qual. Aqui podemos ouvir duas amigas a conversarem sobre design, um tópico pelo qual me tenho interessado cada vez mais, e sobre “side projects”. Gosto muito de as ouvir, não só por causa dos seus sotaques neozelandeses, mas porque levantam alguns pontos bastante pertinentes e falam de tópicos interessantes, como bullet journaling, aprender novas skills, trabalhar a partir de casa e variados tópicos sobre design.

 

Online Marketing Made Easy

Podcast da Amy Porterfield sobre Marketing Digital. Muito, muito bom! Só não sei como não ouvia este podcast há mais tempo.

 

Pursuit with Purpose

Programa de entrevistas essencialmente focado em encontrar o propósito de vida. Ainda hei de falar mais um bocadinho aqui no blog sobre a minha opinião quanto a este tópico, mas isso fica para outra altura. Gosto muito deste podcast e acho a voz da apresentadora muito calmante, o que é sempre bom.

 

Ana, Go Slowly Podcast

Descobri-o ontem (obrigada, Rita!) e já ouvi os três episódios existentes. De certeza que alguns de vocês seguem o blog da Ana e eu gostei muito do seu podcast com a amiga Sofia e fico muito contente por finalmente estarem a aparecer mais podcasts portugueses. Não me auto-intitulo de minimalista, mas até fiquei com vontade de explorar mais este estilo de vida.

 

 

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#96/100 – Utiliza esta estratégia de gestão de prioridades para aumentar a tua produtividade

#100palavraspordia

 

Voltei ontem a refazer a minha lista de tarefas e tenho já 30 itens listados – sim, estão sempre a aumentar, não percebo bem como.

 

É muito fácil paralisar face a uma lista tão grande de coisas para fazer. Eu própria tenho momentos em que penso que é isso que me vai acontecer. Mas utilizo uma estratégia bem simples para lidar com isto e que me ajuda a focar no mais importante – e é daí que vem a lista referida acima. A chave está na gestão de prioridades, de forma a manter o foco no essencial e a aumentar a produtividade, impedindo momentos de paralisação.

 

produtividade

(créditos da imagem: Glenn Carstens-Peters)

 

A minha estratégia consiste no seguinte:

 

  • Todos os fins de semana – ao sábado ou ao domingo – re-escrevo a minha lista de tarefas. Olha para a lista da semana anterior e volto a listar todos os itens que ficaram por fazer, e acrescento qualquer nova tarefa de que me lembre. Separo as tarefas por tópicos ou projetos. Se ao longo da semana forem surgindo tarefas novas, também as acrescento à lista.

 

  • Olho para a semana que vou ter pela frente e tento ser realista em relação à quantidade de tarefas que vou conseguir despachar. Isto depende tanto do meu calendário para essa semana, como da extensão das tarefas nas quais me vou concentrar mais. Decido então quantas tarefas vou fazer na semana seguinte.

 

  • Volto a olhar para a lista e identifico os itens prioritários. Se tiver decidido despachar três tarefas nessa semana, olho para a minha lista e coloco um asterisco junto aos três itens que são mais prioritários.

 

  • Decido que não vou pegar em nenhum dos outros itens enquanto os que têm o asterisco não estiverem feitos. Por causa disto, posso tentar colocar os asteriscos em tarefas bastante distintas, para que possa alternar entre tipos de trabalho quando sentir necessidade. Por exemplo, se uma das tarefas prioritárias for mais criativa, tento escolher também uma que seja mais monótona e não tão criativa, de forma a poder fazer uma pausa alternando entre as duas.

 

  • Sempre que sinto o meu foco a começar a esmorecer, a minha atenção a começar a ficar dispersa entre todas as tarefas pendentes, volto a olhar para a lista e a focar nos ietns com asterisco. Volto a dizer a mim próprio que tenho de me focar numa coisa de cada vez (ou duas, vá) e que não adianta estar a pensar nas restantes tarefas enquanto aquelas não estiverem concluídas.

 

Tenho um caderno dedicado apenas a estas listas. É um processo muito simples mas que ajuda imenso. Por um lado, ajuda a manter o foco e a gerir prioridades, levando ao aumento da produtividade, e por outro lado, não deixa cair no esquecimento todas as outras tarefas que eventualmente também vão ter de ser feitas. Se também se costumam perder no meio de todas as coisas que têm para fazer, convido-vos a experimentar este sistema. Vão ver que vai ajudar bastante.

