Crítica #5: Ready Player One de Ernest Cline

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Título: Ready Player One
Autor: Ernest Cline
Editora: Crown Publishers
Género: Ficção científica
Ano de publicação: 2011

Classificação:

4stars

A história de Ready Player One passa-se num futuro próximo em que a maior parte da população passa quase todo o seu tempo num jogo de realidade virtual. Trabalham dentro do jogo, vão para a escola dentro do jogo e criam relações dentro de jogo com pessoas que nunca viram na vida real. Quando o criador desse jogo morre, que como podem imaginar é dono de uma enorme fortuna, é lançado um vídeo a anunciar que ele deixou no jogo uma espécie de caça ao tesouro e que quem encontrar o “easter egg” será o herdeiro do todo o seu império e fortuna. Após a transmissão do vídeo, logo se forma uma enorme comunidade de caçadores que têm como objetivo de vida encontrar o ovo, e o nosso personagem principal, Wade, é uma dessas pessoas. Tudo isto é descrito ainda no primeiro capítulo e no segundo saltamos logo 5 anos no tempo. E apesar de ainda ninguém ter encontrado nenhuma pista para a localização do ovo, continua a existir um enorme número de pessoas que ainda não desistiu de o encontrar. A história arranca realmente quando Wade encontra a primeira pista e passa a ser a pessoa mais próxima de herdar a fortuna.

A história deste livro é extremamente empolgante. Desde o momento em que Wade descobre a primeira pista que se vão sucedendo momentos de ação e de algum suspense que nos fazem querer continuar a virar a página. Por vezes senti-me frustrada com algumas atitudes do personagem principal mas nada de muito incomodativo.

Um dos aspetos mais interessantes e mais publicitado deste livro é a inclusão de uma enorme quantidade de referências dos anos 80. O autor do jogo era obcecado com os anos 80, por isso todas as pistas que levam à descoberta do ovo estão relacionadas com filmes, jogos ou músicas dos anos 80. Como isto era um facto conhecido em relação ao autor, todos aqueles que passaram a dedicar a sua vida à caça do ovo estudaram a fundo tudo o que se relaciona com os anos 80. As referências ao longo do livro são imensas, imagino que muito mais do que aquelas que eu consegui detetar, uma vez que apesar de ter nascido exatamente a meio da década de 80, não sou nenhuma especialista na matéria. Houve muitas referências a jogos e algumas a filmes que me passaram totalmente ao lado. Ainda assim, senti a nostalgia em relação aos anos 80 que o livro tenta imputar. Quando recomendei o livro a uma pessoa muito mais versada na cultura dos anos 80 do que eu, essa pessoa leu o livro em 2 dias, por isso se houver por aí fans desta década, recomendo mesmo muito que leiam este livro, não se vão arrepender.

É sem sombra de dúvida um livro que vale muito a pena, mesmo para quem não é normalmente muito fã de ficção científica, como é o meu caso. Além do mais, recomendo que leiam o livro antes do filme, que está previsto sair em 2018 e está a ser realizado por nem mais nem menos do que o fantástico Steven Spielberg.

Livros favoritos de 2016

2016 está quase a acabar e pelo andar da carruagem vou conseguir cumprir o meu objetivo ajustado de ler 24 livros este ano. É pouco, muito pouco, não é um número que me deixe feliz nem orgulhosa, mas simplesmente satisfeita por cumprir aquele que é para mim neste momento o mínimo indispensável: ler em média dois livros por mês. Ainda assim, foram mais 4 livros do que em 2015, o que representa um bom crescimento de 20%.

 

 

Posso arranjar um milhar de justificações para o pouco que li este ano, a começar com as horas extra no trabalho, com o facto de ter começado a levar a escrita a sério e estar com dois grandes projetos em mãos, um livro e um blog, com o facto de ter uma casa que não se arruma sozinha e com ter de fazer viagens regulares entre Lisboa e Porto, entre muitas outras coisas. Mas nada disso pode ser justificação. Até porque recordemos o principal conselho do Stephen King para novos escritores: se querem ser bons escritores, escrevam muito e leiam muito. E eu não podia concordar mais. Quero ler mais, não só porque adoro ler, mas porque quero escrever melhor, por isso de uma forma ou de outra, vou ter de arranjar tempo para o fazer.

