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    Mindset – Rodeia-te das influências certas

    mindset

     

    Hoje venho partilhar convosco algumas das minhas maiores influências de mindset.

     

    Mas antes disso, vamos falar um bocadinho de mindset. Já falei de mindset aqui, mas na altura não expliquei o que entendo por mindset.

     

    Então o que é isso do mindset, perguntam vocês. E eu respondo.

     

    Segundo o Cambridge Dictionary de Inglês, aquele que tenho por hábito consultar, mindset significa:

    “a person’s way of thinking and their opinions”

    Ou seja, a forma de uma pessoa pensar e as suas opiniões.

     

    Sinceramente, não gosto muito desta definição. Entendo-a, mas não é apenas a isto que me refiro quando falo de mindset. Falta-lhe qualquer coisa.

     

    Já a definição do dicionário de Oxford para a mesma palavra é a seguinte:

    “The established set of attitudes held by someone.”

    Ou seja, conjunto estabelecido de atitudes que alguém mantém.

     

    Gosto mais, mas ainda não é bem isto. Penso que esta definição poderia ser melhorada se às atitudes acrescentássemos pensamentos e crenças, ou seja, talvez uma conjugação das duas definições anteriores (mas quem sou eu para corrigir os dicionários de Cambridge e de Oxford!?)

     

    Já voltamos à definição em inglês, mas vamos agora tentar arranjar uma palavra ou expressão equivalente na nossa língua.

     

    Segundo o Google Translate, a tradução de mindset para Português é “mentalidade”. Consultando o dicionário Priberam, mentalidade significa:

    “1. Maneira individual de pensar e de julgar.
    2. A mente.
    3. Estado psicológico.
    4. Conjunto das faculdades intelectuais de um indivíduo.
    5. Movimento intelectual.
    6. O conjunto dos homens mais notáveis de uma nação.”

     

    Se repararem bem, a primeira definição é, na realidade, muito parecida com a definição do dicionário de Cambridge, sendo que esta deixa cair, por completo, as “atitudes” e foca-se apenas na forma de pensar e julgar – podemos, claro, alegar que é a nossa forma de pensar e de julgar que determina as nossas atitudes, e assim sendo, as duas definições podem ser consideradas equivalentes. Mas parece-me melhor ser mais explícito.

     

    Ainda assim, para o dicionário português, mentalidade é também “a mente” e ainda o “estado psicológico”, com o que tenho de concordar – vamos ignorar as três definições restantes, já que faculdades intelectuais pouco ou nada têm a ver com o mindset de que aqui estou a falar, movimento intelectual é uma coisa totalmente diferente (segundo pesquisei, é sinónimo de Iluminismo) e a definição número 6 está totalmente fora do contexto a que me refiro quando falo de mindset).

     

    Já segundo a Wikipedia (vale o que vale!), mentalidade refere-se “a uma predisposição psicológica que uma pessoa ou grupo social têm para determinados pensamentos e padrões de comportamento, referindo-se ainda à maneira como nações inteiras se conduzem ideologicamente.”

     

    Vou, então, inventar um novo termo: se excluirmos desta última definição as referências a nações e a grupos sociais, ficamos com “uma predisposição psicológica que uma pessoa tem para determinados pensamentos e padrões de comportamento”, a que eu vou chamar de “mindset individual”.

     

    Desta definição eu gosto! Inclui atitudes (“padrões de comportamento”) e pensamentos, conjugando na perfeição as definições dos dicionários de Cambridge e de Oxford, e refere-se ainda a “predisposição psicológica”, juntando assim a definição número 3 do Priberam.

     

    Acho que temos aqui uma definição vencedora.

     

    Ainda não vos perdi? Ótimo!

     

    Muito bem, já temos uma boa definição, mas ainda falta um bom termo para traduzir mindset para português – já vimos que mentalidade não traduz muito bem aquilo a que nos estamos aqui a referir, e até posso ter inventado ali em cima o termo “mindset individual” mas esse ainda tem a palavra inglesa, por isso não ajuda muito, certo?

