#62/100 – Da vida de escritora

#100palavraspordia

 

Este é o primeiro post que estou a escrever com o meu novo teclado sem fios que adoro! Porque quem pretende ser escritor profissional precisa de ter as ferramentas necessárias para a tarefa e mais vale começar já. Agora só preciso de treinar touch typing para conseguir escrever mais depressa, já que essa não é, de todo, a minha especialidade. Alguém conhece algum programa online jeitoso para se treinar essa capacidade? Tenho de investigar isso.

 

Já que falamos de escrita, aproveito para desabafar que desta segunda vez a escrita do novo livro não está a correr tão bem como da primeira. Nem sei se vou conseguir cumprir o objetivo de ter 50% do rascunho completo no final deste trimestre (que é já no final deste mês!). Vamos a ver. A verdade é que têm surgido tantas outras coisas, e voltei a dar mais atenção ao blog (até porque este desafio a isso me obriga) e não tenho tido tanto tempo para dedicar a esse projeto. Mas não há de ser nada, tudo se faz!

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

Ligar os pontos da tua vida

ligar-os-pontos

(créditos da imagem: Jeremy Bishop)

 

Há duas semanas falei de uma série de coisas que apenas percebi depois dos 30 e na semana passada falei sobre um episódio de um podcast com conselhos para pessoas de 20 e poucos anos, conselhos esses que também eu gostaria de ter recebido aos 20 anos.

 

Na consequência de todas estas reflexões, há mais uma coisa na qual tenho andado a pensar.

 

Tenho a certeza que a maior parte de vocês conhece o discurso que o Steve Jobs deu na cerimónia de graduação da Universidade de Harvard em 2005. Nesse discurso ele fala em “connecting the dots” ou ligar os pontos da nossa vida. Se nunca ouviram ou leram o discurso podem fazê-lo neste vídeo ou ler o texto aqui.

 

No fundo, eu interpreto este discurso como uma reflexão sobre o facto de que apenas tudo aquilo que vivemos poderia trazer-nos até onde estamos hoje e que bastaria, por vezes, uma ligeiríssima mudança num dos passos que demos no passado para que acabássemos por ir parar a um lugar completamente diferente. Claro que só somos capazes de fazer estas ligações depois dos acontecimentos, mas a verdade é que elas estão lá.

 

Quando olho para a minha vida e tento ligar os pontos, considero que há um facto muito importante e que mudou tudo: o dia 1 de Novembro de 2015 calhou a um domingo. Este facto é universal: o dia 1 de Novembro de 2015 foi domingo para toda a gente, mas penso que esse dia pode ter mudado a minha vida.

 

Há outras coisas que influenciaram isto:

– eu vivo em Lisboa mas sou do Porto
– viajo várias vezes entre estas duas cidades, às vezes de carro e às vezes de comboio, mas em 2015 fazia sempre a viagem de comboio
– o NaNoWriMo começa todos os anos a 1 de Novembro
– uns meses antes tinha lido um artigo no Público online sobre o Booktube

 

Tenho a sensação que se não fosse a conjugação de todos estes factos eu não teria neste momento um primeiro rascunho de um livro já concluído, outro a ser escrito, e tantos outros dentro da minha cabeça.

 

Para quem não sabe, o NaNoWriMo é um evento anual gerado nos Estados Unidos e chamado National Novel Writing Month. Consiste num desafio para escrever um livro de 50 mil palavras num mês, mais precisamente, durante o mês de Novembro. Eu só tomei conhecimento da existência deste desafio por ter começado a seguir vários booktubers, como consequência do artigo que li no Público uns meses antes. Como já falei aqui, booktubers são pessoas que publicam vídeos no Youtube onde falam sobre livros. São leitores ávidos e muitos deles também gostam de escrever. No mês anterior ao NaNoWriMo, alguns dos booktubers que seguia começaram a falar desse evento e de como se estavam a preparar para escreverem o seu livro. Como em tantas outras alturas da minha vida eu pensei que também adorava escrever um livro, e como em tantas outras alturas da minha vida automaticamente pensei que nunca seria capaz. E passei todo o mês de Outubro a pensar assim.

 

Até que chegou o dia 1 de Novembro, era domingo e por isso mesmo eu encontrei-me durante três horas num comboio entre o Porto e Lisboa, com muito pouco para fazer. E a certa altura pensei “porque não? posso, ao menos, tentar.” Era o primeiro dia do NaNoWriMo e pensei que se era para começar, então tinha de começar naquele dia. Sabia perfeitamente que se deixasse para o dia seguinte já não o faria. Já teria deixado passar um dia, sei que me iria distrair com o trabalho e quando voltasse a pensar no assunto já estaríamos no fim de semana seguinte e já teria passado demasiado tempo para fazer sentido começar. Por isso não pensei muito, simplesmente liguei o computador, abri um documento Word novo e escrevi as minhas primeiras palavras de ficção de sempre. Nesse dia penso que foram apenas 37, mas foi o início.

 

Houve uma série de acontecimentos que me levaram àquele lugar naquele dia e naquelas circunstâncias. Se tivesse escolhido outro curso aos 18 anos (12 anos antes) não sei se alguma vez teria acabado a trabalhar em Lisboa. Se não tivesse feito o doutoramento duvido que alguma vez tivesse ido parar à empresa onde trabalho hoje e onde já trabalhava na altura. Parece que tudo na minha vida se conjugou para me levar até àquele momento e até onde me encontro hoje. Não quer dizer que de outra forma não tivesse acabado por chegar ao mesmo lugar, não sei nem nunca vou saber, mas tenho a sensação que talvez tivesse levado muito mais tempo.

 

Por isso não me arrependo de absolutamente nada. Não há nada que fizesse de maneira diferente. Mesmo quando falo em coisas que apenas aprendi mais tarde ou conselhos que gostava de ter recebido mais cedo, isso não me deixa com nenhum sentimento de arrependimento nem de amargura em relação a todas as escolhas que fiz ao longo da vida.

