#73/100 – Projetos gigantescos

#100palavraspordia

 

Dividir tarefas muito grandes em passos mais pequenos e fazer um de cada vez, sem pensar nos seguintes. Porque para correres uma maratona não precisas de ver a meta, apenas os metros que estão à tua frente. Porque para conduzires à noite não precisas de ver a estrada toda, apenas a porção iluminada pelos teus faróis. E porque pensar em tudo o que ainda precisa de ser feito só pode gerar mais ansiedade.

 

Focar apenas no passo seguinte, na tarefa seguinte, na hora ou no dia que se segue. Quando essa tarefa e essa hora ou dia estiverem concluídos, então, e só então, avançar para os seguintes. Porque é essa a única forma de conseguir realizar projetos gigantescos sem desesperar, e mais ainda quando tudo depende de nós e quando tem de ser feito nos (poucos) tempos livres.

 

Tudo se faz.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#71/100 – Duas coisas que percebi a fazer stand up paddle

#100palavraspordia

 

Hoje fiz stand up paddle pela primeira vez e, de forma semelhante ao que aconteceu com a caminhada até à cascata, houve também nesta atividade duas coisas interessantes em que reparei e que podem equiparar-se ao nosso percurso para alcançar objetivos de vida.

 

A primeira foi que é muito mais fácil continuar em movimento do que iniciar o movimento. É a inércia em ação. Fiz SUP num sítio lindíssimo e de vez em quando parava de remar para apreciar a paisagem. Quando depois queria retomar, precisava de aplicar mais força do que quando já me encontrava em movimento. Além disso, aqueles primeiros metros depois de estar parada eram sempre mais lentos do que se continuasse em permanente movimento. Também quando estamos a tentar atingir um determinado objetivo, é mais fácil continuar a trabalhar sempre e aproveitar a inércia ou o momento, em vez de trabalhar uma semana com toda a intensidade, depois estar um mês parado e sem fazer nada, para depois voltar a arrancar. Claro que não há mal nenhum em parar de vez em quando para descansar ou “apreciar a paisagem”, desde que essas paragens sejam bem planeadas de forma a que possamos realmente recuperar as forças e arrancar com mais força. Caso contrário, é simplesmente mais fácil continuar a dar no duro, todos os dias, sem parar. O nosso corpo habitua-se ao que quer que façamos repetidamente.

 

A segunda coisa que reparei foi que muito mais facilmente perdia o equilíbrio se começasse a olhar à volta ou tentasse olhar para trás. Por vezes tinha curiosidade em saber onde andava o R., quando era eu que ia à frente, mas nem me atrevia a olhar para trás para o procurar. Sei que manter o equilíbrio depende muito de manter o corpo numa posição fixa por um lado, e por outro lado do local onde focamos o nosso olhar. Da mesma forma, se estivermos a trabalhar para um determinado objetivo, perdermos tempo a olhar para o que os outros estão a fazer só nos vai prejudicar. Não só vamos perder tempo, como vamos tirar momentaneamente o foco do nosso próprio trabalho, perdendo, lá está, o momento, e mais rapidamente vamos começar a ficar para trás. Não importa onde os outros vão ou como estão a fazer o seu trabalho, se vão mais rápido ou mais lentamente, se estão a fazer da mesma forma ou de maneira diferente. O que importa é focarmo-nos nos nossos próprios objetivos e no nosso próprio trabalho. Tudo vai ficar mais fácil assim.

 

Metáforas à parte, adorei fazer SUP. Pensei que ia ser um bom treino de braços por causa do remo, mas revelou-se também um excelente treino de pernas e core pois toda a parte inferior bem como o core ficam em tensão para conseguirmos manter o equilíbrio. Gostei mesmo muito e adorava continuar a praticar. Tenho de descobrir onde o posso fazer em Lisboa.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#60/100 – Divagações sobre a necessidade de ordem

#100palavraspordia

 

Sinto necessidade de organizar a minha vida. Sinto vontade de me sentar com uma agenda à frente e organizar no tempo todos os projetos que quero fazer. Sinto que para o fazer tenho primeiro de organizar a minha secretária. Não é que ela esteja muito mal, a do trabalho está bem pior, mas a de casa – a dos projetos pessoais – é mais pequena, por isso mais facilmente fica num estado de caos. Sinto que neste momento o que mais preciso é de ordem. No meu espaço, no meu tempo, na minha mente. Organizar papéis, calendário e ideias – sinto que um não pode acontecer sem que os outros sigam a par.

