Crítica #3: The Book Thief de Markus Zusak

the-book-thief.jpg

[Goodreads] [BookDepository]

Título: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Editora: Knopf Books for Young Readers
Género: Juvenil – Ficção histórica
Ano de publicação: 2006

Classificação:

3-5stars

The Book Thief de Markus Zusak narra o final da infância e início da juventude de uma menina alemã durante a segunda guerra mundial. Logo no início da narrativa, é colocada numa família de acolhimento que consiste num casal em sérias dificuldades financeiras, e acompanhamos os anos seguintes da sua vida na pequena cidade de Molching (ficcional), perto de Munique. O que este livro tem de mais diferente e interessante é o facto de ser narrado pela morte. Sim, a morte presencia todos os acontecimentos desta história e narra-os ao leitor.

Infelizmente, este livro ficou aquém das minhas expectativas. Não vou tão longe como dizer que não gostei, porque até que gostei, mas não adorei. E depois de todas as críticas tão positivas que de uma maneira ou de outra já tinham chegado até a mim, estava à espera de adorar o livro e tenho muita pena mas isso não aconteceu. Na realidade, o facto de o livro ser narrado pela morte foi mesmo a melhor parte, o que não abona muito a favor da história, principalmente porque pensei que mesmo esse aspecto poderia ter sido um pouco mais bem aproveitado. Ou seja, é engraçado o livro ser narrado pela morte? Sim, muito. Isso foi bem explorado durante o livro? Não, na minha opinião poderia ter sido muito mais explorado. E para além disso, o que mais tem o livro de interessante? Não tem grande coisa.

Penso que o meu principal problema com este livro foi o facto de nunca ter chegado a criar grande ligação com a personagem principal. Gostei muito das relações entre ela e duas das personagens secundárias, mas basicamente senti-me mais cativada por essas personagens secundárias (Hans e Max) do que pela personagem principal. Para mim, isto é um problema. Na minha opinião, qualquer livro funciona tanto melhor quanto maior a nossa ligação à personagem principal. Por isso neste caso, senti que ficou a faltar aquele investimento emocional que acontece quando gostamos e nos preocupamos com uma personagem.

Um outro aspeto positivo do livro foi todo o retrato da segunda guerra mundial. Aí o autor não falha, e apresenta-nos várias situações que penso representarem bem o que se passou naquela altura, desde as perseguições aos judeus, aos homens alemães enviados para combate contra a sua vontade, aos bombardeamentos em zonas civis, e ao racionamento de alimentos por toda a população. Acabamos por ficar com uma ideia de como as populações mais pobres viveram aqueles anos.

Apesar de tudo, dou uma nota positiva ao livro e recomendo, uma vez que estou convencida que foram as minhas elevadas expectativas que me fizeram não o apreciar.

7 Estratégias para uma melhor gestão de tempo

zmzhcvivgbg-ales-krivec.jpg

Hoje em dia temos vidas cada vez mais ocupadas. Parece até que se tornou um motivo de orgulho poder dizer “Ando tão ocupada/o, não tenho tempo para nada”. Quanto a mim (e não sou a única), esta é uma maneira errada de se viver (apesar de também eu dizer o mesmo muitas mais vezes do que gostaria). As horas passadas no trabalho são quase sempre mais do que era suposto, o tempo perdido no trânsito é cada vez mais, chegando a casa ainda há um montão de coisas para fazer, pôr roupa a lavar, apanhar e dobrar a que já está seca, dar uma arrumadela à cozinha (muitas vezes arrumar a louça que ficou de véspera), preparar o jantar e muitas vezes o almoço do dia seguinte. Depois há as restantes atividades: ir ao ginásio ou dar uma corrida ou fazer uma caminhada, passear o cão, ir ao supermercado, entre um oceano de muitas outras coisas.

E no meio de tudo isto, onde arranjamos tempo para nós? Para simplesmente estarmos, para fazermos o que gostamos e nos faz bem, para relaxarmos e para trabalhar nos nosso projetos pessoais? Desde que comecei a escrever o meu livro que me deparo muito mais com esta dificuldade. Um livro demora muito tempo a escrever, exige muito trabalho, não é uma coisa que se faça do pé para a mão. E onde e como vou conseguir encontrar esse tempo? Ao início não foi fácil, aliás, a primeira vez que comecei a escrever um livro (há cerca de um ano) acabei por desistir ao fim de uns dois meses porque achava que não tinha tempo para o fazer. Felizmente entretanto apercebi-me que quando queremos realmente algo, então nada nos vai impedir de o conseguir. Comecei a olhar para a minha vida e a ver onde podia encontrar algum tempo e estabeleci uma estratégia e um plano para o projeto do meu livro (assim como para este blog, que também exige bastante do meu tempo).

E é assim que hoje reúno neste post as 7 melhores estratégias que consegui encontrar até agora para ter tempo para fazer aquilo que realmente quero. Espero que vos seja útil.

1 – Reduzir o tempo nas redes sociais

dfmmzzi3rmg-william-iven.jpg

Contra mim falo, que escrevo num blog e tenho uma página no Facebook, mas se realmente precisam de mais tempo para fazer algo, então este deverá ser o primeiro sítio a sofrer o corte. Pensem bem: se têm um objetivo a cumprir, quer seja escrever um livro, ir ao ginásio ou simplesmente caminhar mais, fazer artesanato para vender na feira ao fim de semana, o que quer que seja, e se realmente querem cumprir esse objetivo, então passar 10 minutos a fazer scroll no Facebook não é uma perda de tempo total?

