Chegou a Newsletter Deixa Ser

Chegou o dia de lançar a Newsletter Deixa Ser!

 

 

Alguns de vocês já repararam que já tenho o formulário de subscrição da newsletter aqui no menu do lado direito há algum tempo, assim como no final de alguns posts. Alguns até já subscreveram (muito obrigada!). Mas nunca enviei uma newsletter a sério. Durante uns tempos tive um e-mail a ser enviado automaticamente aos subscritores sempre que publicava um post no blog. No entanto, decidi cancelar esse formato quando iniciei o desafio #100palavraspordia porque ia começar a escrever todos os dias e achei que receber e-mails todos os dias apenas com a informação de que havia um post novo seria muito chato para toda a gente (já que eu própria não gosto de os receber quando são assim tão frequentes).

 

Já nessa altura andava com ideias de iniciar uma newsletter a sério e tenho andado a pensar muito naquilo que quero fazer com a newsletter do blog. Entretanto cheguei a algumas conclusões e tomei alguma decisões e gostava muito que a subscrevessem se tiverem interesse no tópicos de que costumo falar aqui no blog e se gostam de me ler. Por isso, vou passar a algumas informações práticas.

 

A Newsletter Deixa Ser vai sair duas vezes por mês, na segunda e na última segunda-feira de cada mês. Este mês será uma exceção e a Newsletter vai sair na terceira e na última segunda-feira do mês. Podem contar com ela (se tudo correr bem) em cada uma dessas segundas logo de manhãzinha, para começar bem a semana! Isto significa que o primeiro número vai ser enviado já na próxima segunda-feira, dia 15 de Maio.

 

Em termos de conteúdos, estou a planear o seguinte para a newsletter:

  • Texto inédito, não publicado no blog (que pode incluir updates sobre o que ando a fazer, novidades do blog, atividades de interesse, etc).
  • Citação motivacional.
  • Texto reflectivo relacionado com a citação anterior.
  • Partilha de recursos de interesse – artigos, vídeos, livros, textos que eu acredite serem de interesse para todos e relacionados com os tópicos que costumo abordar por aqui.
  • Esporadicamente posso incluir perguntas aos leitores sobre o que mais vos interessa e o que mais gostariam de ver no blog e na própria newsletter – quero que aquilo que eu faço seja útil e diferenciador para os meus leitores e a melhor forma de conseguir isso é perguntar diretamente aquilo que mais gostam.
  • Também esporadicamente, posso partilhar excertos dos meus trabalhos de ficção, sempre que achar que estão já com qualidade adequada aos olhos do público – parágrafos isolados ou primeiros capítulos de algum manuscrito, por exemplo.

 

E agora vem a parte em que ofereço alguma coisa, como não poderia deixar de ser, porque também eu não podia fugir à já estabelecida tradição de oferecer um bem digital em troca da vossa subscrição à newsletter! E o que tenho eu para vos oferecer? Uma coisa gira que eu própria tenho andado a desenhar.

 

Esta oferta só vai fazer sentido para quem gostar de ler (mas há aqui alguém que não goste!?) e está relacionada com o objetivo de viver uma vida mais intencional, em todos os sentidos. Saber porque e para que fazemos as coisas e o que delas podemos retirar também pode estar relacionado com os livros que lemos.

 

Muitas vezes dou por mim a ler e a gostar muito de certas passagens. Ou a notar algo de mais característico em relação a uma certa personagem. Por vezes sinto necessidade de apontar estas observações mas nem sempre tenho algo ali à mão onde o possa fazer. Ultimamente esta necessidade tornou-se mais premente porque comecei a ler mais livros de não-ficção e normalmente estes estão cheios de ideias e conceitos que queremos levar connosco depois de terminarmos de os ler. Já tentei usar post-its: colava um monte deles na primeira página do livro e depois ia-os retirando à medida que queria tirar notas e voltava a colá-los na página em questão. Mas a coisa não funcionava muito bem. Ou porque me esquecia de os usar (ali na primeira página não ficam muito à vista), ou porque ter uma série de notas em post-its diferentes não dá muito jeito para consultar mais tarde.

 

Foi então que me surgiu esta ideia. Que é tão simples mas que tem funcionado tão bem comigo (pelo menos nos dois ou três livros em que já lhes dei uso). Consiste em ter espaço no marcador que estamos a usar para tirar as nossas notas. Depois de terminado o livro, podemos guardar o marcador e consultar sempre que quisermos. Nos livros de ficção tenho apontado algumas citações que me marcam mais, algumas características sobre determinados personagens, os meus sentimentos ao ler o livro, o que gostei mais e menos. Nos livros de não-ficção, também aponto algumas citações e tomo notas sobre as principais ideias passadas pelo autor. Estou a gostar muito de usar este método e penso que consigo, desta forma, dar mais significado aos livros que tenho lido.

 

 

E é isto que vão poder levar convosco ao subscreverem a Newsletter Deixa Ser. Após confirmarem a vossa subscrição, vão receber na vossa caixa do correio um link para descarregarem um ficheiro PDF que podem imprimir:

  • imprimir de ambos os lados da folha – páginas 1 e 2 para ficção, páginas 3 e 4 para não-ficção
  • usar a opção de ajustar à página ao imprimirem
  • recortar o marcador e dobrar em três

 

Podem imprimir quantos quiserem para usarem com os vossos livros. Podem arquivar todos juntos para poderem consultar mais tarde, ou deixá-los dentro dos respetivos livros para poderem relembrar o que pensaram quando leram cada livro pela primeira vez.

 

Espero que gostem e que dêem uso a esta ferramenta. Se tiverem sugestões de melhoria digam-me e eu posso tentar adaptar o design inicial. Não se esqueçam de me dar a vossa opinião, que é fundamental para eu saber o que está a funcionar ou não. Isto aplica-se tanto ao marcador como à própria Newsletter. Quero mesmo que aquilo que partilho nela tenha valor para quem subscreveu, por isso todo o vosso feedback é valioso.

 

Para quem já tinha subscrito a newsletter, muito obrigada pela confiança e se quiserem o marcador enviem-me um e-mail que eu terei todo o gosto em partilhar o PDF com vocês.

 

Quem ainda não subscreveu, pode fazê-lo já aqui em baixo:

 

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Recursos de escrita

(créditos da imagem: Oliver Thomas Klein)

 

Há já muito tempo que ando para escrever este post e acabou por só acontecer agora, mas espero que quem gosta de escrever ficção tire bom proveito dele.