 

Preciso de uma estratégia. Se a minha mente já borbulhava com ideias e planos antes do fim de semana do Bloggers Camp, agora então está completamente a transbordar. Preciso de definir prioridades. Colocar cada um destes planos numa folha de papel e depois ordená-los por ordem de importância e urgência. Definir então o período no tempo em que vou trabalhar em cada um deles e por fim executar. Cumprir o calendário sem hesitação nem desculpas. Não vale procrastinar nem inventar novos projetos – até os posso pensar mas esses terão de ir diretamente para o fim da lista.

 

Preciso de ordem na minha vida, preciso de ordem na minha cabeça.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#46/100 – Como reconhecer o ponto de fratura?

#100palavraspordia

 

Como é que pudemos saber se estamos a ser demasiado exigentes connosco próprios?

 

Eu gosto de me desafiar a mim própria. Normalmente, quando digo a mim própria que vou fazer algo, seja atingir um determinado objetivo até ao dia X ou fazer algo todos os dias durante X dias, é o suficiente para ter a certeza que o vou cumprir. Penso que vem de um forte sentido de compromisso comigo própria mas também daquele medo de falhar. Porque mesmo que seja um compromisso que apenas assumi comigo própria, saber que não o fiz representa para mim um fracasso. Mesmo que mais ninguém saiba e que seja um fracasso só perante eu mesma.

 

Como eu sei que este tipo de compromissos é bastante eficaz, acabo por fazê-lo com frequência. Seja escrever um post no blog com pelo menos 100 palavras durante 100 dias – enquanto também tento manter outros posts interessantes e mais longos no blog, – escrever um livro inteiro em apenas 70 dias, ler X livros em poucos meses, voltar a treinar pelo menos duas vezes por semana, fazer uma pós-graduação (e mais uns cursos online pelo meio), ou comer melhor, fazer mais caminhadas, deitar-me mais cedo, ser mais consistente na meditação e na organização da casa. São tudo coisas com que me comprometo. Sem esquecer que também me comprometi há uns anos com ter um emprego a tempo inteiro.

 

Pensando agora bem nisto, desde que este blog existe que alguns destes compromissos deixaram de ser apenas comigo própria, mas isso agora não interessa nada.

 

A minha pergunta é: quando é que isto tudo se torna demasiado? Não sei. Sinceramente, acho que ainda não estou lá, mas acho que também já não estou muito longe. Como alguém já me disse uma vez, “toughen up, buttercup!” Tudo se faz.

 

P.S. Se vieram com esperança de encontrar uma resposta à pergunta do título do post, lamento mas eu própria também não a conheço. Se a encontrar, podem ficar descansados que partilho.

 

P.P.S. Não me estou a queixar. Como expliquei, tudo isto (ou quase) são compromissos comigo própria, por isso faço porque quero fazer e se sentir que estou perto do ponto de fratura, basta deixar cair alguns. (Agora, quais!? Hum…)

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#25/100 – Da suposta falta de tempo

 

Cada vez acredito menos no mito da falta de tempo. É verdade que eu própria já me queixei disso, e de vez em quando ainda me sai um desses lamentos de vez em quando, mas estou a tentar mudar de perspetiva.

 

Todos nós temos as mesmas 24 horas no dia. É simplesmente um facto que não há ninguém com mais nem com menos, nesse campo somos todos iguais. Tenho a certeza que todos nós conhecemos (ou sabemos de) pessoas que nos impressionam pela quantidade de coisas que conseguem fazer. Quando vemos essas pessoas pensamos logo “não compreendo como consegue fazer tantas coisas”.

