Oferecer experiências

Este ano juntei as prendas de aniversário da minha mãe e do meu pai e ofereci-lhes uma viagem. Para mim, não há nada melhor no mundo do que viajar, e infelizmente, os meus pais nunca tiveram oportunidade de viajar muito.

 

Enquanto crescia, as férias de verão eram sempre passadas no Algarve, em Conceição de Tavira, entre praia, livros e sestas. Eram férias ótimas mas muito menos do que aquilo que a minha cede de viajar pedia.

 

Desde que me tornei independente, quase todo o dinheiro que ganho e que sobra no final do mês é gasto a viajar. Sinto que ainda viajei muito pouco, muito menos do que gostaria e do que ainda quero viajar. Mas já vi alguns sítios giros. Já passei 11 dias de férias em Nova Iorque, que até hoje estão em segundo lugar no meu top de viagens. Já visitei Londres várias vezes e Edimburgo uma vez. Já fui a Madrid, Barcelona e Paris. Já fiz uma roadtrip fenomenal pelo oeste dos Estados Unidos (número um do top so far) e já passei uma semana inteirinha sozinha em São Francisco. Já vivi em Baltimore e em Copenhaga e já fui a congressos em Wahingtom DC e em várias cidades da Alemanha. Até já passei uma semana num resort na Tunísia. Ou seja, quase nada. Ainda tenho tanto mundo para ver e uma ânsia enorme para o ver. Os planos são tantos, Ásia, New England, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Florida, Marrocos, São Tomé e Príncipe, Itália, o resto da Europa, voltar a Nova Iorque, voltar à Califórnia e ao Grand Canyon. Coisas que os meus pais nunca tiveram e nunca terão oportunidade de ver. Por isso decidi oferecer-lhes uma viagem.

 

A viagem deles não podia ser muito exótica pois pouco mais falam do que Português, por isso sugeri a Madeira. Eles nem pensaram duas vezes e aceitaram o destino. Para que pudessem estar completamente à vontade e sem se preocuparem com despesas, paguei tudo: voos, hotel com meia pensão, carro e gasolina. Eles apenas tiveram de pagar almoços e mais alguns snacks e cafés que lhes apetecesse, basicamente o mesmo que gastariam se estivessem por casa.

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Durante os últimos 5 dias tenho falado com eles todos os dias, quase sempre duas vezes por dia. E sinto uma alegria imensa por estar a proporcionar-lhes esta experiência. O meu pai já tem 69 anos e a minha mãe 66. Infelizmente e por muito que me custe dizê-lo ou sequer pensar nisso, nenhum deles tem uma saúde de ferro, pelo que adivinho que já não terão muitas mais oportunidades para viajar. Esta viagem poderá muito bem ser a mais preciosa das suas vidas. Do meu lado, sinto-me imensamente realizada por lhes poder proporcionar isto. Tanto que eles fizeram por mim durante toda a sua vida, tanto que sacrificaram. O dinheiro nunca foi muito mas havia sempre o suficiente para comprar os meus livros, para pagar o curso de Inglês e as propinas da universidade, para eu ter uma semanada que me permitia ir ao cinema com os amigos e ainda comprar umas coisinhas para mim. E havia sempre a semaninha no Algarve que eu sei que lhes custava a pagar mas que nos sabia pela vida aos três.

 

Eles merecem. Merecem isto e muito mais. São os pais mais espetaculares que existem no mundo e nunca tiveram sorte na vida. Muito pelo contrário, sempre tiveram uma vida difícil quando nada fizeram para o merecer. Enquanto puder continuar a proporcionar-lhes estes prazeres, irei sem dúvida fazê-lo. Só espero que eles consigam desfrutar deles durante mais alguns anos.

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