#67/100 – Como conseguir arriscar

#100palavraspordia

 

Ou a resposta à querida Lucie.

 

O primeiro passo tem de ser acreditar: acreditar que é possível, acreditar em ti, acreditar que o único desfecho possível é a coisa correr bem. Acreditar que és capaz de qualquer coisa que decidas fazer. Acreditar na tua força, nas tuas capacidades, no teu potencial. Acreditar que és capaz de reunir em ti tudo aquilo que precisas para seres bem sucedida.

Depois, não ter medo de falhar. Porque falhar significa que aprendeste algo novo. E falhar não implica deixar de acreditar, mas simplesmente continuar a acreditar que vai resultar nas próximas tentativas. Falhar tantas vezes quantas forem precisas até conseguires. Convenceres-te que falhar não diz nada sobre a pessoa que és, apenas diz que aquele não era o momento certo. Enquanto não acreditares em ti e não estiveres OK com a possibilidade de falhares, então sim, será muito difícil arriscar.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#64/100 – Dos dias maus

#100palavraspordia

 

Aqueles dias em que tudo corre mal. Aqueles em que não sabes o que fazer nem para onde te virar. Aqueles dias em que nada parece fazer sentido e em que há apenas uma coisa que te apetece fazer: chorar. Aqueles dias em que tudo custa, tudo é difícil e, pior, tudo parece estar contra ti.

 

Esses dias acontecem, a todos. Não vale a pena viver na ilusão de que todos os dias vão ser simples e bonitos. Alguns custam. Mas eles vêm e passam. Não vêm para ficar. É apenas um dia e, quando dás conta, esse dia já passou, já lá vai, já não faz mossa. Já estás bem outra vez porque outro dia se seguiu e o segredo é fazer com que a maior parte dos dias seja dos bons. Porque só depende de ti. Cabe-te a ti fazer com que o dia seguinte seja dos bons. Cabe-te a ti elaborar um plano e deixar os dias maus para trás. Podes ter um, de vez em quando, sim, mas que seja apenas um. Porque dois dias maus já farão com que o terceiro seja muito mais difícil de tornar bom.

 

Por isso chora e tem pena de ti próprio e acredita que a vida é injusta e que tudo te acontece a ti. Mas só por um dia. No dia seguinte já nada disto é verdade. No dia seguinte és feliz outra vez.

 

 

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#63/100 – Sair

#100palavraspordia

 

Sair. Fugir da realidade. Separar-me daquilo que me causa ansiedade. Voar para outro lugar e respirar um ar diferente – mais puro, mais leve. Ver sítios novos, conhecer pessoas novas, e simplesmente existir. Simplesmente ser. Ser eu, ser livre. Ser feliz. Não pensar em nada a não ser nos próximos minutos, talvez nas próximas horas. Os próximos dias – meses, anos – hão de resolver-se quando a eles chegarmos. Retirar de cima dos ombros – e de dentro da cabeça – tudo aquilo que tem andado a fazer peso nos últimos tempos. Ficar mais leve. Ficar mais solta. Repousar e relaxar. Simplesmente ser feliz, aqui e agora.

 

 

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Ligar os pontos da tua vida

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(créditos da imagem: Jeremy Bishop)

 

Há duas semanas falei de uma série de coisas que apenas percebi depois dos 30 e na semana passada falei sobre um episódio de um podcast com conselhos para pessoas de 20 e poucos anos, conselhos esses que também eu gostaria de ter recebido aos 20 anos.

 

Na consequência de todas estas reflexões, há mais uma coisa na qual tenho andado a pensar.

 

Tenho a certeza que a maior parte de vocês conhece o discurso que o Steve Jobs deu na cerimónia de graduação da Universidade de Harvard em 2005. Nesse discurso ele fala em “connecting the dots” ou ligar os pontos da nossa vida. Se nunca ouviram ou leram o discurso podem fazê-lo neste vídeo ou ler o texto aqui.