 

Este pensamento nem sequer é de agora. Já há uns anos (quase logo a seguir a ter terminado o curso) que penso que sabendo o que sei hoje, provavelmente não teria escolhido o mesmo curso. Mas a verdade é que foi na faculdade que conheci o amor da minha vida, por isso nunca mudaria isso. Sempre pensei assim e estou plenamente convencida que não vale a pena ter arrependimentos.

 

Por isso, quando falo em coisas que apenas percebi depois dos 30 e conselhos que daria a mim própria com 20 anos, não quer dizer que esteja arrependida do percurso que percorri. Não estou. São apenas reflexões. Adoro a minha vida e aprendi sempre imenso com tudo o que fiz. Além disso e mais importante ainda, sinto um enorme entusiasmo pelo meu futuro e por aquilo que ainda está para vir. A vida não acaba aos 30 e vamos sempre a tempo.

 

E afinal de contas, os 30 são os novos 20, certo?

#51/100 – O poder de saber aquilo que realmente quero

#100palavraspordia

 

Estou sozinha em casa. Pego num caderno e numa caneta. Tenho andado a pensar tanto nisto que sei que tenho de o escrever, preciso de o tirar da minha cabeça e guardar em papel, para conseguir ver as coisas com clareza. Escrevo o título no topo da página: Aquilo que realmente quero.

 

Começo a fazer uma lista. Com grande facilidade, saem da minha cabeça oito itens, praticamente por ordem de prioridade, tirando uma única exceção que já está implícita na minha vida e é apenas para manter (o meu amor e a minha família). Os outros sete itens constituem coisas que não sabia que queria até muito recentemente, mas que foram começando a formar-se dentro de mim à medida que me fui libertando da mais variada espécie de condicionamentos. Algumas são simples, outras vão dar muito trabalho. Não importa, todas elas são possíveis.

 

E é tão bom ter esta lista. É tão bom aperceber-me que sei exatamente o que quero para mim. Daqui a uns tempos posso já não querer nada disto, é possível, estamos sempre a mudar, e eu já mudei o suficiente para saber que também aquilo que quero agora pode ainda mudar. Mas hoje é isto que quero e é para isto que vou trabalhar. É tão bom ganhar esta tão bela claridade que surge na simplicidade de uma lista. Uma lista honesta, talvez a mais honesta que alguma vez já fiz. A melhor parte? É que com esta lista à minha frente torna-se tão mais fácil identificar cada passo que tenho de dar para conseguir concretizar cada um destes sete pontos (e manter o oitavo). Tão claro como a água mais límpida de uma qualquer praia tropical.

 

Agora resta apenas trabalhar, todos os dias e com a atitude de quem sabe que vai concretizar cada um destes pontos. Um dia de cada vez, colocando um pé à frente do outro e, quem sabe, dando mesmo um salto de vez em quando, mesmo sem conseguir ver onde se vai aterrar. Porque correr riscos também faz parte.

 

E ser feliz. Não só à chegada, mas durante todo o caminho, desde o primeiro momento.

 

Vamos a isto.

 

claridade

(denise hoffmeister)

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

Conselhos que gostaria de ter recebido aos 20 anos

conselhos

(créditos da imagem: Stephan Vance)

 

Na sequência deste post da semana passada, achei curioso o facto de ter ouvido recentemente um episódio de um podcast que tem tudo a ver com o mesmo assunto e do qual gostava de falar aqui.

 

aqui contei que ouço muitos podcasts e um dos que falei é o Good Life Project, em que um dos episódios semanais consiste num texto motivacional ou numa reflexão. O episódio da semana passada teve um significado especial para mim, precisamente pelo que escrevi neste post.

 

Neste episódio, o autor, Jonathan, de 51 anos, reflete sobre os conselhos que daria a si próprio com 20 anos. A conclusão a que ele chega está, de uma certa forma, relacionada com as tais cinco coisas que eu apenas percebi depois dos 30 anos, e se calhar por ele próprio também ter descoberto certas coisas numa fase posterior da vida, acabaria por dar estes conselhos ao seu eu mais jovem. Eu não podia concordar mais com os conselhos que ele dá e também penso que se pudesse falar com o meu eu de 20 anos lhe faria o mesmo tipo de sugestões. E gostava mesmo que alguém me tivesse dado estes mesmos conselhos na altura (se bem que muito provavelmente acharia que essa pessoa era louca e não lhe teria dado ouvidos).

 

Ele começa por aconselhar as pessoas de 20 e poucos anos a não se focarem. Sugere que não definam à partida um objetivo no qual se focam exclusivamente, tentando ser muito bons apenas nessa coisa com a intenção de fazerem muito dinheiro com isso. Que não comecem, tão cedo na vida, a estreitar os seus horizontes. Pelo contrário, ele sugere que os expandam. Que experimentem. Experimentem muitas coisas, não com o objetivo de serem muito bons e bem sucedidos, mas com o único objetivo de reunirem o máximo de informação possível. Assim, ganharem conhecimento deverá ser o único motivo para tudo o que façam. Mas atenção: o tipo de conhecimento de que se está aqui a falar não é conhecimento teórico. Para isso existem escolas e faculdades. Aqui está-se apenas a falar de ganharem conhecimento sobre vocês próprios. O que gostam e o que não gostam, o que funciona para vocês e o que não funciona. Aquilo com que se dão bem e com que não se dão. Aquilo em que são bons e em que não são. Aquilo que acende a paixão dentro do vosso ser e aquilo que vos é totalmente indiferente.

 

Ele recomenda que nesse período os jovens façam três perguntas a eles próprios:

1 – Quem sou eu?

2 – O que importa para mim?

3 – Em que sou bom ou capaz de me tornar bom?

 

Trata-se de aproveitar os 20 e tais anos para executar o maior número de experiências possível, de forma a reunir informação para dar resposta a estas perguntas. Depois então podem focar-se em apenas uma coisa. E se adotarem esta estratégia, o mais provável é que no final deste período de experimentação já saibam exatamente o que querem (ou se por acaso já sabiam, podem conseguir a confirmação) e podem então avançar sem hesitações.