 

Trata-se da minha lista de recursos favoritos para escritores – particularmente de ficção, apesar de alguns dos sites também terem alguns recursos para escritores de não-ficção. São sites que visito religiosamente, e alguns dos respetivos podcasts que sigo com atenção.

 

Antes de lerem mais, para quem não gostar de ler em Inglês, deixem-me avisar já que 91% dos sites de que vou falar são em Inglês. Infelizmente, a realidade com que me tenho deparado é que praticamente não existem recursos online para escritores em Português, ou então sou eu que tenho sérias dificuldades em encontrá-los. É uma pena e nem consigo perceber bem porque é que isto acontece. Não sei se está relacionado com a tendência para o secretismo que existe neste país, do género “eu sei como é que isto se faz e como se pode ter sucesso e vender livros, mas não vou contar a ninguém porque se houver mais pessoas a terem sucesso eu vou acabar por perder leitores/vendas/dinheiro”. Custa-me um pouco a acreditar que alguém pense assim, mas penso que é a única justificação plausível para a falta de partilha que vejo por cá. Mas enfim, passemos em frente.

 

Começo então com o único recurso útil que conheço em Português e do qual gosto muito, para que aqueles que se limitam à nossa língua mãe possam ir explorá-lo e não percam tempo com os outros de que vou falar a seguir:

 

 

Sara Farinha – Recursos do Escritor

Não conheço o blog da Sara há muito tempo nem li ainda muitos artigos dela mas os que li gostei. Acho que tem artigos bem interessantes, principalmente para quem ainda está mesmo a começar e precisa de umas noções básicas de escrita de ficção. Se nunca leram nenhuns artigos sobre escrita e estão mesmo a começar, e se para além disso não gostam ou não querem ler em Inglês, acho que não perdiam nada em começar por ler todos os artigos da Sara para ficarem com boas noções de algumas técnicas úteis no planeamento de histórias, na escrita de primeiros rascunhos e na edição dos vossos manuscritos.

 

 

Muito bem, pessoal que gosta de ler em Inglês, ainda estão por aí? Então deixem-se ficar mais um bocadinho que já a seguir tenho 10 recursos online excelentes para quem quiser aprender umas coisas sobre escrita de ficção.

 

 

Story Grid website, livro e podcast

Já falei deste recurso aqui. É um excelente podcast e o site também está cheio de artigos muito úteis. O podcast consiste nas conversas entre o Tim, que está a escrever o seu primeiro livro de ficção, e o Shawn, autor do livro Story Grid, que é um editor experiente e que ajuda o Tim na sua jornada de escrita. Adoro ouvir as conversas dos dois e aprendi imenso sobre géneros, principalmente com os episódios iniciais do podcast.

 

Writing Excuses podcast

Também falei deste no mesmo post. Neste caso, não há grande informação no website, está tudo no podcast mesmo. Este podcast é apresentado por 4 escritores muito experientes: Brandon Sanderson, Mary Robinette Kowal, Howard Tayler e Dan Wells. Vão já na temporada 12 do poscast e pelo menos a partir da temporada 10, cada uma das temporadas é quase como uma masterclass de escrita. Eles dão um “trabalho de casa” todas as semanas, que podem usar para praticarem a vossa escrita e treinarem a criatividade. A interação entre todos eles é muito engraçada, fartam-se de brincar uns com os outros e a partir de certa altura, até eu já sinto que os conheço (gostava de conhecer, não minto).

 

Helping writer become authors website e podcast

Este website também está cheio de artigos interessantes e já reparei que quase sempre que faço uma pesquisa sobre um tópico de escrita há um artigo deste site que aparece, cheio de informação interessante. A autora é a K.M. Weiland, e para além dos artigos ela tem também vários livros sobre escrita (os ebooks são bem baratos) e também tem os seus livros de ficção à venda no site. Para além de tudo isto, tem o podcast, episódios curtos em que ela nos fala de vários aspetos da escrita de ficção.

 

The Write Life

Este site tem artigos diários de escrita, por vários escritores diferentes, alguns são muito interessantes, outros nem tanto, mas vale a pena dar uma vista de olhos.

 

Writer’s Digest

Mais um site que aparece quase sempre em pesquisas relacionadas com escrita, ou não fosse o Writer’s Digest uma referência para qualquer escritor. Tem artigos muito interessantes e alguns desafios de escrita, para além de outros recursos, se bem que a maior parte consiste em serviços que apenas serão de interesse para quem escreve em Inglês.

 

The Write Practice

Este é mesmo um dos meus recursos preferidos. Não só os artigos são quase sempre interessantes, como cada um deles tem um exercício para treino (“practice”) no final. Excelente para acender a criatividade.

 

The Creative Penn website e podcast/youtube

A Joanna Penn é muito conhecida no mundo da escrita em inglês e tem um enorme sucesso com os seus livros de ficção e de não-ficção para escritores. Tem muitos recursos no site (para além de todos os seus livros) e faz uma entrevista semanal, habitualmente a autores, que podem ouvir no seu canal do Youtube ou no podcast.

 

Jerry Jenkins

Artigos longos e interessantes. Este foi um site que consultei muito no início, para ler os principais artigos, e depois nem tanto. Mas vale a pena para ficar a conhecer os básicos.

 

Well-storied

Este site é também muito interessante, mas uma das partes melhores para mim é mesmo o grupo do Facebook a que podem aceder se subscreverem a Newsletter. Um dos melhores grupos de escritores em que estou.

 

DIY MFA website, livro e podcast

Mais um que é um site, um livro e um podcast. Gosto muito da Gabriela (tive a oportunidade de a conhecer pessoalmente da última vez que estive em Nova Iorque e estivemos umas duas horas à conversa, ela é mesmo simpática!). O podcast tem entrevistas muito interessantes, mas os meus episódios preferidos são mesmo os que ela faz a solo. Já tenho o livro dela, que é muito diferente dos outros livros de escrita que tenho porque parece mesmo um livro escolar. Ainda não o li mas estou ansiosa por fazê-lo.

 

 

 

São estes os meus recursos preferidos sobre escrita. Espero que tirem proveito se quiserem mergulhar neste mundo e se tiverem outros recursos que conhecem e gostam, partilhem comigo nos comentários porque estou sempre à procura de coisas novas.

 


 

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O que podem esperar deste blog

(créditos da imagem: Lauren Mancke)

 

Agora que acabei de escrever o meu primeiro livro, consegui finalmente investir algum tempo a pensar no que quero fazer com este blog.