 

No fundo, eu interpreto este discurso como uma reflexão sobre o facto de que apenas tudo aquilo que vivemos poderia trazer-nos até onde estamos hoje e que bastaria, por vezes, uma ligeiríssima mudança num dos passos que demos no passado para que acabássemos por ir parar a um lugar completamente diferente. Claro que só somos capazes de fazer estas ligações depois dos acontecimentos, mas a verdade é que elas estão lá.

 

Quando olho para a minha vida e tento ligar os pontos, considero que há um facto muito importante e que mudou tudo: o dia 1 de Novembro de 2015 calhou a um domingo. Este facto é universal: o dia 1 de Novembro de 2015 foi domingo para toda a gente, mas penso que esse dia pode ter mudado a minha vida.

 

Há outras coisas que influenciaram isto:

– eu vivo em Lisboa mas sou do Porto
– viajo várias vezes entre estas duas cidades, às vezes de carro e às vezes de comboio, mas em 2015 fazia sempre a viagem de comboio
– o NaNoWriMo começa todos os anos a 1 de Novembro
– uns meses antes tinha lido um artigo no Público online sobre o Booktube

 

Tenho a sensação que se não fosse a conjugação de todos estes factos eu não teria neste momento um primeiro rascunho de um livro já concluído, outro a ser escrito, e tantos outros dentro da minha cabeça.

 

Para quem não sabe, o NaNoWriMo é um evento anual gerado nos Estados Unidos e chamado National Novel Writing Month. Consiste num desafio para escrever um livro de 50 mil palavras num mês, mais precisamente, durante o mês de Novembro. Eu só tomei conhecimento da existência deste desafio por ter começado a seguir vários booktubers, como consequência do artigo que li no Público uns meses antes. Como já falei aqui, booktubers são pessoas que publicam vídeos no Youtube onde falam sobre livros. São leitores ávidos e muitos deles também gostam de escrever. No mês anterior ao NaNoWriMo, alguns dos booktubers que seguia começaram a falar desse evento e de como se estavam a preparar para escreverem o seu livro. Como em tantas outras alturas da minha vida eu pensei que também adorava escrever um livro, e como em tantas outras alturas da minha vida automaticamente pensei que nunca seria capaz. E passei todo o mês de Outubro a pensar assim.

 

Até que chegou o dia 1 de Novembro, era domingo e por isso mesmo eu encontrei-me durante três horas num comboio entre o Porto e Lisboa, com muito pouco para fazer. E a certa altura pensei “porque não? posso, ao menos, tentar.” Era o primeiro dia do NaNoWriMo e pensei que se era para começar, então tinha de começar naquele dia. Sabia perfeitamente que se deixasse para o dia seguinte já não o faria. Já teria deixado passar um dia, sei que me iria distrair com o trabalho e quando voltasse a pensar no assunto já estaríamos no fim de semana seguinte e já teria passado demasiado tempo para fazer sentido começar. Por isso não pensei muito, simplesmente liguei o computador, abri um documento Word novo e escrevi as minhas primeiras palavras de ficção de sempre. Nesse dia penso que foram apenas 37, mas foi o início.

 

Houve uma série de acontecimentos que me levaram àquele lugar naquele dia e naquelas circunstâncias. Se tivesse escolhido outro curso aos 18 anos (12 anos antes) não sei se alguma vez teria acabado a trabalhar em Lisboa. Se não tivesse feito o doutoramento duvido que alguma vez tivesse ido parar à empresa onde trabalho hoje e onde já trabalhava na altura. Parece que tudo na minha vida se conjugou para me levar até àquele momento e até onde me encontro hoje. Não quer dizer que de outra forma não tivesse acabado por chegar ao mesmo lugar, não sei nem nunca vou saber, mas tenho a sensação que talvez tivesse levado muito mais tempo.

 

Por isso não me arrependo de absolutamente nada. Não há nada que fizesse de maneira diferente. Mesmo quando falo em coisas que apenas aprendi mais tarde ou conselhos que gostava de ter recebido mais cedo, isso não me deixa com nenhum sentimento de arrependimento nem de amargura em relação a todas as escolhas que fiz ao longo da vida.

