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[Guest-post] Auto-conhecimento – Como saber quem sou eu afinal?

auto-conhecimento

 

Hoje trago-vos um guest-post escrito pelo Frederico Quelhas, que escreve no blog Psico(lógico). O Frederico é recém-licenciado em Psicologia mas terminou o seu curso frustrado com aquilo que o mundo tradicional académico tinha para lhe oferecer. Por isso, decidiu não prosseguir de imediato para o mestrado – caminho mais habitual na sua área – e, em vez disso, procurar outras formas de explorar o funcionamento da mente do ser humano. Se quiserem saber um pouco mais da história do Frederico, podem ler a sua apresentação aqui. Se lerem esta sua apresentação, penso que facilmente vão conseguir perceber porque nos identificámos muito quando encontrámos os blogs um do outro.

 

O Frederico traz-nos um artigo sobre o auto-conhecimento e a teoria das personalidades, tema que me fascina bastante. Eu sou uma apaixonada por vários temas da Psicologia, mas nunca estudei esta área, pelo que ter a contribuição do Frederico aqui no blog deixa-me muito contente.

 

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A afirmação do estudo da personalidade, enquanto área de estudo da psicologia deu-se nos anos 30 com autores como Allport e Murray.

 

Durante a minha licenciatura, dei inúmeros autores e teorias da personalidade, traços, tipos, estados, que pouco me esclareceram sobre o funcionamento da minha pessoa, o que, na minha opinião, é realmente útil para nós.

Mais concretamente, que partes de nós não se podem mudar? Como posso compreender como funciono?

 

 

Comecemos por aqui

 

Somos todos seres humanos, mas seremos nós essencialmente parecidos ou essencialmente diferentes?

 

Para simplificar as coisas, eu parto do princípio que aquilo que nos torna especialmente únicos cabe a cada um compreender e estudar.

 

Mas o que ajuda a por ordem em toda a tralha que vagueia na nossa mente é precisamente perceber o que é geral ao ser humano, o que todos temos em comum, mecanismos, tipos de pessoas, medos gerais, etc.

 

Ao perceber o que é de todos, saberemos identificar melhor aquilo que é só nosso.

 

 

Algumas perspetivas

 

  1. Introvertido VS Extrovertido

Talvez um dos conceitos mais primários e que ajudam a percebermo-nos. Ter conhecimento de que somos tendencialmente mais intro ou extrovertidos, traz-nos muitas respostas.

 

Gostos e tendências, como gostar de sair à noite ou preferir ficar a ler em casa, ser mais comunicativo e aberto às pessoas ou ser mais reservado e íntimo, são coisas que podem levar a alguma confusão.

 

Não gostar de sair à noite, ser mais reservado e calado junto das pessoas pode e levará muita gente a pensar que é tímida, antissocial, estranha.

 

Na realidade, assim que tomas noção que és apenas introvertido, deixas a pressão de lado e percebes que é normal, deixas de lutar contra isso e finalmente aceitas como és.

 

  1. Alder e o crescimento pelas provas

A meta da alma humana é a conquista, perfeição, segurança, superioridade. Toda a criança se depara com tantos obstáculos na vida que nenhuma delas cresce sem lutar por alguma forma de sentido

Alfred Adler


Adler descreveu algo a que chamou complexo de inferioridade, que se resume ao facto de quereres fazer algo, como marcar golos, fazer teatro, etc, mas percebes que atualmente não tens capacidades suficientes para conseguir atingir esse objetivo.

 

O complexo de inferioridade, descreve a sensação de estar dominado por um sentimento de auto-desvalorização.

 

Existe um esforço incessante para se alcançar o objetivo, no fundo, para passar da inferioridade à superioridade. Esse empenho assume diferentes formas para as diferentes pessoas e parece impossível para algumas, que se resignam com a derrota.

 

Por exemplo, o filme “Virgem aos 40” poderá representar isso.

 

Passado o tempo “comum” em que uma dada ação devia ser feita, o sujeito ficou um pouco insistente a fim de realizar a ação. Não conseguindo, acaba por se resignar e abandona a vontade de vencer o complexo. Complexo este que acaba por influenciar a vida do sujeito, sentindo uma lacuna sobre a sexualidade.

 

  1. Eneagrama

O eneagrama é um esquema muito vasto que define que existem 9 tipos de pessoas:

  1. O perfecionista
  2. O altruísta
  3. O combatente
  4. O romântico
  5. O observador
  6. O leal
  7. O epicurista
  8. O chefe
  9. O mediador

 

Cada tipo é determinado durante a infância. A criança encontra-se em confronto com o mundo onde vive e, por isso, adapta-se de uma determinada maneira.

 

Ex: Tipo 1- Um dia, a criança é castigada por ter tomado uma atitude espontânea. Este conclui que o mundo castiga aquele que comete erros. Rigoroso e disciplinado, vai desenvolver uma forma autocrítica, aplicar-se para fazer as coisas bem e controlar a sua espontaneidade.

 

Cada tipo possui um “superpoder” e um “vício” que tem de domar.

Ex: Tipo 1

Superpoder: Serenidade

Vício: Raiva

 

A identificação do seu tipo ajuda desde logo a perceber as tendências da pessoa. Ela percebe que se irrita com aqueles que não são tão perfecionistas, que fazem as coisas com menos precisão.

 

Para ela dominar o seu vício, neste caso a raiva, o perfecionista deve perceber que a correção e a justiça, ou aquilo que é perfeito, não faz parte da ordem natural das coisas. Este deve desenvolver compaixão por si mesmo, reconhecer e minimizar a sua voz interior crítica. Atribui-se tempo para relaxar e se divertir.

 

Algumas pessoas testemunham que ganharam o hábito de fazer apenas o necessário, ou se caso um trabalho lhes fosse entregue, discutir logo o grau de “perfeição” necessário.

 

Conclusão

 

Há vários modelos da personalidade e considero erróneo dizer “O eneagrama; o Big 5; o Myers. é que são a verdade absoluta”. Existem outros modelos, tão bons e melhores que completam e ajudam a explorar o conhecimento daquilo que somos.

 

Não prolonguei mais o eneagrama pois são 9 tipos e ficaria uma escritura deveras longa, mas se desejarem saber mais sobre o assunto não hesitem em pedir ou consultar as fontes.

 

Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos.

Anaïs Nin

 

Frederico Quelhas

Frederico Quelhas

 

Fontes online:

  1. http://www.cee-enneagramme.eu/enneagramme/les-9-types/
  2. http://www.ieneagrama.com.br/tipos

 

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Espero que tenham gostado deste artigo do Frederico. Se tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários, pois tenho a certeza que ele terá todo o gosto em esclarecer-vos. E não deixem de visitar o blog dele, onde poderão encontrar muitos outros artigos interessantes!

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