Por vezes faço isso e ao fim de um par de minutos sinto-me completamente estupidificada. Penso “Isto vai contribuir para que o meu livro esteja um dia nas livrarias? Faz com que eu escreva melhor e mais rápido? Com que consiga angariar potenciais leitores?” E a resposta a todas estas perguntas é: não. Então é uma perda de tempo. Quem diz Facebook podia dizer Instagram, Twitter, Google+ ou o que mais exista (deixo de fora o Youtube porque nesse caso pode depender muito do que estejam a ver, se for algo didático ou instrutivo para a vossa área de interesse pode até ser bastante útil e no Youtube encontra-se de tudo).

2 – Multitasking

Por vezes este conselho não é recomendado. Pelos vistos somos menos produtivos quando nos concentramos em mais do que uma coisa ao mesmo tempo e eu concordo com isso. Penso que quando temos uma tarefa em mãos, seja algo no trabalho, escrever um post, fazer algo criativo, devemos focar-nos unicamente nessa tarefa.

O tipo de multitasking a que me refiro é ligeiramente diferente. Estou a referir-me a aproveitar o tempo que temos de dispender com tarefas que são inevitáveis (arrumar a casa, preparar o jantar, conduzir/andar de um lado para o outro, etc.) para apreendermos informação. De preferência, informação que nos seja útil. Neste ponto, as minhas recomendações vão para ouvir podcasts e audiobooks. Estas são neste momento duas das minhas ferramentas preferidas. Ouço podcasts e audiobooks quando estou a conduzir, a fazer o jantar, a arrumar a cozinha ou a casa, a apanhar e estender roupa, quando vou caminhar, correr ou ao ginásio. Basicamente, em qualquer tarefa que não exija grande esforço mental e que me permita estar a ouvir algo, vão encontrar-me invariavelmente a ouvir um episódio de um podcast ou um audiobook. Felizmente, tenho um namorado espetacular que quando eu fiz anos me ofereceu uma subscrição de um ano da Audible, com direito a um livro por mês (basicamente ofereceu-me 12 livros, obrigada R.!) mas os podcasts são grátis! E há tantos tão bons e tão informativos, sobre os mais variados tópicos que aposto que quase toda a gente consegue encontrar alguns que lhe interessem (eu, infelizmente, já encontrei demasiados e começo a ter de ser seletiva porque já não tenho tempo de os ouvir a todos).

3 – Deitar mais cedo e acordar mais cedo (ou deitar mais tarde e acordar mais tarde)

55_mpwjn1lc-nomao-saeki

Esta dica pode parecer contraditória mas eu passo a explicar: façam o que funciona melhor para vocês, mas quer seja ao início ou ao final do dia, arranjem um período de tempo fixo para trabalharem naquilo que querem.

O meu exemplo: tenho um trabalho super exigente durante o dia e chego ao final do dia completamente exausta. Se chegar a casa à noite e tentar trabalhar no meu livro, já sei que nada vai acontecer. Não vou ser produtiva. Talvez me consiga concentrar por uns 10 ou 20 minutos mas não mais do que isso. Além disso, toda a vida funcionei melhor de manhã. Nunca tive problemas em acordar cedo e quando estudava preferia continuar a usar o despertador nas épocas de exames, por exemplo, e começar cedo a estudar, para poder parar por volta das 18:00 sempre que possível, quando a minha cabeça deixava de funcionar muito bem. Nunca fui de fazer noitadas para estudar.

Com o meu livro, a minha estratégia atual consiste em acordar às 5:00 todos os dias. A primeira meia hora é para acordar, despachar necessidades fisiológicas, beber um copo de água e fazer café, ver o e-mail pessoal (nem pensar em ver o de trabalho tão cedo!) e passar pelo Facebook (só para ver se há notificações ou mensagens, nem sequer olho para a wall). Às 5:30 começo a escrever, e tenho cerca de uma hora e meia útil até ter de me ir preparar para ir trabalhar. Durante esse período de tempo consigo fazer imenso trabalho, tanto para o livro como para o blog, e fica despachadinho logo de manhã. Claro que para isto acontecer, também há que deitar cedo. O meu objetivo é estar na cama às 21:30. Às vezes porto-me melhor, outras vezes falho neste objetivo, é ainda um hábito que estou a tentar estabelecer, mas já sei que se passar uns dias seguidos a deitar-me mais tarde do que devia, eventualmente acaba por chegar um dia em que o despertador toca e eu continuo a dormir. Isto não é nada típico em mim, mas quando não sou eficiente a cumprir a hora de deitar, acaba por acontecer uma vez ou outra.

A chave aqui, como em tudo, é fazer o que funciona para vocês. Se forem daquelas pessoas que têm imensa dificuldade em acordar cedo (que as há), então façam por minimizar a vossa rotina de manhã, de forma a poderem acordar um pouco mais tarde e fiquem a trabalhar nos vossos projectos um pouco até mais tarde na noite anterior. O único objetivo é mesmo alocar um período de tempo específico para se focarem no vossos objetivos. Se ficarem à espera que esse tempo surja por si, isso não vai acontecer, têm de ser vocês a reservar aquele bloco de tempo para isso.