 

Num mundo ótimo, gostaria de ler em média um livro por semana, mas isso representa basicamente dobrar aquilo que li em 2016, o que não me parece de todo exequível. Para já, vou estabelecer um objetivo de 30 livros para 2017 e começar a pensar em algumas estratégias para ler mais. Tenho bastantes livros na calha para 2017 e daqui a uns dias podem contar com um post sobre os livros que quero mesmo ler para o ano. Mas para já, faço o balanço de 2016 em termos de leituras.

 

Não foi um ano de leituras brilhantes, tanto que não me foi muito difícil selecionar este top 5. Gostei mesmo muito destes livros e sinto que a maior parte dos outros que li ficaram bastante aquém das expectativas. Os que se seguem recomendo vivamente a quem esteja à procura de bons livros, mas podem ver abaixo a quem recomendo cada um mais especificamente.

 

5 – Ready Player One
Este é um excelente livro de um novo género em forte crescimento, o chamado LitRPG. Recomendo a quem gostar de ficção científica, de videojogos e dos anos 80.

 

4 – The Storied Life of A.J. Fikry
Este é um livro de ficção contemporânea que recomendo vivamente a quem gostar de livros. A sério, se gostarem de livros e de ler, leiam este livro.

 

3 – On Writing
Este foi o primeiro livro sobre escrita que li (apesar de entretanto já ter comprado mais 5 ou 6) e recomendo, obviamente, a qualquer pessoa que pense que gostaria de escrever algo. Qualquer pessoa que queira escrever deveria ler este livro.

 

2 – Bird Box
Recomendo este livro a quem gostar de terror e de suspense e não se deixe impressionar facilmente nem tenha tendência a ter insónias.

 

1 – Amy and Roger’s Epic Detour
É muito fácil de recomendar este livro: a qualquer um que goste de Young Adult contemporâneo e a quem gostar de roadtrips.

 

E vocês, quais foram os melhores livros que leram em 2016? Estou sempre à procura de novas recomendações.

“Hoje podes ser feliz”

O diário da Simply Creations “Hoje podes ser feliz” é um livro positivo para registarmos sentimentos, pensamentos e objetivos durante 24 semanas.

 

 

Comprei o meu há uns dias e acabei de completar a primeira semana. Gosto muito do conceito. Apesar do o diário ser muito simples, há algum tempo que andava à procura de algo do género e não tinha ainda encontrado nada que me agradasse. Até que me deparei com este diário no blog Healthy Fit Way e comprei logo o meu.

 

Este diário baseia-se na ideia de que o pensamento positivo e a prática da gratidão fazem bem à nossa vida e podem dar-nos uma perspetiva diferente sobre os nossos dias. Há algum tempo que queria implementar este tipo de prática na minha rotina diária, e já tinha tentado, recorrendo a um simples bloco de notas ou mesma a uma agenda. Mas nunca tinha conseguido fazê-lo durante mais do que dois dias seguidos. É aí que penso que uma ferramenta tão simples como este diário pode fazer toda a diferença. Não quer dizer que vá precisar dele para sempre, pode ser só uma questão de implementar este hábito e depois qualquer pedaço de papel servirá para continuar. Mas para já estou a adorar usar este diário e penso que teria dado uma excelente prenda de Natal (mas lembrei-me disso demasiado tarde).

 

Cada semana começa com uma classificação do nosso nível de motivação, numa escala de 1 a 10. Depois disso, há um campo para registarmos os objetivos da semana e outro para apontarmos notas urgentes. De seguida, começam os campos diários para os 7 dias da semana. Em cada dia temos uma nova escala de 1 a 10 para classificarmos como nos sentimos nesse dia ao acordar. Depois, devemos registar o nosso principal objetivo para esse dia. Temos depois espaço para apontar uma afirmação positiva, seguido de mais umas linhas para escrevermos algumas coisas pelas quais nos sentimos gratos nesse dia. O último campo deverá ser preenchido no final do dia e permite-nos registar as melhores três coisas que aconteceram nesse dia. Penso que esta é a parte mais importante, a par da prática da gratidão, porque muitas vezes os dias passam-se uns atrás dos outros sem nunca notarmos e registarmos o que de bom vai acontecendo nas nossas vidas. E podem ser as coisas mais simples que possam imaginar, mas é importante olharmos para o dia que passou e pensarmos “hoje aconteceu isto e foi bom.” A ideia é que desta forma terminemos o dia a focar-nos nos aspetos positivos e não naquilo que correu mal, que muitas vezes é a tendência natural e aquilo que perdura na nossa mente com mais facilidade.

