Ritual matinal

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Cada vez mais se ouve falar (ou melhor, se lê na internet) sobre “morning routines” ou rotinas/rituais matinais. Por exemplo, vários dos podcasts que costumo acompanhar nas áreas da saúde e produtividade dão um ênfase muito grande a esta prática. Vários são os artigos que relatam que as pessoas mais bem sucedidas deste mundo têm os seus rituais matinais muito bem estabelecidos. Alguns dos mais conhecidos rituais matinais, por exemplo, são os do Tim Ferriss ou do Tony Robins (esta última inclui crioterapia!). Estas pessoas alegam que o nosso ritual matinal define todo o resto do nosso dia, e por isso mesmo devemos agir logo de manhã de uma forma intencional. Também muito tenho ouvido falar do livro The Miracle Morning, que quero muito ler. Parece ajudar muitas pessoas neste campo e tem excelentes críticas.

 

Penso que este não é um hábito fácil de estabelecer, e eu própria ainda estou a trabalhar para o conseguir, mas é mesmo um processo. Esse processo de encontrar um ritual matinal ideal pode ser longo, mas tenho tentado diversas variações e penso que mais cedo ou mais tarde vou conseguir encontrar o ritual que melhor se aplica à minha vida. E acredito que a chave principal neste tópico é mesmo esta: não há regras nem limites, cada um tem de encontrar o ritual que melhor se adapta a si. Cada um pode ter um ritual tão curto ou tão longo como desejar, desde que se sinta bem com isso. É óbvio que para quem tem dificuldade em acordar cedo, por exemplo, não convém estabelecer um ritual de duas horas, mas se outra pessoa se sente melhor seguindo um ritual de duas horas, então seja. Cada um deve experimentar várias coisas e procurar o que melhor se adapta a si.

 

As componentes que mais vejo recomendadas para um bom ritual matinal são as seguintes:

  • hidratação: após tantas horas sem nos hidratarmos enquanto estamos a dormir, o corpo precisa de uma boa dose de água
  • saúde mental: meditação, afirmações positivas, gratidão, visualização, ou simplesmente silêncio
  • movimento: entre yoga, alongamentos, caminhadas ou mesmo o treino do dia

 

No entanto, muitas outras podem ser incorporadas, como:

  • projetos pessoais (escrever um livro, manter um blog, criar uma empresa, criar artesanato…)
  • aprendizagem (aprender algo novo, uma língua, a costurar, a tricotar, ou simplesmente ler um livro…)
  • planear o dia, fazer e tomar o pequeno almoço, preparar a marmita

 

As possibilidades são imensas e cada um saberá o que pretende incorporar no seu ritual matinal.

 

Um dos benefícios de ter um ritual bem estabelecido é evitar ter de tomar decisões logo de manhã. Ao contrário do que se acreditava há alguns anos, há hoje em dia estudos que provam que a nossa força de vontade é um recurso finito. Sempre que temos de tomar uma decisão, estamos a usar mais um pouco da nossa força de vontade. Se certas atividades, como meditar, ler ou sentarmo-nos a aprender algo novo, já estiverem pré-definidas ou já forem automáticas, é menos uma decisão que temos de tomar. Não temos de chegar àquele momento e ficar a pensar “Hum, agora vou-me sentar a ler ou vou fazer outra coisa qualquer? Deixa-me cá decidir…” É por este motivo que pessoas como o Mark Zuckerberg ou o Steve Jobs usam (ou usavam) roupa igual todos os dias: menos uma decisão para tomar.

 

Muitas pessoas pensam que simplesmente não têm tempo para terem um ritual matinal, mas não se apercebem que ele pode durar apenas 10 ou 15 minutos. Por exemplo, um ritual matinal pode ser tão simples como:

  • hidratação (1 minuto para beber um copo de água)
  • meditação (2 minutos)
  • alongamentos (5 minutos)
  • planear o dia (2 minutos)

Total: 10 minutos. E ainda podem simplificar mais. No limite, comecem só por se forçarem a beber um copo de água logo ao acordar, ou a meditar 2 minutos se já costumam beber água. A partir do momento que esse hábito esteja implementado, é apenas uma questão de ir aumentando aos poucos, tornando a coisa muito progressiva e fácil de cumprir.

 

Outra questão é que muitos de nós já temos rituais matinais bem estabelecidos, mesmo sem nos apercebermos. Aquilo que fazemos de manhã acaba por ser automático, seja acordar, tomar banho, fazer café, tomar o pequeno almoço, lavar os dentes e sair de casa. Mas a chave dos rituais matinais recomendados pelas pessoas bem sucedidas é ter uma série de atividades intencionais. Atividades que representem um benefício para o nosso dia a dia, e não apenas aquelas que nos permitem sair de casa arranjados e sem fome. Trata-se então apenas de incorporar novos hábitos na nossa rotina, mas escolhe-los de forma intencional e tendo em mente aquilo que nos faz melhor a nós.