Uma última achega relativamente a este tópico: a forma mais fácil de o vosso organismo se adaptar totalmente a um dado horário de dormir é manter aproximadamente o mesmo horário ao fim de semana. Segundo o conselho do Dr. Michael Breus, tentem ao fim de semana não se desviarem mais do que uma hora do horário da semana. Sei que às vezes pode implicar não ir a uma saída com amigos ou ver um filme ao cinema, mas convém mesmo apenas fazê-lo como excepção, ou então voltarem para casa mais cedo em vez de ficarem até às tantas, ou tentem ir à sessão do final da tarde em vez da noite. Se realmente quiserem trabalhar nos vossos projetos e cumprir os vossos objetivos, terão mesmo de fazer alguns sacrifícios, mas em algumas das situações consegue-se arranjar alternativas.

4 – Planear, planear, planear!

foko4dpxamq-eric-rothermel

Comecei a escrever há cerca de um ano. Durante meses não planeei nada, simplesmente sentava-me em frente ao computador quando tinha tempo e escrevia. O resultado foi o seguinte: nada.

Houve aqui dois problemas. Um deles já referi no ponto 3: o tempo não vai aparecer por magia, temos de ser nós a estabelecer um período de tempo específico para trabalhar. O outro problema foi a falta de um plano. Sem um plano previamente definido é muito mais complicado sentarmo-nos e começarmos a trabalhar. Em primeiro lugar é desmotivante. O facto de não sabermos exatamente o que temos de fazer a seguir torna muito mais fácil que descartemos o bocadinho que temos de tempo e nem sequer comecemos a trabalhar. Depois, se ainda assim formos insistentes e nos sentarmos a trabalhar, ainda vamos perder tempo a pensar no que temos de fazer a seguir, e com a pressa de arrancar podemos nem sequer começar a fazer a coisa certa, acabando por transformar o nosso trabalho numa grande confusão que nos desmotiva ainda mais.

Neste momento tenho um plano muito bem definido, tanto para o blog como para o livro. Sei exatamente quais os posts que vou publicar no blog até meio de Janeiro. Não quer isto dizer que se surgir um assunto novo sobre o qual queira escrever não o vá fazer. É essa a vantagem dos planos: podemos sempre mudá-los e ajustá-los. Mas quer dizer que se por acaso surgir uma meia hora que queira aproveitar para trabalhar no blog, ou então quando acordo às 5:00 para escrever, não tenho de perder tempo a pensar “sobre o que é que eu vou escrever agora?” Nada disso, basta olhar para o meu plano e ver o que tenho no calendário a seguir. E o mesmo vale para o livro. Tenho definidas exatamente as próximas tarefas que tenho a executar, pela ordem que tenho de as fazer, por isso quando me sento para trabalhar no livro não há sequer dúvidas relativamente ao que tenho de fazer a seguir.

Pode parecer estranho ao princípio mas isto ajuda mesmo. E os 5 minutos por dia que perdemos a planear as tarefas acabam por ser compensados muitas vezes com o tempo que poupamos mais tarde a executar.

5 – Estabelecer targets e monitorizar

Este ponto está muito associado ao anterior. Consiste apenas em definir objetivos e estabelecer um tempo limite para os alcançar. Ao executar o passo anterior, este vem quase automaticamente. Basta para cada uma das tarefas definidas no planeamento, ou pelo menos para as mais significativas, ou para um conjunto de tarefas que estejam relacionadas, definir um limite de tempo em que temos de as executar. Podemos andar para trás no tempo, começando no objetivo mais importante (por exemplo, acabar um livro) e definir uma data. Depois pensar “OK, qual é a última coisa que eu preciso de fazer para cumprir este objetivo?” Por exemplo, antes de acabar um livro tenho de o rever. Para ter tempo de rever o livro de forma a cumprir o último deadline, então tenho de acabar o primeiro rascunho na data X. E por aí fora. Este exemplo está muito simplificado, para terminar um livro são necessários muitos mais passos intermédios, mas penso que dá para compreender a ideia.

Apesar de estas datas impostas serem meramente internas (normalmente em projetos pessoais não temos pessoas externas a imporem-nos prazos), o importante é que os levemos mesmo a sério. É também importante que consigamos reconhecer a nossa realidade antes de começarmos a impor prazos: eu sei que tenho de manter o meu emprego principal, por isso não é realista impor um período de 2 meses como prazo para terminar o primeiro rascunho do meu livro. Se formos irrealistas com estes prazos, a única consequência é que vamos estar constantemente a falhá-los, vamos perder a confiança em nós próprios e vamos começar a descartar à priori os nossos prazos internos. Assim, é importante que estes prazos auto-impostos sejam realistas mas que representem um pequeno desafio a nós próprios. Não podem ser demasiado apertados para não estarmos constantemente a falhar, mas também não podem ser demasiado alargados ou não vamos estar a puxar por nós. Há que encontrar um meio termo que funcione para cada um.