 

O blog fez recentemente 6 meses e a verdade é que até agora as coisas por aqui têm andado um pouco “all over the place”. Falo de escrita, de livros, de viagens, do que me motiva. De tudo um pouco, no fundo. E não é que isso vá mudar totalmente daqui para a frente, mas também é um facto que estes 6 meses me permitiram perceber melhor o que gosto e o que quero fazer com este espaço.

 

Por exemplo, apercebi-me que escrever críticas ou opiniões sobre os livros que leio não é algo que me dê muito prazer. Não é que desgoste totalmente, mas também não é das coisas que mais goste. E também não devo ter muito jeito para a coisa porque até são os posts menos lidos que por aqui tenho. Por isso decidi deixar de os escrever. Isto não quer dizer que deixe de falar sobre livros, mas apenas não darei opiniões tão regularmente. Falarei de livros apenas se eles me marcarem de alguma forma mais significativa e se vir que poderão ter alguma utilidade para quem por aqui passa.

 

Quero continuar a falar sobre a minha escrita de ficção, sobre os meus objetivos trimestrais e sobre as minhas viagens, aí nada vai mudar. Gosto de escrever sobre tudo isto e acho interessante deixar tudo aqui registado, se para mais nada então para eu própria um dia poder recordar e revisitar o meu percurso.

 

Além de tudo isto, consegui também perceber que há um grupo de temas que me apaixonam e eles passam pela motivação, pensamento positivo, auto-conhecimento e mudança de vida. E nesta mudança de vida cabem vários sub-tópicos, como mudança de hábitos, de estilo de vida, de identidade individual, de profissão, de conjunto de crenças. São coisas que quero explorar cada vez mais, tanto na minha vida pessoal, como aqui no blog. Eu própria estou a passar por um processo de mudança e quero ajudar a mostrar ao mundo que um mindset fixo não nos leva a lado nenhum e que podemos sempre evoluir para uma melhor versão de nós próprios.

 

E no seguimento deste tópico, aproveito para revelar alguns pormenores sobre o meu primeiro livro, mesmo sem saber se ele algum dia verá a luz do dia (até porque nem eu própria sei se quero que isso aconteça), e mesmo que ainda me sinta muito vulnerável a falar destas coisas. Quando comecei a escrever esta história, decidi juntar alguns elementos que me apaixonam verdadeiramente. Foram eles: viagens (e uma determinada cidade em concreto), culinária (mais especificamente, de doces), e família. No início, eram estas as coisas que estavam na minha cabeça. Quando cheguei mais ou menos a 80% da escrita do primeiro rascunho, apercebi-me que todos os meus enredos (o principal e os secundários) giravam, de uma forma ou de outra, à volta de um tema central: mudar de vida e ir atrás dos nossos sonhos e dos nossos valores. Sem que eu nunca tivesse feito por isso. Simplesmente saiu assim. Se isto não tiver algum significado, então não sei…

 

Para além de tudo isto, já sabem que o desafio #100palavraspordia vai continuar, durante pelo menos mais 95 dias, que eu não sou de deixar coisas a meio.

 

Para quem já me lê, se depois de todo este discurso quiserem continuar por aqui, vou ficar muito contente. Se não, foi bom na mesma, espero que tenham uma vida muito feliz e vão daqui com um beijinho.

 

Para quem fica, ia adorar receber o vosso feedback sobre tudo que por aqui se passa. Para isso, podem usar a caixa do comentários, enviar um e-mail (blog@deixaser.pt), comentar na página do Facebook, no Instagram, ou no Bloglovin’, que eu respondo em todos este sítios.

 

E um obrigada muito grande a quem está desse lado, gosto muito de vos ter por aqui.

 


 

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Como escrever um livro em 12 passos – parte 3

(créditos da imagem: Thought Catalog)

 

Podem encontrar as duas primeiras partes aqui e aqui.

 

É agora que o caminho se divide entre a via tradicional e a publicação independente. A via tradicional consiste em conseguir que uma editora se interesse na nossa obra e a queira publicar. Na publicação independente não temos nenhuma editora a apoiar e tudo depende de nós. Em Portugal, a publicação independente está a ganhar cada vez mais terreno mas ainda não está tão disseminada como noutros países, principalmente Estados Unidos e Reino Unido. Mas diria que a tendência é de crescimento e penso que será cada vez mais comum ver-se autores portugueses a publicarem de forma independente.

 

Ambos os percursos têm as suas vantagens e também as respetivas desvantagens, como em tudo na vida, e cabe a cada um ponderar o que faz mais sentido para si e para a sua obra. Mas não é disso que trata este post (talvez um dia fale mais sobre esse assunto), por isso vamos aos últimos passos que devemos seguir para vermos o nosso livro publicado.

 

Publicação tradicional:

7 – Encontrar um agente

Este passo é totalmente opcional, principalmente em Portugal, onde a existência de agentes literários ainda não está muito bem estabelecida. Tanto quanto consigo perceber, já existem algumas agências para escritores mas ainda não são muito comuns e não me parece que seja de todo essencial. Lá fora não é bem assim. Nos Estados Unidos há mesmo editoras que não aceitam submissões se estas não chegarem através de um agente, e por isso quem pretende publicar de uma forma tradicional, deverá mesmo começar por aqui. Em Portugal é mais comum os autores submeterem as suas obras diretamente às editoras, sem haver a necessidade de passar por um agente.

 

8 – Submeter às editoras

O passo seguinte, que pode ser depois de encontrarem um agente ou, se optarem por não ter agente, pode ser logo a seguir ao final do vosso processo de revisão, é o de submissão. Nesta fase há duas coisas que são muito importantes. A primeira é submeterem apenas a editoras que façam sentido para o vosso livro. Não vale a pena estarem a submeter a uma editora que nunca publicou um livro do género do que vocês escreveram. Logo, percam algum tempo a procurar editoras que possam ter interesse no vosso tipo de livros, caso contrário a submissão poderá ser uma grande perda de tempo. Depois é também importante respeitar as regras das diferentes editoras. Formatação, que documentos submeter exatamente, se é por e-mail ou por correio. Tudo isso deve ser respeitado e conseguirão encontrar as guidelines na maior parte dos websites das editoras. Não cumprirem as regras estipuladas é meio caminho andado para verem o vosso trabalho rejeitado de imediato.

 

9 – Esperar

Depois da submissão há que esperar. As editoras vão demorar o seu tempo a analisarem a vossa submissão e nessa altura não há nada que possam fazer para acelerar o processo. O meu conselho: pensem e escrevam outras coisas. Se por acaso nenhuma editora quiser ainda trabalhar convosco, passados uns meses já terão outra obra nas mãos, que à partida terá mais qualidade, para voltarem a submeter.

