Ser Estóico #1: Muda os teus pensamentos

aqui falei do livro The Daily Stoic quando o comprei. Este livro reúne citações da filosofia estóica: presenteia-nos com uma dessas citações todos os dias do ano, seguida de uma reflexão por parte do autor, Ryan Holiday, sobre essa mesma citação. São texto curtos, entre meia página a página e meia, para que de uma forma rápida e todos os dias ao longo do ano possamos absorver mais um pouquinho desta filosofia.

 

Para quem não está familiarizado com a filosofia estóica, ela “ensina o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções destrutivas. Defende que tornar-se um pensador claro e imparcial permite compreender a razão universal” (diretamente copiado da Wikipédia). Foi criada por volta de 300 a.C. na Grécia Antiga por Zeno de Citium, tendo sido levada para Roma em 155 a.C. por Diogenes da Babilónia, e aí continuada pelos seus maiores impulsionadores, Marco Aurélio, Séneca e Epictetus.

 

Desde o início do ano que leio um destes textos por dia, e tal como já descrevi aqui para o podcast Daily Motivations, o mesmo se passa com estes textos: há alguns que pouco me dizem, enquanto outros tocam-me de alguma forma e deixam-me a pensar sobre o assunto. E tenho a certeza que se voltar a ler este livro no próximo ano (coisa que tenciono fazer) vão ser outros os textos que terão um maior significado para mim, pois acredito que esta ligação mais profunda a alguns dos textos tenha muito a ver com a fase da vida em que me encontro no momento da leitura.

 

(créditos da imagem: Christopher Sardegna)

 

Penso que estes textos que me fazem pensar mais são uma boa matéria de discussão para o blog, por isso tenciono começar a falar mais do assunto. Num destes dias, houve um texto que me tocou particularmente e a citação desse dia era a seguinte:

 

Your mind will take the shape of what you frequently hold in thought, for the human spirit is colored by such impressions.

Marco Aurélio, Meditations, 5.16

 

Tradução livre (minha):

 

A tua mente assume a forma do que com frequência tens em pensamento, pois o espírito humano é colorido por tais impressões.

 

(Se tiverem interesse, os textos intitulados Meditações, de Marco Aurélio, encontram-se disponíveis em Inglês e gratuitamente aqui)

 

O autor do livro começa depois por falar num tema muito debatido ultimamente, devido às profissões sedentárias que muitos de nós temos: se passarmos muitas horas sentados todos os dias, a curvatura da nossa espinha muda. Através de uma simples radiografia (ou autópsia), um médico é capaz de perceber se o nosso trabalho implica(va) passar muitas horas sentados à secretária. Faz depois o paralelismo entre este facto e a nossa mente. Assim, este texto deixou-me e pensar em dois tópicos diferentes.

 

 

A importância do movimento

Todos temos de nos mexer mais. A verdade é mesmo esta: passamos demasiadas horas sentados, salvo raras exceções, e isso só nos faz mal. Infelizmente, ainda não pegou em Portugal a moda das standing desks, ou mesmo das treadmill desks, por isso temos de fazer o nosso melhor para contrariar todas as horas que passamos sentados.

 

Coisas como levantarmo-nos pelo menos uma vez a cada hora e dar uma volta pelo escritório (ou mesmo fora), fazermos exercício físico, seja ele ir ao ginásio, correr ou apenas caminhar (todos são ótimas opções desde que nos façam sentir bem e consigamos deles retirar algum tipo de prazer), incluir mais atividades físicas nos nossos tempos livres, como um jogo de futebol com os amigos, um jogo de paddle entre colegas de trabalho, trilhos pela natureza ou andar de bicicleta ao fim de semana.