 

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Uma forma que arranjei de começar a ler mais, foi incorporar essa atividade no meu ritual matinal. Por isso hoje em dia tenha logo de manhã 20 a 30 minutos dedicados a ler. Não é muito, mas é mais do que tenho feito ultimamente, uma vez que basicamente me tenho limitado a ler quando vou para a cama, um pouco mais aos fins de semana e em viagens de avião ou comboio. Tenho gostado muito de o fazer e é uma excelente forma de me impedir de começar a manhã a mergulhar logo nas redes sociais, essa atividade tão produtiva e enriquecedora (só que não). Com isto, estou a ponderar aumentar o meu objetivo do ano para 36 livros, o que dá 3 livros por mês e que me parece muito bom. Ainda não sei, talvez seja demasiado ambicioso e por isso ainda não alterei no desafio do Goodreads mas é algo que ando a ponderar.

 

Alguns artigos interessantes sobre rituais matinais:

8 Productivity Experts Reveal The Secret Benefits Of Their Morning Routines

Why Creating A Meaningful Morning Routine Will Make You More Successful

Famous and successful people with morning routines

 

E por aí, há mais alguém que tenha um ritual matinal estruturado e intencional?

Crítica #9: Blue Lily, Lily Blue de Maggie Stiefvater

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Título: Blue Lily, Lily Blue
Autor: Maggie Stiefvater
Editora: Scholastic Press
Género: Fantasia paranormal juvenil
Ano de publicação: 2014

Classificação:

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Blue Lily, Lily Blue é o terceiro livro de uma série de quatro livros chamada The Raven Cycle. Segundo uma pesquisa rápida que fiz no site da Fnac, esta série não está traduzida em Português, o que é uma pena porque a série é boa. Não é brilhante, não é para mim uma série fenomenal, mas é boa.

Dos três livros que já li da série, este terceiro é o segundo melhor, logo a seguir ao segundo. O primeiro foi um pouco lento e confesso que andei a procrastinar um pouco até começar o segundo. Como esse já foi bastante melhor, fui com boas expectativas para o terceiro, e apesar de melhor do que o primeiro, ainda assim achei-o mais fraco do que o anterior. Ponho todas as minhas esperanças no quarto e último, que já tenho em casa para ler, como já referi aqui.

Um breve resumo da história inicial: somos apresentados a uma adolescente, a Blue, que vem de uma família de videntes. No entanto, ao contrário de todas as mulheres da sua família, ela não tem puderes sobrenaturais, mas quando está na presença das outras é capaz de tornar os seus poderes mais fortes. Desde criança que as mulheres videntes com quem Blue vive lhe dizem que se ela beijar o seu verdadeiro amor ele irá morrer. Talvez por isso Blue nunca se apaixonou. Isto até conhecer os Raven Boys, um grupo de quatro rapazes de um colégio privado que Blue detesta. Estes encontram-se numa busca pelo túmulo de um rei escocês enterrado há 400 anos. Reza a lenda que quem encontrar o túmulo e acordar o rei tem direito a pedir um desejo, qualquer coisa que queira. Blue acaba por juntar-se aos Raven Boys e muitas coisas vão acabar por suceder.

Na minha opinião, a parte mais cativante destes livros são os personagens. Todos eles bem construídos, com personalidades muito diferentes, cada um deles com as suas motivações e o seu passado que percebemos que os façam agir da maneira que o fazem. Por outro lado, o desenvolvimento da história é muito lento, parece que a história tarda em andar para a frente, principalmente no primeiro livro, que me pareceu um livro muito introdutório ao mundo e aos personagens e que pouco desenvolve a narrativa. Relativamente à história de amor que se gera entre Blue e um dos Raven Boys, se por um lado não lhe é dado muito ênfase (o que faz sentido numa história de fantasia), por outro lado acabamos por ficar pouco investidos no romance entre os dois e em certas partes acaba por parecer que o desenvolvimento do sentimento entre os dois aconteceu demasiado depressa. Mas a premissa de que eles não se podem beijar por causa da sina de Blue que fará com que ele morra a seguir torna este arco narrativo mais interessante.

A escrita é bonita mas na minha opinião demasiado trabalhada e elaborada, o que muito provavelmente contribui para que o ritmo da história seja bastante lento e fez com que de vez em quando acabasse por perder o fio à meada.

Sinceramente, vou terminar a série porque sou quase fisicamente incapaz de deixar algo a meio, mas não fiquei com grande vontade de ler outras obras da mesma autora.

Roadtrip USA West Coast – parte IV

Aqui fica a última parte da viagem pela Califórnia e arredores.

 

Dia 15 – San Francisco – Monterey
Na última manhã em São Francisco ainda visitamos o Golden Gate Park, e depois partimos pela Pacific Coast Highway (Route 1) em direção a sul. O plano era fazer a descida pela costa com calma e ir parando onde nos apetecesse, ao longo de dois dias. O troço da primeira tarde foi relativamente curto, apenas 2 horas e meia até Monterey, onde passámos essa noite. Monterey é uma pequena cidade costeira muito agradável, com águas do mar muito límpidas e um centro da cidade encantador, principalmente à noite, com luzinhas em todas as árvores (nestas pequenas cidades americanas parece sempre Natal, adoro!).