 

Para além de tudo isto, um pormenor interessante é que o diário tem uma citação motivacional no início de cada semana.

 

Ao fim de uma semana estou a gostar muito de usar este diário e pretendo continuar a fazê-lo como prática diária pela minha vida fora. Aconselho a todos que estejam a tentar implementar uma atitude mais positiva perante a vida e será uma excelente prática para darem início em 2017.

 

Roadtrip USA West Coast – parte I

No ano passado fiz uma viagem que se transformou na viagem da minha vida (até ao momento). Foi tudo o que sempre sonhei, correspondeu totalmente às expectativas e quero um dia repeti-la (aproximadamente).

 

Essa viagem foi nada mais, nada menos do que uma roadtrip de 3 semanas na Califórnia e arredores. Foram 21 dias de viagem, 2625 milhas a conduzir e uma série de locais encantadores (uns mais do que outros mas todos valeram a pena).

 

Tudo começou com o planeamento e para isso muito ajudou o site roadtrippers.com. Aconselho este site a todas as pessoas que estejam a planear uma roadtrip nos Estados Unidos. Este site permite definir o percurso, incluindo todas as paragens, especificar em que dia vamos fazer cada troço da viagem, dá-nos uma estimativa das distâncias percorridas e de quanto iremos gastar em combustível e ainda permite pesquisar locais de interesse próxima da nossa rota, incluindo restaurantes, hoteis, parques de campismo, monumentos, entre outras coisas (permite ainda, dentro destas pesquisas, definir quanto nos queremos desviar da nossa rota). Enfim, é um site fantástico e extremamente útil. Já agora, fica a imagem da nossa rota, retirada deste site:

 

 

Resumindo: LA – (Long Beach) – Laguna Beach – (Oceanside) – San Diego – Phoenix – (Sedona) – Grand Canyon – Las Vegas – (Death Valley) – Mammoth Lakes – Yosemite – San Francisco – Monterey- (Big Sur) – Lompoc – (Santa Barbara) – LA
(entre parêntesis os locais onde estivemos de passagem, os restantes foram onde ficámos a dormir)

 

Alguns detalhes relativamente a esta viagem. Em primeiro lugar, fomos em Junho, época alta (principalmente nos Estados Unidos, onde as férias do verão começam e acabam um pouco mais cedo do que cá), por isso fomos com as estadias para todas as noites totalmente reservadas. Por um lado, tive medo que por ser verão já estivesse tudo cheio se deixássemos coisas para reservar na hora. Além disso, sinceramente não queria estar a preocupar-me com ainda ter de encontrar um sítio para ficar a dormir quando chegasse a determinada cidade. Foi tudo bem mais confortável. E correu tudo lindamente, não tivemos nenhum imprevisto, nenhuma reserva falhou, foi uma viagem com absolutamente zero percalços. A única coisa que ainda não estava marcada foi a segunda noite no Grand Canyon, no parque de campismo Bright Angel, porque a permissão tem de ser obtida com cerca de 6 meses de antecedência (que deixei passar) ou então na véspera se ainda houver vagas (felizmente conseguimos). Mas tínhamos outro parque reservado para essa noite para o caso de não conseguirmos. É verdade, sim, acampámos durante esta viagem. Este é outro pormenor: levámos a nossa tenda numa das nossas malas (sim, somos malucos) e lá comprámos sacos cama e colchonetes (tal como outras coisas para acampar, como papel higiénico, enlatados, talheres de plástico – mas não dos descartáveis, canivete, barras energéticas e de proteína). Fomos ao Walmart e foi tudo muito barato.