 

 

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#95/100 – Resumo do fim de semana

#100palavraspordia

 

Os planos para o fim de semana não correram exatamente como planeei e por isso acabei por não dedicar o fim de semana todo à leitura, mas apenas o domingo. O que significa que não li o livro todo mas já li mais de metade! E é mesmo verdade que o livro é absolutamente viciante, não dá para largar. Para quem quiser saber, o livro é o Dark Matter, de Blake Crouch, e no wrap up deste mês vão poder ficar a saber a minha opinião, mas aviso já que estou a adorar.

 

Ainda assim, o sábado não foi passado completamente a trabalhar e acabei por parar ao final da tarde para ir ao cinema, coisa que já não fazia há demasiado tempo (desde que fui ver os Monstros Fantásticos). Fomos ver o Planeta dos Macacos: A Guerra e gostei bastante, se bem que daquilo que me lembro, achei o anterior um bocadinho melhor.

 

Hoje ainda demos um saltinho ao SciFi Lx, que estava muito giro.

 

Resumindo, diria que consegui um fim de semana bastante equilibrado, que era o objetivo. E preciso, definitivamente, de tirar mais domingos para ler.

 

 

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#94/100 – Capacidade de adaptação

#100palavraspordia

 

Questionar tudo. Não tomar nada como garantido. Estar aberto a novas experiências, novas pessoas, novas realidades. Não ficar preso aos planos. Os planos podem mudar, tanto os grandes, para a vida, como os pequenos, para o que vais fazer no sábado à tarde. Capacidade de adaptação. Acreditar que és um pessoa moldável, adaptável. O teu corpo pode ser aquilo que tu quiseres, o teu cérebro pode ser e funcionar e acreditar naquilo que tu quiseres. Tudo é mutável, as tuas crenças, os teus planos, o teu corpo, o teu cérebro. Podes ser e fazer aquilo que quiseres. Adapta-te. Re-inventa-te. Realiza-te. Não desistas. Convence-te que consegues e vais conseguir.

 

The human body is the ultimate adaptation machine.

Kit Laughli

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#93/100 – Equilíbrio – ou a falta dele

#100palavraspordia

 

Escolhi um livro para ler este fim de semana que todas as críticas dizem ser daqueles que não se consegue pousar até chegar ao final. Tenho saudades de ler um livro desses e tenho a sensação que vou mesmo adorar este (depois dou feedback).

 

Não consigo evitar de me sentir um bocadinho culpada por ter uma “to do list” com nada mais nada menos do que 25 itens – fora aqueles que ainda não me lembrei de colocar na lista mas que, de certeza, também tenho para fazer – e, no entanto, estar a planear passar umas 8 horas a ler durante o fim de semana. Sinto que preciso de uma pausa, por vários motivos, mas sei que depois, quando o fim de semana terminar, vou desejar ter despachado mais itens da lista em vez de ter estado a ler. (Ou não, talvez o livro seja mesmo tão bom como as críticas o pintam.)

 

Apesar de já ter consigo algum balanço na minha vida – o balanço entre a pessoa que sou e aquela que quero ser – continuam a faltar outros tipos de equilíbrios. O equilíbrio entre o “hustle” (palavras da moda?) e o descanso. Entre o ir à luta e o parar para recuperar o fôlego. Até mesmo entre o ler e o escrever! Continuo à procura de um equilíbrio perfeito que não sei se existe. Vou tentando e falhando na esperança de eventualmente conseguir acertar.

 

Resta dizer que este já era o plano para o fim de semana passado e não aconteceu. O tamanho infindável da “to do list” venceu a vontade de ler. Desta vez vou fazer tudo para dar voz à vontade de ler, mas não fiquem muito admirados se na segunda-feira vier aqui transmitir que afinal a coisa voltou a não se dar.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#92/100 – As grandes mudanças

#100palavraspordia

 

Percebi, nos últimos tempos, que as mudanças mais significativas acontecem de forma muito gradual. Ninguém sofre uma mudança de 180 º de um momento para o outro. Ninguém se torna numa pessoa diferente do dia para a noite. Ninguém acorda e, de repente, decide mudar de vida. Pode haver exceções em casos de acontecimentos traumáticos, mas para a maioria de nós, e felizmente, não é isso que acontece.

 

As mudanças que realmente moldam a pessoa que somos dão-se passo a passo. Começa com uma simples inclinação para algo que ainda não faz parte da nossa realidade, e daí vai progredindo muito lentamente para algo de realmente diferente. Quando damos conta, já tanto mudou que já quase não somos capazes de reconhecer o ponto de partida. Quase não nos reconhecemos.