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Dia 16 – Monterey – Big Sur – Lompoc
Passámos a manhã seguinte ainda em Monterey, a passear relaxadamente na cidade e junto ao mar. Comemos brunch num restaurante típico e depois voltámos a arrancar pela Pacific Coast Highway abaixo, para mais 4 horas de viagem. Mais paisagens lindas, várias paragens pelo caminho para apreciar as vistas e tirar fotos, e chegámos ao final do dia a Lompoc. Já era noite e apenas jantámos e fomos para o hotel dormir.

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Dia 17 – Lompoc – Santa Barbara – LA
No dia seguinte partimos de imediato para Santa Barbara (a apenas 1 hora de distância), onde passámos a manhã. Passeámos pela cidade, fomos um bocadinho à praia e fizemos canoagem no mar. A meio da tarde partimos novamente, para mais 2 horas de viagem até LA. Em LA, ficámos instalados em Venice Beach, numa localização invejável mesmo pertinho da praia. Devem ter pago um balúrdio, pensam vocês. Mas não, porque ficámos num Airbnb que consistia numa tenda montada no jardim das traseiras de uma casa. Na casa viviam alguns rapazes (3 ou 4 talvez? Não sei bem, estava sempre gente a entrar e a sair) que pareciam ter acabado a universidade há muito pouco tempo e estariam no seu primeiro emprego. Basicamente só íamos à casa para dormir (na tenda) e podíamos usar a casa de banho e a cozinha. Ficou super barato e valeu a pena pela localização.

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Dias 18, 19 e 20 – LA
Nos dias seguintes em LA, passeámos bastante. Fomos a Hollywood, claro, mas não valia a pena porque é verdade quando todos dizem que é uma grande desilusão. Fomos a Beverly Hills, a Santa Monica (onde andámos de bicicleta pelo passadiço e fomos ao pontão à noite), à baixa, percorremos a Mulholland Drive e comemos algumas boas refeições em alguns bons restaurantes. Mas no fundo não achei LA muito interessante. Talvez porque é uma cidade tão grande que complica um pouco a perspectiva. Dizer “vou a LA” não quer no fundo dizer grande coisa, porque há tantas zonas tão distintas umas das outras que falta saber onde em LA. E uma pessoa que anda a tentar conhecer a cidade (principalmente em apenas 3 dias) acaba por perder-se um pouco e dispersar, ficando a conhecer realmente muito pouco da cidade. Gostava de voltar, mas escolheria uma ou duas zonas (que não Hollywood nem a baixa) para ficar a conhecer melhor. No fundo, nestes dias, as zonas onde passámos mais tempo foram Venice Beach e Santa Monica, de que até gostei bastante.

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Dia 21 – LA – Lisboa
No último dia de manhã ainda fomos à praia, onde estivemos algum tempo a ler e eu fiz uma grande caminhada. Depois chegou a hora de ir devolver o carro, ir para o aeroporto e voltar para casa.

 

Como já disse, estas foram as melhores férias da minha vida até ao momento. Gostei mais de umas partes do que de outras mas todas valeram a pena. As minhas partes preferidas foram os parques nacionais: Grand Canyon e Yosemite. Voltava a fazer esta viagem sem qualquer problema, com apenas alguns ajustes, nomeadamente: não voltava a Las Vegas, ou então ficaria apenas uma noite se isso facilitasse a deslocação entre dois outros pontos de interesse e passaria mais tempo em parques nacionais e cidades pequenas, e menos tempo nas cidades grandes. Um dia, quem sabe…

 

Como também já disse, respondo a qualquer pergunta para quem precise de ajuda a planear uma roadtrip deste género ou se simplesmente tiverem curiosidade em relação a algum pormenor.

Crítica #8: Amy and Roger’s Epic Detour de Morgan Matson

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Título: Amy and Roger’s Epic Detour
Autor: Morgan Matson
Editora: Simon & Schuster
Género: Romance contemporâneo juvenil
Ano de publicação: 2010

Classificação:

4-5stars

Deixem-me começar por dizer que adorei este livro. É completamente a minha praia!

Agora a descrição: trata a história de uma viagem que dois adolescentes fazem (ela vai para o último ano do secundário, ele vai para o segundo ano da faculdade) para levar um carro de uma costa à outra dos Estados Unidos da América. Ou seja: roadtrip! Não, eles não fazem a Route 66 (já ninguém faz a Route 66!), e vão decidindo pelo caminho por onde querem ir e onde querem parar. Apesar de serem personagens muito diferentes, ambos têm bagagem no seu passado recente com a qual têm de lidar e algumas das situações vão fazê-los aproximar-se, mesmo que no início da viagem mal se conhecessem e apenas tivessem acabado a fazer aquela jornada juntos por força das circunstâncias.

Mais uma vez: eu A-DO-REI este livro. Para começar, sou adepta incondicional de roadtrips (principalmente nos EUA). Infelizmente ainda só fiz uma, mas foram as melhores férias da minha vida e já tenho outras quantas planeadas para os próximos anos (sim, eu planeio as minhas viagens com muito tempo de antecedência). Por isso adoro ler sobre roadtrips e definitivamente tenho de pesquisar mais alguns livros com relatos de roadtrips para tratar de os adquirir. Para além disso, adoro romances contemporâneos bem escritos e este é um deles. Já tinha ouvido falar que a Morgan Matson era a rainha do romance contemporâneo juvenil e de facto esta história está muito bem conseguida. Fiquei com muita vontade de ler mais livros dela.