 

Dia 0 – Lisboa – LA
Voámos para LA numa quinta-feira e chegámos já bem tarde. Reservámos um hotel próximo do aeroporto nessa noite para na manhã seguinte voltarmos cedo para levantar o carro.

 

Dia 1 – LA – Long Beach – Laguna Beach
No primeiro dia fomos então levantar o carro que já tínhamos reservado online e fizemo-nos à estrada. Decidimos deixar LA para o fim, para prevenir que algo acontecesse durante a viagem e não chegássemos a tempo do voo de regresso, por isso saímos logo da cidade e começámos a fazer a Highway 1 em direção ao Sul. Tínhamos a primeira noite reservada em Laguna Beach, mas a ideia era irmos parando em vários pontos ao longo da costa e ver as pequenas cidades costeiras e praias. Almoçámos em Long Beach. Adorei fazer esta parte da costa, as cidades que fomos encontrando pelo caminho eram absolutamente encantadoras. Não estava tempo de praia, com bastante vento e algumas nuvens, mas a ideia também não era essa.

 

 

Dia 2 – Laguna Beach – Oceanside – San Diego
No segundo dia passámos a manhã em Laguna Beach e durante a tarde o esquema foi o mesmo que no dia anterior, em direção a San Diego. Gostámos muito de Laguna Beach e não nos importávamos nada de regressar para uma estadia mais longa. Na chegada a San Diego parámos logo em La Jolla, uma zona muito interessante e cheia de lontras (o cheiro não é muito agradável, mas aguenta-se bem). Depois fomos deixar as malas no hotel e jantámos num restaurante mexicano na Old Town de San Diego.

 

 

Dia 3 – San Diego
O terceiro dia foi passado inteiramente em San Diego. Eu já conhecia alguma coisa porque tinha estado lá no ano anterior para um congresso mas gostei muito de regressar. Passámos a maior parte do dia no Balboa Park, onde provámos shaved ice, assistimos a um concerto de órgão (têm um dos maiores órgãos do mundo ao ar livre), e passeámos no jardim japonês. Ao final do dia fomos passear até Ocean Beach e jantámos por lá os melhores fish tacos da America (dizem) e as melhores onion rings da viagem!

 

 

Dia 4 – San Diego – Phoenix
Na manhã seguinte ainda ficámos por San Diego, passeámos pela zona da marina e ao final da manhã fomos ao Walmart fazer compras para os dias seguintes (incluindo equipamento para acampar). Ao início da tarde partimos para Pheonix – 6 horas de viagem e 350 milhas – onde estavam 40 ºC quando chegámos. Este foi o primeiro troço mais extenso que fizemos e eu adorei! Muitas pessoas não se apercebem mas os Estados Unidos têm paisagens impressionantes. Têm muitas cidades altamente populadas mas separadas por longas extensões sem vivalma, em certas zonas desérticas e noutras muito vegetadas. É impressionante. Parámos em Phoenix só para ficarmos a dormir nessa noite e jantámos uma maravilhosa sanduiche de pulled pork com cole slaw a acompanhar.

 

 

Na segunda parte vou falar dos dias 5 a 9, incluindo Sedona, Grand Canyon e Las Vegas

Ser feliz

Tenho pensado muito no que é ser feliz. É um tópico difícil e altamente subjetivo mas que considero muito interessante.

 

Eu sou uma pessoa naturalmente feliz. Não sei de onde vem esta minha facilidade em ser feliz, não me parece que alguma vez tenha feito algo intencional para isso nem que os meus pais me tenham ensinado a ser assim. Simplesmente sinto-me feliz mais frequentemente do que não. E penso que me sinto feliz mais frequentemente do que a maior parte das pessoas.

 

Conheço também algumas pessoas que são naturalmente infelizes, ou apenas não felizes. E acredito que para quem tenha essa tendência natural seja muito difícil mudar.