     

    Então continuemos à procura.

     

    O tema do mindset tem crescido nos últimos anos muito por causa do livro com o mesmo nome, escrito pela psicóloga Carol Dweck (se já leram a página “Sobre mim” deste blog, então já se depararam com o nome deste livro pelo menos uma vez nas vossas vidas). Neste livro, a autora explica-nos a diferença entre “growth mindset” e “fixed mindset”, ou “mindset de crescimento” e “mindset fixo”. Segundo esta autora, e muito resumidamente, as pessoas que apresentam um mindset fixo acreditam que todos nascemos com certos talentos e capacidades inatos e que, por muito que nos esforcemos, nunca vamos passar muito daquilo, enquanto que as pessoas com mindset de crescimento acreditam que qualquer coisa está ao nosso alcance e que podemos aprender tudo: que, no fundo, o esforço conta muito mais do que o talento ou aptidão iniciais.

     

    Eu adoro este conceito e adoro que a autora tenha conseguido demonstrar que as pessoas de mais sucesso são aquelas que têm um mindset de crescimento.

     

    No entanto, quando falo em mindset fora do contexto desta teoria, aquilo a que me estou a referir agrega ainda mais do que estes dois perfis. Para mim, mindset refere-se também às nossas tendências de pensamentos (como diz o dicionário do Oxford), à forma como reagimos àquilo que nos acontece (ou atitudes, como refere o dicionário de Cambridge) e ainda à forma como falamos com nós próprios. Sim, a forma como eu falo comigo dentro da minha cabeça – que é algo tão importante mas que tantas vezes descuramos!

     

    Porque já houve tempos – e ainda há algumas situações (já que isto é um trabalho em progresso) – em que eu falava comigo própria como nunca falaria com outra pessoa. Agressiva, pejorativa, deita-abaixo. E ninguém merece isso! – ainda que vindo de nós próprios.

     

    Assim, para mim, mindset é o conjunto de pensamentos, reações e atitudes a que recorremos por defeito. Ou seja, tipicamente, quando não estamos a fazer qualquer esforço, quais os pensamentos e reações naturais que temos? Esse é o nosso mindset.

     

    Mas voltando ao livro da Carol Dweck, segundo as minhas pesquisas online consegui perceber que a versão brasileira deste livro traduz mindset como “atitude mental”! E esta é, para mim, uma tradução brilhante. Conjuga a parte das atitudes (como Cambridge) e dos pensamentos (ou mente, como Oxford) em apenas duas pequenas palavras e eu já me rendi a esta expressão.

     

    Vamos então deixar aqui já acordado: mindset em português é atitude mental, OK?

     

    Mas o que eu queria trazer-vos hoje não era uma dissertação sobre a definição e/ou tradução de mindset. Não, o que eu queria era partilhar algumas das minhas principais influências de mindset – ou atitude mental, como acabámos de decidir.

     

    Porque se mindset é o nosso conjunto natural de pensamentos e reações, então ele é passível de mudar. Mas não vai mudar só porque sim: muda se nos sujeitarmos às influências certas e se houver alguma abertura e esforço da nossa parte para incorporar alguns dos novos pensamentos e atitudes a que vamos sendo expostos – primeiro de uma forma muito consciente e intencional, e numa fase posterior, já de forma natural.

     

    Nos últimos anos, tenho bombardeado o meu cérebro com conteúdos de influências que apresentam o tipo de mindset que me faz sentido e que também eu quero incorporar. Esse bombardeamento originou uma mudança muito significativa no meu mindset – quem convive comigo de perto sabe que assim é – e não tenho qualquer dúvida de que i) ainda vai continuar a mudar, já que há ainda margem para progressos, e que ii) esta mudança foi, em grande parte, responsável pela minha decisão de mudar de vida.