Achei os dois personagens principais complexos, coisa que por vezes fica um pouco aquém na literatura juvenil (principalmente nos romances). Aqui, ambos têm profundidade, antecedentes complexos e as suas atitudes estão perfeitamente de acordo com aquilo que têm sido as suas vidas até ao momento. Uma vez que é um romance, penso que não haverá problema em dizer que os dois personagens se apaixonam, e também isso é aqui muito bem feito. Não há amor à primeira vista nem sequer passarem umas horas juntos e pumbas, estão apaixonados. Não, a coisa é feita lentamente, como deve ser, de forma gradual, e a história convence, não parece nada estranho que aqueles dois jovens se apaixonem.

A descrição dos sítios por onde eles vão passando é absolutamente deslumbrante. Deu-me vontade de conhecer todos os lugares do livro que ainda não conheço e de regressar aos que já conhecia. Morgan Matson fala de lugares já bem conhecidos dos Estados Unidos mas também aproveita para falar de outros de pouca gente terá ainda ouvido falar, principalmente quem não vive naquele país. Gostei particularmente da descrição da “loneliest road in america” (a Route 50) e gostava de um dia fazer uns quilómetros por lá.

Recomendo muito este livro a todos que gostam de roadtrips, a quem nunca fez uma mas gostava de ter uma ideia de como é, a quem gosta de ler sobre lugares diferentes e pouco conhecidos e a todos que gostam de um bom romance contemporâneo.

Roadtrip USA West Coast – parte III

E continua o relato da viagem da minha vida (até ao momento, porque mantenho as expectativas elevadas relativamente ao futuro).

 

Dias 8 e 9 – Las Vegas
Os dois dias seguintes foram passados em Las Vegas. Ficámos num hotel fora da strip (principal rua com os casinos mais famosos), barato mas muito bom, onde em vez de um quarto tínhamos um pequeno apartamento super confortável. O primeiro dia foi quase só para descansar da atividade intensa dos dois dias anteriores. De resto, fizemos o que é suposto fazer-se em Las Vegas: fomos aos casinos (mas não jogámos nem um dolar), fomos aos bufets, fomos a um ou outro bom restaurante (incluindo os hamburgueres do Gordon Ramsay, após esperarmos na fila durante cerca de 45 minutos, mas valeu a pena), fomos à piscina do hotel e descansámos bastante. Não gostei particularmente de Las Vegas. Aliás, foi a parte que menos gostei de toda a viagem. Penso que vale a pena ir pelo menos uma vez na vida, porque é uma cidade realmente diferente de tudo o resto, mas não voltava. Muito jogo, muita bebida, e consegue-se adivinhar algumas outras coisas que possam acontecer mais em privado. Penso que todas as despedidas de solteiro das cidades ali à volta vão parar a Las Vegas. Há muitos jovens apenas para se divertirem mas nota-se que também há muitas pessoas, de todas as idades, completamente viciadas no jogo, e isso entristece.

 

 

Dia 10 – Las Vegas – Death Valley – Mammoth Lakes
Na última manhã em Las Vegas fomos ao brunch num dos casinos e depois partimos para o Death Valley, a 2 horas de distância, onde apanhamos as temperaturas mais elevadas da viagem: acima dos 50 ºC. A zona vale a pena a visita, mas se conseguirem evitar os meses de Junho, Julho e Agosto melhor. Nos poucos sítios onde parámos, apenas conseguíamos sair do carro (onde íamos com o ar condicionado ligado, claro) durante 5 ou 10 minutos. Rapidamente viemos embora, seguindo caminho em direção ao Yosemite.
Nessa noite ficámos instalados numa pequena pousada em Mammoth Lakes, uma cidade muito pitoresca mesmo à entrada do parque nacional. Achamos que nessa noite o “nosso” carro foi “atacado” por um urso, porque ouvimos um alarme pouco depois de chegarmos e de manhã o carro parecia ter uma pegada (visível devido à camada de poeira que o carro acumulou nas passagens por Sedona e Grand Canyon). Em toda a zona do Yosemite há avisos para ter cuidado com os ursos. Eles têm um olfato extremamente apurado, pelo que somos logos avisados para não deixar nada nos carros, comida ou apenas embalagens, produtos de higiene pessoal, tudo deve ser levado para dentro de casa/hotel para que os ursos não forcem a entrada nos carros. Nós achamos que tirámos tudo do carro e de facto o urso não forçou a entrada. O que nos explicaram foi que podia ter sido simplesmente por o carro ser novo. Os ursos são animais muito inteligentes, e este terá reparado num carro que não estava lá nas noites anteriores, tendo ido cheirar para ver se encontravam alguma coisa.