 

10 – Negociar o contrato

Quando finalmente conseguirem que uma editora queira publicar uma das vossas obras então tirem um dia para festejar. Merecem! E depois negoceiem o contrato. Segundo consta, os adiantamentos em Portugal não são nada de extraordinário, mas se neste país escrevêssemos por dinheiro penso que seriam muito poucos a fazê-lo. De qualquer forma valerá a pena negociarem de forma a conseguirem o melhor contrato possível.

 

11 – Fazer revisões pedidas pela editora e esperar novamente

Apesar de todas as vossas revisões no passo 6, se conseguirem que uma editora publique o vosso livro, ela terá, com toda a certeza, revisões adicionais que vai querer que vocês façam. Mudem tudo aquilo que vos pareça razoável. Lembrem-se que estão a falar com editores experientes e que têm tanto interesse como vocês em que o vosso livro tenha o maior dos sucessos. Eles simplesmente vão querer tornar o vosso livro em algo melhor ainda. Se houver algo que vai mesmo contra a vossa visão para a VOSSA história, então tentem lutar pelo vosso ponto de vista. Depois das revisões finais, esperem novamente pois ainda deverá demorar algum tempo até que o vosso livro chegue às livrarias.

 

Publicação independente:

7 – Contratar um editor e voltar a rever

Aqui o caso é bem diferente e a primeira coisa que vão querer fazer é contratar um editor profissional. Uma vez que neste caso a vossa obra não vai passar pelas mãos de um editor que trabalha numa editora, é importante que ainda assim encontrem alguém profissional para vos fazer uma avaliação mais séria dos problemas da vossa obra. Mais uma vez, isto apenas ajudará a tornar a vossa história melhor ainda, por isso tenham em consideração tudo aquilo que o vosso editor vos disser e descartem apenas aquilo que não aceitam mesmo alterar.

 

8 – Escolher onde e como publicar e formatar a obra

A formatação dependerá da plataforma onde querem publicar, por isso procurem informar-se relativamente aos detalhes de forma a poderem deixar a obra preparada para publicação.

 

9 – Escolher um título

Este passo não tem de vir necessariamente em nono lugar, poderá até ser o primeiro. Mas pelo menos nesta altura e antes do próximo passo já deverão ter um título e na ausência de uma editora terão de ser vocês a escolhê-lo (devo tê-lo deixado para o fim porque não tenho jeito nenhum para escolher títulos).

 

10 – Contratar um designer e escolher uma capa

Se tiverem jeito para design até poderão ser vocês a fazer esta parte mas de forma a terem algo com um aspeto completamente profissional, aconselho a contratação de um designer para fazer a vossa capa. Expliquem-lhe sobre o que é a vossa obra, o género e o tom que pretendem fazer passar e vão dando feedback em relação ao trabalho do designer. A capa é extremamente importante e vocês deverão ficar inteiramente satisfeitos com o resultado final.

 

11 – Colocar a obra à venda

Tendo tudo isto, falta apenas colocar a obra à venda. Podem fazer um lançamento, anunciar no vosso blog, nas redes sociais, colocar em pré-venda, há toda uma série de opções.

 

E finalmente o último passo, comum a ambos os meios de publicação:

12 – Promover a obra

Hoje em dia já não há grande distinção entre a publicação tradicional ou independente no que toca a promoção e marketing, porque mesmo que o vosso livro seja publicado por uma editora, grande parte da promoção e marketing da vossa obra estará nas vossas mãos. Por isso metam mãos à obra e promovam essa vossa linda história usando, mais uma vez, blogs, redes sociais, guestposts, revistas, entre outras coisas.

 

E pronto, findos todos estes passos terão, de certeza, um livro de sucesso.

 

Ninguém disse que ia ser fácil, pois não?

 

Disclaimer: como sabe quem já leu outros posts deste blog, eu estou ainda no início de todo este processo, mais concretamente, no passo 5 do meu primeiro manuscrito e no passo 1 do segundo. Estou longe ainda de ser uma especialista na matéria visto que eu própria ainda não passei por muitos destes passos (mais de metade são-me completamente desconhecidos), pelo que a maior parte do que aqui está não passa de conhecimento teórico. Mas a verdade é que já li tanto sobre estes assuntos (a sério, horas e horas de leitura por essa internet fora, mais alguns livros sobre escrita de livros) que sinto que já sei muitas destas coisas, mesmo não tendo ainda passado por elas. Não levem isto à letra mas sim como um ponto de partida para quem está ainda a entrar nesta aventura de escrever um livro. Podem a partir daqui ir agora também à descoberta daquilo que um projeto destes pode implicar. Espero pelo menos ter conseguido transmitir o nível de complexidade associado a este tipo de projetos e que quem esteja a pensar seguir este caminho fique bem ciente de que é algo que dá muito trabalho e exige muita dedicação. Mas se realmente gostarem de escrever ficção, é altamente divertido e muito compensador (mesmo antes da publicação, por isso nem consigo imaginar depois).

 

Boas escritas!

 


 

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Criatividade

(créditos da imagem: Clem Onojeghuo)

 

Historial da minha criatividade:

1º – Acreditei durante 30 anos que nunca teria criatividade suficiente para inventar toda uma história dentro da minha cabeça. Por isso nunca tentei.

2º – Tive uma ideia (que na altura era mais uma espécie de meia ideia) e comecei a escrever. Acreditava que aquela era a única ideia que alguma vez teria.

3º – A vida meteu-se no caminho e parei de escrever. Passados uns meses tive uma nova ideia. Passei a acreditar que aquelas seriam para sempre as minhas duas únicas ideias.

4º – Comecei a trabalhar na segunda ideia. Foi muito mais fácil pensar numa história inteira do que da primeira vez.

5º – Enquanto trabalhava na segunda ideia, consegui finalmente pensar num final para a primeira ideia.

6º – Entretanto tive mais umas 4 ou 5 ideias.

7º – Neste momento tenho dificuldades em escolher o que vou escrever a seguir, no meio de tantas ideias, e acredito que ainda mais vão continuar a surgir.

 

Conclusão: acredito que a criatividade funciona muito como um músculo, que quanto mais a trabalharmos, melhor ela vai responder. E não quer dizer que todas estas ideias sejam boas. Podem não ser. Muito provavelmente não são. Mas se tiver uma muito boa ideia, digamos a cada 10, então já vou no bom caminho.