     

    A maior parte destas influências chega até mim sob a forma de podcasts, mas também do Youtube a até de livros. Não há desculpas para não termos este tipo de influencias nas nossas vidas, já que a maior parte destes conteúdos está disponível para todos e de forma totalmente gratuita.

     

    De certeza que já ouviste a frase “És a média das 5 pessoas com quem passas mais tempo”, certo? É por isso que vou listar a seguir as 5 das influências com quem “passo mais tempo”. Não é o top 5, é o top 2-6, porque a minha influência número 1 merece um artigo em exclusivo e este já vai muito grande. Daqui a uns tempos falo-vos dele 🙂

     

    6 – Jonathan Fields

    O Jonathan é o fundador do Good Life Project e tem um podcast, um canal de Youtube e é autor de 3 livros, o último dos quais intitulado “How to Live a Good Life“. Todas as semanas ouço pelo menos um episódio do seu podcast, normalmente o que sai às quintas-feiras e onde ele faz uma pequena reflexão. Também ouço algumas entrevistas a pessoas interessantes que ele convida. Para além de ter um podcast extremamente interessante, acho que o Jonathan tem uma voz super relaxante e agradável e adoro ouvi-lo.

     

    5 – Ryan Holiday

    Já o Ryan não tem um podcast mas tem muitos livros e se quiserem mesmo ouvir a voz dele, podem fazê-lo através dos seus audiobooks. Apesar de ele não ter o seu próprio podcast, é muitas vezes convidado de podcasts que costumo ouvir, por isso se usarem uma qualquer aplicação de podcasts poderão fazer uma pesquisa pelo nome dele e encontrar os episódios em que foi entrevistado. O primeiro livro que li (ou, neste caso, ouvi) dele foi o “The Obstacle is the Way“, que me introduziu à filosofia estóica, e estou, este ano, a ler o “The Daily Stoic“, um livro que tem um texto – de apenas uma ou duas páginas – para cada dia do ano e que estou a adorar e a pensar voltar a ler para o ano. Ele lê dezenas de livros e se subscreverem a sua newsletter vão passar a receber, todos os meses, as suas recomendações de leitura.

     

    4 – Tim Ferriss

    Quem não conhece ainda o Tim Ferriss? Autor dos já bem famosos “4 hour work week” e “4 hour body” (bem como do pequeno flop4 hour chef“), e mais recentemente do “Tools of Titans” e do “Tribe of Mentors“. Confesso que destes todos ainda só li o “4 hour body” e já tenho o “Tools of Titans” mas ainda não li. Não sei como ainda não li o “4 hour work week” mas quero muito (podem-me oferecer agora no Natal, que eu ia ficar muito contente). Mas o que gosto mesmo no Tim é do seu podcast. Ou melhor, dos seus podcasts, já que ele tem agora um segundo, a acompanhar o seu último livro e com o mesmo nome. Tal como o Ryan Holiday, também o Tim é convidado frequente de outros podcasts, pelo que não faltam conteúdo dele para consumir. Também tem um canal no Youtube e uma newsletter semanal muito interessante, chamada “5 bullet friday”.

     

    3 – Elizabeth Benton

    Já falei da Elizabeth e do seu podcast aqui. Acho que este foi o primeiro podcast que comecei a ouvir e adorei de imediato. A Elizabeth é super direta, toca em pontos muito sensíveis mas sempre como alguém que quer ajudar e apesar de o seu podcast ser primeiramente sobre saúde e alimentação, também tem muitos episódios sobre mindset – até porque esta coisa de ser saudável passa muito pelo mindset. Ainda não tem nenhum livro, mas já contou no podcast que está a escrever um. Ainda assim, se preferirem ler a ouvir, podem também acompanhar o blog dela, onde escreve de segunda à sexta, para além da newsletter que envia todos os domingos.