 

 

Dia 11 – Mammoth Lakes – Yosemite
Na manhã seguinte saímos para tomar o pequeno almoço num restaurante típico e partimos de imediato para o Yosemite. Parámos em vários pontos até chegarmos ao parque onde ficaríamos a acampar nessa noite e depois de montarmos a tenda fomos até à zona sul do parque ver as sequóias. Depois voltamos para o acampamento, onde assistimos a uma palestra dada por uma park ranger sobre ursos. Mais uma vez, montes de avisos sobre os ursos. Cada lugar do parque de campismo tem uma espécie de cofre para se guardar tudo o que possa ter cheiros. Dessa forma, não deixamos nada no carro nem levamos nada para a tenda (é bom não levar mesmo nada para a tenda, nem comer lá dentro, ou arriscamos uma visita desagradável durante a noite). Os caixotes do lixo têm uma tranca, pois havia pessoas que quando iam lá colocar o lixo encontravam um urso dentro do caixote, a vasculhar o lixo. Todos os cuidados são poucos mas não há registo de ataques de ursos há vários anos (já não me lembro quantos, mas eram mesmo muitos, segundo a park ranger durante a palestra). Apenas havia em tempos problemas com os ursos quando as pessoas estavam mal informadas e decidiam fazer tolices como dar de comer aos ursos e outras brincadeiras suicidas.

 

 

Dia 12 – Yosemite – San Francisco
No dia seguinte de manhã desmontámos a tenda e ainda antes de irmos embora decidimos ir fazer um trilho para ver um das cascatas (há imensas no parque). Fizemos o Mist trail, até Vernal Fall (cerca de 5 km) e valeu bem a pena. Foi um belo exercício fazer aquelas subidas acentuadas e as paisagens eram lindas. Depois disso tomámos um banho num dos balneários e arrancámos para São Francisco, um troço de quase 5 horas. Logo ao início parámos para almoçar num dinner típico (dos poucos que encontrámos, não há muitos na costa oeste, mas mais na costa este) e chegámos a São Francisco ao final da tarde. Aí ficámos instalados em casa de uns amigos onde jantámos nessa noite.

 

 

Dias 13 e 14 – San Francisco
Os dois dias seguintes foram inteiramente passados em São Francisco. Passeámos muito a pé, comemos nos food trucks, fizemos a Lombard Street de carro, andámos de bicicleta. Mas dois dias e meio em São Francisco é muito pouco, por isso voltei este ano para uma semana de férias, sobre a qual podem ler aqui e aqui.

 

 

Na quarta parte vou falar sobre os últimos dias desta viagem. Se estiverem a planear uma viagem do género e tiverem alguma pergunta, é para isso que servem os comentários e eu respondo a tudo o que souber.

Crítica #7: Bird Box de Josh Malerman

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Título: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Editora: Ecco
Género: Terror, Thriller
Ano de publicação: 2014

Classificação:

4-5stars

Bird box foi um livro fantástico que li este verão. Esta história começa com uma mulher e duas crianças dentro de uma casa. A mulher decide que vão sair de casa. Acabamos por perceber que esta é uma decisão altamente ariscada porque eles vivem numa realidade em que há algo à solta (não sabemos bem o quê). Sempre que alguém vê esse algo, enlouquece e começa a matar as pessoas à sua volta, acabando por se suicidar (por isso mesmo ninguém sabe o que é este algo, uma vez que todos os que já o viram não sobrevivem para contar). Assim, as pessoas apenas saem à rua com os olhos vendados, têm as janelas protegidas para não verem nada do que se passa lá fora, quando têm de abrir a porta para deixar alguém entrar fecham os olhos e fica sempre o medo que aquele algo tenha entrado também.

Este livro é daqueles que prende o leitor desde a primeira página. Eu li-o em apenas dois dias, quase sem conseguir pousá-lo. A história segue duas linhas temporais diferentes, uma que conta como as coisas começaram a acontecer e como a personagem principal chegou à situação em que se encontra hoje, e outra que começa com a decisão da personagem principal de abandonar a casa onde se encontra com as duas crianças e ir procurar abrigo noutro lugar. Para mim, o único aspeto negativo deste livro é que uma das linhas temporais acaba por ser mais empolgante do que a outra. Eu senti-me mais atraída pela linha que segue o passado até ao presente, por isso sempre que estava a ler capítulos que relatavam o presente dava por mim a querer lê-los rapidamente para voltar à outra linha temporal. No entanto, percebo que uma linha não funciona sem a outra, porque um dos motivos que torna a narrativa do passado tão empolgante é a nossa vontade de perceber como é que aquela personagem chegou à situação em que se encontra no presente.

Achei o livro muito focado na narrativa e pouco nos personagens, o que para mim não é necessariamente um aspeto negativo e penso que neste tipo de histórias funciona muito bem. É algo complicado falar deste livro sem revelar “spoilers”, mas há algumas reviravoltas na história bastante surpreendentes.

O livro é assustador, a ideia da existência de algo que não sabemos o que é, que aspeto tem, ou como funciona, e que nos fará enlouquecer se algum dia olharmos para ele, traz associada uma carga de medo tal que me faz aconselhar precaução aos mais sensíveis e impressionáveis (se forem mesmo sensíveis a estas coisas, não leiam este livro à noite!). Associei muito o medo latente no livro ao medo do escuro que todos nós já sentimos, numa perspetiva de medo do desconhecido, daquilo que não vemos e não sabemos se está lá ou não. Mas levado a um exponencial máximo.

Recomendo este livro a todos, com as devidas precauções para os mais sensíveis. É uma história muito bem estruturada, bem narrada e altamente cativante.