6 – Aproveitar todos os bocadinhos

Por exemplo, estou agora a trabalhar neste post, tendo começado tal tarefa quando faltavam 15 minutos para ter de ir tomar banho para sair para um jantar. Já passaram 10 minutos e já escrevi mais de 400 palavras. Podia facilmente ter pensado “Oh, 15 minutos não dá para nada” e ter ido passar o tempo para o Facebook (ver dica nº 1). E é verdade, 15 minutos não é tempo suficiente para escrever um post inteiro (pode ser, dependendo do post, mas não este). Mas quem disse que quando nos sentamos a fazer algo temos de o fazer até ao fim? Daqui a 4 minutos vou ter de interromper o que estou a fazer e este post não vai ficar completo, mas amanhã, quando voltar a ele já vou ter mais de 500 palavras escritas. Vou conseguir terminá-lo 15 minutos mais cedo do que se não estivesse a trabalhar nele agora. Muitas vezes temos a mania (desculpem mas é mesmo uma mania) que para fazer um bom trabalho em algo temos de estar meia hora ou uma hora, ou duas ou três, completamente concentrados nessa tarefa. Ora isto não podia estar mais longe da verdade. Se eu fosse estar à espera de ter uma hora disponível para escrever um capítulo do meu livro, nem daqui a 3 anos o livro estaria escrito. Todos os bocadinhos ajudam, nem que sejam só 5 minutos.

6b – Ter uma lista de mini-tarefas

list-372766_1920

Considero esta dica uma alínea da anterior e depende muito do tipo de projetos que estejamos a desenvolver. Por exemplo, não costumo aplicar esta estratégia na minha escrita porque vejo a escrita como um ato mais contínuo (dá sempre para aproveitar 5 minutos) mas implemento isto no meu trabalho principal. Consiste em manter uma lista, ao lado da nossa lista de tarefas, que consiste em tarefas que podem ser feitas em 5 minutos ou menos (ou 10 minutos, ou ambos). Imaginem que tenho uma reunião das 14:00 às 15:00 e outra a iniciar às 15:00 (acontece muitas vezes, temos demasiadas reuniões). Agora imaginem que a reunião que termina às 15:00 é mais curta e acaba 5 ou 10 minutos mais cedo. Ora é muito fácil de pensar “Daqui a 5 minutos já tenho de ir para outra reunião, por isso não vale a pena começar a fazer nada.” Se tivermos uma lista de coisas que temos de fazer e que demoram apenas 5 minutos, quando surgirem esses intervalos de 5 minutos basta irmos consultar essa lista e escolhermos uma tarefa para despachar. Reduzimos a nossa lista de tarefas e não perdemos tempo. Devo reconhecer: esta ideia não é original. É apresentada no guia de gestão de tempo “Getting things done” (GTD). Ainda não li mas já ouvi alguns episódios do respetivo podcast e recomendo a quem tenha interesse neste tema.

7 – Pedir ajuda

Não nos armemos em super-heróis ou super-guerreiros. O tempo é finito, as coisas que temos para fazer são muitas, os empregos de hoje em dia são muito exigentes, e se a par de tudo isto ainda tivermos um projeto pessoal que queremos executar, então algo tem de ceder. Peçam ajuda. Se puderem contratem alguém que vos arrume a casa. Falem com as vossas famílias para que eles percebam que isto é importante para vocês e que precisam de tempo para realizarem o vosso sonho. De certeza que eles vão compreender e ajudar. Qualquer tarefa que consigam e queiram delegar, façam-no.

E para já é isto. Ficam as minhas dicas de gestão de tempo para quem as quiser aproveitar. Não é uma lista exaustiva, são apenas os passos que tenho vindo a dar para ter mais tempo a dedicar ao meu sonho. Se também vocês tiverem um sonho, não adiem mais. Não esperam pela altura ideal ou pela altura em que vão ter mais tempo disponível porque essa altura não vai chegar. Se não forem vocês a dar os passos para tornarem o vosso sonho realidade, ninguém mais o vai fazer.

Queria só dar uma palavra a um grupo de pessoas ao qual não pertenço: pessoas com filhos. Saibam que têm a minha admiração total e que não sei como conseguem. Estou convencida que se tivesse filhos não conseguiria pôr em prática nem metade do que está escrito aqui em cima. Por isso os meus parabéns a todos os pais que ainda assim conseguem trabalhar em realizar os seus sonhos (e o vosso sonho pode muito bem ser isso mesmo: ter filhos e cuidar deles). Pode ser que quando eu própria tiver filhos reveja esta lista e dê novas dicas adequadas à situação. Até lá, sei que tenho a minha vida muito facilitada em relação a alguns de vocês.

Uma última palavra de agradecimento ao meu R., que me apoia em tudo, que me ajuda tanto e me permite ter tempo para dedicar ao meu sonho. És o maior!

E vocês, têm mais alguma estratégia? Estou sempre à procura de novas formas de otimizar o meu tempo por isso sugestões novas são sempre bem-vindas.

Viagem Filipinas/Macau – parte I

No final do mês passado embarquei para mais uma viagem. Deste vez, e por motivos muito particulares, o destino foi Macau, com um saltinho às Filipinas para uns dias de descanso.

A viagem começou da pior forma possível, com o taxi à minha porta às 11h30, tal como eu tinha pedido, e a ter ainda de terminar assuntos de trabalho que tinham mesmo de ficar resolvidos, deixando o taxi à minha espera durante 20 minutos. Coitado do senhor, ligou-me a perguntar se eu já não ia para o aeroporto, pedi-lhe para esperar e ele foi extremamente simpático e nem sequer me cobrou o tempo que esteve à espera.