 

Quando nós próprios temos projetos e atividades que gostaríamos de fazer, pensamos então “quem me dera ter também tempo para fazer estas coisas”, sejam elas quais foram. Mas repito: temos exatamente tanto tempo como as outras pessoas todas. O que diferencia essas pessoas, as que dão conta de muitas coisas, de muitos desafios, não é terem mais tempo. Não! É fazerem uma melhor gestão de prioridades. Porque a verdade é que não dá para fazer tudo. Se queremos muito fazer algo, outra coisa vai ter de ceder. É a importância que damos a esta gestão de prioridades e o cuidado com que decidimos como vamos ocupar o nosso tempo que vai definir se realmente conseguimos fazer aquilo que mais queremos.

 

Também eu pensei em tempos que não tinha tempo para escrever um livro. E depois escrevi, em apenas 3 meses, um com mais de 400 páginas. O que mudou? O facto de ter definido isso como uma prioridade. Escrever passou a ser uma prioridade em detrimento de fazer scroll down no Facebook, ver vídeos no Youtube, ver séries e filmes, por vezes ir ao ginásio, e até mesmo, em algumas situações pontuais, estar com outras pessoas. Sim, algumas podem ser decisões difíceis de tomar, mas quando queremos muito uma coisa, quando o queremos o suficiente, temos sempre de abdicar de outras que se calhar até também gostamos e até são importantes – mas não tão importantes como o nosso objetivo mais prioritário.

 

Isto pode aplicar-se a qualquer coisa. Gostavam muito de treinar mas acabam por sair sempre tarde do trabalho? Então, lá no fundo, é porque o trabalho é, para vocês, uma prioridade maior do que treinar. Gostavam de ler mais mas não conseguem desligar a televisão ou o computador? Então é porque ler não é assim tão prioritário, pelo menos quando comparado com ver televisão ou estar no computador. Gostavam de comer de forma mais saudável mas não conseguem porque não têm tempo de ir às compras todas as semanas e cozinhar todos os dias? Então é porque há outras coisas que estão a ocupar o vosso tempo e que são mais prioritárias. Querem escrever um livro? Não têm tempo? Garanto que têm, até porque bastam 10 minutos por dia para o conseguirem.

 

Vale para tudo!

 

Por isso, por favor, e pela vossa própria felicidade, se também querem ter tempo para fazer algo para o qual sentem que não têm tempo, façam o seguinte:

  • Convençam-se que todos temos as mesmas 24 horas no dia, por isso vocês não têm menos tempo do que qualquer outra pessoa que faz coisas incríveis (aqui também há tough love de vez em quando).
  • Olhem para o vosso dia e analisem bem como estão a ocupar o vosso tempo ao longo dessas 24 horas.
  • Decidam onde podem cortar, o que querem eliminar, o que estão dispostos a abdicar, quais são aquelas atividades que não são, afinal, tão prioritárias como aquela que realmente querem fazer.
  • Reorganizem-se. Se a vossa nova priorização impactar outras pessoas, sentem-se e tenham uma conversa com elas. Expliquem que aquela outra coisa é, para vocês, mais importante.
  • Façam!

 

É simples. É apenas uma questão de prioridades.

 

falta de tempo

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

 


 

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O meu ritual matinal do momento

(créditos da imagem: Annie Spratt)

 

 

aqui falei sobre a importância de ter um ritual matinal intencional. Hoje venho falar-vos do meu ritual matinal atual, na esperança de vos inspirar a implementarem um também, caso ainda não o façam.

 

Falo em ritual matinal “do momento” porque a verdade é que ele muda várias vezes. Nem sempre as mesmas coisas nos fazem sentido, conforme o sítio onde estamos nas nossas vidas, e por isso é importante irmos adaptando o nosso ritual conforme aquilo que faça mais sentido no momento.