Livros que quero mesmo ler em 2017

Vamos falar de planos para 2017. Como já referi, o meu objetivo para este ano é ler 30 livros. Continuo a achar pouco, como também já disse. Idealmente gostava de ler um livro por semana, mas passar de 24 num ano para 52 no seguinte parece-me demasiado abrupto. Se correr melhor e superar as expectativas, então ainda bem, mas para já vou apontar para 30.

 

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Em casa tenho mais de 100 livros por ler, entre os que vou comprando, os que me vão oferecendo e os que vou trazendo emprestados de casa dos meus pais. Por isso não me falta por onde escolher. Mas para já, este ano quero mesmo ler os seguintes:

 

 

Bird by Bird
Dos vários livros que fui comprando em 2016 relacionados com escrita, o que mais quero ler é este. É um dos livros mais recomendados para novos escritores. Já dei uma vista de olhos em algumas páginas e parece-me que vai ser muito interessante.

 

Harry Potter and the Chamber of Secrets – Illustrated edition
A edição ilustrada do segundo livro do Harry Potter saiu em Outubro e ainda não o li. Já com o anterior aconteceu o mesmo e acabei por só o ler em Fevereiro. Não me importo, tenho tempo, mas depois de ter ido a Londres ver Harry Potter and the Cursed Child fiquei com imensa vontade de voltar a pegar no Harry Potter e este livro, com as ilustrações fantásticas do Jim Kay, vai ser o ideal.

 

The Final Empire (Mistborn #1)
Há muito que quero ler algo do Brandon Sanderson (sou fã do podcast Writing Excuses, em que ele é um dos apresentadores) e penso que não haverá maneira melhor para me estrear do que a sua trilogia mais conhecida, Mistborn. Já tenhos os três livros (comprei o box-set) e são livros gigantes, mas dizem que fantásticos, por isso este ano tenciono mergulhar de cabeça nesta trilogia (e muito brevemente).

 

Raven King
Este livro é a conclusão (4º livro) da série Raven Boys e quero muito concluir esta história este ano. Não gosto nada de ter séries por acabar, principalmente quando todos os livros já estão lançados, por isso esta leitura também será para breve.

 

Illuminae
Este livro foi um dos mais falados no Booktube durante 2016 e estou ansiosa para o ler. Já tem uma sequela e penso que vão ser três livros no total. É de ficção científica mas contado através de variados documentos, como e-mails, relatórios, cartas, entre outros. Parece-me altamente interessante.

 

The Rose and the Dagger
Este livro é a continuação de The Wrath and the Dawn, que li em 2015. O primeiro livro tratava-se de uma adaptação das Mil e Uma Noites e gostei bastante mais da segunda metade do que da primeira, pelo que tenho elevadas expectativas para a continuação.

 

A Sombra do Vento
Ainda não li nada do Carlos Ruiz Zafon e dizem que este livros é brilhante, principalmente para quem gosta de livros, por isso quero muito lê-lo. Tenho adiado esta leitura porque é mais um livro gigante, mas quero mesmo começar a atacar mais livros grandes.

 

World Without End
Fiquei absolutamente fascinada quando li Os Pilares da Terra (em 2014) e infelizmente desde essa altura que não voltei a ler nada do Ken Follet, pelo que quero muito voltar à carga este ano.

 

The Silkworm
Este é o segundo livro do pseudónimo da J.K. Rowling que escreve policiais, Robert Galbraith. Gostei muito do primeiro (The Cuckoos’s Calling) e tenho este lá em casa à espera de ser lido há já algum tempo.

 

Mansfield Park ou Northanger Abbey
Estes são os dois únicos livros que me faltam ler da Jane Austen, autora de quem gosto muito, e já os tenho aos dois, por isso quero muito ler um deles este ano.

 

As Vinhas da Ira
Este ano quero ler mais clássicos da literatura americana e gosto muito do Jonh Steinbeck, por isso este será mais um livro gigante para a lista.

 

Uma Família Inglesa
Na verdade, também quero ler mais clássicos portugueses e este já anda na minha mira há muito tempo, por isso também quero pegar nele este ano.

 

Six of Crows
Mais um altamente falado em 2016 por todo o Booktube e que ando com vontade de ler desde que saiu. Também já foi lançada a sequela, pelo que gostava de ler os dois. Este é o único livro desta lista que ainda não tenho em casa, mas deverá ser uma das próximas aquisições.

 

Start with why
Ouvi a entrevista que o Tom Bilyeu do Inside Quest fez ao Simon Sinek (autor deste livro) há 3 meses, quando o vídeo inicialmente saiu no Youtube. Na altura, comprei logo o audiobook deste livro porque gostei muito da entrevista, mas ainda não o ouvi. Agora (nos últimos dias de 2016) o vídeo da resposta que o Simon deu sobre os Millennials tornou-se viral e voltei a ficar com vontade de ouvir o livro dele. Deverá ser um dos próximos.

 

 

E vocês, quais os livros que querem mesmo ler em 2017?