Como escrever um livro em 12 passos – parte 2

(créditos da imagem: Green Chameleon)

 

Podem ler a primeira parte aqui.

 

Agora vamos à melhor parte. Os próximos três passos constituem a parte mais importante da escrita de um livro, porque sem um bom manuscrito, todos os outros passos se tornam inúteis.

 

4 – Escrever o primeiro rascunho

Depois dos 3 passos anteriores (ou 2, se decidirem não definir à priori a estrutura) a seguir é escrever. E escrever. E escrever mais um bocadinho. Escrever até chegarmos ao final.

 

É neste passo que muitas pessoas ficam presas quando decidem escrever um livro. É que sejamos sinceros: escrever um livro é difícil! Para começar, vai ser um texto mais longo do que qualquer coisa que alguma vez tenhamos escrito (pelo menos para a maior parte de nós, e na maior parte das vezes, significativamente mais longo). Escrever dezenas de milhares de palavras requer tempo. Tempo que a maior parte de nós acha que não tem, mas que se realmente quisermos fazer isto, vamos conseguir encontrar. Requer esforço e dedicação e perseverança.

 

A maior parte das vezes vamos achar que aquilo que estamos a escrever não presta para nada. Isso acontece porque muito provavelmente aquilo que estamos a escrever não presta para nada. Sim, é mesmo verdade, pelo menos quando estamos a começar. Mas há uma coisa que já li em dezenas de sites sobre escrita e também numa mão cheia de livros sobre o mesmo tópico: os primeiros rascunhos não prestam para nada. Quer seja o nosso primeiro livro ou o décimo. Claro que se espera que o décimo seja ligeiramente melhor do que o primeiro – ou não, pode depender muito do processo de cada escritor; imaginemos um escritor para o qual o processo que melhor funciona é escrever o primeiro rascunho no mais curto período de tempo possível; provavelmente o primeiro rascunho do seu décimo livro não será muito melhor do que o primeiro rascunho do primeiro livro; e não há problema nenhum; o mais importante aqui é o seguinte: nenhum primeiro rascunho alguma vez escrito ou que alguma vez venha a ser escrito à face de Terra é publicável. Não é, ponto.

 

Os primeiros rascunhos servem para assentar ideias e para transformarmos a nossa história em algo palpável. Os livros que lemos não se fazem nos primeiros rascunhos, fazem-se nas revisões. As histórias fazem-se nos primeiros rascunhos (e mesmo assim podem ainda sofrer alterações), mas os livros fazem-se nas revisões. E não há problema nenhum com isso. É mesmo assim e quanto mais depressa aceitarmos que aquilo que estamos a escrever no primeiro rascunho não presta para nada, mais facilmente vamos conseguir avançar com ele, terminar o malvado do primeiro rascunho e avançar para as revisões para o transformar em algo bonito e que dê prazer a ler.

 

Por isso, nesta fase, não pensem em mais nada: simplesmente escrevam. Escrevam todos os dias se conseguirem, escrevam o mais rapidamente possível, e é aqui que a estrutura previamente definida ajuda imenso, permitindo-nos continuar a escrever sem ter de parar para pensar no que vai acontecer a seguir: isso já está definido na nossa estrutura.

 

5 – Deixar o primeiro rascunho repousar

(YAY, já cheguei ao passo 5 do meu primeiro livro!)

 

Quando acabarem o primeiro rascunho, imprimam-no, guardem-no em 3 pendrives diferentes, num disco externo e na cloud – no onedrive, na dropbox, enviem para vocês próprios por e-mail (de preferência todas as anteriores). O que quer que tenham de fazer para garantir que não existe a mínima possibilidade de perderem o vosso rascunho (nem quero imaginar a depressão) – aliás, façam isto tudo enquanto escrevem também, não apenas no final.

 

E depois não olhem para ele durante pelo menos duas semanas, idealmente um mês. Tentem nem sequer pensar no assunto. Se prosseguirem logo com a leitura do manuscrito, vai logicamente soar-vos a algo que vocês próprios escreveram (porque foram mesmo vocês que escreveram!). Isto não é bom. Vai soar-vos mal, vai parecer uma porcaria (quase como aquela sensação de ouvir uma mensagem de voz que nós próprios deixámos a outra pessoa) e não vão ter o distanciamento necessário para terem um espírito crítico. Passadas umas semanas, já não se vão lembrar muito bem daquilo que fizeram e quando iniciarem a leitura vai parecer-vos algo mais próximo de apenas um manuscrito qualquer. Vão conseguir mais facilmente cortar aquilo que é necessário cortar e alterar aquilo que precisa de ser alterado.

 

Este é uma boa altura para começarem a pensar na vossa história seguinte, fazerem brainstorming de ideias, se já souberem o que querem escrever a seguir talvez possam até aproveitar para desenvolver essa ideia e irem trabalhando na estrutura. Façam o que for preciso para esquecerem o vosso primeiro rascunho. Vão depois conseguir voltar a ele com uma cabeça muito mais fresca.

 

6 – Rever o que foi escrito

A verdade é mesmo esta e volto a repetir: os livro que lemos não se “fazem” durante a escrita. Fazem-se durante as revisões. No fundo, o processo de escrita do primeiro rascunho tem mesmo o único objetivo de passar a história para o papel. Não importa como. Não importa a qualidade da escrita. Importa chegarmos ao fim com uma história em forma palpável.

 

Depois então é que vamos pegar na nossa história e melhorá-la. E o processo de revisão é diferente para cada escritor, há inúmeras formas de o fazer, nenhuma delas correta o errada. Apenas importa que a cada ronda de revisão vamos melhorando o nosso manuscrito.

 

Dito isto, o mais comum é começar-se por olhar para a história global, para a narrativa. Convém reler toda a história e ver se tem todos os pontos de viragem necessários e se eles ainda fazem sentido no contexto global da história, ver se as motivações dos personagens estão bem demonstradas, se os personagens evoluem com a história. Se temos cenas que não servem para nada e por isso precisam de ser cortadas, ou pontos da narrativa que precisam de mais uma cena para fazer a ligação entre dois momentos diferentes. Para isso, o mais aconselhado é ler o primeiro rascunho do princípio ao fim enquanto vamos tirando notas de pontos a melhorar. Depois então, pegar nas nossas notas e trabalhar cada um dos pontos de melhoria que detetámos.