Finalmente ultrapassada a crise de trabalho e chegando ao aeroporto, as coisas rapidamente mudaram de figura. Voei pela primeira vez com a Emirates (em económica e porque eram os voos mais baratos para os dias que queria) e, digo-vos, nunca me senti tão confortável num voo de longo curso. Os lugares são espaçosos, os assistentes de voo muito simpáticos, há todas as comodidades e mais algumas e comi as melhores refeições de sempre num voo. Para meu espanto, havia internet no avião, tudo bem que o pacote gratuito era muito limitado, apenas um máximo de duas horas e 10 MB (que acabam ao fim de 5 minutos, mas que ainda deram para enviar mais dois e-mails de trabalho com ficheiros Word em anexo), mas por apenas 1$ podemos ter internet o voo inteiro até um máximo de 500 MB.

Fiz escala no Dubai e o destino final era Hong Kong, por isso ainda tive de apanhar o ferry para Macau. O ferry parte diretamente do aeroporto e a empresa gere a bagagem, fazem eles a recolha por nós e entregam já em Macau, o que é bastante confortável. Em Macau estive apenas umas horas e na madrugada seguinte voltei a apanhar o ferry para Hong Kong para mais um voo, desta vez curto e para as Filipinas.

A visita às Filipinas foi boa mas agridoce. Em primeiro lugar, quisemos voar para uma ilha que tivesse voo direto de Hong Kong, uma vez que só íamos ficar 4 dias e não queríamos perder muito tempo com voos e escalas. Por causa disso talvez a ilha escolhida não tenha sido a melhor. Além disso, foi a primeira vez que visitei um país tão pobre e fez-me imensa confusão fazer férias naquele lugar. A pobreza está à vista de qualquer um e o que mais confusão me faz são as crianças. Começo imediatamente e pensar “porque tive eu a sorte de nascer em Portugal, e estas crianças não?”. Porque é que a mim me foi dada a oportunidade de estudar, aprender, fazer algo que gosto e para o qual tenho talento, viajar pelo mundo, e estas crianças estão aqui presas, com quase nenhumas oportunidades, com futuros altamente limitados? Um deles podia bem ser o próximo Einstein se lhe fosse dada a oportunidade, e no entanto, muito provavelmente nunca vão sequer sair desta ilha. Isto causa-me imenso sofrimento. Bem sei que falo de um lugar privilegiado, que estive lá e não fiz nada para melhorar a situação deles, e a sério, adorava fazer, mas sou apenas uma, sou tão insignificante, penso sempre “o que posso eu fazer?”.

Para além disto, reparei que todas as pessoas lá são altamente subservientes perante os turistas. Estão constantemente a pedir desculpa e a agradecer e a perguntar se está tudo bem, mas de uma forma que parece que se estão a rebaixar perante nós. Senti-me como se deve sentir uma vedeta altamente importante quando tem muitas pessoas à sua volta a bajulá-la e não gostei nem um bocadinho. Uma noite depois de jantar estávamos a tentar apanhar um taxi para o hotel e chovia muito (em Mactan chove TODOS OS DIAS às 5h da tarde e à noite). A certa altura abrigámo-nos por baixo de um toldo e não conseguíamos ver bem a rua para ver se vinha um taxi. Passou uma senhora com uma criança, traziam um guarda chuva, e ficaram ambas à face da estrada a ver se vinha algum taxi. Quando finalmente passou um e eu me apercebi que ela estava a chamar o taxi para nós, fiquei absolutamente espantada. Espantada e a sentir-me mal! E sinceramente, não sei se é por sermos turistas, se é por sermos brancos, se é por nitidamente sermos mais “ricos” do que aqueles pessoas, mas o que dá a entender é que lhes é incutido ao longo de toda a vida que o seu dever é servir-nos.a criança que acompanhava a senhora, por exemplo, vai crescer a ver a mãe (suponho eu) a servir os “outros”, é normal que também venha a ter o mesmo tipo de atitude quando crescer. E eu fico tão triste com isso. Sinceramente, fiquei sem grande vontade de voltar a visitar países assim tão pobres, apesar de saber que o turismo é grande fonte de capital e de empregos para eles, o que me fez sentir um pouquinho melhor por ter passado aqueles dias lá.

Para além disto, gostei das Filipinas, ou pelo menos do bocadinho que vi. Muito calor mas muita chuva sempre ao final do dia. Das duas praias que fomos, uma era boa, outra não era nada de especial. Fiz snorkeling pela primeira vez na vida e adorei, apesar de ter sentido algum medo que os peixinhos me fossem atacar, de tão próximo que eles andavam. A comida é muito boa e as mangas são MA-RA-VI-LHOSAS!

Ficam algumas fotos e para a próxima vou falar um bocadinho dos dias seguintes de regresso a Macau.

20161031_115353
Piscina do hotel só para nós
20161101_145102
Praia
20161101_145108
Praia
20161101_164320
Batidos de banana e manga
20161101_165346
Minutos antes de começar a chover torrencialmente

A luta para perder peso

salad-791891_1920.jpg

Nunca fui magra. Quando era muito criança, talvez até aos 10 anos, aí sim, era magra, era uma criança terrível para comer, mas era ainda uma criança e nessa altura nem sequer sabia o que era ser magra. Depois dos 10 anos, rapidamente comecei a ficar cheiinha. O meu índice de massa corporal nunca indicou excesso de peso, sempre estive dentro dos parâmetros normais, mas nunca me senti bem no meu corpo.

