As 47 regras que deves seguir para ser saudável… ou então não

Quando a Joana do blog Limited Edition propôs (no Blogger Pitch do Bloggers Camp) participar na sua rubrica “receita saudável” e escrever um texto sobre o que é, para mim, ser saudável, pensei logo na minha própria definição, que é bastante simples, e soube logo naquele momento que teria de escrever sobre isso.

 

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(crédito da imagem: Matic Kozinc)

 

O que é ser saudável

A minha definição de saudável já mudou bastante ao longo dos tempos e já passou por regras bem rígidas sobre certos alimentos e macronutrientes. Para quem não me conhece, sempre tive alguns quilos a mais, sempre lutei contra isso e já fiz um infindável número de dietas, sempre sem grande sucesso (ou com um sucesso relativo passageiro).

 

Mas a verdade é que a minha definição de ser saudável mudou nos últimos tempos, de uma forma que não me parece que vá voltar a mudar.

 

Para mim, ser saudável é ser feliz.

 

Eu sei que a principal tendência da maior parte das pessoas é associar “ser saudável” com um determinado tipo de alimentação ou de treino ou de outras práticas diárias. Mas para mim e neste momento da minha vida, resume-se mesmo a isto: ser feliz.

 

Também eu já pensei, em tempos, que para ser saudável tinha de comer de uma determinada forma, mexer-me todos os dias, dormir horas suficientes, meditar e lidar melhor com o stress, limpar a mente de pensamentos tóxicos.

 

A verdade é que para ser saudável é mesmo preciso tudo isto e, ao mesmo tempo, nada disto importa. Parece um contrassenso mas não é.

 

É verdade que temos de comer bem. É verdade que temos de nos mexer e dormir bem, aprender a lidar com o stress e limpar a mente.

 

Também é verdade que não basta saber isto para o conseguir colocar em prática. Se fosse assim tão simples éramos todos magros e fit e saudáveis.

 

Quantas pessoas conhecem (se calhar até vocês) que sabem exatamente o que devem fazer para serem saudáveis e mesmo assim não o fazem de forma consistente no seu dia-a-dia?

 

Pois… o problema é esse.

 

O problema é mesmo saber a teoria toda e não conseguir aplica-la.

 

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(crédito da imagem: Jessica Polar)

 

A diferença entre teoria e prática

Por exemplo, há muitos anos que eu sei que é necessário reduzir o consumo de alimentos processados para ser mais saudável. Mas nunca consegui fazê-lo. Eu pensava – juro que acreditava – que não conseguia deixar de comer bolos, gelados, bolachas e chocolates porque estes alimentos me sabiam bem. Gostava tanto do seu sabor e do prazer que eles me davam e acreditava que era por isso que continuava a comê-los, mesmo sabendo que não devia. Quando ouvia falar em “alimentação emocional” pensava sempre que sim, isso é tudo muito bonito mas é para os outros, eu sou emocionalmente estável e saudável e como só mesmo porque gosto muito de comer e porque estas coisas me sabem bem. Para mim, comer não tinha nada a ver com emoções.

 

Era mesmo o que eu acreditava.

 

Já devem estar a perceber que estava errada.

 

A verdade é que eu não estava completa. Mas não o sabia.

 

A verdade é que faltava algo na minha vida. E preenchia o vazio deixado por esse algo que eu anda não tinha encontrado com comida.

 

A verdade é que desde que sei, finalmente, quem sou, desde que encontrei um equilíbrio na minha vida, nunca mais senti desejos por comida “junk”. Nunca mais comi até ficar mal disposta. Pelo contrário, por vezes estou tão entusiasmada com a minha vida e com os meus projetos que me esqueço de comer. E sim, eu também pensava que as pessoas que afirmavam esquecer-se de comer só podiam estar a gozar, “como assim, esquecer-se de comer!? Isso nem sequer é possível!” E agora também a mim me acontece.

 

A verdade é que a maioria das pessoas não consegue colocar em prática aquilo que sabe ser o mais correto porque habitua-se a usar o prazer momentâneo induzido por alimentos altamente saborosos como substituto para a felicidade. Não somos plenamente felizes e as endorfinas libertadas por esses alimentos fazem-nos ter a sensação, por breves instantes, que afinal o somos.