 

Para mim, esta estratégia traz duas vantagens. A primeira é que realmente aos 20 e poucos anos podemos ainda não nos conhecer suficientemente bem para estarmos a enveredar por um determinado caminho para o resto da vida. Depois temos adultos frustrados e que na realidade não gostam daquilo que fazem, mas que pensam que já não vão a tempo de enveredar por outros caminhos. Já acho estupidez suficiente termos de escolher um curso aos 18 anos, quando a realidade é que ainda não conhecemos nada do mundo nem da vida. Quanto mais passar quatro ou cinco anos na faculdade, ou seja, continuando a não conhecer nada do mundo real, e depois decidir o que se vai fazer para o resto da vida. Em primeiro lugar, é preciso que os jovens percebam que mesmo que façam um curso, não quer dizer que tenham de trabalhar nisso a vida toda. Depois, é também muito importante que compreendam que se decidirem fazer estes anos de experiências aos 20 e tais anos, quando chegarem aos 30 (ou até mais tarde) ainda vão muito a tempo de definirem o seu caminho.

 

A outra vantagem é que se olharmos para esta fase como um conjunto de experiências para reunir informação, automaticamente torna-se impossível falhar. Há algo que começas a fazer mas para o qual não tens jeito nenhum? Ainda bem que recolheste essa informação, agora já sabes que não é por esse caminho que deves enveredar. Há outra coisa para a qual até tens um certo jeito mas não gostas assim muito? Ainda bem que já o sabes mesmo sem teres investido anos da tua vida a perseguir essa carreira. Não te dás bem num determinado sítio do mundo ou com um certo tipo de pessoas? Então já sabes o que procurar e o que evitar no futuro. Todas estas são informações valiosas e descobriste-as sem nunca falhar, porque estavas apenas a reunir informação, não tinhas a intenção nem de ser excelente, nem de fazer aquilo para o resto da vida.

 

E agora o meu conselho para os jovens de 20 e tal anos (do alto dos meus 32 anos muito experientes…):

 

Não tenham pressa. Não tenham pressa de assentar nem de ser “bem-sucedidos”, seja lá o que isso for. Passem os vossos 20 e tais anos a fazer experiências, a conhecerem-se melhor, a conhecerem mais do mundo. Viagem muito, explorem, tenham trabalhos diferentes, em locais diferentes, com pessoas diferentes e em condições diferentes. Não vejam esses trabalhos como oportunidades para começarem logo a subir a escada corporativa e ganharem muito dinheiro e estatuto, mas como oportunidades para se conhecerem melhor e ficarem a saber exatamente aquilo que querem para a vossa vida.

 

Como costumo dizer, o mundo apresenta-nos infinitas possibilidades. Vão atrás delas, explorem as que acham que se adequam melhor a vocês, e só depois, quando tiverem reunido a informação necessária sobre a vossa pessoa, façam escolhas de vida. (Ou pelo menos para a meia dúzia de anos seguintes.)

 

E tu, que conselho gostavas de ter recebido aos 20 anos?

 

 

Se quiserem ouvir o episódio que referi, podem fazê-lo aqui.

5 coisas que percebi depois dos 30 e que estão a mudar a minha vida

 

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(créditos da imagem: David Marcu)

 

1 – Condicionamentos

Percebi que todos somos sujeitos aos mais variados condicionamentos ao longo das nossas vidas, principalmente durante a infância e adolescência, quando somos mais influenciáveis. É inevitável e não faz mal nenhum, mas é importante estarmos conscientes disso para podermos mudar. Enquanto não tomarmos consciência que estes condicionamentos existem, vamos continuar sempre presos a eles. A partir do momento que reconhecemos isto podemos, em primeiro lugar, trabalhar para percebermos o que nos condicionou e, numa fase posterior, trabalhar para nos libertarmos destes condicionamentos. Será, com certeza, um processo lento, mas sinto que enquanto não o começarmos é quase como se não começássemos a viver. Só descondicionando conseguimos ficar abertos a outras realidades e possibilidades.

 

2 – Arrependimentos

Percebi que tenho 32 anos e a minha vida ainda não acabou. Há uma coisa que me arrependo muito de nunca ter feito. Não é algo a que tivesse fugido, mas simplesmente nunca se deu naturalmente e eu nunca dispendi o esforço necessário para a fazer acontecer. Se neste momento já sinto este arrependimento, pergunto-me como será quando tiver 70 ou 80 anos. É preferível viver com este arrependimento para o resto da vida ou perceber que ainda há tempo e fazê-lo então? Por isso mesmo, vou fazê-lo. E é tão simples que nem sequer existe alternativa.

 

3 – Oportunidades

Percebi que o mundo de hoje é diferente daquele que existia há 15 ou 20 anos, não apenas para os jovens que estão agora a iniciar a sua vida adulta, mas para mim também (e para qualquer pessoa). Existem profissões que não existiam, existem formas de comunicarmos uns com os outros que não existiam, existem facilidades de nos deslocarmos por todo o mundo que não existiam. Existe a possibilidade de criarmos a vida que queremos, se estivermos dispostos a trabalhar para isso. Escolhi o que queria estudar há 14 anos, decidi fazer um doutoramento há 9, e comecei a trabalhar há 4. Não é por estar há 14 anos a percorrer o caminho que me trouxe até aqui que tenho de continuar a percorrê-lo para o resto da vida. O mundo está cheio de oportunidades não só para quem tem 18 ou 20 anos mas para qualquer um. E se eu escolher aproveitar as novas oportunidades que o mundo oferece, agora aos 32 anos, ainda vou muito a tempo. Qualquer um de nós vai a tempo.