 

Depois de trabalhada a narrativa, há que prestar atenção a outros aspetos da escrita. Por exemplo, olhar primeiro para a descrição e para o diálogo e ver se precisam de melhorias, ou se temos demasiado de um e pouco do outro. Ver se há consistência ao longo da história, não só em termos de atitudes e comportamentos dos personagens, mas também consistência física (por exemplo, a minha casa fica a dez minutos a pé no trabalho no início e passados uns capítulos tenho de apanhar um comboio, um ferry e um autocarro para lá chegar) e de vocabulário (por exemplo, o nosso personagem começa a tratar certa pessoa por tu e lá para o meio da história há uma cena em que o trata por você). Podem parecer coisas parvas mas que acontecem com mais facilidade do que gostaríamos quando estamos a falar de um manuscrito de 300 ou 400 páginas escrito ao longo de meses (ou, por vezes, anos).

 

Na parte final da revisão, devem vir coisas mais pequenas (mas que ainda assim são importantes e dão muito trabalho) como construção frásica, vocabulário, typos.

 

Como podem imaginar, tudo isto pode acontecer ao longo de várias rondas de revisão e acaba por ser, por vezes, mais trabalhoso do que a escrita inicial em si (por isso, para as pessoa que seguem o Facebook do blog e viram na semana passada que acabei um primeiro rascunho, não pensem que o trabalho está terminado!). Tudo também depende da qualidade do primeiro rascunho, que, como disse atrás, tem tendência a melhorar com a experiência do escritor. Mas habitualmente, dá-se o conselho de que os escritores não se preocupem muito com a qualidade do primeiro rascunho precisamente porque i) se o fizerem vão acabar por bloquear e ii) tudo vai ser revisto várias vezes numa fase posterior.

 

 

A terceira e última parte será talvez a menos interessante, mas também é muito importante se de facto quisermos que a nossa escrita chegue a potenciais leitores.

 

(estou a escrever estes passos com um livro de ficção em mente, para não ficção alguns deles seriam consideravelmente diferentes)

Num autocarro no Vietname

(créditos da imagem: Dan Bøțan)

 

Num autocarro no Vietname. Em silêncio. Ia a ler. Eu à janela, ele sentado ao meu lado. De repente, tive um momento. Parei de ler e olhei pela janela. Olhei pela janela mas não vi nada. Estava demasiado ocupada a ver coisas dentro da minha cabeça. E tive um momento. Um momento comigo própria. Um momento que não consigo explicar. O momento em que tive uma certeza inabalável. O momento em que soube que isto ia acontecer. Que vai acontecer. O momento em que tive a certeza que tenho mesmo de fazer isto. Dê por onde der, vai acontecer. Não sei como. Não sei quando. Não sei de que forma. Mas sei que vai acontecer. Sei, soube naquele momento, que vou levar esta jornada até ao fim. Dê por onde der. Demore o tempo que demorar. Vou chegar lá, hoje sei, hoje tenho a certeza. Tenho a certeza que nem sequer existe outra alternativa possível. Tenho a certeza que tenho em mim a força suficiente para levar isto até ao fim. Por isso vai acontecer, soube-o naquele momento, num autocarro no Vietname.

Como escrever um livro em 12 passos – parte 1

(créditos da imagem: Daniel McCullough)

 

Há uns tempos escrevi um post sobre o projeto hercúleo que é escrever um livro. Desta vez volto ao mesmo assunto mas decidi deixar aqui os 12 passos que considero necessários para que possamos ter um livro nosso nas mãos. Para o caso de alguém ter interesse mas não saber nada sobre o processo, aqui ficam os básicos.

 

São apenas 12 passos mas, como vão perceber, a maior parte deles é bastante complexa, pelo que todo o processo, desde o passo 1 até ao último, pode levar vários anos. Aliás, o processo pode nem ter fim porque nunca ficamos satisfeitos com aquilo que escrevemos e podemos continuar a querer melhorá-lo indefinidamente. Mas se realmente quisermos um dia ter nas nossas mãos um livro impresso com o nosso nome como autor, há que saber onde parar e dar o trabalho como finalizado.

 

Alguns passos são opcionais e todo o processo depende em parte da forma como cada um pretenda publicar: há passos exclusivos para uma publicação tradicional (através de uma editora) e outros limitados a quem pretende publicar de forma independente. Mas a maior parte do processo é comum ambos, nomeadamente os passos mais importantes e criativos.

 

Vamos então dar início à lista:

 

1 – Ter uma ideia

Esta pode parecer a parte fácil mas não é. Primeiro porque até podemos ter várias ideias mas conseguir perceber se uma dada ideia é suficiente para escrever todo um livro nem sempre é fácil. Afinal de contas, estamos a propor-nos a passar alguns meses/anos a escrever 200 ou 300 ou mais páginas à volta daquela ideia, por isso ela tem de ter “sumo” suficiente.

 

Tenho vindo a aperceber-me que a imaginação e a criatividade funcionam muito como um músculo: quanto mais as exercitamos, mais fácil se torna fazer coisas mais difíceis, ou seja, ter ideias mais “sumarentas”. Mas até podemos ter muitas ideias e nenhuma delas ser boa para um livro, e saber identificar qual delas devemos desenvolver nem sempre é fácil. Mesmo que muitas delas não cheguem a lado nenhum, é sempre bom tê-las, lá está, para exercitar o músculo da criatividade. Cada ideia que tenhamos e que descartemos é um passo mais próximos que ficamos de encontrar “a” ideia.

 

Quando finalmente sentirmos que temos uma ideia forte o suficiente para começarmos a focar-nos na nossa história, é também importante que sintamos entusiasmo pela nossa ideia. Tem de ser algo que nos deixe ansiosos para escrever. Como disse atrás, todo este processo pode levar anos. Se não tivermos um real interesse pela nossa história, eventualmente vamos desmotivar e perder a vontade de continuar a trabalhar nela. Além disso, escrever não é fácil, principalmente em termos anímicos. Se não for uma ideia que nos deixe empolgados, o ato de nos sentarmos na cadeira para escrever vai acabar por se tornar uma tortura e um sacrifício. Se isso acontecer, é muito provável que nunca cheguemos a acabar aquele livro, será simplesmente demasiado difícil para que continuemos a insistir.

 

Assim, resumindo, uma boa ideia para um livro tem de ser

a) Interessante o suficiente para construir toda uma história à volta dela

b) Interessante o suficiente para nos manter motivados ao longo de todo o processo.