 

Hoje estava a pensar neste assunto e apercebi-me que isto da felicidade é capaz de funcionar muito como o fitness. Já ouvi/li várias vezes que as pessoas que conseguem ter um real sucesso no campo do fitness (não necessariamente a nível profissional, simplesmente serem pessoas fit e saudáveis) são aquelas que não só se focam nos seus objetivos finais mas gostam e sentem prazer com o processo para lá chegar. Gostam de ir ao ginásio, de comer bem, de verem os pequeninos progressos a acumularem-se. Também há uns tempos, num workshop de escrita, o formador nos disse que se queremos ser escritores não basta querer ver o nosso livro publicado. Temos de gostar do processo, de nos sentarmos na secretária a escrever, e de fazê-lo durante horas. Se não gostarmos, nunca vamos ter motivação suficiente para levar um livro até ao fim. E penso que na felicidade é o mesmo.

 

Muitas pessoas, quando questionadas sobre o que precisam para serem felizes listam uma série de coisas. Uma casa, de preferência numa boa localização, uma relação perfeita com o seu parceiro, X filhos e Y euros no banco, conseguir o cargo XPTO na empresa, ter muitos amigos, saúde, etc.

 

Pensando um pouco nisto, penso que se estabelecermos uma lista de objetivos deste género e dissermos “quando conseguir tudo isto, aí sim, vou ser feliz” então com certeza acontecerá uma de duas coisas. Primeira possibilidade: quando tivermos tudo isso vamos perceber que afinal não era nada daquilo que queríamos, ou que até queríamos aquilo mas que tudo isso não nos faz ser verdadeiramente felizes. Segunda possibilidade: sim, queríamos tudo aquilo, mas agora que já lá chegámos queremos um pouquinho mais. Queremos chegar ainda mais longe e com essa ânsia continuamos a ser infelizes.

 

Para mim há duas chaves para se ser feliz. Primeiro, gostar e desfrutar do processo. Se eu tenho uma série de objetivos, não posso adiar o sentimento de felicidade apenas para quando os conseguir. Devo sentir-me feliz cada vez que der um pequeno passo nessa direção. Segundo, apreciar as pequenas coisas. Na realidade, o que nos faz feliz não é a casa ou o dinheiro no banco ou ser diretor na empresa. O que nos faz feliz são as coisas pequenas.

 

O que me faz feliz é sentir que fiz um bom trabalho na empresa e levar um projeto a bom porto, mesmo não sendo (ainda) diretora. É todos os dias escrever um bocadinho do meu livro (se apenas a publicação me trouxesse felicidade, duvido que o escrevesse, sendo tão incerta a possibilidade de o ver um dia publicado). São os momentos que passo com a minha família e com os meus amigos. É o café pela manhã e o chá ao final do dia. É um quadrado de chocolate a derreter na boca e uma boa caminhada pela manhã. É ler um livro muito bom. É acordar ao lado da minha pessoa. É viajar para um sítio diferente e interessante. É ver o sorriso na cara de uma pessoa querida quando ofereço um presente de que gostaram (agora que estamos tão perto do Natal). É reencontrar amigos que já não vejo há muito tempo. É ir passear à beira mar, principalmente no Inverno. É passar a ponte da Arrábida quando chego ao Porto. É ver o rio Tejo do alto quando aterro em Lisboa. É acordar e saber que tenho um novo dia pela frente e que posso fazer dele (e de todos os outros que se seguirão) o que eu quiser.

 

Vamos ser felizes todos os dias.

Fui ver Harry Potter and the Cursed Child

No fim de semana passado, dia 10 de Dezembro, fui ver a peça Harry Potter and the Cursed Child. Ou melhor, as peças, uma vez que são duas partes. Sim, isso mesmo, cerca de 5 horas de peça de teatro, tudo no mesmo dia.

 

Comprei os bilhetes no dia 28 De Outubro de 2015, no primeiro dia em que eles foram colocados à venda, com exatamente 409 dias de antecedência. Nesse dia foram colocados à venda os bilhetes para as exibições entre julho de 2016 e janeiro de 2017, e apesar de estar colada ao site a tentar desde que ele abriu, já só consegui bilhetes para dezembro.

 

E fui esperando ansiosamente pelo dia da peça, houve alturas em que quase me esqueci que ela iria acontecer, apenas para depois me relembrar e o meu coração saltar com ansiedade.