O máximo que alguma vez pesei foi 62 kg e o mínimo 54 kg (meço 1.61 m). Com 54 sentia-me bem melhor, mas mesmo aí achava que ainda podia melhorar. O problema é que das duas vezes que cheguei aos 54 kg estava a ser demasiado radical com a alimentação, a fazer um tipo de dieta que nunca conseguiria sustentar a longo prazo, pelo que voltei a recuperar todo o peso perdido das duas vezes.

Este assunto é para mim uma fonte de grande sofrimento. Apesar de nunca ter tido muito excesso de peso, sou daquelas pessoas que pode dizer que já tentou de tudo para ficar fit e nada resulta, ou resulta durante muito pouco tempo para depois voltar ao mesmo. E eu não me sinto bem no meu corpo, não me sinto à vontade, ir à praia é um sofrimento, só de pensar em ficar de biquini, escolher roupa é um martírio porque sinto que nada me fica bem. É algo que me faz realmente sofrer e hoje sei que a estratégia para ultrapassar isto tem de ser completamente diferente. Hoje não sei quanto peso porque já há algum tempo que não me ponho em cima da balança. Hoje prefiro olhar-me ao espelho e observar o meu corpo, perceber como a roupa me assenta e como eu me sinto. Hoje não estou a fazer dieta, estou a tentar alimentar-me todos os dias da forma que acredito ser a melhor para mim, para a minha saúde e para o meu corpo. Tenho um longo caminho a percorrer neste campo, mas já fiz dietas suficientes para perceber que nenhuma vai resultar. Hoje sinto-me mais relaxada em relação a este objetivo de ser fit, porque toda e qualquer fonte de stress deve ser bem gerida e esta era uma enorme. Hoje sinto-me mais confiante que está em mim conseguir atingir os meus objetivos e que no equilíbrio é que está o segredo. E não sou perfeita, até porque acredito que a perfeição neste campo acaba por ser contra-produtiva. Conseguiria ser perfeita durante uns tempos, mas depois ia apetecer-me comer de tudo. Hoje prefiro o equilíbrio, prefiro comer um quadrado de chocolate num dia ou noutro do que ser perfeita durante 12 semanas para depois comer duas caixas de chocolates num dia (já aconteceu, tanto as 12 semanas como as duas caixas de chocolate).

scale-403585_1920.jpg

E aqui vou continuando, no meu caminho, na esperança de ter encontrado a chave do que para mim funciona.

Há alguns recursos que me têm ajudado. Se alguém estiver interessado em seguir este tipo de estratégia em vez de entrar em dietas malucas aconselho o podcast Primal Potential da Elizabeth Benton. É um dos meus podcasts preferidos (adoro podcasts, ouço imensos!), é super informativo e, caso não saibam, o facto de ouvirmos coisas relacionadas com este tópico e de nos expormos constantemente a estes assuntos, só por si aumenta a nossa motivação.

Muita força para quem está no mesmo barco.

Natal

DSC01903.JPG

Família. Para mim é esse o sinónimo de Natal. É isso que o Natal significa e é por isso que adoro o Natal.

Desde pequena que me lembro de adorar o Natal, como quase todos os miúdos, mas desde muito cedo que me lembro de a melhor parte ser mesmo ter a família toda reunida. Sim, é óbvio que adorava os presentes, as bonecas, os jogos, os livros, claro que sim. Mas até cerca dos meus 15 anos, quando aconteceu uma série de eventos traumáticos, a minha família não era propriamente unida, pelo contrário. A verdade é que apenas estávamos todos juntos no Natal. Penso que algures entre os meus 12 e 15 anos nos juntávamos também no aniversário da minha avó e na passagem de ano, e essas eram ocasiões igualmente felizes, mas de resto não nos víamos muito.

Hoje em dia as coisas mudaram e estamos juntos (a parte da família que importa) muitas mais vezes, mas o Natal continua a ser o Natal, continua a ser especial, provavelmente porque está para mim associado àqueles momentos raros em que estávamos todos juntos quando eu era criança. O Natal e todo o ambiente que se faz sentir à volta dele trás-me uma certa paz de espírito, uma tranquilidade, uma sensação de conforto. Não há nada igual a chegar a casa dos meus tios na véspera de Natal a meio da tarde, sentir aquele quentinho que só se sente quando está muita gente na mesma casa, estarmos praticamente todos na cozinha a ajudar a acabar o jantar ou somente a conversar. As brincadeiras à volta da pilha de prendas que se vai formando junto à árvore de Natal, “acho que este ano temos mais presentes do que no ano passado”, a televisão a passar as notícias que são sempre iguais de ano para ano, “quem é que não come bacalhau?” (eu não como!), a cama do quarto de hóspedes com milhares de sobremesas em cima porque não cabem em mais lado nenhum e nós todos a ajudar a traze-las para a mesa quando chega a hora de as comer. E depois as prendas, porque sim, Natal também é prendas, mais porque nos divertimos a abri-las e gostamos de ver no rosto dos outros que gostaram daquilo que lhe demos. E nunca esperamos pela meia noite, é logo a segui ao jantar e na melhor das hipóteses, às 9 e meia já estamos a abrir as prendas. E abre-se uma de cada vez, os miúdos distribuem, os papéis e as fitas vão para de baixo do sofá, eu e o meu tio tiramos fotografias, “agora dá aquela”, “não, dá antes aquela”, “esta não tem nome, fica para o fim”. E no fim os papeis vão todos para dentro de sacos (para reciclar!), cada um guarda o seu monte, come-se uma fatia de pão de ló com queijo da serra e bebe-se um chá, ajuda-se os miúdos a tirar os brinquedos das caixas, “caraças, eles cada vez embalam isto melhor”, “onde está a tesoura?”, “temos pilhas? Alguém se lembrou de comprar pilhas?”, “eu tenho ali umas 50!”