Conseguimos olhar para trás e perceber quais foram os pontos de viragem mais importantes. Somos capazes de reconstituir o caminho que fomos percorrendo sem sequer termos bem consciência. Mas a casa da partida já está tão longe que é praticamente impossível voltar para trás.

 

É um processo maravilhoso.

 

Já agora, acredito que é por causa disto mesmo que as dietas radicais não funcionam. Ninguém é capaz de comer todas as porcarias que vê à frente num dia, e no dia seguinte ter uma alimentação “perfeita” e super restrita. Simplesmente não é realista. Muito mais sensato é ir implementando hábitos cada vez mais saudáveis, alterações pequenas mas que nos levem na direção de um estilo de vida melhor e mais equilibrado. Pensem nisso da próxima vez que estiverem a pensar em iniciar uma dieta.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#91/100 – A importância (ou não) dos números

#100palavraspordia

 

Na semana passada vi este vídeo dos vlogbrothers – do Hank, apesar de o John ter muito mais piada (mas de qualquer forma, a intenção deste vídeo não é ter piada) – que me fez pensar:

 

 

Este vídeo é sobre um terramoto mas, na verdade, não é mesmo sobre um terramoto – ok, o início é sobre um terramoto, mas a parte importante não é essa.

 

Este vídeo fala de números. Eu sou uma pessoa de números, sempre tive facilidade com eles, e apesar de estar a mudar muitos dos meus interesses, continuo a gostar muito de números, e quero mesmo continuar a trabalhar com números – de várias formas. No entanto, a mensagem deste vídeo acaba por ser contra os números, e eu concordo com ela.

 

Para quem não quis ver o vídeo, o Hank fala de um terramoto que sentiu em casa, e depois fala de vários terramotos, nomeadamente o do Haiti em 2010, com uma intensidade de 7.0 na escala de Richter, e do facto de que no mesmo ano houve mais cerca de 20 terramotos que tiveram a mesma intensidade ou superior, mas que não foram, nem de perto, tão destrutivos como o do Haiti. Ele explica depois quais foram os motivos que levaram a tal disparidade e começa então a fazer um comentário sobre como os números podem ser pouco indicativos das coisas que realmente importam. Dá alguns exemplo de números a que costumamos dar bastante importância, como por exemplo as médias dos testes ou exames, o nosso saldo bancário, o nosso IMC (ou peso), ou o peso que conseguimos levantar no ginásio.

 

Ele afirma, e com toda a razão, que gostamos de olhar para estes números porque eles tornam fácil quantificar diversas coisas. O pior é que depois usamos estes mesmos números para quantificar o nosso valor, e é precisamente aí que está o erro. Quando estes números não são aquilo que esperamos – ou aquilo que a sociedade espera – perdemos confiança, sentimo-nos diminuídos. Ele usa mesmo a frase “you’re not your numbers”, ou “tu não és os teus números”. Porque há tantas outras coisas que não conseguimos quantificar e traduzir num número.

 

Na escola, testamos a Matemática, o Português, a História e a Físico-Química, mas não testamos a persistência, a capacidade de comunicação, a determinação, a assertividade, a empatia ou a capacidade de trabalho. Não só não testamos como não nos preocupamos em ensinar. No entanto, muitas vezes no mundo real, estas últimas capacidades ditam muito mais o nosso sucesso do que a nota que tivemos em tempos a Matemática ou a Português. Não digo que não seja importante aprender os conteúdos de cada uma das disciplinas, obviamente que é, mas e o resto? Podemos alegar que a responsabilidade de ensinar estas “soft skills” deverão cair sobre os pais, mas será mesmo que não há nada que se possa fazer nas escolas para contribuir para uma formação mais completa dos nossos jovens?

 

Se os pais não o souberem, quem é que vai ensinar as crianças e os jovens que precisam de saber comunicar com os seus pares e superiores hierárquicos, que devem ser persistentes e tentar fazer coisas que são difíceis, mesmo que dêem muito trabalho, que se conseguirem auto-motivar-se são capazes e qualquer coisa, que têm de ter confiança neles próprios? Concordo que devem ser os pais, as famílias, a ensinarem o bom comportamento em sociedade, a honestidade, o respeito e outros valores imprescindíveis, mas no que toca a “soft skills” como comunicação, assertividade, auto-confiança entre outras, parece-me que falta muita coisa no nosso sistema de ensino.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)