 

Nos entretantos e a partir de Julho fui evitando ao máximo qualquer espécie de spoilers, quer no Youtube, em blogs ou em sites de notícias. E consegui, não soube o mais pequeno pormenor antes da peça, a não ser aquilo que toda a gente sabia: a peça retomava exatamente onde o epílogo do último livro tinha terminado. Ou seja, 19 anos depois da batalha de Hogwarts.

 

Penso que faz sentido abrir aqui um parêntesis para explicar a minha relação com o Harry Potter. Sim, é uma relação já longa e maravilhosa. Somos velhos amigos.

 

Não me vou alongar muito porque este tema é algo sobre o qual conseguiria estar aqui a escrever durante horas, mas vou-me ficar pelo básico. Li o primeiro livro com 14 anos e fiquei imediatamente enfeitiçada. Foi uma questão de meses até comprar os dois seguintes (quando o fiz, o terceiro tinha acabado de sair) e no Natal seguinte o pedido mais importante foi o quarto livro. Pouco tempo depois, comprei o quarto livro também em inglês e a partir do quinto fui a todos os lançamentos à meia noite na Fnac, tanto das edições inglesas como das portuguesas. Quando saia a edição inglesa, enfiava-me imediatamente (às 0h10) em casa a ler e não fazia mais nada enquanto não terminasse. Chorei muito a ler estes livros. Alguns (os primeiros) já devo ter lido umas 10 vezes, até porque desde o quarto até ao sétimo relia sempre a séria toda em preparação para o novo.

 

Não sei muito bem explicar isto, mas o Harry Potter faz parte de mim, faz parte da pessoa que sou. Não sei explicar mas sinto que aquelas personagens são meus amigos, sinto que enquanto lia consegui sentir algumas das coisas que aquelas personagens sentiam. Sei que a maior parte das pessoas não compreende isto, mas também sei que há uma grande comunidade de pessoas que como eu também sentem isto. Já falei muito com algumas delas na internet. Não conheço ninguém pessoalmente a quem o Harry Potter diga tanto como a mim. Mas sei que eles andam aí.

 

Depois vieram os filmes, mas não é a mesma coisa. E depois veio o Pottermore, em que a autora nos escreve sobre variados tópicos, desde passado de personagens secundárias a explicações mais aprofundadas sobre o funcionamento do mundo mágico que não surgem nos livros, mas também não é a mesma coisa. E agora veio esta peça e também não é a mesma coisa, mas a J.K. Rowling colaborou na escrita e por isso eu tinha de ir ver. Confesso que se ela não tivesse estado envolvida, provavelmente não me teria despertado o interesse. Mas se saiu da cabeça dela e se ela diz que foi isto que aconteceu, então eu tinha de estar lá.

 

E a peça não desiludiu.

 

 

Ri, chorei, emocionei-me, soltei expressões de espanto ao mesmo tempo que mais de 1000 outras pessoas que estavam dentro da mesma sala a ver a mesma coisa.

 

O sentido de comunidade foi mais do que muito, as personagens não desapontaram, a história foi suficientemente interessantes para nos deixar com curiosidade em relação ao que aconteceria a seguir. Foram 5 horas de peça altamente empolgantes.

 

A primeira parte começou às 14h e acabou já depois das 16h30. Como a segunda parte apenas começaria às 19h30 fomos jantar (um ramen muito bom) perto do teatro e depois fomos a uma casa de donuts comer um e beber um café (e ficar na conversa). Ainda assim voltámos mais cedo para o teatro porque eu queria ver o merchandise que estava à venda. Comprei o livro souvenir com fotos da peça, um colar dos Gryffindor, uma caneta dos Gryffindor e um pin dos Gryffindor. Depois veio a segunda parte, que me pareceu ter tido mais reações do público do que a primeira, mais gargalhadas, mais expressões de espanto. Gargalhadas e expressões de espanto que só quem conhece muito bem o Harry Potter poderia perceber.

 

Quando terminou, o sentimento foi mais uma vez de alegria e de tristeza ao mesmo tempo. Alegria porque a peça foi gira, porque tive a enorme sorte de poder assistir ao vivo nos primeiros meses de exibição com o cast original, porque revivi sentimentos que só o Harry Potter me transmite. Tristeza porque foi mais um fim, porque acabou mais uma vez, porque não vão existir mais histórias com estas personagens.