E depois, vamos para casa dormir, e no dia a seguir voltamos e é igualmente bom. Estamos todos cansados mas felizes, eu normalmente tenho uma pilha de livros nova para ler que começo a atacar de imediato. Almoçamos, trazemos novamente as sobremesas todas do quarto de hóspedes, e passamos a tarde entre jogos de tabuleiro, livros, brincadeiras com os miúdos, sestas, e mais pão de ló com queijo da serra e chá.

E eu adoro isto tudo. Adoro montar a árvore de Natal (foi ontem!) e chegar a casa ao final do dia e ligar as luzes. Adoro ir às compras e pensar no que mais deixará aquela pessoa feliz. Adoro os jantares/almoços de Natal com os amigos e preparar sempre uma sobremesa para levar. Adoro as luzes de Natal na cidade – nas cidades, a minha e aquela onde vivo, que também já é um bocadinho minha. Adoro o Natal.

dsc01900

dsc01902

dsc01904

dsc01910

dsc01908

dsc01905

Crítica #2: The Wrath and the Dawn de Renée Ahdieh

the-wrath-and-the-dawn

[Goodreads] [BookDepository]

Título: The Wrath and the Dawn
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Penguin Random House
Género: Juvenil – Ficção/Ficção Histórica
Ano de publicação: 2015

Classificação:

4stars

The Wrath and the Dawn é uma versão dos contos das Mil e Uma Noites. Tal como no conto original, existe um rei que assassina as suas noivas na manhã seguinte à noite de núpcias. Até que a certa altura, uma rapariga oferece-se para ser a noiva seguinte, e consegue sobreviver noite após noite contando histórias ao rei, histórias essas que nunca termina, deixando o rei na expectativa de continuar a ouvi-las na noite seguinte.

Nunca tendo lido o clássico das Mil e Uma Noites, tinha apenas uma vaga ideia do seu conteúdo. Foi assim que comecei a ler esta obra não como uma versão, mas quase como uma história original. Depois de todas as críticas positivas que já tinham chegado até mim, estava com elevadas expectativas para este livro. Devo confessar que a primeira metade é bastante lenta. A história custa um pouco a arrancar, é difícil compreender bem as personagens, o que fez com que não criasse uma ligação suficientemente forte com elas para querer saber o que iria acontecer a seguir. No entanto, a segunda metade compensa esta falha inicial, dando finalmente a conhecer as personagens principais e dando também mais ênfase ao romance deste livro (que acaba por ser o enredo central) e criando grande expectativa em relação ao desenlace da história.

Um facto interessante desta história é que ambas as personagens principais são muito fortes e convictas daquilo que querem e que tem de ser feito. Shahrzad é uma jovem destemida e convicta das suas capacidades, conhece bem a sua força e não se deixa intimidar, mesmo estando a viver num ambiente tão diferente daquele a que está habituada. O rei, Khalid, nem sempre é aquilo que aparenta. Tendo-se tornado rei ainda durante a sua adolescência, precisa de demonstrar a sua força e impor respeito, tanto ao seu povo como às pessoas que para ele trabalham. É realmente pena que as personalidades destas personagens não sejam exploradas mais cedo no livro, o que traria outro fôlego à história logo desde início.

Também em termos de acontecimentos, este livro é um pouco pobre na primeira metade, acabando por descrever apenas o dia a dia dos dois logo após o casamento, e mostrando algumas cenas de outras personagens, com as quais também é difícil criar uma ligação, tornando essas cenas pouco interessantes. Mais uma vez, a segunda parte é rica em acontecimentos, com um desencadear de eventos que torna a leitura empolgante.

Como chegamos ao fim com um real interesse no final feliz (ou no castigo) das variadas personagens, é uma excelente surpresa perceber (ou relembrar, uma vez que penso já ter sabido disto a certa altura mas entretanto ter esquecido) que existe uma sequela intitulada The Rose and the Dagger, lançada em Abril de 2016.

Apesar de tudo, o livro é muito bom e a história muito interessante. A segunda metade acaba por compensar a primeira. Para a minha avaliação, estava inicialmente indecisa entre um 4 e um 4.5, tendo decidido atribuir um 4 precisamente por causa da primeira metade lenta. Recomendo a leitura mas se avançarem façam força para chegarem rapidamente a meio do livro, e vão ver que a partir daí tudo se torna mais interessante.