Crítica #6: às 9 no meu livro de Sofia Castro Fernandes

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[Goodreads] [Fnac]

 

Título: às 9 no meu livro
Autor: Sofia Castro Fernandes
Editora: Marcador
Género: Desenvolvimento pessoal
Ano de publicação: 2016

Classificação:

 

Quando soube que a Sofia do blog às 9 no meu blog ia lançar um livro, fiz logo a reserva do meu no site da Fnac. Adoro o blog e o respetivo Facebook e estava ansiosa para ler este livro.

 

O livro não desiludiu. Está repleto de textos que me tocaram profundamente, tal como já é habitual no blog. Aliás, o meu livro está sublinhado e cheio de post-its (espero que a Sofia não se importe, mas para mim isto é apenas indicativo da importância que dei ao livro), por isso não há qualquer dúvida em relação às partes que me falaram mais alto. A Sofia tem uma capacidade incrível de usar as palavras como forma de motivação e é capaz da nos fazer ver sempre o lado positivo da vida. A maior parte dos seus textos são incríveis e fazem-nos sentir – como se pretende – que somos capazes de ir contra tudo e contra todos para realizar os nossos sonhos. Tento cada vez mais implementar na minha vida uma filosofia muito ao estilo da da autora, uma crença de que tudo pode ter um lado positivo se assim o desejarmos e o encararmos dessa forma. Tento convencer-me que não vale a pena queixarmo-nos quando as coisas correm mal (ou não correm como queríamos que corressem) pois não é dessa forma que vamos conseguir mudar alguma coisa.

 

Apesar de o livro estar perfeitamente estruturado para que se leia apenas um ou dois textos por dia, não consegui fazê-lo e acabei por lê-lo todo em meia dúzia de dias. Mas não me importei e acho que ainda assim consegui tirar muito do livro. E nada me impede de agora voltar a ele regularmente para ler um ou outro texto se assim me apetecer (ou quando achar que preciso) e a parte boa é que até já lá tenho os post-its para facilmente voltar aos textos de que gostei mais.

 

Aconselho este livro a absolutamente toda a gente. Mas de preferência que prestem bem atenção à filosofia de vida da Sofia e tentem aplicá-la na vossa vida. De certeza que vão passar a sorrir mais.

 

 

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Livros mais desapontantes de 2016

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Não tenho muitos livros nesta lista porque normalmente consigo tirar sempre algo positivo dos livros que leio. Mas mesmo assim, ficam aqui os dois que menos gostei este ano e um sobre o qual tinha elevadíssimas expectativas que foram totalmente defraudadas.

 

 

The Book Thief
Não é que não tenha gostado deste livro, que até gostei. Mas estava à espera de gostar muito mais. Este é o livro preferido de muitas pessoas, pelo que estava à espera de muito melhor. Se calhar a culpa até foi minha, por ter expectativas demasiado elevadas, porque o livro tem muitas coisas boas (apesar de continuar a achar que a peculiaridade de ser narrado pela Morte foi mal aproveitada), mas a verdade é que cheguei ao fim a pensar “Ah, foi isto?… OK…” Talvez sirva de lição para deixar de esperar tanto de alguns livros só porque outras pessoas os adoram.

 

The Murder Complex
OK, este livro foi mesmo muito mau! Não fosse o facto de eu ter um problema e ser fisicamente incapaz de deixar livros a meio, e este teria sido sem dúvida um que não teria terminado. Mas não, eu insisto, leio até ao fim no matter what, sempre na esperança que haja alguma espécie de redenção nas últimas 10 páginas, o que nunca acontece. Já devia ter metido na cabeça que quando um livro é assim tão mau, é mau até ao fim. Diálogos péssimos, história fraca, plot twists que não são mais do que clichês, insta-love, personagens irritantes. Enfim, não tenho a mínima vontade de ler a continuação.

 

Stalker
Gostei muito de todos os outros livros do Lars Kepler, mas este último deixou muito a desejar. Não me marcou minimamente, tanto que já nem me lembro bem da história, mas achei alguns aspetos demasiado rebuscados e a história à volta do desaparecimento do Joona Linna foi mesmo muito estranha. Voltarei a dar mais uma oportunidade aos autores (deve estar para sair o 6º livro da série, editado em Outubro na Suécia), mas se o próximo for igualmente fraco, fico-me por aí.

 

 

E vocês, qual foi o livro que menos gostaram em 2016?

Roadtrip USA West Coast – parte II

Segue-se uma das minhas partes preferidas da viagem.

 

Dia 5 – Phoenix – Sedona – Grand Canyon
A noite em Phoenix foi muito má, com um calor insuportável e um ar condicionado no quarto do hotel que fazia um barulho infernal, e que por isso não pode ficar ligado a noite toda. Acordámos muito cedo para nos fazermos ao caminho e ainda esperámos uns minutos pelo início do pequeno almoço. Comemos uns waffles rapidamente e arrancámos em direção a Sedona, viagem de cerca de 2 horas. Esta região é caraterística pelas formações rochosas vermelhas e as paisagens são deslumbrantes. Há imensos trilhos na zona, com diversos graus de dificuldade. Como a seguir íamos para o Grand Canyon, não queríamos fazer um trilho muito longo. Fizemos o Cathedral Rock trail, de cerca de 2.5 km mas com uma boa elevação e penso que foi uma boa escolha. É uma das formações rochosas mais famosas da zona mas com um trilho bastante curto.