 

O ritual que pratico neste momento tem uma duração de cerca de uma hora. Não quero com isto desmotivar ninguém, nem que pensem que se não têm uma hora de manhã então não podem ter um ritual intencional. Como expliquei no passado, podem começar com algo tão simples como 5 ou 10 minutos e depois ir aumentando gradualmente (se assim o quiserem). Para quem nunca teve uma prática deste género, pode mesmo ser contraproducente começarem com algo muito complexo porque vão desmotivar logo na primeira vez que não o consigam cumprir e o mais provável é ao fim de uma semana já não sentirem vontade de o fazer. Por isso, convém mesmo começarem com algo muito simples para trabalharem primeiro na implementação do hábito (já sabem, pelo menos 21 dias) e depois então irem trabalhando para construir algo mais completo e que faça sentido para vocês.

 

Isto é simplesmente aquilo que funciona para mim neste momento. Não quer dizer que vá continuar assim para sempre – aliás, não vai porque estamos em constante mudança e também o ritual matinal se deve adaptar à nossa realidade. Não me admirava nada se daqui a uma semana o meu ritual já fosse algo diferente. Não tenho problemas nenhuns em mudá-lo sempre que sentir que faz sentido, até encontrar aquilo que funciona para mim no momento.

 

Mas vamos a isto, o meu ritual matinal neste momento consiste nas seguintes atividades:

 

1 – Banho de água fria

Pronto, devem estar já a pensar que eu sou maluca. É, sou um bocado. Mas não é o facto de tomar banhos de água fria que comprova isso, hão de ser outras coisas.

 

Para quem não sabe, os banhos de água fria trazem vários benefícios, sendo alguns deles:

 

Ajuda a acordar e dá energia

Alguém consegue imaginar tomar um banho de água fria logo de manhã e mesmo assim continuar cheio do sono? Não, pois não? A verdade é que sendo esta a primeira coisa que faço depois de sair de uma cama quentinha, a coisa torna-se ainda mais difícil. O corpo está quente, a tendência para continuar em modo “devagar” é grande, e por isso a melhor estratégia para acordar, mas acordar mesmo, é esta. Não há a menor possibilidade de se continuar molengão depois de um banho destes.

 

Melhora a imunidade

Aparentemente contribui para o aumento do número de glóbulos brancos.

 

Melhora a circulação

Com o frio repentino, o coração vai começar a bombear mais sangue para aquecer os membros, por isso há um boost automático da circulação logo de manhã.

 

Ajuda na perda de gordura

Está também demonstrado que banhos de água fria ativam a gordura castanha. Ah pois é, não sabiam que temos gordura branca e castanha, pois não? É verdade, e esta gordura castanha é considerada a gordura “boa” pois tem uma função muito importante: regular a temperatura do corpo. É por isso que ao tomarmos banhos de água fria estamos a ativar este tipo de gordura, pois ela vai entrar em funcionamento para tentar aquecer o nosso corpo. E como é que ela faz isso? Ora nem mais, transformando calorias em calor (esta frase não está cientificamente muito correta mas percebem a ideia).

 

Trabalha a força de vontade

Convenhamos, é precisa muita força de vontade para se tomar um banho de água fria todos os dias logo de manhã. E continuar a fazê-lo mesmo não sendo a coisa mais agradável deste mundo ajuda-nos a trabalhar a força de vontade. Pensem assim: se conseguem sair de uma cama queintinha e meterem-se logo de baixo de água fria por uns minutos, então há poucas coisas para as quais possam não ter força de vontade.

 

Melhora a resiliência e a capacidade de relativizar

Sejamos honestos, muito práticos e objetivos: é apenas água fria. Mais nada. Não vamos morrer, não nos faz mal, não nos vai fazer ficar doentes, nem sequer magoa. É apenas ligeiramente desconfortável e são só uns minutos. O que é o pior que pode acontecer? Sentirmos um bocadinho de frio? Estarmos desconfortáveis durante 5 minutos? Darmos um berro e os vizinhos acharem que somos malucos? (não que isso já tenha acontecido…) E querem saber a melhor parte? Depois de algo que custa vem sempre a recompensa, porque vestir uma camisola quentinha logo a seguir ao banho de água fria é das sensações mais reconfortantes que há.

 

Para além disto tudo, ainda ajuda a recuperar músculos doridos, alivia o stress e a depressão e também é bom para a pele e para o cabelo.

