Conselhos que gostaria de ter recebido aos 20 anos

conselhos

(créditos da imagem: Stephan Vance)

 

Na sequência deste post da semana passada, achei curioso o facto de ter ouvido recentemente um episódio de um podcast que tem tudo a ver com o mesmo assunto e do qual gostava de falar aqui.

 

aqui contei que ouço muitos podcasts e um dos que falei é o Good Life Project, em que um dos episódios semanais consiste num texto motivacional ou numa reflexão. O episódio da semana passada teve um significado especial para mim, precisamente pelo que escrevi neste post.

 

Neste episódio, o autor, Jonathan, de 51 anos, reflete sobre os conselhos que daria a si próprio com 20 anos. A conclusão a que ele chega está, de uma certa forma, relacionada com as tais cinco coisas que eu apenas percebi depois dos 30 anos, e se calhar por ele próprio também ter descoberto certas coisas numa fase posterior da vida, acabaria por dar estes conselhos ao seu eu mais jovem. Eu não podia concordar mais com os conselhos que ele dá e também penso que se pudesse falar com o meu eu de 20 anos lhe faria o mesmo tipo de sugestões. E gostava mesmo que alguém me tivesse dado estes mesmos conselhos na altura (se bem que muito provavelmente acharia que essa pessoa era louca e não lhe teria dado ouvidos).

 

Ele começa por aconselhar as pessoas de 20 e poucos anos a não se focarem. Sugere que não definam à partida um objetivo no qual se focam exclusivamente, tentando ser muito bons apenas nessa coisa com a intenção de fazerem muito dinheiro com isso. Que não comecem, tão cedo na vida, a estreitar os seus horizontes. Pelo contrário, ele sugere que os expandam. Que experimentem. Experimentem muitas coisas, não com o objetivo de serem muito bons e bem sucedidos, mas com o único objetivo de reunirem o máximo de informação possível. Assim, ganharem conhecimento deverá ser o único motivo para tudo o que façam. Mas atenção: o tipo de conhecimento de que se está aqui a falar não é conhecimento teórico. Para isso existem escolas e faculdades. Aqui está-se apenas a falar de ganharem conhecimento sobre vocês próprios. O que gostam e o que não gostam, o que funciona para vocês e o que não funciona. Aquilo com que se dão bem e com que não se dão. Aquilo em que são bons e em que não são. Aquilo que acende a paixão dentro do vosso ser e aquilo que vos é totalmente indiferente.

 

Ele recomenda que nesse período os jovens façam três perguntas a eles próprios:

1 – Quem sou eu?

2 – O que importa para mim?

3 – Em que sou bom ou capaz de me tornar bom?

 

Trata-se de aproveitar os 20 e tais anos para executar o maior número de experiências possível, de forma a reunir informação para dar resposta a estas perguntas. Depois então podem focar-se em apenas uma coisa. E se adotarem esta estratégia, o mais provável é que no final deste período de experimentação já saibam exatamente o que querem (ou se por acaso já sabiam, podem conseguir a confirmação) e podem então avançar sem hesitações.

 

Para mim, esta estratégia traz duas vantagens. A primeira é que realmente aos 20 e poucos anos podemos ainda não nos conhecer suficientemente bem para estarmos a enveredar por um determinado caminho para o resto da vida. Depois temos adultos frustrados e que na realidade não gostam daquilo que fazem, mas que pensam que já não vão a tempo de enveredar por outros caminhos. Já acho estupidez suficiente termos de escolher um curso aos 18 anos, quando a realidade é que ainda não conhecemos nada do mundo nem da vida. Quanto mais passar quatro ou cinco anos na faculdade, ou seja, continuando a não conhecer nada do mundo real, e depois decidir o que se vai fazer para o resto da vida. Em primeiro lugar, é preciso que os jovens percebam que mesmo que façam um curso, não quer dizer que tenham de trabalhar nisso a vida toda. Depois, é também muito importante que compreendam que se decidirem fazer estes anos de experiências aos 20 e tais anos, quando chegarem aos 30 (ou até mais tarde) ainda vão muito a tempo de definirem o seu caminho.

 

A outra vantagem é que se olharmos para esta fase como um conjunto de experiências para reunir informação, automaticamente torna-se impossível falhar. Há algo que começas a fazer mas para o qual não tens jeito nenhum? Ainda bem que recolheste essa informação, agora já sabes que não é por esse caminho que deves enveredar. Há outra coisa para a qual até tens um certo jeito mas não gostas assim muito? Ainda bem que já o sabes mesmo sem teres investido anos da tua vida a perseguir essa carreira. Não te dás bem num determinado sítio do mundo ou com um certo tipo de pessoas? Então já sabes o que procurar e o que evitar no futuro. Todas estas são informações valiosas e descobriste-as sem nunca falhar, porque estavas apenas a reunir informação, não tinhas a intenção nem de ser excelente, nem de fazer aquilo para o resto da vida.

 

E agora o meu conselho para os jovens de 20 e tal anos (do alto dos meus 32 anos muito experientes…):

 

Não tenham pressa. Não tenham pressa de assentar nem de ser “bem-sucedidos”, seja lá o que isso for. Passem os vossos 20 e tais anos a fazer experiências, a conhecerem-se melhor, a conhecerem mais do mundo. Viagem muito, explorem, tenham trabalhos diferentes, em locais diferentes, com pessoas diferentes e em condições diferentes. Não vejam esses trabalhos como oportunidades para começarem logo a subir a escada corporativa e ganharem muito dinheiro e estatuto, mas como oportunidades para se conhecerem melhor e ficarem a saber exatamente aquilo que querem para a vossa vida.

 

Como costumo dizer, o mundo apresenta-nos infinitas possibilidades. Vão atrás delas, explorem as que acham que se adequam melhor a vocês, e só depois, quando tiverem reunido a informação necessária sobre a vossa pessoa, façam escolhas de vida. (Ou pelo menos para a meia dúzia de anos seguintes.)

 

E tu, que conselho gostavas de ter recebido aos 20 anos?

 

 

Se quiserem ouvir o episódio que referi, podem fazê-lo aqui.

4 Comment

  1. Falo muito isso com o meu namorado. É horrível aos 18 anos porem-nos a tomar uma decisão que influencia totalmente a nossa vida. Chegamos com 21 anos e vamos para o mercado de trabalho com um curso e um conhecimento que nem sabemos se gostamos dele ou se nos será útil para a nossa vida…nem sabemos se ele se adequa aos nossos objectivos!

    O conselho que daria a todas as pessoas com 20 anos é mesmo esse: que experimentem muita coisa, que conhecam muitas pessoas, que invesguem sobre tópicos de que gostam (viagens, moda, maquilhagem, música, formação, marketing, branding) e que realmente reflictam sobre o que gostam de fazer – quando encontrarem algo de que gostam, vai ser MUITO MAIS FÁCIL arranjar um trabalho na área ou até mesmo fazerem o seu próprio negócio.

    Os 20 anos deveria ser uma altura para nos conhecermos a nós próprios e ao mundo, porque só assim podemos saber que pessoa somos e que pessoa queremos ser.

    1. É isso mesmo, Rita! E com as oportunidades que há hoje em dia para fazer tudo isso, é quase um crime não aproveitarem =)

  2. Gostei muito deste post, bons conselhos 🙂

    1. Obrigada, Inês! Ainda bem que gostaste =)

Leave a Reply