 

4 – Capacidades

Percebi que as capacidades que me fizeram chegar até aqui podem fazer-me chegar tão ou mais longe noutra área qualquer que eu escolha. Sou muito boa naquilo que faço, não porque tenha um dom qualquer para isto mas porque sou inteligente e esforço-me (e atenção, tanto a inteligência como a capacidade de trabalho podem ser construídas em qualquer pessoa – chama-se “growth mindset”). Estas minhas capacidades são aplicáveis noutra qualquer área, por isso sei que o que quer que eu escolha fazer daqui para a frente (e mais uma vez, não estou presa ao que fiz até agora), tenho as capacidades necessárias para ser muito boa.

 

5 – Sucessos

Percebi que há várias definições de sucesso e aquilo que representa sucesso para mim pode não o ser para outra pessoa qualquer. E não há mal nenhum. O importante é que eu continue a tentar alcançar a minha definição de sucesso. Seja ela qual for. Mais ainda, ao longo das nossas vidas, a nossa própria definição de sucesso também pode ir mudando. Trata-se apenas de ir ajustando o nosso caminho de forma a irmos nessa nova direção.

 

 

No fundo, cada um destes pontos está ligado aos outros todos e quase que cada um deles engloba os outros de uma forma implícita. E o que isto realmente quer dizer é que é possível mudar de vida – ligeira ou radicalmente – a qualquer momento, desde que, lá está, estejamos dispostos a trabalhar para isso. Porque sim, é preciso trabalho, muito até. Mas ninguém disse que ia ser fácil. Quanto a mim, o passo mais importante é perceber os pontos que estão aqui em cima e interiorizá-los bem. Depois disso, tudo o resto vem quase que automaticamente.

 

Estas realizações estão mesmo, todas em conjunto, a mudar a minha vida aos pouquinhos. Não só a maneira como vejo o mundo mas também aquilo que quero para mim. Espero que também aqueles que estão a ler isto consigam perceber que a vida pode ser mais do que “isto”, seja “isto” o que for e que também vocês podem mudar a vossa vida. Que podem fazer aquilo que quiserem. Como já tenho dito, o mundo apresenta-nos infinitas possibilidades e nós só temos de saber aproveitá-las. Nunca é tarde de mais para mudar nem para irmos atrás dos nossos sonhos. Não importa o medo de falhar nem o medo daquilo que os outros possam pensar. Afinal o que é pior: falhar e os outros (que nem interessam para nada) pensarem o que quiserem, ou chegarmos ao final da nossa vida e percebermos que afinal não fizemos nada daquilo que realmente queríamos? Que passámos a vida a tentar agradar aos outros e a deixar de lado ou para mais tarde os nossos maiores sonhos?

 

Já sabem que o meu objetivo é causar impacto nas vossas vidas, é ser uma força disruptora, e partilho aqui estas coisas que tenho vindo a perceber para que também vocês percebam que podem fazer tudo aquilo que quiserem. Não há limites.

 

Se vocês tiverem percebido isto tudo ainda antes dos 30, fico mesmo muito feliz por vocês, acredito que estão no bom caminho. Se, além disso, há mais coisas que queiram acrescentar a esta lista, por favor partilhem comigo nos comentários. Tenho todo o interesse em discutir estes temas.

Pós-graduação em Marketing Digital (Lisboa)

Pois é, também eu decidi fazer uma pós-graduação em Marketing Digital. É verdade que está na moda, há montanhas de pessoas a fazê-las, mas a realidade é que só em Lisboa existem 11 pós-graduações ou cursos profissionais em Marketing Digital (ou com outro nome equivalente). O que não só quer dizer que esta é uma área emergente mas também que há muito interesse da parte de quem procura uma pós-graduação (e esperemos que também haja procura de pós-graduados).

 

marketing digital

(créditos da imagem: Carlos Muza)

 

Eu sou aquela pessoa que sempre disse que queria estudar a vida toda. Na verdade, o que quero é aprender a vida toda e a vida não me tem deixado ficar mal. Estudei até aos 28 anos, quando terminei o doutoramento, depois iniciei um trabalho onde continuo a aprender muito todos os dias, e ainda por cima comecei a escrever, estando constantemente a aprender muito nessa área, para além do meu interesse crescente em tópicos de desenvolvimento pessoal e saúde, nos quais tenho aprendido muito (para já apenas como autodidata).

 

Decidi que queria fazer uma pós-graduação num tema completamente diferente do meu trabalho. É verdade que gosto muito do meu trabalho mas também posso dizer que ele é muito cansativo e enche-me a cabeça, por vezes com demasiada informação. Por isso quero uma coisa para quebrar a rotina intelectual, para me levar ainda mais para fora das ciências e para me abrir a porta a outros mundos.

 

Quando comecei a pesquisar, percebi que há três pós-graduações que gostava mesmo de fazer, mas depois de pensar algum tempo no assunto, decidi começar pela de Marketing Digital (as outras duas hão-de seguir-se a esta, eventualmente). Porque gosto muito do mundo digital, algo que já tinha percebido mas que tenho de admitir que ficou ainda mais exacerbado desde que comecei este blog. Gosto mesmo disto e quero investir nesta nova paixão. Todo o mundo digital, desde o Marketing, redes sociais, escrita de conteúdos, e até o aspeto gráfico e visual (até já comecei uns cursos online de web design e design gráfico) me fascinam imenso e por isso quero aprender mais!

 

Agora, se algum dia vou mudar de área e fazer desta a minha atividade principal? Não sei. Mesmo! Neste momento, não é essa a intenção. Quero apenas aprender. Mas também é uma hipótese que não excluo. Pode ser que perceba que gosto ainda mais disto do que pensava e queira mudar de carreira, quem sabe? Se costumam ler este blog, sabem que sou apologista de qualquer tipo de mudança, desde que ela nos faça mais felizes, por isso essa será sempre uma possibilidade. Não é algo que me preocupe neste momento.

 

Agora vem aquela que será, pelo menos para alguns, a parte mais interessante deste post.

 

Depois de tomar a decisão veio então a parte mais difícil da equação. Como escrevi em cima, existem em Lisboa 11 pós-graduações e cursos profissionais em Marketing Digital (ou semelhante) (acho que consegui descobrir todos)! É muita coisa. Como é que uma pessoa escolhe no meio disto tudo? Ainda por cima, uma pessoa como eu, com zero experiência no assunto.