 

Este pensamento nem sequer é de agora. Já há uns anos (quase logo a seguir a ter terminado o curso) que penso que sabendo o que sei hoje, provavelmente não teria escolhido o mesmo curso. Mas a verdade é que foi na faculdade que conheci o amor da minha vida, por isso nunca mudaria isso. Sempre pensei assim e estou plenamente convencida que não vale a pena ter arrependimentos.

 

Por isso, quando falo em coisas que apenas percebi depois dos 30 e conselhos que daria a mim própria com 20 anos, não quer dizer que esteja arrependida do percurso que percorri. Não estou. São apenas reflexões. Adoro a minha vida e aprendi sempre imenso com tudo o que fiz. Além disso e mais importante ainda, sinto um enorme entusiasmo pelo meu futuro e por aquilo que ainda está para vir. A vida não acaba aos 30 e vamos sempre a tempo.

 

E afinal de contas, os 30 são os novos 20, certo?

#51/100 – O poder de saber aquilo que realmente quero

#100palavraspordia

 

Estou sozinha em casa. Pego num caderno e numa caneta. Tenho andado a pensar tanto nisto que sei que tenho de o escrever, preciso de o tirar da minha cabeça e guardar em papel, para conseguir ver as coisas com clareza. Escrevo o título no topo da página: Aquilo que realmente quero.

 

Começo a fazer uma lista. Com grande facilidade, saem da minha cabeça oito itens, praticamente por ordem de prioridade, tirando uma única exceção que já está implícita na minha vida e é apenas para manter (o meu amor e a minha família). Os outros sete itens constituem coisas que não sabia que queria até muito recentemente, mas que foram começando a formar-se dentro de mim à medida que me fui libertando da mais variada espécie de condicionamentos. Algumas são simples, outras vão dar muito trabalho. Não importa, todas elas são possíveis.

 

E é tão bom ter esta lista. É tão bom aperceber-me que sei exatamente o que quero para mim. Daqui a uns tempos posso já não querer nada disto, é possível, estamos sempre a mudar, e eu já mudei o suficiente para saber que também aquilo que quero agora pode ainda mudar. Mas hoje é isto que quero e é para isto que vou trabalhar. É tão bom ganhar esta tão bela claridade que surge na simplicidade de uma lista. Uma lista honesta, talvez a mais honesta que alguma vez já fiz. A melhor parte? É que com esta lista à minha frente torna-se tão mais fácil identificar cada passo que tenho de dar para conseguir concretizar cada um destes sete pontos (e manter o oitavo). Tão claro como a água mais límpida de uma qualquer praia tropical.

 

Agora resta apenas trabalhar, todos os dias e com a atitude de quem sabe que vai concretizar cada um destes pontos. Um dia de cada vez, colocando um pé à frente do outro e, quem sabe, dando mesmo um salto de vez em quando, mesmo sem conseguir ver onde se vai aterrar. Porque correr riscos também faz parte.

 

E ser feliz. Não só à chegada, mas durante todo o caminho, desde o primeiro momento.

 

Vamos a isto.

 

claridade

(denise hoffmeister)

 

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#50/100 – Remar contra a maré

#100palavraspordia

 

Às vezes parece que estás por tua conta. Que és só tu contra o mundo. Que há um monte de pessoas que pensavas que iam estar sempre lá e que afinal, uma a uma, começam a virar as costas.

 

Sentes-te só, sentes que sozinho nunca vais conseguir. Sentes que não és capaz. Pensavas que ias ter muito mais apoio do que aquele que efetivamente estás a receber. Começas a ver que a jornada vai ser longa e pensas que, sem esse apoio que pensavas que ias ter, não sabes se tens forças para chegar ao fim.

 

Às vezes apetece desistir de tudo.

 

Às vezes, quando és tu, sozinho, contra o mundo, não apetece continuar a lutar.