 

A comida é só um exemplo.

 

Antes eu também morria de desejos por um dia sem nada para fazer, para poder ficar horas no sofá a ver séries e a vegetar. Hoje nem sei o que é passar um dia sem me mexer, nem que seja apenas uma caminhada de 20 ou 30 minutos, e passar um dia no sofá sem fazer nada parece-me um desperdício brutal do meu tempo.

 

Antes eu ficava stressada com relativa facilidade, tinha pensamentos tóxicos, essencialmente acerca de mim própria, motivados pela falta de auto-estima e de amor-próprio, e tinha dificuldades em ter uma noite de sono tranquila. Hoje sinto-me feliz todos os dias, é raríssimo ver-me a stressar com o que quer que seja e sinto-me praticamente invencível. Chego à cama a adormeço em cerca de 30 segundos, mais coisa menos coisa, para apenas acordar quando o despertador toca e saltar imediatamente da cama, tal é o entusiasmo com as coisas que tenho para fazer e com a vida que tenho para viver.

 

Isto, para mim, é ser saudável. Por isso afirmo que ser saudável é ser feliz.

 

Mas é mesmo só isso? Basta ser feliz?

 

Na minha opinião, sim, basta.

 

Quando percebes o teu lugar no mundo, tudo o resto se encaixa no sítio certo e nem sequer é preciso um grande esforço para coisas boas começarem a acontecer.

 

Quando sentes um genuíno entusiasmo pela tua vida, pelo teu futuro, por aquilo que ainda está para vir, quando te convences que és capaz de tudo aquilo que possas imaginar, o amor-próprio vence, a tua confiança em ti próprio regenera-se, o valor que dás ao teu ser e ao teu corpo é tal que começas a nem conceber fazer coisas que sabes que fazem mal à tua saúde.

 

Há uns anos não imaginava que um dia me iria ouvir a dizer estas coisas. Sou cientista, não se esqueçam, por muito que esteja a tentar dissociar-me dessa identidade. Tenho tendência para ser lógica e analítica e achava que contar calorias e macros e ir X vezes por semana ao ginásio e pesar-me todos os dias é que iria resolver todos os meus problemas. Tantos números para uma coisa tão simples e que não devia precisar de números nenhuns.

 

Tem a ver com encontrares o teu lugar. Tem a ver com saberes o teu porquê. Quando a tua vida começa a fazer sentido, não precisas de procurar conforto noutros lugares.

 

Quando tens na tua vida algo que realmente te faz feliz, algo que te completa, não precisas de um rush de açúcar para sentir prazer disfarçado de “felicidade”. Quando sabes exatamente aquilo que queres para ti e não duvidas que o vais conseguir alcançar, não precisas de comida para te preencher o vazio.

 

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(crédito da imagem: Chetan Menaria)

 

Como conseguir o equilíbrio

Agora vem talvez a parte mais importante. Como é que isto se consegue? Posso dizer já que pode não ser fácil. Mas há formas de o fazer.

 

Para mim trata-se de:

    • trabalhar muito num processo de libertação de crenças limitantes (identidade!)
    • trabalhar muito num processo de auto-conhecimento
    • trabalhar muito para ter um mindset positivo, motivação interior e amor-próprio de forma a não termos medo de ir atrás dos nossos sonhos
    • ir atrás dos nossos sonhos – todos os dias!

 

Escrito assim pode parecer simples. Não é. São processos que magoam por dentro e que nos podem deixar muito desconfortáveis. Mas a verdade é que saímos do outro lado mais fortes e com uma sensação de liberdade que muda por completo a nossa vida.

 

Talvez haja pessoas que funcionam bem com dietas. Para mim, que já tentei as mais variadas e nunca consegui sucesso duradouro, já consegui perceber que não funcionam. Porque chega sempre o momento de quebra e tudo volta ao antigamente.