     

    2 – Benjamin Hardy

    O Ben é aluno de doutoramento de Psicologia e escreve artigos maravilhosos no Medium. Tem também dois e-books gratuitos que podem descarregar e o seu primeiro livro vai sair já no próximo ano e eu mal posso esperar para o ter nas mãos. Apesar de ele, por vezes, re-publicar artigos antigos com outro título (e vou confessar que por vezes isso irrita-me um bocadinho), os artigos dele costumam ser tão bons, mas tão bons, que continuar a ser uma das minhas maiores influências.

     

    1 – O meu primeiro lugar fica para uma próxima vez…

    … mas acreditem, não vão querer perder!

     

     

    Estas são as inspirações que me acompanham há mais tempo, as fontes mais antigas de mindset que fazem parte da minha realidade e das quais consumo conteúdos com maior regularidade. Mas porque nem todos criamos ligações da mesma forma com as mesmas pessoas, vou deixar mais algumas sugestões de pessoas que ou descobri mais recentemente ou que também consumo mas com menos frequência, e que também poderão contribuir para uma profunda mudança de atitude. São elas:

    Jenny Blake – já falei do seu livro aqui e ela também tem um podcast muito interessante (e também é das que tem uma voz muito agradável)

    Melyssa Griffin – é uma “online entrepreneur” mas começou há pouco tempo um podcast de entrevistas, o “Pursuit with Purpose” onde entrevista pessoas muito interessantes

    Mastin Kipp – já o tinha visto aparecer no meu feed do Facebook mas nunca lhe dei atenção, até que o ouvi numa entrevista noutro podcast e gostei muito. Também ele tem um podcast mas ainda tenho de explorar mais os seus conteúdos

    Kristen Martin – a Kristen é autora independente e costuma publicar vídeos no Youtube sobre escrita, mas recentemente tem começado a focar-se mais em mindset – já que nós, escritores, precisamos de um muito bom mindset para conseguirmos manter a motivação para escrever e também para sabermos lidar com as críticas. Ela tem agora um podcast muito bom, o That Smart Hustle

    Lewis Howes – também tomei conhecimento dele numa entrevista que deu noutro podcast (não me lembro qual). Malta, isto de começar a ouvir podcasts de desenvolvimento pessoal é mesmo como puxar a ponta de um novelo: ficamos a conhecer mais e mais pessoas dentro deste mundo e apenas temos de selecionar aqueles com quem nos identificamos mais e passar a acompanhar esses! O Lewis também tem um podcast e gosto particularmente dos episódios que ele publica às sextas-feiras, que duram sempre menos de 5 minutos – já que, para quem já seguem um grande número de podcasts, é sempre bom poder ouvir um podcast em menos de 5 minutos

    Marie Forleo – a Marie é life e business coach e tem um canal no Youtube onde faz entrevistas e, uma vez por semana às terças-feiras, responde a uma pergunta dos ouvintes. O mesmo conteúdo que tem no seu canal é também publicado na forma de podcast para quem preferir. Ela é muito engraçada e tem uns insights muito bons

    Sofia de Castro Fernandes – a querida Sofia do às nove no meu blog, claro. Os seus textos são lindos e os workshops são melhores ainda

    Cláudia Fonseca – ainda não conhecem o Officinalis? Já sabem que eu prefiro podcasts e a Cláudia está a fazer algo de fantástico com o seu podcast, o Officina. Recomendo mesmo que comecem a ouvir

     

    Numa nota final: sim, (quase) todos estes conteúdos estão em inglês e isso é mesmo algo que gostava de vos perguntar. Consomem conteúdos em inglês? Estão à vontade com esta língua? Preferem conteúdo em inglês falado (vídeo e áudio) ou escrito (artigos e livros)? Para mim, como podem já ter percebido, ler ou ouvir conteúdos em inglês é absolutamente igual a fazê-lo em português, mas admito que o mesmo possa não ser verdade para outras pessoas.

     

    No seguimento destas perguntas, sentem falta de mais conteúdos relacionados com estes tópicos (mindset e desenvolvimento pessoal) em português? Contem-me tudo! (Isto se tiverem chegado até ao fim deste artigo e, se assim for, até merecem um prémio! Obrigada!)