 

2 – Desenvolver a ideia

Quando nos decidirmos a pegar numa das nossas ideias e escrever um livro com ela, o passo seguinte será trabalhar essa ideia. Normalmente, quando temos uma ideia, ela não passa de uma premissa. Algo que pode ser resumido em uma ou duas frases e que normalmente corresponde ao que dizemos a alguém que nos pergunta sobre o que é um livro. Por exemplo, se alguém me perguntar sobre o que é o Harry Potter a minha resposta seria algo do género: “é sobre um rapaz que descobre que é feiticeiro, vai para uma escola aprender magia e tem de destruir o maior tirano desse mundo mágico que o quer matar”. Isto é uma premissa. Mas uma ideia tem de ser transformada em muito mais do que isso. Um livro não sobrevive apenas com uma premissa.

 

Logo a seguir à premissa, devemos pensar no conceito da nossa história. O conceito é parecido com a premissa, mas vai um pouco mais longe. Vou dar outro exemplo: a premissa do filme Sozinho em Casa é uma criança que é deixada sozinha em casa quando a família vai viajar e tem de afastar uma dupla de ladrões para proteger a sua casa. O conceito do mesmo filme é: uma criança que é deixada sozinha em casa quando a família vai viajar apercebe-se que às vezes só quando ficamos sem algo é que passamos a dar-lhe o verdadeiro valor. Mais um exemplo: Pretty Woman. Premissa: uma prostituta é contratada por um homem de negócios, acaba por se fazer passar por sua namorada e entra num mundo completamente diferente do seu. Apesar de tudo, os dois apaixonam-se e têm de enfrentar as convenções da sociedade para ficarem juntos. Conceito: às vezes encontramos o amor no mais improvável dos sítios.

 

(pequena nota: sei que estou a usar mais exemplos de filmes do que de livros e existem três motivos para isso: primeiro, os conceitos à volta da construção de histórias aplicam-se tanto a livros como a filmes; segundo, a maior parte das pessoas está mais familiarizada com filmes do que com livros; e terceiro, por causa da sua natureza por vezes mais comercial, alguns destes conceitos são mais óbvios nos filmes e mais subjetivos nos livros)

 

Para além do conceito há mais algumas coisas a pensar nesta fase:

  • O tema: pode ser a luta entre o bem e o mal, a falta que a família nos pode fazer, o amor entre pessoas de meios diferentes (temas dos exemplos acima).
  • O género: dependendo do género que escolham, há coisas que vão ter mesmo de acontecer para que o público desse género fique satisfeito quando ler o livro. E a mesma premissa e o mesmo conceito podem funcionar para géneros diferentes. Por exemplo, Pretty Woman é uma comédia romântica mas podia ser um drama (com a mesma premissa, o mesmo conceito e o mesmo tema). Sozinho em casa é uma comédia mas podia ser um thriller/suspense (se os ladrões fossem mais sérios e impusessem mais medo e as situações fossem de maior perigo – provavelmente o tema seria diferente, mas a premissa e o conceito poderiam perfeitamente ser os mesmos).
  • O final também é extremamente importante. Para conseguirmos estruturar uma narrativa, temos de saber para onde nos estamos a dirigir, em que direção queremos levar aquela história. Caso contrário, vamos acabar por nos perder pelo caminho e a história vai transformar-se numa grande salgalhada (é fazível sem saber o fim, mas provavelmente vai tornar o processo de revisão muito mais trabalhoso. Ou então chamas-te Stephen King!).
  • Caracterização das personagens: não podemos escrever um livro sem antes conhecermos as nossas personagens. As atitudes de todas as personagens ao longo da história têm de ser consistentes com quem aquela personagem é. Temos de saber qual o objetivo das diferentes personagens durante o decorrer daquela história. Temos de saber bem como a nossa personagem reage em diferentes situações, como se adapta ao mundo à sua volta e o tipo de relações que tem com as restantes personagens. Há inclusivamente diferentes exercícios que podem ser feitos para ficarmos a conhecer melhor as personagens, como entrevistas, escrever cenas que nada têm a ver com a nossa história mas que relatam situações vividas por aquela personagem, questionários, entre outros.
  • Caracterização do mundo: esta parte depende muito do tipo história que estamos a escrever. É mais importante em histórias de fantasia e ficção científica, em que o mundo onde a história se passa pode ser significativamente diferente do mundo real. Por exemplo, em histórias que incluem o uso de magia, temos de saber bem logo à partida como vai funcionar a magia naquele mundo que estamos a criar. Outro exemplo é o sistema político em vigor no mundo que estamos a criar (muito importante em distopias, por exemplo). Estas coisas devem ser definidas (pelo menos uma primeira tentativa, que mais tarde pode até mudar) nesta fase do trabalho.

 

3 – Estruturar a narrativa

Este é mais um passo altamente complexo. Aqui é onde vamos decidir tudo (ou praticamente tudo) o que vai acontecer na nossa história.

 

Alguns podem querer saltar este passo, não há mal nenhum nisso. É totalmente opcional. Podem limitar-se a saber o início e o fim da vossa história e simplesmente ir escrevendo até chegarem ao final. Como disse atrás, podem até não saber o fim e simplesmente ir escrevendo. Quem não trabalha na estrutura da história antes de começar a escrever são os chamados “pantsers” (em oposição aos “plotters”) em Inglês. O Stephen King, por exemplo, é um famoso “pantser” e tem um sucesso gigantesco, afirma até que para ele saber à partida como a história se vai desenrolar destrói todo o processo criativo. No entanto, é de notar que ele é altamente experiente e provavelmente tem uma noção daquilo que funciona numa história muito superior a qualquer um de nós (mas de certeza que tal não era o caso no início da sua carreira).

 

Mas quem gosta de estruturar a narrativa, pode investir algum tempo aqui. Nesta fase vão ser trabalhados os seguintes aspetos:

  • Os pontos de viragem – pontos na narrativa que implicam alguma transição ou mudança de perspetiva em relação àquilo que está a acontecer.
  • Os enredos secundários – são enredos não tão importantes como o enredo principal mas que vão acontecendo em paralelo com ele e no final podem ou não ter uma ligação mais profunda com a história principal. Normalmente é aqui que conseguimos explorar melhor alguns personagens secundários. Podemos ter tantos enredos quantos quisermos, apesar de não ser aconselhado ter mais do que 3 ou 4, caso contrário a história vai tornar-se demasiado complexa. Além disso, é importante que os enredos secundários estejam de alguma forma relacionados com o enredo principal, pelo menos no que diz respeito ao tema.
  • O clímax e a resolução – mais uma vez, é importante saber como vai acabar a história para poder direcionar a narrativa nesse sentido. O clímax é fulcral em qualquer história. Vai ser o momento mais baixo do percurso do nosso personagem principal.
  • Outras cenas – uma história não vive apenas de pontos de viragem e clímax, temos de ter outras cenas, cenas essas que mostrem como são os nossos personagens, as relações entre eles, como é que as coisas estão a mudar ao longo da narrativa. É importante que todas as cenas tenham um objetivo e um momento de viragem (diferente de ponto de viragem que apenas acontece em 3 ou 4 casos ao longo da narrativa).