 

Hoje sinto que sou saudável. Hoje sinto que estou a fazer progressos, apesar de não me pesar há mais de meio ano. Se já consegui os resultados que quero? Não, nem de perto! Se acho que os vou conseguir rapidamente? Também não. Já me consciencializei que para durar tem de demorar e não me incomodo com progressos lentos desde que seja para sempre. O que sei é que os meus comportamentos alimentares, físicos e mentais mudaram radicalmente e por isso mesmo confio que o meu corpo vai continuar a responder.

 

Confio que enquanto for feliz vou continuar a ser saudável e a ter equilíbrio na minha vida.

 

Após isto tudo, penso que conseguem perceber o porquê de a minha participação nesta rubrica da Joana não ter receita. Porque para mim, a receita mais saudável, e correndo o risco de me repetir, é ser feliz. É óbvio que há regras alimentares que devem ser cumpridas, mas partem mais do bom senso do que outra coisa qualquer. De certeza que já ouviram dizer: se não existia no tempo da tua avó, então não comas. “Eat real food.” É muito por aí. A diferença é que quando se está de bem com a vida, estas regras são fáceis de cumprir porque o teu corpo não pede as coisas que te fazem mal.

 

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(crédito da imagem: Clem Onojeghuo)

 

Obrigada à Joana pelo convite para participar na rubrica, foi o empurrão de que precisava para finalmente escrever sobre este assunto, que já andava na minha cabeça há uns tempos mas sobre o qual não me é fácil falar.

Se também tiverem interesse em participar neste desafio não hesitem em enviar um e-mail à Joana para lim.edition2012@gmail.com

 

E para vocês, o que significa ser saudável? Gostava muito que partilhasse a vossa perspetiva nos comentários.

#76/100 – Focar no presente e o journaling

#100palavraspordia

 

Ultimamente, como já podem ter reparado por alguns textos no blog, tenho-me sentido muito assoberbada com as coisas que tenho para fazer e os planos que tenho para a minha vida e para o meu futuro. São tantas coisas, muitas que ainda nem posso executar, que às vezes fico com a mente toldada. Sei que tenho de dar um passo de cada vez, levar as coisas com calma, mas sinto-me tão entusiasmada com os meus projetos que por vezes é difícil focar só no presente.

 

Recentemente, apercebi-me que o problema é exatamente esse: nessas alturas em que sinto mais ansiedade estou demasiado embrenhada no futuro, e não suficientemente focada no presente. E se é verdade que devemos ter sempre em atenção o futuro que queremos para nós (caso contrário como poderemos agir para lá chegar?), por outro lado também é verdade que o foco no presente é essencial para nos conseguirmos concentrar nas tarefas atualmente em mãos, sem dispersar pelo que ainda há de vir.

 

Foi exatamente devido a esta conclusão que decidi começar a empenhar-me mais no meu processo de journaling, ou escrita livre. Já aqui falei desse assunto e na altura expliquei que o fazia todas as manhas mas apenas durante cerca de 5 minutos. Agora faço-o durante cerca de meia hora, o tempo que demoro a escrever três páginas.

 

Ora no fim de semana li este artigo, que veio mesmo a calhar após a minha reflexão sobre a necessidade de focar no presente. E foi assim que me decidi a passar a escrever três páginas todas as manhãs, aconteça o que acontecer. Comecei ontem e nestes dois dias senti que escrever três páginas, assim logo pela manhã, sem sequer estar ainda bem acordada, é mesmo um brain dump. Sai tudo cá para fora. A ideia é escrever os primeiros pensamentos e quando eles terminarem sem que tenhamos chegado ao fim das três páginas, forçar-nos a continuar a escrever, buscar mais fundo na nossa mente. Em teoria, acabamos por conseguir revelar pensamentos que nem estávamos muito bem conscientes que tínhamos e isso pode permitir-nos ter mais clareza na nossa vida.

 

Entretanto ontem, depois da minha primeira sessão de morning pages, encontrei mais este artigo sobre o mesmo assunto, e hoje surgiu ainda mais um. Parece que o journaling está na moda para os lados do Medium e eu não poderia estar mais alinhada. Aliás, se fizerem uma pesquisa por journaling no Medium vão encontrar imensos resultados, e muitos escritos por pessoas que afirmam que essa atividade mudou as suas vidas.