 

Claro que fui fazer a única coisa que me pareceu lógica e reuni toda a informação que consegui encontrar sobre todos os cursos. Sim, sobre todos os 11 cursos existentes em Lisboa. E é essa compilação que quero partilhar convosco, porque com 11 cursos imagino que brevemente, quando todos eles arrancarem, haverá cerca de 150 (ou mais) novos alunos de Marketing Digital na cidade de Lisboa, e se calhar muitos deles andam à procura da mesma informação. Por isso aqui fica, uma tabelinha todo bonita com a informação que considerei mais relevante. Não precisam de agradecer!

 

InstituiçãoCursoPropina (ECTSs)Carga horáriaHorárioDuraçãoData limite 
ISCSP/IEPGComunicação Estratégica Digital2100 (60)300 (180 + 120 de tutoria)6ª, das 18h às 21h + Sábados, das 10h às 13hano letivo43008Link
IPAMMarketing Digital39411564ª das 19h às 23h e alguns Sábados das 9h às 13h9 meses-Link
ISEGMarketing Digital4140 (38)158dois dias por semana em horário pós-laboral7 mesesEarly bird (-10%) até 31 de JulhoLink
INDEG/ISCTEMarketing com especialização em Marketing Digital4390 (42)-2ª e 4ª das 18h30 - 22h30 6 meses(-600€) até 7 de setembroLink
UNLDigital Marketing and Analytics4160 (60)-(a partir das 18h30), 2 a 3 vezes por semanaano letivo11 de MaioLink
LusófunaMarketing Digital1730 (24)1325ª e 6ª feiras entre as 18h30 e as 22h305 meses-Link
CatólicaGestão em Marketing Digital320055.55ª e 6ª feiras entre as 18h e as 21h302 meses-Link
FLAGAcademia de Marketing Digital38004172ª e 4ª, das 19h às 22h + Sábados, das 10h às 17h11 meses-Link
EDITDigital Marketing and Strategy2040216Sábado 9h-18h (alguns domingos 9h-18h); ou 3ª, 4ª e algumas 5ª das 19h às23h5 meses-Link
ETICMarketing Digital & Social Media3507.492702ª, 4ª e 6ª, das 19h às 23hano letivo-Link
RestartComunicação e Marketing Digital3318348--sem data previstaLink

 

Agora, a escolha vai depender de cada um e daquilo que o aluno considera mais importante. Todos os aspetos podem ser uma vantagem para alguns e, ao mesmo tempo, uma desvantagem para outros.

 

Por exemplo, a duração do curso. Pode haver quem queira despachar a coisa o mais rapidamente possível e os de duração curta são mais atrativos. Por outro lado, de certeza que há pessoas que preferem levar a coisa com calma, mesmo que demore mais tempo, e nesse caso os cursos mais longos mas com menos horas semanais de contacto serão mais benéficos. Da mesma forma, quem preferir deixar os fins de semana para descansar pode preferir cursos com aulas à semana, assim como quem achar que não aguenta ter muitas aulas à noite pode preferir os cursos com aulas aos fins de semana. Até a variável das propinas pode ter várias interpretações, pois propinas mais altas são para alguns sinónimo de uma mais elevada qualidade do curso, enquanto que outros nunca poderiam suportar alguns dos valores que surgem aqui. Por isso, penso que há preferências para todas as direções, e não há dúvida que há também cursos para todos os gostos. É uma questão de fazerem a vossa avaliação.

 

E depois há, claro, os planos de estudos que também são muito importantes. Essa informação é mais difícil de compilar numa tabela mas não devem deixar de lhe prestar muita atenção (por isso deixei os links de cada curso na tabela). Eu, por exemplo, eliminei uma das opções que tinha todas as condições ideais para mim porque não achei o plano curricular muito interessante. Afinal, a ideia é aprender, por isso esta acaba por ser a parte mais importante.

 

Quanto a mim, ainda não me decidi totalmente, mas está quase. Estou um bocadinho indecisa entre dois, mas quase quase a decidir-me (até porque algumas datas de inscrição estão bem próximas e outras nem sequer consegui perceber quando terminam).

 

Algo que também seria muito interessante era se houvesse alguém aí desse lado que fosse (ou já tivesse sido) aluno de um destes cursos e pudesse dar a sua opinião. Ficava (eu e quem estiver a fazer o mesmo tipo de escolha) muito agradecida.

#27/100 – Vive o sonho

#100palavraspordia

 

Qual é o meu objetivo com este blog?

 

Nos últimos tempos tenho pensado muito nisto. Para além de querer ter leitores, tanto aqui do blog como dos meus futuros livros (objetivo egoísta, eu sei, mas se estivesse a escrever só para mim fá-lo-ia num diário), percebi que o meu objetivo principal é incentivar a mudança. Em vocês! Em todos vocês que estão desse lado. Quero ter impacto. Quero motivar-vos a fazerem mais e melhor e a irem atrás dos vossos sonhos. Percebi que é isso que me move, é isso que me faz querer continuar.

 

Há inúmeras coisas que todos nós podemos fazer, tanto para sermos pessoas melhores como para termos vidas melhores. Nem sequer consigo imaginar como seria o mundo se todos vivêssemos o nosso maior potencial ao máximo. Seríamos todos mais felizes, disso tenho a certeza.

 

Por isso, é exatamente isso que quero. Quero ser disruptora. Quero motivar a ação. Quero acabar com a inércia. Quero provocar movimento. Quero gerar UM movimento. O movimento de viver uma vida melhor e de acordo com os nossos sonhos. É este o MEU movimento! É esta a minha missão!

 

Pensa positivo. Sê feliz. Muda de vida. Vive o sonho.