 

E se depois de conhecerem estes benefícios todos vocês também não ficaram convencidos a tomar banhos de água fria todos os dias logo de manhã, então não sei, desisto.

 

Agora chegou a hora do confessionário: eu ainda começo este banho com a água muito ligeiramente morna, caso contrário demoro uns 2 ou 3 minutos só a ganhar coragem para saltar para baixo da água e ninguém tem tempo para isso. Depois é que vou, as pouquinhos, pondo a água cada vez mais fria. Não há problema nenhum, é apenas uma fase de adaptação e eu sou a primeira a dizer que para criar um novo hábito é sempre melhor começar devagar e ir progredindo. Mas a ideia é eventualmente não precisar destes segundos de adaptação e começar logo com a água fria. Comecei a implementar este hábito há cerca de duas semanas e quis desistir logo no primeiro dia, mas a verdade é que está a tornar-se cada vez mais fácil e não me parece que vá parar tão cedo. A minha esperança é que quando chegar o Inverno esteja já tão habituada que consiga continuar a fazê-lo.

 

2 – Água morna com limão

Aqui penso que não preciso de entrar em grandes explicações, de certeza que todos já leram um artigo (ou dez) sobre os benefícios da água morna com limão logo de manhã. Mal não fará e sabe-me bem, por isso faço-o todos os dias (ou quase, às vezes lá acontece deixar acabar os limões).

 

3 – Escrita livre

Ou free writing. Esta é também uma atividade que comecei há pouco tempo, uns três ou quatro meses. É algo que deve ser feito logo de manhã, quando a nossa mente ainda não teve tempo de pensar em muitas coisas e a ideia é escrever sem pensar, simplesmente deixar fluir. Escrever sem parar, tudo o que nos vem à cabeça. Não corrigir erros nem typos, não parar, e não pensar que vai sair dali algo de jeito. Estes textos não são para publicar em lado nenhum, são pura e simplesmente para nós e especialmente para nos ajudar a explorar a nossa mente. É muito semelhante ao conceito de Morning Pages da Julia Cameron, especialista em criatividade, mas segundo as instruções dela, deverão ser escritas três páginas, coisa que eu não faço, escrevo apenas por 5 minutos ou pouco mais. Ainda não consegui perceber se para mim é melhor escrever à mão ou no computador. Já tentei os dois e neste momento escrevo no computador com a cor da fonte formatada para branco para nem sequer olhar para aquilo que estou a escrever. Mas acho que vou voltar a tentar escrever à mão para ver se noto diferença.

 

4 – Gratidão e foco

Escrever, todos os dias, três coisas pelas quais me sinto agradecida. De preferência coisas simples. Ou seja, todos os dias me sinto agradecida pela minha família, pela minha casa, pelo meu emprego, por viver num país desenvolvido, etc. A ideia é ir buscar coisas menos óbvias e mais pequenas, mais simples. Está comprovado que o ato da gratidão nos ajuda a ser mais felizes e a ter uma atitude mais positiva. Para além disso, escrever também qual o principal foco para esse dia.

 

5 – Reflexão

Aqui incluo apenas a leitura de um ou dois textos motivadores ou que me façam pensar. Leio sempre o texto do livro Daily Stoic para esse dia, como já expliquei aqui, e por vezes leio um texto do às nove no meu livro.

 

6 – Meditação

5 minutos de meditação é onde estou atualmente. Não consigo ainda fazer mais tempo do que isso, mas é um work in progress. Há tantos artigos sobre meditação que me parece desnecessário estar para aqui a falar sobre os benefícios. É algo que tento fazer regularmente apesar de nem todos os dias me apetecer. Também já me aconteceu estar a trabalhar e sentir necessidade de parar uns segundos, um minuto que seja, apenas para respirar, o que também pode ser considerado uma espécie de meditação. Sei que muitas pessoas se sentem intimidadas pela ideia da meditação, mas não é mesmo nada de muito complicado. Tentem e não se preocupem se a vossa mente começar a divagar pelos mais variados sítios. Tentem apenas voltar ao nada, ou então, se a vossa mente acabar por divagar para um sítio mesmo interessante, explorem isso se vos apetecer. Já ouvi falar de pessoas que meditam com um bloco de notas ao lado para, se surgir alguma coisa importante ou interessante nas suas mentes, apontarem de imediato e não esquecerem, podendo regressar à meditação logo de seguida.