 

Vou experimentar este estilo de journaling durante pelo menos quatro semanas (já datei o meu caderno) e depois hei de reportar os progressos que tenho notado.

 

E vocês, têm alguma prática semelhante? Considerariam implementar algo deste género nas vossas manhãs?

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#67/100 – Como conseguir arriscar

#100palavraspordia

 

Ou a resposta à querida Lucie.

 

O primeiro passo tem de ser acreditar: acreditar que é possível, acreditar em ti, acreditar que o único desfecho possível é a coisa correr bem. Acreditar que és capaz de qualquer coisa que decidas fazer. Acreditar na tua força, nas tuas capacidades, no teu potencial. Acreditar que és capaz de reunir em ti tudo aquilo que precisas para seres bem sucedida.

Depois, não ter medo de falhar. Porque falhar significa que aprendeste algo novo. E falhar não implica deixar de acreditar, mas simplesmente continuar a acreditar que vai resultar nas próximas tentativas. Falhar tantas vezes quantas forem precisas até conseguires. Convenceres-te que falhar não diz nada sobre a pessoa que és, apenas diz que aquele não era o momento certo. Enquanto não acreditares em ti e não estiveres OK com a possibilidade de falhares, então sim, será muito difícil arriscar.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#66/100 – Ficar à espera?

#100palavraspordia

 

Vais ficar à espera que os teus sonhos te caiam no colo ou vais levantar-te e correr atrás deles? Sabes que se ficares sentadinho à espera, nada vai acontecer certo? Sabes que nunca te vais sentir preparado para começares, não sabes? Isso é só uma desculpa que arranjaste. Uma mentira que contas a ti próprio para justificares o facto de não estares a fazer nada. Se não deres o primeiro passo e te colocares numa posição desconfortável, tudo aquilo que realmente vale a pena vai continuar a passar-te ao lado. Não vai acontecer só porque sim, só porque tu achas que mereces. Se não fizeres a tua parte, o mundo vai continuar a ignorar-te. Então do que estás à espera? Faz a tua parte. Dá o primeiro passo. Eu sei que parece difícil, mas acredita que não é. E acredita que coisas boas vão acontecer.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#65/100 – Basta querer

#100palavraspordia

 

Chega uma altura em que percebes que há pessoas que nunca vão conseguir compreender. Nunca vão aceitar que tu vás atrás dos teus sonhos sem qualquer hesitação e sem qualquer dúvida que os vais conseguir alcançar. Nunca vão perceber que há coisas mais importantes do que seguir o caminho que outros esperavam que tu seguisses. Se calhar eles também já sentiram o impulso de darem uma volta às suas vidas e de, também eles, correrem atrás – atrás dos sonhos, atrás da vida, atrás da verdadeira felicidade. Mas provavelmente tiveram medo e esperavam que tu também tivesses. Esperavam porque, na cabeça deles, apenas os super-heróis são corajosos o suficiente para irem contra tudo e contra todos. E eles sabem – pensam – que os super-heróis não existem. Por isso esperam que todos, tal como eles, se contentem com aquilo – com a vida – que já têm.

 

O que eles não sabem é que qualquer um de nós pode ser super-herói. Qualquer um de nós – se quiser – tem a coragem que é precisa para correr atrás – dos sonhos, da vida, da felicidade. Basta querer.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#64/100 – Dos dias maus

#100palavraspordia

 

Aqueles dias em que tudo corre mal. Aqueles em que não sabes o que fazer nem para onde te virar. Aqueles dias em que nada parece fazer sentido e em que há apenas uma coisa que te apetece fazer: chorar. Aqueles dias em que tudo custa, tudo é difícil e, pior, tudo parece estar contra ti.