 

Convém salientar que a estrutura que definirmos nesta altura não fica escrita em pedra e podemos alterá-la a qualquer momento. Se estivermos a escrever (spoiler alert: é o próximo passo) e chegarmos à conclusão que uma dada cena não faz sentido, ou se quisermos acrescentar uma outra que entretanto se tornou importante, podemos sempre fazê-lo. Afinal de contas é a nossa história e podemos fazer com ela o que quisermos.

 

Dizem as regras do bom blogging que os posts não devem ter mais de 500-600 palavras, e este já vai com quase duas mil (eu acho que os meus leitores têm capacidade de concentração para muito mais do que 500 palavras!). Não esperava escrever assim tanto quando comecei este tópico, por isso o melhor mesmo será dividir esta lista em partes (não é uma grande surpresa para quem leu o título do post). Até aqui os passos são todos comuns para os diferentes meios de publicação. Os próximos também serão, mas a certa altura a lista vai bifurcar, apresentando num caminho os passos para a publicação tradicional, e no outro os passos para a publicação independente. O último passo volta a ser comuns aos dois meios.

O Medo

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(créditos da imagem: NordWood Themes)

 

Por vezes é paralisante. O medo de criar. O medo de mostrar ao mundo o que vai dentro da minha cabeça e que nunca ninguém viu. O medo de me expor, de mostrar o meu interior. O medo de ser vista com outros olhos. O medo de não ser boa o suficiente. O medo de falhar.

 

Nunca fui propriamente conhecida por ser uma pessoa criativa, longe disso, sou uma pessoa dos números e das ciências. É assim que sempre me vi e é assim que penso que os outros me vêem. Assumir uma nova identidade não tem sido fácil. Abrir-me e revelar-me como uma pessoa diferente daquela que pensava ser tem sido uma montanha russa de emoções. Tenho medo de ser julgada, de ser menosprezada, de que pensem que não tenho o direito de fazer isto que decidi começar a fazer. Sei que é parvo, que não me devia preocupar com nada disso, que esta devia ser a última coisa com que devia estar a perder o meu tempo e a minha energia, mas não é fácil.

 

Não sei porquê. Não sei realmente porque é que isto acontece. Não sei de onde vem o medo de assumir esta identidade. De dizer ao mundo, olhem esta sou eu, na minha cabeça há números e ciência mas também há palavras e frases e histórias que quero contar. Mas a verdade é que este medo está cá, sempre presente. Tem perdido força com o passar do tempo, mas continua cá, e não sei se algum dia vai passar. Talvez seja algo com que tenho de aprender a viver. E se assim for, não tenho dúvidas de que vou conseguir.

Update: como anda o meu livro

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(crédito da imagem: Thomas Lefebvre)

 

Pois que vai muito bem, obrigada. E após algumas perguntas sobre como tem sido o progresso, decidi fazer este update.

 

História:

A verdade é que sinto que ainda me falta qualquer coisa na história, mas decidi não pensar nisso agora. Neste momento quero simplesmente terminar o primeiro rascunho e depois durante a revisão e com uma visão global da história, terei mais tempo e cabeça para pensar nisso.

 

Número de palavras:

Acabei de chegar ao número de palavras que achei que ia ser metade do primeiro rascunho. Mas a verdade é que ainda não vou a meio da história, por isso parece-me que o número total de palavras vai ter de aumentar. Na minha estimativa inicial, o primeiro rascunho teria 110 mil palavras (atendendo ao número de cenas e ao tamanho médio das minhas cenas). Esta manhã cheguei às 55 mil palavras, por isso teoricamente metade (YAY!). Mas entretanto as cenas começaram a ficar maiores e já não me parece que o primeiro rascunho se fique por esse tamanho. A estimativa atual aponta para as 125 mil palavras totais, que sei que é gigante, principalmente para primeiro livro, mas não quero preocupar-me com isso neste momento. Vou simplesmente aceitar que assim é para já. Felizmente, no último mês a escrita tem corrido muito bem, estou adiantada em relação ao meu plano, por isso estou a manter o objetivo de ter o primeiro rascunho terminado até 2 de Abril, apesar deste aumento de tamanho.

Em relação a esta nova estimativa de número de palavras, é algo que me parece estranho porque ao escrever sinto sempre que me falta alguma descrição na maior parte das cenas. Foco-me muito nas personagens e essencialmente nos diálogos e já me tinha mentalizado que a primeira ronda de revisões seria para acrescentar mais descrição. Por isso mesmo até pensava que o primeiro rascunho iria ficar mais pequeno do que o inicialmente esperado, mas pelos vistos não. Terei de ver o que se passa, mas o mais provável é que tenha algumas cenas a mais, que eventualmente terei de cortar (kill your darlings, como diz o Stephen King).

 

Personagens:

Gosto cada vez mais das minhas personagens, provavelmente porque também as conheço melhor. Sinto também que ainda falta um detalhe qualquer à personagem principal para a tornar realmente interessante, mas ainda não descobri o que é. A minha personagem preferida está a superar as expectativas e cada vez gosto mais dele. Já pensei em transformá-lo numa segunda personagem principal e fazer com que a história fosse contada em dois pontos de vista, mas se o rascunho já está a ficar gigante tal como está, parece-me melhor não o fazer. Além de que conseguir fazer dois pontos de vista bem não é nada fácil, pelo que não quero mesmo fazê-lo no meu primeiro livro (por acaso uma das ideias que tenho para futuros livros terá mesmo de ser contada em dois pontos de vista, por isso eventualmente será algo que vou ter de enfrentar, mas lá chegarei um dia).

 

E é isto. A verdade é que sinto que tenho deixado o blog um pouco de lado (já não tenho 3 semanas de posts agendados como tive em tempos, aliás, estou a escrever este literalmente duas horas antes da ser publicado) mas neste momento quero mesmo focar-me no livro. Lá está: sem manuscrito não há livro, por isso ele tem mesmo de ser o meu principal foco nas próximas semanas.