 

vive o sonho

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

 


 

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#22/100 – A tentar perceber

 

A verdade é que ainda estou a tentar perceber isto tudo. A verdade é que a vida dá voltas e mais voltas e pouco parece correr da forma como esperávamos à partida. Imaginamos que aos trinta e poucos já teremos toda a vida encaminhada e poucas dúvidas ainda possam surgir. Quando as coisas não acontecem bem assim, resta continuar. Resta acreditar que eventualmente vamos perceber isto tudo. Ou então não e também não faz mal. Porque a vida é mesmo uma descoberta e não temos mesmo de saber tudo. Porque provavelmente até é mais interessante viver assim, encontrando surpresas pelo caminho, do que de outra forma. Porque quem não muda nem quer mudar só pode estar preso dentro da sua própria cabeça e fechado às possibilidades que o mundo apresenta todos os dias. Porque a vida é uma aventura e ninguém sabe onde a próxima curva nos vai levar. Porque mesmo assim, a viagem é a melhor parte e a descoberta tem de estar a ela associada.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

 


 

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5 estratégias para começares a mudar a tua identidade individual em direção aos teus maiores sonhos

 

Há duas formas de o teu futuro acontecer:

  1. Deixares que o teu futuro aconteça
  2. Assumires o controlo em relação ao teu futuro

 

(créditos de imagem: Felix Russell-Saw)

 

A maior parte das pessoas escolhe a primeira opção. Melhor dizendo, nem sequer escolher, simplesmente não pensa muito no assunto, acabando por seguir com a primeira opção. Eu própria vivi assim durante muitos anos. Achava que não. Achava que o facto de ter escolhido o meu curso de engenharia, e de ter decidido prosseguir para o doutoramento, e ter procurado o emprego “dos meus sonhos” como cientista, e tê-lo conseguido, significava que tinha tudo sob controlo e que estava a conduzir a minha vida na direção que mais desejava. E depois apercebi-me que talvez não. Apercebi-me que muitas das decisões que tomei ao longo da vida foram completamente condicionadas por fatores externos e por paradigmas que eu própria tinha imposto a mim mesma sobre o que era o sucesso e a felicidade. Continuo a adorar aquilo que faço, mas se calhar não é bem aquela coisa que é suposto eu fazer para o resto da minha vida.

 

Descoberta

Foi preciso um grande trabalho de exploração interna e auto-conhecimento para mudar para a opção 2. Tudo começa com o auto-conhecimento. Sem sabermos exatamente aquilo que queremos nunca vamos conseguir alcançar o nosso maior potencial. Por isso, primeiro é sempre preciso fazermos aquilo que for necessário para descobrirmos quem somos e aquilo que queremos. Só a partir daí poderemos começar a trabalhar para o conseguirmos. Isto não quer necessariamente dizer que tenhamos de saber exatamente aquilo que vamos fazer até ao fim das nossas vidas. Apenas que precisamos de saber muito bem qual é a próxima coisa que queremos alcançar e da qual necessitamos para sermos felizes e para caminharmos na direção em que queremos levar o nosso futuro.

 

Há várias formas de descobrirmos quem somos e o que realmente queremos. No meu caso, penso que algo que contribuiu muito para o auto-conhecimento foi passar tempo sozinha. Gosto muito de estar com outras pessoas, pessoas que me fazem bem e com quem gosto de passar tempo, mas também sempre gostei muito de estar sozinha. Sempre fiz questão de ter momentos dedicados apenas a mim, e a verdade é que nos últimos tempos, por circunstâncias da vida, não foi preciso muito esforço para isso acontecer. Tive a oportunidade de explorar as minhas paixões, aquilo que me motiva e aquilo que me faz feliz. Passeios a sós pela natureza, ou mesmo pela cidade, horas a ler coisas que despertam o nosso interesse, até mesmo passar tardes a explorar a internet deixando fluir aquilo que mais chama por nós e pela nossa curiosidade, pode levar a grandes descobertas. Como se costuma dizer, se há algo que consegues passar horas a fazer sem qualquer esforço, nem dás pelo tempo a passar e até te esqueces de comer, então deve haver aí alguma coisa de muito importante e interessante para ti.

 

Explorar coisas fora da nossa “zona de conforto” é também muito importante. Se eu não tivesse feito isso, duvido muito que o tempo passado sozinha tivesse servido para alguma coisa. Expormo-nos a tudo o que possa causar-nos interesse, assim como a algumas coisas mais out of the box leva-nos a descobrir coisas em nós que nem sabíamos que lá estavam. Experimentar, passar tempo com pessoas que fazem outras coisas e que vivem outras realidades, ver sítios novos, tentar atividades e hobbies diferentes, são coisas extremamente enriquecedoras e que podem muito bem revelar-se como life changing.

 

Outras atividades, como a meditação ou a escrita livre, também podem levar-nos a descobrir novos interesses ou motivações que desconhecíamos existirem. Vale tudo o que achem que possa ajudar-vos a conhecerem-se melhor, bem como aos vossos sonhos, vale a pena tentar.

 

Implementação

Depois de sabermos o que queremos fazer, chega então a hora de começar a implementar. Nesta implementação podem incluir-se dois conjuntos de atividades diferentes:

A) Passos práticos para que a mudança se dê
B) Alteração da identidade individual de forma a incorporar o novo paradigma

 

No conjunto A estamos a falar de ações muito objetivas para alcançar uma meta. Por exemplo, se o objetivo for perder peso (que o é, para a maioria das pessoas, apesar de o mais correto ser a implementação de um estilo de vida mais saudável) podemos começar por procurar informação em relação ao que devemos comer e ao estilo de vida que devemos adotar, começar a tentar estabelecer hábitos que incorporem esses alimentos e esse estilo de vida, e tentar eliminar outros que possam estar a afastar-nos do nosso objetivo. Noutro exemplo, se o objetivo for uma mudança de carreira, podemos começar por procurar algumas oportunidades de formação na nova área, tentar ler artigos, livros ou outros conteúdos relacionados com o novo tópico do nosso interesse. Do conjunto B já vou falar um pouco mais à frente.

 

O problema na implementação de grandes mudanças de vida é que a maior parte das pessoas se foca apenas no primeiro conjunto de atividades. Mas a realidade é que o primeiro sem o segundo raramente funciona, principalmente quando estamos a falar de mudanças de vida muito grandes, como podem ser os dois exemplos que referi, entre outros.