 

7 – Visualização

5 minutos de visualização. Hei de escrever um texto mais longo sobre o poder da visualização, se tiverem interesse.

 

8 – Leitura

Completo o resto da hora com tempo de leitura. Ultimamente ando mais voltada para livros de não-ficção, que nunca foram muito a minha praia, mas recentemente decidi ler ficção à noite e não-ficção de manhã, porque não estando na cama e quase a adormecer, dá-me mais jeito tirar notas e consigo estar mais concentrada. Há tantas coisas que quero aprender e tantos livros interessantes que quero ler, que vou mesmo começar a investir mais tempo em não-ficção.

 

 

Depois disto normalmente vou fazer o meu café (french press, duas chávenas, uma para beber na hora e outra para levar para o trabalho na termos), o que me leva uns 10 ou 15 minutos, e fico com cerca de uma hora e meia para trabalhar nos meus projetos de escrita. 15 minutos antes de ter de sair para o trabalho vou mudar de roupa, lavar os dentes, preparar a marmita e o saco do ginásio nos dias em que preciso dele. Para fazer tudo isto tenho acordado às 5:30.

 

Sempre gostei de acordar cedo, mas antes fazia-o apenas para ter tempo para mim e para as minhas coisas (aka, livros e séries). Hoje faço-o para começar o dia de uma forma intencional e para trabalhar em projetos que me deixam apaixonada e que sei que se deixar para fazer ao final do dia vou estar demasiado cansada para fazer um trabalho de qualidade.

 

E vocês, têm um ritual matinal intencional ou acordam em cima da hora e fazem tudo a correr?

Ritual matinal

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Cada vez mais se ouve falar (ou melhor, se lê na internet) sobre “morning routines” ou rotinas/rituais matinais. Por exemplo, vários dos podcasts que costumo acompanhar nas áreas da saúde e produtividade dão um ênfase muito grande a esta prática. Vários são os artigos que relatam que as pessoas mais bem sucedidas deste mundo têm os seus rituais matinais muito bem estabelecidos. Alguns dos mais conhecidos rituais matinais, por exemplo, são os do Tim Ferriss ou do Tony Robins (esta última inclui crioterapia!). Estas pessoas alegam que o nosso ritual matinal define todo o resto do nosso dia, e por isso mesmo devemos agir logo de manhã de uma forma intencional. Também muito tenho ouvido falar do livro The Miracle Morning, que quero muito ler. Parece ajudar muitas pessoas neste campo e tem excelentes críticas.

 

Penso que este não é um hábito fácil de estabelecer, e eu própria ainda estou a trabalhar para o conseguir, mas é mesmo um processo. Esse processo de encontrar um ritual matinal ideal pode ser longo, mas tenho tentado diversas variações e penso que mais cedo ou mais tarde vou conseguir encontrar o ritual que melhor se aplica à minha vida. E acredito que a chave principal neste tópico é mesmo esta: não há regras nem limites, cada um tem de encontrar o ritual que melhor se adapta a si. Cada um pode ter um ritual tão curto ou tão longo como desejar, desde que se sinta bem com isso. É óbvio que para quem tem dificuldade em acordar cedo, por exemplo, não convém estabelecer um ritual de duas horas, mas se outra pessoa se sente melhor seguindo um ritual de duas horas, então seja. Cada um deve experimentar várias coisas e procurar o que melhor se adapta a si.