 

Mas lá no fundo sabes que és forte. Sabes que é difícil, ainda mais difícil do que alguma vez tinhas imaginado, mas também sabes que a luz que existe dentro de ti é capaz de coisas inacreditáveis. E por isso continuas em frente. Um passo de cada vez, vais avançando devagarinho, nuns dias mais confiante do que noutros, numas alturas mais alegre e sorridente do que noutras, mas vais avançando. Sabes que só depende de ti. Sabes que sempre dependeu e sempre vai depender apenas e só de ti. Não desistes, não baixas os braços nem a cabeça, e continuas a trabalhar todos os dias, continuas a percorrer o único caminho que sabes fazer sentido.

 

Remas contra a maré no meio da multidão que vai ficando para trás. E quando olhas para o lado, percebes que são muito poucos os que te acompanharam, os que ficaram até ao fim. Os que, na verdade, estão sempre lá, ao teu lado, e nunca pensaram sequer em arredar pé. Esses nunca deixam de te dar força nem de te aplaudir. Esses nunca viram as costas. Nunca deixam de te ajudar a levantar quando cais, nem de te congratular quando finalmente levantas voo.

 

No fim, é com esses que vais celebrar. Apesar de te parecer que no fim alguns dos que ficaram para trás vão voltar a aparecer na fotografia, são os que sempre lá estiveram que importam. Os que nunca vacilaram. São essas as tuas pessoas.*

 

 

*como aprendi com a pessoa que melhor fala destas coisas.

 

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Conselhos que gostaria de ter recebido aos 20 anos

conselhos

(créditos da imagem: Stephan Vance)

 

Na sequência deste post da semana passada, achei curioso o facto de ter ouvido recentemente um episódio de um podcast que tem tudo a ver com o mesmo assunto e do qual gostava de falar aqui.

 

aqui contei que ouço muitos podcasts e um dos que falei é o Good Life Project, em que um dos episódios semanais consiste num texto motivacional ou numa reflexão. O episódio da semana passada teve um significado especial para mim, precisamente pelo que escrevi neste post.

 

Neste episódio, o autor, Jonathan, de 51 anos, reflete sobre os conselhos que daria a si próprio com 20 anos. A conclusão a que ele chega está, de uma certa forma, relacionada com as tais cinco coisas que eu apenas percebi depois dos 30 anos, e se calhar por ele próprio também ter descoberto certas coisas numa fase posterior da vida, acabaria por dar estes conselhos ao seu eu mais jovem. Eu não podia concordar mais com os conselhos que ele dá e também penso que se pudesse falar com o meu eu de 20 anos lhe faria o mesmo tipo de sugestões. E gostava mesmo que alguém me tivesse dado estes mesmos conselhos na altura (se bem que muito provavelmente acharia que essa pessoa era louca e não lhe teria dado ouvidos).

 

Ele começa por aconselhar as pessoas de 20 e poucos anos a não se focarem. Sugere que não definam à partida um objetivo no qual se focam exclusivamente, tentando ser muito bons apenas nessa coisa com a intenção de fazerem muito dinheiro com isso. Que não comecem, tão cedo na vida, a estreitar os seus horizontes. Pelo contrário, ele sugere que os expandam. Que experimentem. Experimentem muitas coisas, não com o objetivo de serem muito bons e bem sucedidos, mas com o único objetivo de reunirem o máximo de informação possível. Assim, ganharem conhecimento deverá ser o único motivo para tudo o que façam. Mas atenção: o tipo de conhecimento de que se está aqui a falar não é conhecimento teórico. Para isso existem escolas e faculdades. Aqui está-se apenas a falar de ganharem conhecimento sobre vocês próprios. O que gostam e o que não gostam, o que funciona para vocês e o que não funciona. Aquilo com que se dão bem e com que não se dão. Aquilo em que são bons e em que não são. Aquilo que acende a paixão dentro do vosso ser e aquilo que vos é totalmente indiferente.

 

Ele recomenda que nesse período os jovens façam três perguntas a eles próprios:

1 – Quem sou eu?

2 – O que importa para mim?