 

Se o estilo de vida saudável for eternamente aquilo que estou a tentar fazer mas que representa um esforço da minha parte, ou se a mudança de carreira for para sempre aquilo que um dia eu irei fazer, então mais cedo ou mais tarde a força de vontade vai esgotar-se e vamos acabar por desistir. Todos já passámos por isso. Não é fácil continuarmos a ir, todos os dias, contra aquilo que somos ou que achamos que somos. E já é do conhecimento geral, no seguimento de diversos estudos, que a força de vontade funciona como um músculo. Isto significa que não tem uma capacidade infinita. Quem faz musculação sabe que há um número finito de repetições que podemos fazer com um determinado músculo, e que após esse número o músculo estará de tal maneira exausto que já não vai mesmo funcionar, a não ser que lhe demos tempo para recuperar. Da mesma forma, se semana após semana continuarmos a treinar esse músculo, ele vai acabar por ser capaz de realizar um número progressivamente maior de repetições. A força de vontade funciona exatamente da mesma forma: ela é finita e podemos treiná-la a resistir mais. Mas ainda assim, continuará sempre a ser finita. Por isso, se formos a confiar apenas na nossa força de vontade para alcançar um determinado objetivo, o mais provável é acabarmos por falhar. Daí ser preciso fazer mais qualquer coisa. E é aqui que entra a conjunto B de atividades.

 

Este segundo conjunto de atividades tem como objetivo modificar a nossa identidade individual de forma a incorporar o nosso novo paradigma. Como já antes aqui referi, a identidade individual ou pessoal consiste naquilo que nós acreditamos que somos. Todos temos uma identidade individual, aquilo que muitos identificam como personalidade. No entanto, aquilo que muitos não se apercebem é que a nossa personalidade (ou, pelo menos, alguns traços bem significativos dela) é mutável e podemos manipulá-la de forma a tornar mais fácil atingirmos determinados objetivos. Aliás, a nossa personalidade muda naturalmente ao longo da nossa vida. Qual de nós nunca sentiu isso na pele? Por exemplo, eu era extremamente tímida e hoje não me identifico como tal. Nunca fiz um esforço consciente para esta mudança, foi algo que surgiu naturalmente com a progressão de ambientes com os quais fui entrando em contacto ao longo da minha vida. Mas para aumentarmos as probabilidades de virmos a atingir o nosso objetivo, há partes da nossa identidade que podem ser alteradas de forma consciente.

 

Posso, desde já, dizer que não é fácil. É mesmo preciso um esforço consciente. É preciso dedicar tempo e atenção aos diferentes passos que se podem tomar, mas se realmente o quisermos fazer, é totalmente possível e está ao alcance de qualquer um.

 

Estratégias

Na minha opinião e da minha própria experiência, há cinco estratégias que podemos implementar para proporcionar esta mudança de identidade. Estas funcionaram (e continuam a funcionar) comigo, mas não quer dizer que não existam mais que estou ainda para descobrir.

 

1 – Visualização

Todas as manhãs, depois dos meus 5 minutos de meditação, faço 5 minutos de visualização. Esta atividade pode ser muito parecida com a meditação, mas enquanto que na meditação tentamos não pensar em nada, na visualização a ideia é (como o próprio nome indica) visualizarmo-nos a nós próprios depois de termos alcançado os nossos objetivos. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida saudável, posso visualizar-me com o corpo que desejo, sentido-me confortável e confiante nesse mesmo corpo, a comer alimentos saudáveis e a retirar prazer deles, a mexer-me, a ir ao ginásio e a passar tempo ao ar livre, sem stress e com um estilo de vida equilibrado em que descanso tanto quanto necessário. Se objetivo for uma mudança de carreira posso então visualizar-me a sair de casa para ir fazer o trabalho para o qual desejo mudar, a sentir-me realizada com aquilo que faço e a sentir-me confortável e confiante na minha nova posição.

Este ato de nos visualizarmos de determinada forma e de o fazermos repetidamente vai fazer com que o nosso cérebro interprete isso como uma realidade. Já devem ter ouvido a frase “fake it till you make it” e isto está relacionado com isso mesmo. Ao vermos esta nova pessoa, que somos nós mas ainda não somos, o nosso cérebro vai começando a interpretar aquilo como uma realidade, uma inevitabilidade, algo que é tão natural como aquilo que somos neste momento.

Se conseguirem fazê-lo de manhã e à noite, tanto melhor.

 

2 – Daydreaming

Esta estratégia vem no seguimento da anterior e é por vezes muito fácil de implementar. Apesar do daydreaming ter muitas vezes uma conotação negativa, estando associada a crianças desatentas nas aulas ou a adultos pouco focados nos outros ou no seu trabalho, ela é, na verdade, uma atividade estimulante e que pode até levar ao aumento da memória e da criatividade (entre outros benefícios). Neste contexto, pretende-se um prolongamento da estratégia anterior. Quantas vezes já não me imaginei a conseguir um grande contrato com uma grande editora para a publicação de um dos meus livros? Isto ainda antes de ter qualquer livro escrito!

A chave aqui é não descartar estes sonhos como impossibilidades mas assumi-los mesmo como potenciais realidades daqui a uns meses ou anos. Porque não? Tudo é possível. O objetivo é ficar em forma? Então imaginem-se a ir à praia com aquele biquini da moda e o corpo dos vossos sonhos, confiantes e sorridentes. Façam isto com grande frequência e menor será a probabilidade de irem à caixa das bolachas porque estão aborrecidos com o trabalho. Por isso deixem a vossa mente divagar à vontade pelos vossos maiores sonhos de forma a aumentarem o contacto do vosso cérebro ainda mais com a vossa futura realidade (sim, é mesmo importante acreditarem que esta vai ser a vossa realidade no futuro).

