Escrever um livro

escrever-livro

 

aqui referi que estou a escrever um livro. E por vezes, quando digo isto, ainda me parece uma loucura. Ainda mal consigo acreditar que mergulhei mesmo nesta aventura.

 

Penso que a maioria das pessoas não sabe, pelo menos aquelas que nunca pensaram em escrever um livro e tal como eu não sabia há cerca de um ano, o quão colossal é o projeto de escrever um livro. A quantidade de tarefas que têm de ser feitas, o gigante número de detalhes ao qual é preciso prestar atenção. A quantidade de tempo que temos de dedicar para escrever um livro.

 

Penso que quem nunca escreveu ou pensou em escrever um livro imagina que um escritor tem uma ideia, senta-se a escrever e simplesmente vai escrevendo até chegar ao final do livro. Pelo menos era isto que eu pensava. Pode ter algumas ideias de algumas coisas que vão acontecer mais à frente, mas no entanto as coisas vão acontecendo e surgindo na cabeça do escritor à medida que ele vai escrevendo. Acredito que alguns escritores até funcionem assim. Por exemplo, é do conhecimento público que o Stephen King começa com uma ideia simples, senta-se a escrever e só para quando tem um primeiro rascunho terminado. Mas a maior parte de nós não é assim. E convenhamos, há poucos contadores de histórias tão bons e tão experientes como o Stephen King.

 

Não, a maior parte dos escritores tem uma ideia e se gosta dessa ideia começa a trabalhar nela, a desenvolvê-la, a desenvolver os personagens e possivelmente o mundo onde a história se passa. Há todo um mundo de fichas de desenvolvimento de personagens, arcos narrativos, pontos de viragem, climaxes e resoluções. Personagens que são principais, que são secundárias, que são protagonista ou antagonista, que têm objetivos, dilemas e conflitos – internos e externos. Há personagens que desempenham papéis muito específicos, o mentor, o parceiro, o cético, a voz da razão. Também os géneros os há internos e externos, e há cenas obrigatórias para cada género, e alturas específicas no decorrer da história onde os pontos de viragem devem acontecer.

 

E depois há a revisão, ou melhor, as revisões. Sim, porque um livro não surge tal como o lemos no primeiro rascunho. Há que rever a estrutura, o simbolismo, o ritmo, as descrições e os diálogos, a construção frásica e as repetições, a gramática e os typos.

 

E depois ainda haverá toda uma saga relacionada com conseguir a publicação do livro, mas com essa não me vou preocupar para já.

 

Também eu, no dia 1 de Novembro de 2015, me sentei para escrever um livro e simplesmente comecei a escrever na expectativa que fosse um processo totalmente linear. Não é, sei-o agora, depois de já ter desistido dessa história, que obviamente, sem qualquer desenvolvimento prévio não poderia funcionar (eu comecei a escrever sem saber sequer quem era o meu antagonista!) e de ter pegado noutra, desta vez começando pelo sítio certo. Escrever um livro tem toda uma “ciência” extremamente complexa, da qual um leitor nem sequer se apercebe (e assim deve ser, se a coisa for bem feita, o leitor não deve nunca perceber todo o trabalho que está por trás).

 

Comecei o meu livro atual em Julho de 2016. Planenei, estruturei, e escrevi a primeira palavra apenas a meio de Agosto. Está em progresso. A barra de progresso ainda está muito pequenina, o trabalho que ainda tenho pela frente é ainda gigantesco, mas gosto disso. Gosto de pensar em tudo que ainda tenho de fazer, no potencial em aberto da minha história, no facto de que sou eu que decido tudo o que acontece naquele mundo.

 

Entretanto vou lendo e aprendendo e estudando. Vou fazendo workshops e lendo livros sobre escrita, apreendendo os processos criativos de outros escritores, vou estando atenta ao que há por aí e vou lendo muitos livros, porque não há maneira de escrevermos bem sem antes lermos muito.

 

E por falar em ler, graças a esta aprendizagem, ganhei todo um respeito acrescido pelos escritores. Agora que sei a complexidade que é escrever um livro, sinto uma renovada admiração por esta profissão. Todos já sabíamos que pode haver bastante trabalho por trás de um livro, basta olhar para a série mais bem sucedida de todos os tempos, o Harry Potter (oh meu Deus, como é que ela fez aquilo!?) Às vezes quando penso em histórias, estruturas e universos assim tão complexos, como é o caso do Harry Potter ou da Guerra dos Tronos, por exemplo, penso que os escritores têm de ter um bocadinho de perturbação obsessivo-compulsiva para criarem enredos tão completamente elaborados e intrincados. Mas por favor, continuem a fazê-lo, porque estes mundos são das melhores coisas que existem.

Leave a Reply