3 – Em que sou bom ou capaz de me tornar bom?

 

Trata-se de aproveitar os 20 e tais anos para executar o maior número de experiências possível, de forma a reunir informação para dar resposta a estas perguntas. Depois então podem focar-se em apenas uma coisa. E se adotarem esta estratégia, o mais provável é que no final deste período de experimentação já saibam exatamente o que querem (ou se por acaso já sabiam, podem conseguir a confirmação) e podem então avançar sem hesitações.

 

Para mim, esta estratégia traz duas vantagens. A primeira é que realmente aos 20 e poucos anos podemos ainda não nos conhecer suficientemente bem para estarmos a enveredar por um determinado caminho para o resto da vida. Depois temos adultos frustrados e que na realidade não gostam daquilo que fazem, mas que pensam que já não vão a tempo de enveredar por outros caminhos. Já acho estupidez suficiente termos de escolher um curso aos 18 anos, quando a realidade é que ainda não conhecemos nada do mundo nem da vida. Quanto mais passar quatro ou cinco anos na faculdade, ou seja, continuando a não conhecer nada do mundo real, e depois decidir o que se vai fazer para o resto da vida. Em primeiro lugar, é preciso que os jovens percebam que mesmo que façam um curso, não quer dizer que tenham de trabalhar nisso a vida toda. Depois, é também muito importante que compreendam que se decidirem fazer estes anos de experiências aos 20 e tais anos, quando chegarem aos 30 (ou até mais tarde) ainda vão muito a tempo de definirem o seu caminho.

 

A outra vantagem é que se olharmos para esta fase como um conjunto de experiências para reunir informação, automaticamente torna-se impossível falhar. Há algo que começas a fazer mas para o qual não tens jeito nenhum? Ainda bem que recolheste essa informação, agora já sabes que não é por esse caminho que deves enveredar. Há outra coisa para a qual até tens um certo jeito mas não gostas assim muito? Ainda bem que já o sabes mesmo sem teres investido anos da tua vida a perseguir essa carreira. Não te dás bem num determinado sítio do mundo ou com um certo tipo de pessoas? Então já sabes o que procurar e o que evitar no futuro. Todas estas são informações valiosas e descobriste-as sem nunca falhar, porque estavas apenas a reunir informação, não tinhas a intenção nem de ser excelente, nem de fazer aquilo para o resto da vida.

 

E agora o meu conselho para os jovens de 20 e tal anos (do alto dos meus 32 anos muito experientes…):

 

Não tenham pressa. Não tenham pressa de assentar nem de ser “bem-sucedidos”, seja lá o que isso for. Passem os vossos 20 e tais anos a fazer experiências, a conhecerem-se melhor, a conhecerem mais do mundo. Viagem muito, explorem, tenham trabalhos diferentes, em locais diferentes, com pessoas diferentes e em condições diferentes. Não vejam esses trabalhos como oportunidades para começarem logo a subir a escada corporativa e ganharem muito dinheiro e estatuto, mas como oportunidades para se conhecerem melhor e ficarem a saber exatamente aquilo que querem para a vossa vida.

 

Como costumo dizer, o mundo apresenta-nos infinitas possibilidades. Vão atrás delas, explorem as que acham que se adequam melhor a vocês, e só depois, quando tiverem reunido a informação necessária sobre a vossa pessoa, façam escolhas de vida. (Ou pelo menos para a meia dúzia de anos seguintes.)

 

E tu, que conselho gostavas de ter recebido aos 20 anos?

 

 

Se quiserem ouvir o episódio que referi, podem fazê-lo aqui.

5 coisas que percebi depois dos 30 e que estão a mudar a minha vida

 

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(créditos da imagem: David Marcu)

 

1 – Condicionamentos

Percebi que todos somos sujeitos aos mais variados condicionamentos ao longo das nossas vidas, principalmente durante a infância e adolescência, quando somos mais influenciáveis. É inevitável e não faz mal nenhum, mas é importante estarmos conscientes disso para podermos mudar. Enquanto não tomarmos consciência que estes condicionamentos existem, vamos continuar sempre presos a eles. A partir do momento que reconhecemos isto podemos, em primeiro lugar, trabalhar para percebermos o que nos condicionou e, numa fase posterior, trabalhar para nos libertarmos destes condicionamentos. Será, com certeza, um processo lento, mas sinto que enquanto não o começarmos é quase como se não começássemos a viver. Só descondicionando conseguimos ficar abertos a outras realidades e possibilidades.