 

Esses dias acontecem, a todos. Não vale a pena viver na ilusão de que todos os dias vão ser simples e bonitos. Alguns custam. Mas eles vêm e passam. Não vêm para ficar. É apenas um dia e, quando dás conta, esse dia já passou, já lá vai, já não faz mossa. Já estás bem outra vez porque outro dia se seguiu e o segredo é fazer com que a maior parte dos dias seja dos bons. Porque só depende de ti. Cabe-te a ti fazer com que o dia seguinte seja dos bons. Cabe-te a ti elaborar um plano e deixar os dias maus para trás. Podes ter um, de vez em quando, sim, mas que seja apenas um. Porque dois dias maus já farão com que o terceiro seja muito mais difícil de tornar bom.

 

Por isso chora e tem pena de ti próprio e acredita que a vida é injusta e que tudo te acontece a ti. Mas só por um dia. No dia seguinte já nada disto é verdade. No dia seguinte és feliz outra vez.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

Ser estóico #2 – O significado das reações

Podem encontrar aqui o primeiro texto desta rubrica.

 

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(créditos da imagem: Christopher Sardegna)

 

Para uma explicação breve: comecei por ler um livro, em Dezembro do ano passado, sobre Filosofia Estóica, chamado “The Obstacle is the Way” escrito por Ryan Holiday. Gostei muito e decidi começar a ler o livro “The Daily Stoic” do mesmo autor em colaboração com Stephen Hanselman. Este livro é composto por um texto para cada dia do ano, cada texto constituído por um parágrafo de um filósofo estóico seguido da interpretação dos autores do livro. Nesta rubrica falo sobre algumas das ideias transmitidas por este tipo de filosofia.

 

Tenho percebido que há um tema que surge constantemente na filosofia estóica e que tem a ver com o significado das reações – a coisas, situações, sentimentos, pessoas, imprevistos. Este assunto pode ser visto de duas perspetivas diferentes.

 

As reações dos outros

Uma ideia muito difundida entre os filósofos estóicos é que as reações dos outros a ti, às tuas ideias e ao teu modo de vida, têm a ver com eles próprios, não estão relacionadas contigo. Isto é algo que pode parecer óbvio em certas situações, mas noutras nem tanto.

 

Por exemplo, numa situação de violência doméstica, o facto de um homem agredir a mulher diz muito mais sobre o tipo de homem que ele é do que sobre ela. Penso que todos podemos concordar com isto. Este é um caso óbvio.

 

O que muitas vezes não percebemos mas que pode mudar completamente a forma como vemos o mundo é que isto é verdade para tudo. Por exemplo, se algum colega de trabalho se irrita numa reunião quando tu estás a dar uma ideia, isto diz muito mais sobre ele do que sobre a tua ideia. Se uma outra pessoa toma uma atitude defensiva quando tu a chamas a atenção por algum motivo, isso diz muito mais sobre essa pessoa do que sobre ti. Se uma pessoa decide afastar-se de um grupo de amigos, isso diz muito mais sobre ela do que sobre o grupo.

 

E por aí fora. Talvez mais importante do que tudo o resto: se alguém diz mal de ti, ou te trata mal ou faz algo para te magoar, isso sem dúvida que diz mais sobre essa pessoa do que sobre ti. Ter esta perceção faz com que seja muito mais fácil lidar com as reações dos outros.

 

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(créditos da imagem: Jake Melara)

 

Depois há o reverso da medalha.

 

As tuas reações

Porque as tuas reações – e as tuas ações – também dizem muito sobre ti.

 

Alguém se mete à tua frente na fila do supermercado e tu começas a disparatar? Isso diz mais sobre ti do que sobre a pessoa que se meteu à tua frente. Não digo para deixares passar – se bem que por vezes é mesmo o melhor – mas há várias formas de lidar com a situação.

 

O teu chefe chama a tua atenção para algo que fizeste mal no trabalho e tu começas a chorar (ok, podes não começar a chorar logo ali, mas sentes essa vontade e é o que fazes quando chegas a casa*)? Isso diz muito mais sobre ti e sobre a forma como lidas com as tuas falhas do que sobre o teu chefe ou o teu trabalho.