 

3 – Afirmações

A ideia desta estratégia consiste em ter um conjunto de afirmações que traduzam a pessoa na qual nos queremos transformar. Estas afirmações devem estar escritas e acessíveis sempre que as queiramos ler. Por exemplo, eu tenho um cartão com as minhas afirmações mais importantes na mesa de cabeceira, e outro na minha carteira, que anda sempre comigo. Podem também escrevê-las numa nota no telemóvel ou numa agenda com a qual andem sempre. Para que estas afirmações tenham um maior impacto, há dois pormenores que podem implementar:

– escrevam-nas no presente. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida mais saudável podem escrever no presente “Eu sou uma pessoa saudável que trata bem do seu corpo e se sente confiante na sua própria pele.”

– leiam-nas imediatamente antes de adormecerem e imediatamente depois de acordarem. Os últimos minutos antes de adormeceremos e os primeiros minutos depois de acordarmos são as alturas em que estamos mais próximos do nosso subconsciente.

 

4 – Incorporação no vocabulário

Comecem a falar como se o objetivo que querem alcançar já fosse uma realidade ou como se fosse uma inevitabilidade. Numa primeira instância, esta estratégia será mais fácil de implementar no vosso discurso interno, ou seja, quando falam com vocês próprios. Por exemplo, se quiserem mudar de carreira, falem como se já tivessem a nova profissão que querem. Eu, por exemplo, levei algum tempo a conseguir afirmar “Eu sou escritora.” Hoje já não sei ver-me de outra forma. Se o objetivo for ficar em forma digam sempre “quando eu conseguir vestir aquele vestido” em vez de “se eu conseguir”.

Progressivamente, tentem levar este tipo de discurso também para a interação com os outros. Talvez primeiro seja mais fácil de implementar com quem vos é muito próximo e esteja a par do vosso objetivo, e apenas mais tarde com outras pessoas. Esta estratégia pode parecer demasiado óbvia mas há muitas pessoas que a descuram e que não se apercebem que o facto de dizerem algo como “se eu realmente conseguir mudar de emprego” (em vez de “quando eu mudar de emprego”) está a transmitir aos seus cérebros que não sabem se serão capazes. Ora, não é isso que se pretende, muito pelo contrário. Pretende-se, com todas estas estratégias, transmitir ao nosso cérebro que esta mudança é inevitável.

 

5 – Incorporação no meio ambiente

Rodeiem-se de incentivos e de elementos que vos transmitam motivação quanto ao vosso objetivo, e ainda, que vos indiquem que a mudança já está em progresso.

No campo da motivação, podem ser frases motivacionais, fotografias que representem os vossos objetivos, ou mesmo moodboards. No exemplo da mudança de carreira, se precisam de aprender algo novo relacionado com a nova área, estabeleçam uma área de trabalho onde apenas vão trabalhar nessa mudança. Uma secretária com materiais de trabalho pode muito bem ser o suficiente. Já para o outro exemplo, comprem mesmo aquele biquini ou aquele vestido que querem usar quando atingirem a forma dos vossos sonhos.

Há variadas formas de incorporarem o vosso objetivo no vosso meio ambiente e a forma como o fazem vai depender muito do objetivo em questão. Mas mais uma vez, apesar de poder parecer óbvio, é bom não descurar esta estratégia.

 

Conclusão

Espero que tenham gostado destas estratégias e que considerem a sua implementação. Tudo muda quando a nossa identidade muda, acreditem. Mas para isso, temos de ser intencionais e trabalhar de uma forma consciente (mesmo que o intuito seja influenciar o nosso subconsciente).

 

Convém agora não esquecer que ainda existe o conjunto de atividades A! Continuam a ser precisas ações práticas para alcançarem os vossos sonhos. Não basta visualizar, e sonhar, e afirmar, para que a coisa se dê. Continua a ser preciso trabalho.

 

Uma última recomendação: não tentem implementar todas estas estratégias de uma só vez. Vai ser demasiado e apenas vai servir para vos baralhar e desmotivar. Comecem por uma, aquela que, para vocês, fizer mais sentido, e concentrem-se em transformar essa num hábito. Quando essa estratégia já não requerer muito esforço, passem para a seguinte e assim progressivamente.

 

 

Se conhecerem mais alguma estratégia relacionada com este assunto partilhem-na comigo nos comentários e se decidirem começar a implementar alguma destas estratégias vão-me dizendo como está a correr.

 

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#19/100 – Qual é o teu papel?

 

O mundo inteiro é um palco. E todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena e cada um no seu tempo representa diversos papéis.

William Shakespeare

 

Cada um de nós pode escolher o papel que deseja representar a cada momento das nossas vidas. Não é difícil, basta querer. Mas quantos de nós estamos mesmo, ativamente, a escrever a nossa própria história? Quantos não andamos simplesmente a ver o tempo passar, deixando que a vida aconteça em vez de sermos nós a tomarmos o controlo sobre a nossa própria vida? Achamos que não temos poder suficiente. Que nascemos neste país, nesta cidade, que vivemos nestas condições, que estudámos para termos esta profissão e que agora já não há nada a fazer. Quantos de nós deixamos que o mundo à nossa volta dite aquilo que somos, vivemos e fazemos, sem nunca realmente executarmos alguma coisa que nos faça felizes? Por vezes até temos sonhos mas achamos demasiado difícil, ou mesmo impossível, conseguir concretizá-los. Só que há algo que demoramos a perceber. Vivemos hoje num mundo em que praticamente tudo é possível. Estamos no século XXI, ano de 2017, na era digital. Há pessoas que ganham a vida a viajar ou a cozinhar e a postar os respetivos vídeos no Youtube. Há famílias que, mesmo com filhos pequenos, deixam tudo e vão viajar por períodos longos de tempo. Há pessoas que criam empresas, criam negócios, são freelancers e gerem as suas vidas como querem, trabalham enquanto viajam, vão atrás dos seus sonhos sem ficarem presos a regras impostas pela sociedade (dó século passado). Não há limites, qualquer um o pode fazer. O que te está a impedir a ti de ires atrás dos teus sonhos?

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

 


 

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