Após a descida almoçamos ainda em Sedona e pusemo-nos a caminho do Grand Canyon, mais um troço de cerca de 2 horas. Não queríamos chegar tarde ao parque nacional pois queríamos arranjar uma autorização de última hora para acamparmos na noite seguinte no parque do desfiladeiro. Ia bastante ansiosa com a possibilidade de já não ser possível mas tivemos sorte (como o próprio park ranger nos disse) e ainda conseguimos. Montámos a tenda num parque de campismo que tínhamos reservado e fomos jantar na sala comum de um dos conjuntos de alojamento que existem no parque. Felizmente, os americanos sabem aproveitar muito bem os seus parques nacionais, por isso para além de parques de campismo, encontram-se outros tipos de alojamento, maioritariamente cabanas que se localizam em zonas que parecem mini-cidades, com pequenos supermercados, casas de banho e balneários, e uma espécie de praças de alimentação, com vários tipos de comida, onde servem pequenos almoços, almoços e jantares, mas onde toda a gente parece comer em comunidade. Este tipo de ambiente proporciona que as pessoas facilmente comecem a conversar umas com as outras, mesmo não se conhecendo, e o ambiente que se gera é muito agradável.

 

 

Dia 6 – Grand Canyon
No dia seguinte, acordámos por volta das 6h da manhã, desmontámos a tenda e apanhámos um autocarro para o ponto de partida de um dos trilhos que desce até ao rio. Aconselharam-nos (o park ranger que nos deu a autorização) a fazer a descida por um dos trilhos com menos pontos de descanso e sem pontos de água (South Kaibab trail, 11.4 km, diferença de elevação de 1450 metros) de forma a levarmos a nossa própria água na descida, para depois fazermos a subida por um trilho diferente (Bright Angel trail, 15.9 km, diferença de elevação de 1315 metros), esse já com vários pontos de água (desta forma apenas precisávamos de levar água para a descida, na subida teríamos vários pontos para abastecer). Infelizmente estava a chover. O que significa que fizemos as primeiras 3 horas da descida de baixo de chuva forte e com nuvens literalmente à nossa volta, que nos impediam de desfrutar da paisagem. Pouco antes do meio de percurso as nuvens começaram a dispersar. Começámos a ter vislumbres do Grand Canyon e as roupas e sapatilhas começaram a secar. A descida foi dura (quem disse que “para baixo todos os anjos ajudam” nunca foi ao Grand Canyon), com tenda, sacos cama e comida e água às costas. Mas valeu a pena. Quando chegámos ao rio estava um dia de sol fantástico e chegámos a tomar banho num riacho. Voltámos a montar a tenda, passeámos um pouco, jantámos atum e feijão e fomos dormir cedo.

 

 

Dia 7 – Grand Canyon – Las Vegas
Seguiu-se o dia da subida. E se a descida foi dura, o que dizer da subida? Acordámos cedo, comemos umas barras de proteína, voltámos a desmontar a tenda e iniciámos a subida bem cedinho. Estava bom tempo, talvez até demasiado calor para quem estava a fazer aquela subida, mas permitiu-nos ver paisagens maravilhosas. A quantidade de pessoas com que nos cruzávamos ia aumentando à medida que íamos subindo, e nos últimos 3 km há mesmo muita gente (pessoas que descem apenas um bocadinho do trilho para depois voltarem a subir). Queríamos acabar a subida o mais rapidamente possível e talvez tenhamos subido rápido de mais. Não se deve brincar com diferenças de altitude tão bruscas e o R. sentiu-se mal, mas nada que uma boa sopa ao almoço não tivesse resolvido. A seguir ao almoço e antes de partirmos para Las Vegas fomos ainda espreitar um viewpoint para uma zona mais deserta do Grand Canyon, que proporcionou mais uma série de boas fotografias.

Depois então partimos para Las Vegas, num troço de cerca de 5 horas. Tínhamos gasolina suficiente para chegar a Vegas, mas mesmo à justa, por isso a cerca de 100 km do destino começámos à procura de uma bomba para abastecer. O problema é que à volta de Vegas só há deserto… e não havia bombas… ou havia, mas estavam abandonados (cena mesmo à filme). Estávamos a ficar aflitos (já íamos com o ar condicionado desligado há muito) quando finalmente alcançámos uma pequena cidade mesmo já quase a chegar a Las Vegas. Abastecemos de imediato e fizemos os últimos 15 km com uma enorme sensação de alívio. A chegada a Vegas é indescritível, mas mesmo assim vou tentar: vamos numa autoestrada no meio do nada, não há nada, nada, nada à nossa volta desde que deixámos a pequena cidade onde abastecemos. Apenas uma enorme escuridão. Até que passamos um pequeno troço da autoestrada que sobe, e chegados ao fim dessa subida começamos a descer, e de repente está uma enorme cidade cheia de luzes mesmo à nossa frente. Assim, mesmo do nada! Não é Paris a cidade das luzes, é Las Vegas. Imagem absolutamente impressionante (e a melhor parte de Las Vegas, mas isso fica para a próxima parte).