 

2 – Arrependimentos

Percebi que tenho 32 anos e a minha vida ainda não acabou. Há uma coisa que me arrependo muito de nunca ter feito. Não é algo a que tivesse fugido, mas simplesmente nunca se deu naturalmente e eu nunca dispendi o esforço necessário para a fazer acontecer. Se neste momento já sinto este arrependimento, pergunto-me como será quando tiver 70 ou 80 anos. É preferível viver com este arrependimento para o resto da vida ou perceber que ainda há tempo e fazê-lo então? Por isso mesmo, vou fazê-lo. E é tão simples que nem sequer existe alternativa.

 

3 – Oportunidades

Percebi que o mundo de hoje é diferente daquele que existia há 15 ou 20 anos, não apenas para os jovens que estão agora a iniciar a sua vida adulta, mas para mim também (e para qualquer pessoa). Existem profissões que não existiam, existem formas de comunicarmos uns com os outros que não existiam, existem facilidades de nos deslocarmos por todo o mundo que não existiam. Existe a possibilidade de criarmos a vida que queremos, se estivermos dispostos a trabalhar para isso. Escolhi o que queria estudar há 14 anos, decidi fazer um doutoramento há 9, e comecei a trabalhar há 4. Não é por estar há 14 anos a percorrer o caminho que me trouxe até aqui que tenho de continuar a percorrê-lo para o resto da vida. O mundo está cheio de oportunidades não só para quem tem 18 ou 20 anos mas para qualquer um. E se eu escolher aproveitar as novas oportunidades que o mundo oferece, agora aos 32 anos, ainda vou muito a tempo. Qualquer um de nós vai a tempo.

 

4 – Capacidades

Percebi que as capacidades que me fizeram chegar até aqui podem fazer-me chegar tão ou mais longe noutra área qualquer que eu escolha. Sou muito boa naquilo que faço, não porque tenha um dom qualquer para isto mas porque sou inteligente e esforço-me (e atenção, tanto a inteligência como a capacidade de trabalho podem ser construídas em qualquer pessoa – chama-se “growth mindset”). Estas minhas capacidades são aplicáveis noutra qualquer área, por isso sei que o que quer que eu escolha fazer daqui para a frente (e mais uma vez, não estou presa ao que fiz até agora), tenho as capacidades necessárias para ser muito boa.

 

5 – Sucessos

Percebi que há várias definições de sucesso e aquilo que representa sucesso para mim pode não o ser para outra pessoa qualquer. E não há mal nenhum. O importante é que eu continue a tentar alcançar a minha definição de sucesso. Seja ela qual for. Mais ainda, ao longo das nossas vidas, a nossa própria definição de sucesso também pode ir mudando. Trata-se apenas de ir ajustando o nosso caminho de forma a irmos nessa nova direção.

 

 

No fundo, cada um destes pontos está ligado aos outros todos e quase que cada um deles engloba os outros de uma forma implícita. E o que isto realmente quer dizer é que é possível mudar de vida – ligeira ou radicalmente – a qualquer momento, desde que, lá está, estejamos dispostos a trabalhar para isso. Porque sim, é preciso trabalho, muito até. Mas ninguém disse que ia ser fácil. Quanto a mim, o passo mais importante é perceber os pontos que estão aqui em cima e interiorizá-los bem. Depois disso, tudo o resto vem quase que automaticamente.