 

As componentes que mais vejo recomendadas para um bom ritual matinal são as seguintes:

  • hidratação: após tantas horas sem nos hidratarmos enquanto estamos a dormir, o corpo precisa de uma boa dose de água
  • saúde mental: meditação, afirmações positivas, gratidão, visualização, ou simplesmente silêncio
  • movimento: entre yoga, alongamentos, caminhadas ou mesmo o treino do dia

 

No entanto, muitas outras podem ser incorporadas, como:

  • projetos pessoais (escrever um livro, manter um blog, criar uma empresa, criar artesanato…)
  • aprendizagem (aprender algo novo, uma língua, a costurar, a tricotar, ou simplesmente ler um livro…)
  • planear o dia, fazer e tomar o pequeno almoço, preparar a marmita

 

As possibilidades são imensas e cada um saberá o que pretende incorporar no seu ritual matinal.

 

Um dos benefícios de ter um ritual bem estabelecido é evitar ter de tomar decisões logo de manhã. Ao contrário do que se acreditava há alguns anos, há hoje em dia estudos que provam que a nossa força de vontade é um recurso finito. Sempre que temos de tomar uma decisão, estamos a usar mais um pouco da nossa força de vontade. Se certas atividades, como meditar, ler ou sentarmo-nos a aprender algo novo, já estiverem pré-definidas ou já forem automáticas, é menos uma decisão que temos de tomar. Não temos de chegar àquele momento e ficar a pensar “Hum, agora vou-me sentar a ler ou vou fazer outra coisa qualquer? Deixa-me cá decidir…” É por este motivo que pessoas como o Mark Zuckerberg ou o Steve Jobs usam (ou usavam) roupa igual todos os dias: menos uma decisão para tomar.

 

Muitas pessoas pensam que simplesmente não têm tempo para terem um ritual matinal, mas não se apercebem que ele pode durar apenas 10 ou 15 minutos. Por exemplo, um ritual matinal pode ser tão simples como:

  • hidratação (1 minuto para beber um copo de água)
  • meditação (2 minutos)
  • alongamentos (5 minutos)
  • planear o dia (2 minutos)

Total: 10 minutos. E ainda podem simplificar mais. No limite, comecem só por se forçarem a beber um copo de água logo ao acordar, ou a meditar 2 minutos se já costumam beber água. A partir do momento que esse hábito esteja implementado, é apenas uma questão de ir aumentando aos poucos, tornando a coisa muito progressiva e fácil de cumprir.

 

Outra questão é que muitos de nós já temos rituais matinais bem estabelecidos, mesmo sem nos apercebermos. Aquilo que fazemos de manhã acaba por ser automático, seja acordar, tomar banho, fazer café, tomar o pequeno almoço, lavar os dentes e sair de casa. Mas a chave dos rituais matinais recomendados pelas pessoas bem sucedidas é ter uma série de atividades intencionais. Atividades que representem um benefício para o nosso dia a dia, e não apenas aquelas que nos permitem sair de casa arranjados e sem fome. Trata-se então apenas de incorporar novos hábitos na nossa rotina, mas escolhe-los de forma intencional e tendo em mente aquilo que nos faz melhor a nós.

 

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Uma forma que arranjei de começar a ler mais, foi incorporar essa atividade no meu ritual matinal. Por isso hoje em dia tenha logo de manhã 20 a 30 minutos dedicados a ler. Não é muito, mas é mais do que tenho feito ultimamente, uma vez que basicamente me tenho limitado a ler quando vou para a cama, um pouco mais aos fins de semana e em viagens de avião ou comboio. Tenho gostado muito de o fazer e é uma excelente forma de me impedir de começar a manhã a mergulhar logo nas redes sociais, essa atividade tão produtiva e enriquecedora (só que não). Com isto, estou a ponderar aumentar o meu objetivo do ano para 36 livros, o que dá 3 livros por mês e que me parece muito bom. Ainda não sei, talvez seja demasiado ambicioso e por isso ainda não alterei no desafio do Goodreads mas é algo que ando a ponderar.

 

Alguns artigos interessantes sobre rituais matinais:

8 Productivity Experts Reveal The Secret Benefits Of Their Morning Routines

Why Creating A Meaningful Morning Routine Will Make You More Successful

Famous and successful people with morning routines

 

E por aí, há mais alguém que tenha um ritual matinal estruturado e intencional?