 

Todas estas são atividades que nos farão mais saudáveis e penso que falta a muitas pessoas investir mais na primeira e na terceira: na primeira porque muitas vezes estamos concentrados no trabalho e não queremos parar só para esticar as pernas (ou então mesmo por preguiça), e a terceira porque muitas pessoas acreditam que basta irem ao ginásio duas, ou três ou quatro vezes por semana para deixarem de ter um estilo de vida sedentário. Não basta. É ótimo, claro, mas não basta. Temos de ser ativos na maior parte do nosso tempo, de preferência todos os dias, caminhar, brincar, fazer coisas de que gostamos, de preferência com pessoas de quem gostamos e ao ar livre. Não fazem ideia o quanto isso pode contribuir para a vossa felicidade.

 

 

A importância daquilo que pensamos

Este texto fez-me lembrar uma frase muita famosa do Tony Robbins, na qual penso imediatamente quando me lembro da importância dos nossos pensamentos: “Where focus goes, energy flows.”

 

(daqui)

 

Cada vez mais me apercebo da verdade desta afirmação. Se nos focarmos em coisas más, em pensamentos negativos, eles vão automaticamente assumir uma maior importância nas nossas vidas. Da mesma forma, se começarmos a implementar uma atitude mais positiva, toda a nossa perspetiva de vida vai sofrer uma alteração para melhor. Vamos ser mais felizes, sofrer menos com o stress, ser mais simpáticos com as outras pessoas (e automaticamente, elas connosco).

 

Não sou uma pessoa propriamente espiritual, longe disso (sou cientista, lembram-se?), mas cada vez mais me convenço de que a energia que mandamos para o mundo é a mesma com que o mundo nos vai retribuir. Não sei explicar, mas também não preciso. Sei que é possível ver sempre um lado positivo em tudo (tudo mesmo, ainda que por vezes pareça muito difícil) e tenho tentado reger a minha vida com base nesse princípio.

 

Confesso que não é fácil, pelo menos ao princípio, implementar esta atitude, e para algumas pessoas mais negativas pode ser ainda mais difícil. Mas é possível, é apenas uma questão de o querermos. Para mim, a chave para mudar para uma atitude (ainda mais) positiva tem sido rodear-me de tudo o que a isso incentive. Desde livros, a podcasts, blogs e mesmo pessoas e atividades que fomentem em nós uma atitude positiva, tudo isso vai fazer com que aos bocadinhos a nossa atitude mude. Eu já vi grandes mudanças em alguns dos meus comportamentos, sempre para melhor e no sentido de uma vida mais equilibrada e positiva.

 

O mais interessante é que isto não se limita à atitude positiva, mas pode funcionar com vários aspetos das nossas vida. Se quisermos ser algo, qualquer coisa, basta acreditarmos que o somos. Se realmente acreditarmos (mas acreditar mesmo a sério, não basta fazer de conta), vamos começar a ver-nos como esse algo, de tal forma que naturalmente vamos começar a agir como essa pessoa que acreditamos ser. E consequentemente vamos acabar por ser essa pessoa.

 

(daqui)

 

Eu, por motivos que apenas agora começo a compreender, toda a vida acreditei que apenas poderia trabalhar com números ou em ciência. Que nada mais faria sentido para mim. Nos últimos tempos tenho vindo a percorrer um caminho que me mostra que posso ser, afinal, muitas mais coisas do que cientista. Hoje acredito profundamente nisso. E coisas começam a acontecer que me levam por outros caminhos que eu nunca sonhei mas que estou a adorar descobrir

 

Em relação à atitude positiva, acreditem que se se rodearem de informação e incentivos relacionados com estes tópicos, vão começar a ver uma mudança automática na vossa atitude e perspetiva. Acredito que também haja formas conscientes de o implementar (sei que há!) mas enquanto não as exploro mais, vou-me afundando em conteúdos úteis e motivadores. E terei todo o gosto em partilhá-los convosco aqui.

 

 

(estou a planear, para muito breve, um post sobre o que podem esperar deste blog no futuro, mas podem ficar desde já a saber que motivação e atitude positiva farão parte dos principais tópicos que pretendo aprofundar)

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