 

Estás de férias, há um imprevisto qualquer e ficas logo chateado? Já sabes o que vou dizer a seguir, certo? São férias, já sabemos que há imprevistos, para quê ficar chateado? Isso fala sobre a pessoa que és.

 

Man is affected, not by events, but by the view he takes of them.

Epictetus

 

Quando te convences de coisas como “eu sou o tipo de pessoa que lida bem com imprevistos” e depois chega aquele imprevisto que vai acontecer nas próximas férias, será muito mais fácil de lidares com ele. Quando dizes a ti próprio – e acreditas – “eu sou o tipo de pessoa que não se importa de falhar desde que aprenda com os meus erros”, da próxima vez que o teu chefe te chamar à atenção por algum erro, vais reagir muito melhor e vais automaticamente procurar a forma de aprenderes algo com esse erro, em vez de te martirizares por teres falhado.

 

Também isto tem a ver com o auto-conhecimento – quando olhares para dentro de ti e tentares perceber de onde vêm as tuas reações, vais ficar a conhecer muito melhor a pessoa que és. E também isto tem a ver com mudança de identidade – porque se te convenceres que és a pessoa que reage de determinada maneira, muita mais facilmente vais começar a fazê-lo.

 

Today I escaped anxiety. Or no, I discarded it, because it was within me, in my own perceptions not outside.

Marcus Aurelius, Meditations

 

Cada vez mais tenho dado por mim a parar em certas situações para pensar “calma lá, porque é que eu estou a reagir assim a isto?” ou então, quando alguém reage de uma forma que eu não estou à espera também agora consigo parar e pensar “calma, deve haver algo nesta pessoa que a está a fazer reagir assim, o mais provável é não ter nada a ver comigo”. Sinto que ter a capacidade de parar para pensar neste tipo de coisas oferece mesmo uma nova perspetiva sobre o mundo, para além de me permitir viver em menos stress e de forma mais consciente (ou o chamado mindfulness aplicado às pessoas).

 

Tenta prestar mais atenção às tuas próprias reações. Tenta interpretar o que elas querem dizer. Vais ver que quando começas a fazê-lo novas perspetivas se começam a abrir, e quando novas perspetivas se abrem sobre ti próprio, a pessoa que és só pode mudar para melhor.

 

It’s not what happens to you, but how you react to it that matters.

Epictetus

 

*não falo por mim, que sou culpada de chorar mesmo ali, em frente ao chefe

#55/100 – Ainda do Bloggers Camp…

#100palavraspordia

 

…mas ainda não o texto real.

 

De vez em quando acontece um daqueles dias. Um dia em que acordas e não te apercebes que a tua vida está prestes a mudar. Abres os olhos e nem sonhas com o que vai acontecer.

 

Depois acontece. Do nada, a tua vida é alterada para sempre. Porque conheces aquela pessoa ou tens aquele momento revelador. Na noite anterior deitaste-te sem sequer sonhares que algo de muito importante estava prestes a acontecer.

 

Muitas vezes, esses dias vêm e passam e continuamos a não perceber. A maior parte das vezes, só temos noção que aquele dia mudou as nossas vidas muito depois dele acontecer.

 

Mas às vezes, basta estar atento. Basta pensar com cuidado e conseguimos perceber logo.

 

Quando um grupo de pessoas fenomenais se reúne – e se une – para partilhar ideias fantásticas, só podem acontecer coisas muito boas. E quando 40 pessoas sem nóias e sem medos – de serem quem são, de dizerem o que lhes vai por dentro, de se deixarem tocar e de iniciarem novos projetos – dão as mãos e dão os passos seguintes juntos, então existe o potencial para 40 vidas serem alteradas para sempre.

 

O fim de semana passado só não vai mudar as nossas vidas se nós não quisermos ou não deixarmos. Temos tudo o que precisamos para sermos grandes – temos as ideias, o coração e a força de vontade – e agora temo-nos uns aos outros. Só vai ficar por aqui se nós deixarmos que a motivação esmoreça. Se não arregaçarmos as mangas e não nos fizermos ao caminho.

 

O teu futuro só depende de ti e o nosso futuro pode ser aquilo que nós quisermos. Basta querer – e agora basta executar.