 

Adorava que a Jo escrevesse um livro com a história desta peça. Mas um livro mesmo, não a edição que saiu entretanto com o guião da peça. Um livro. Seria maravilhoso e tenho a certeza que com a mestria dela conseguiria introduzir muitos mais pormenores do que os da peça. Mas infelizmente não há previsões de que isso aconteça.

 

Fiquei mais uma vez com vontade de reler os livros todos outra vez. É algo que me custa por causa dos mais de 100 livros não lidos que tenho à minha espera na estante, mas estou mesmo com vontade de relembrar tudo mais uma vez. Ainda tenho a edição ilustrada da Câmara dos Segredos para ler… Sou capaz de ler a Pedra Filosofal antes, depois leio essa edição ilustrada e depois logo vejo se me vai apetecer continuar (pois, claro, como se fosse possível não apetecer…)

 

E por aí, há alguém assim tão fã de Harry Potter? Alguém que tenha ido ver a peça? Gostaram?

Links da semana #2

Youtube:

Blogosfera:

o que se leva da vida é a vida que se leva* – Lindo. Gosto sempre das palavras da Sofia.

nutella, meu grande amor! – Ai, como te compreendo, Perna Fina…

Escrita

The green list: 10 of 2016’s best articles on writing – Uma seleção (subjetiva) de 2016.

7 Misconceptions About Revision – Porque o processo de revisão é tão importante.

Outras coisas

Passou-se uma semana desde isto:

 

 

Para a semana há post no blog sobre isto!

Crítica #4: Eleonor & Park de Rainbow Rowell

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Título: Eleonor and Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Orion Books
Género: Juvenil
Ano de publicação: 2013

Classificação:

4stars

Eleonor & Park é uma história sobre dois adolescentes, alunos de secundário numa cidade americana, que são (e se sentem) diferentes de todos os outros. Eleonor vive com a mãe, o padrasto e os irmãos e a sua vida familiar não é particularmente saudável. Para além disso, tem fortes complexos em relação ao seu corpo. Park tem um pai americano e uma mãe coreana e sente que a sua maneira de ser incomoda o pai e é diferente dos outros rapazes da sua idade. Eleonor é nova na escola e de uma forma inesperada faz amizade com Park. São as suas diferenças que acabam por os unir.

O livro é escrito de forma alternada entre a perspectiva de ambos os protagonistas. Isto permite-nos compreender bem as duas personagens e a maneira diferente como, por vezes, os dois experienciam a mesma situação. A história torna-se interessante logo desde o início, quando percebemos que Eleonor vive numa situação muito delicada. Já antes expulsa de casa pelo padrasto, e só lhe tendo sido permitido voltar após um ano, ela vive no terror de que isso volte a acontecer. A própria mãe vive aterrorizada do namorado, pelo que nunca é uma grande ajuda para Eleonor. Rapidamente a tensão vai aumentando, tanto em relação à situação com a família como na escola, onde Eleonor é atormentada por alguns colegas. O ritmo do livro é bastante acelerado e lê-se com muita facilidade. A cada capítulo vamos conhecendo melhor as mentes dos dois personagens e percebendo o porquê da forte ligação entre os dois.

Um facto curioso deste livro é que, apesar de ser de 2013, passa-se nos anos 80. Eu, que nasci nesta década, gostei deste aspeto e penso que poderá ser muito revelador para os jovens de hoje em dia, que não fazem ideia de como era viver sem telemóveis, WhatsApp, Facebook e internet. Não sabem o que é “ligar para casa” de um amigo nem ouvir música a partir de um walkman a pilhas. Para mim foi uma bela forma de recordar algumas situações antigas que hoje em dia simplesmente não acontecem, como quando ligava para casa da minha melhor amiga para tirarmos dúvidas uma com a outra sobre os trabalhos de casa.

Recomendo o livro a todos os jovens, quer se sintam diferentes ou não, e a todos os pais que queiram perceber alguns do sofrimentos dos adolescentes de hoje em dia, que apesar de todas as diferenças são muitos dos mesmos dos que cresceram na década de 80.

Só mais um pormenor: adoro o trocadilho do título.