 

Estas realizações estão mesmo, todas em conjunto, a mudar a minha vida aos pouquinhos. Não só a maneira como vejo o mundo mas também aquilo que quero para mim. Espero que também aqueles que estão a ler isto consigam perceber que a vida pode ser mais do que “isto”, seja “isto” o que for e que também vocês podem mudar a vossa vida. Que podem fazer aquilo que quiserem. Como já tenho dito, o mundo apresenta-nos infinitas possibilidades e nós só temos de saber aproveitá-las. Nunca é tarde de mais para mudar nem para irmos atrás dos nossos sonhos. Não importa o medo de falhar nem o medo daquilo que os outros possam pensar. Afinal o que é pior: falhar e os outros (que nem interessam para nada) pensarem o que quiserem, ou chegarmos ao final da nossa vida e percebermos que afinal não fizemos nada daquilo que realmente queríamos? Que passámos a vida a tentar agradar aos outros e a deixar de lado ou para mais tarde os nossos maiores sonhos?

 

Já sabem que o meu objetivo é causar impacto nas vossas vidas, é ser uma força disruptora, e partilho aqui estas coisas que tenho vindo a perceber para que também vocês percebam que podem fazer tudo aquilo que quiserem. Não há limites.

 

Se vocês tiverem percebido isto tudo ainda antes dos 30, fico mesmo muito feliz por vocês, acredito que estão no bom caminho. Se, além disso, há mais coisas que queiram acrescentar a esta lista, por favor partilhem comigo nos comentários. Tenho todo o interesse em discutir estes temas.

#34/100 – Evitar arrependimentos

#100palavraspordia

 

Ocorreu-me ultimamente algo que quero que seja sempre o meu primeiro objetivo de vida: Quero ter o mínimo de arrependimentos possível.

Não quero arrepender-me de não ter feito as coisas que queria mesmo fazer. Não quero arrepender-me de ter feito algo com o meu corpo que prejudica a minha própria saúde. Não quero arrepender-me de não ter dito aquilo que achava que devia dizer nos momentos certos – seja “amo-te” ou “gosto de ti”, “senti a tua falta” ou “magoaste-me”. Ou “isso não está certo”. Ou outra coisa qualquer que traduza aquilo que estou a sentir e a pensar. Não quero arrepender-me de não ter passado tempo suficiente com as pessoas de quem gosto. E não quero arrepender-me de não ter seguido um caminho – ou porque parecia mal, ou por ter medo, ou por achar que não era capaz – que o meu instinto e o meu coração me diziam para seguir.

 

 

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#33/100 – 6 coisas aleatórias do fim de semana

#100palavraspordia

 

1 – Nos quatro anos em que vivo em Lisboa, o Benfica foi sempre campeão. Se calhar está na hora de mudar para o Porto outra vez.

 

2 – Hoje sai a primeira Newsletter Deixa Ser e diverti-me imenso durante as 3 horas em que estive a prepará-la. Demorou mais por ser a primeira, agora que o layout está definido acredito que as próximas vão demorar menos tempo a preparar. Mas mesmo assim, espero que aqueles que a vão receber gostem mesmo do conteúdo.

 

3 – Estar no meu canto a escrever e a trabalhar nas minhas coisas e poder levantar-me e ir à sala dar um abraço apertado, em oposição aos 7 meses anteriores, é a melhor parte do fim de semana.

 

4 – Eu, que nunca liguei muito a livros de não-ficção, agora que decidi mergulhar neste mundo do desenvolvimento pessoal e psicologia positiva, estou numa fase de compra compulsiva de livros (essa parte já é normal) de não-ficção. Este fim de semana foi feita mais uma encomenda de alguns que estou mesmo ansiosa para ler. Vou partilhando por aqui os que achar que valem mesmo a pena.

 

5 – É incrível como basta fazer os ajustes certos na nossa vida e na nossa alimentação para deixar de ter desejos por doces. Só tenho comido um bocadinho de chocolate negro à noite e, pela primeira vez na minha vida, não sinto falta nenhuma de comer mais doces.

 

6 – Comecei, este fim de semana, a escrever o meu segundo livro e quase diria que estou apaixonada por esta história. Gosto mesmo disto!

 

 

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