 

Vamos a isto!

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

Ligar os pontos da tua vida

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(créditos da imagem: Jeremy Bishop)

 

Há duas semanas falei de uma série de coisas que apenas percebi depois dos 30 e na semana passada falei sobre um episódio de um podcast com conselhos para pessoas de 20 e poucos anos, conselhos esses que também eu gostaria de ter recebido aos 20 anos.

 

Na consequência de todas estas reflexões, há mais uma coisa na qual tenho andado a pensar.

 

Tenho a certeza que a maior parte de vocês conhece o discurso que o Steve Jobs deu na cerimónia de graduação da Universidade de Harvard em 2005. Nesse discurso ele fala em “connecting the dots” ou ligar os pontos da nossa vida. Se nunca ouviram ou leram o discurso podem fazê-lo neste vídeo ou ler o texto aqui.

 

No fundo, eu interpreto este discurso como uma reflexão sobre o facto de que apenas tudo aquilo que vivemos poderia trazer-nos até onde estamos hoje e que bastaria, por vezes, uma ligeiríssima mudança num dos passos que demos no passado para que acabássemos por ir parar a um lugar completamente diferente. Claro que só somos capazes de fazer estas ligações depois dos acontecimentos, mas a verdade é que elas estão lá.

 

Quando olho para a minha vida e tento ligar os pontos, considero que há um facto muito importante e que mudou tudo: o dia 1 de Novembro de 2015 calhou a um domingo. Este facto é universal: o dia 1 de Novembro de 2015 foi domingo para toda a gente, mas penso que esse dia pode ter mudado a minha vida.

 

Há outras coisas que influenciaram isto:

– eu vivo em Lisboa mas sou do Porto
– viajo várias vezes entre estas duas cidades, às vezes de carro e às vezes de comboio, mas em 2015 fazia sempre a viagem de comboio
– o NaNoWriMo começa todos os anos a 1 de Novembro
– uns meses antes tinha lido um artigo no Público online sobre o Booktube

 

Tenho a sensação que se não fosse a conjugação de todos estes factos eu não teria neste momento um primeiro rascunho de um livro já concluído, outro a ser escrito, e tantos outros dentro da minha cabeça.

 

Para quem não sabe, o NaNoWriMo é um evento anual gerado nos Estados Unidos e chamado National Novel Writing Month. Consiste num desafio para escrever um livro de 50 mil palavras num mês, mais precisamente, durante o mês de Novembro. Eu só tomei conhecimento da existência deste desafio por ter começado a seguir vários booktubers, como consequência do artigo que li no Público uns meses antes. Como já falei aqui, booktubers são pessoas que publicam vídeos no Youtube onde falam sobre livros. São leitores ávidos e muitos deles também gostam de escrever. No mês anterior ao NaNoWriMo, alguns dos booktubers que seguia começaram a falar desse evento e de como se estavam a preparar para escreverem o seu livro. Como em tantas outras alturas da minha vida eu pensei que também adorava escrever um livro, e como em tantas outras alturas da minha vida automaticamente pensei que nunca seria capaz. E passei todo o mês de Outubro a pensar assim.

 

Até que chegou o dia 1 de Novembro, era domingo e por isso mesmo eu encontrei-me durante três horas num comboio entre o Porto e Lisboa, com muito pouco para fazer. E a certa altura pensei “porque não? posso, ao menos, tentar.” Era o primeiro dia do NaNoWriMo e pensei que se era para começar, então tinha de começar naquele dia. Sabia perfeitamente que se deixasse para o dia seguinte já não o faria. Já teria deixado passar um dia, sei que me iria distrair com o trabalho e quando voltasse a pensar no assunto já estaríamos no fim de semana seguinte e já teria passado demasiado tempo para fazer sentido começar. Por isso não pensei muito, simplesmente liguei o computador, abri um documento Word novo e escrevi as minhas primeiras palavras de ficção de sempre. Nesse dia penso que foram apenas 37, mas foi o início.

 

Houve uma série de acontecimentos que me levaram àquele lugar naquele dia e naquelas circunstâncias. Se tivesse escolhido outro curso aos 18 anos (12 anos antes) não sei se alguma vez teria acabado a trabalhar em Lisboa. Se não tivesse feito o doutoramento duvido que alguma vez tivesse ido parar à empresa onde trabalho hoje e onde já trabalhava na altura. Parece que tudo na minha vida se conjugou para me levar até àquele momento e até onde me encontro hoje. Não quer dizer que de outra forma não tivesse acabado por chegar ao mesmo lugar, não sei nem nunca vou saber, mas tenho a sensação que talvez tivesse levado muito mais tempo.

 

Por isso não me arrependo de absolutamente nada. Não há nada que fizesse de maneira diferente. Mesmo quando falo em coisas que apenas aprendi mais tarde ou conselhos que gostava de ter recebido mais cedo, isso não me deixa com nenhum sentimento de arrependimento nem de amargura em relação a todas as escolhas que fiz ao longo da vida.

 

Este pensamento nem sequer é de agora. Já há uns anos (quase logo a seguir a ter terminado o curso) que penso que sabendo o que sei hoje, provavelmente não teria escolhido o mesmo curso. Mas a verdade é que foi na faculdade que conheci o amor da minha vida, por isso nunca mudaria isso. Sempre pensei assim e estou plenamente convencida que não vale a pena ter arrependimentos.

 

Por isso, quando falo em coisas que apenas percebi depois dos 30 e conselhos que daria a mim própria com 20 anos, não quer dizer que esteja arrependida do percurso que percorri. Não estou. São apenas reflexões. Adoro a minha vida e aprendi sempre imenso com tudo o que fiz. Além disso e mais importante ainda, sinto um enorme entusiasmo pelo meu futuro e por aquilo que ainda está para vir. A vida não acaba aos 30 e vamos sempre a tempo.

 

E afinal de contas, os 30 são os novos 20, certo?

#51/100 – O poder de saber aquilo que realmente quero

#100palavraspordia

 

Estou sozinha em casa. Pego num caderno e numa caneta. Tenho andado a pensar tanto nisto que sei que tenho de o escrever, preciso de o tirar da minha cabeça e guardar em papel, para conseguir ver as coisas com clareza. Escrevo o título no topo da página: Aquilo que realmente quero.

 

Começo a fazer uma lista. Com grande facilidade, saem da minha cabeça oito itens, praticamente por ordem de prioridade, tirando uma única exceção que já está implícita na minha vida e é apenas para manter (o meu amor e a minha família). Os outros sete itens constituem coisas que não sabia que queria até muito recentemente, mas que foram começando a formar-se dentro de mim à medida que me fui libertando da mais variada espécie de condicionamentos. Algumas são simples, outras vão dar muito trabalho. Não importa, todas elas são possíveis.

 

E é tão bom ter esta lista. É tão bom aperceber-me que sei exatamente o que quero para mim. Daqui a uns tempos posso já não querer nada disto, é possível, estamos sempre a mudar, e eu já mudei o suficiente para saber que também aquilo que quero agora pode ainda mudar. Mas hoje é isto que quero e é para isto que vou trabalhar. É tão bom ganhar esta tão bela claridade que surge na simplicidade de uma lista. Uma lista honesta, talvez a mais honesta que alguma vez já fiz. A melhor parte? É que com esta lista à minha frente torna-se tão mais fácil identificar cada passo que tenho de dar para conseguir concretizar cada um destes sete pontos (e manter o oitavo). Tão claro como a água mais límpida de uma qualquer praia tropical.

 

Agora resta apenas trabalhar, todos os dias e com a atitude de quem sabe que vai concretizar cada um destes pontos. Um dia de cada vez, colocando um pé à frente do outro e, quem sabe, dando mesmo um salto de vez em quando, mesmo sem conseguir ver onde se vai aterrar. Porque correr riscos também faz parte.

 

E ser feliz. Não só à chegada, mas durante todo o caminho, desde o primeiro momento.

 

Vamos a isto.

 

claridade

(denise hoffmeister)

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)