E estou ansiosa para ler sequela, tendo fortes esperanças de que apanhando a história já a meio seja todo ele tão empolgante como a segunda metade do primeiro livro.

Escrever

typewriter-801921_1920.jpg

Sou cientista. É este o título do cargo que ocupo no sítio onde trabalho. Gosto de números. Tenho um fascínio pela Matemática desde sempre. A Química e a Física são-me naturais. Segundo a certidão de curso, sou Engenheira. Mais uma vez: números, máquinas, tecnologia, ciências exatas.

Tenho 31 anos. Aos 30 descobri que tenho uma enorme paixão pela escrita. Adoro escrever. E nada disto para mim faz sentido. Mas é a minha nova realidade.

Por muito estranho que a mim me possa parecer, já não consigo passar sem escrever. Já se tornou uma necessidade. E eu não consigo explicar. Não consigo explicar porque não consigo perceber. Nunca na vida tive dificuldades em explicar coisas a pessoas, já fui professora e até diziam que era das boas, mas quando nós próprios não conseguimos perceber algo, torna-se muito complicado de explicar.

Como é que isto só surgiu aos 30 anos? Como é que nunca antes tinha percebido que adoro fazer isto? Como é que só agora reparo que para me sentir completa tenho de escrever? Preciso de escrever.

Dizem que nunca é tarde e eu acredito. Porque mais vale agora do que nunca. Porque hoje sinto que estou (sou) completa. Talvez porque passo 8, 9, 10 horas do dia a trabalhar com ciência e outras duas ou três a trabalhar a criatividade. Talvez porque hoje me sinto (quase) tão à vontade com as palavras como com os números. Provavelmente porque ser uma mulher da ciência nunca seria suficiente para mim, porque tenho dois lados e ambos precisam de atenção.

Como já aqui referi, desde muito pequena que adoro ler. E várias vezes dei por mim a pensar “Será que eu também seria capaz de fazer uma coisa destas? De escrever um livro?” E talvez precisamente por ser uma criança/rapariga/mulher da ciência, toda a vida respondi a essas perguntas com um redondo não. “Não, nunca serias capaz porque não tens criatividade/imaginação suficiente.” E pronto, após esta auto-resposta, qual seria o maluco que ainda assim insistiria em escrever?

Quando era pequena e tinha dificuldades em adormecer, chamava a minha mãe, que estava na sala a ver televisão ou a ler. Às vezes ela vinha, outras vezes vinha o meu pai. E quando era o meu pai que vinha e eu dizia “Pai, não consigo adormecer.” o meu pai respondia-me sempre “Pensa num filme. Pensa em personagens e numa história e faz um filme na tua cabeça.” E eu fazia isso. Eu era sempre a personagem principal, sempre bem mais crescida do que na realidade daquele momento, e tinha amigos. Amigos que não eram os meus amigos, eram personagens imaginados, diferentes, e tinha também inimigos. E claro que havia sempre um amigo por quem eu me apaixonaria e tínhamos de passar por imensos percalços até conseguirmos ficar juntos. E por vezes, por muitas e variadas vezes, eu começava um filme naquele momento mas o meu filme transformava-se numa espécie de telenovela que durava algumas semanas. E todas as noites, antes de adormecer, eu ia juntando mais algumas cenas ao meu filme-telenovela, pensando em aventuras, conflitos, problemas, e ultrapassando cada um deles, qual heroína de série de televisão, acabando sempre num final muito feliz, digno de uma lágrima no canto do olho. E depois fui crescendo e fui deixando de chamar pelos pais quando não conseguia adormecer, mas fui continuando a fazer filmes na minha cabeça, quase até à idade adulta. E ao mesmo tempo, fui dizendo a mim mesma que nunca teria imaginação para escrever um livro, porque eu era uma pessoa muito lógica e muito pouco criativa. E também aqui nada disto faz sentido. Como é que eu nunca percebi que andava há anos a escrever livros na minha cabeça? Como é que nunca percebi que a criatividade e a imaginação estiveram sempre lá? Podem até ter adormecido a certa altura, mas está a revelar-se tão fácil acordá-las.

E hoje sou escritora. Ainda tenho algum receio de dizer isto, causa-me uma certa estranheza. Mas tenho vindo a trabalhar em acordar a minha criatividade e a minha imaginação e escrevo. E já não vivo sem escrever. Tenho um blog e estou a escrever um livro e tenho ideias para mais dois ou três livros e sou escritora.

E vou continuar a fazer contas e ciência durante o dia e a escrever à noite e ao fim de semana, porque cada moeda tem o seu reverso e eu gosto, e muito, de ter duas faces.

Viagens: São Francisco – recomendações

Já aqui contei que este Verão passei uma semana de férias incrível em São Francisco. Foi a minha segunda vez na cidade, apesar de a primeira visita no ano passado ter sido muito curta, e deu para ficar a conhecer relativamente bem. Assim, deixo aqui as minhas recomendações de algumas atividades interessantes para se fazer em São Francisco, no formato de um top 10 + 1.

1 – Atravessar a Golden Gate Bridge de bicicleta
A Golden Gate é provavelmente o principal símbolo da cidade de São Francisco. Não há como ir lá e não tirar pelo menos uma fotografia à ponte. Eu penso que a ponte é bonita, mas na minha opinião, a atividade mais engraçada relacionada com a ponte é mesmo atravessá-la de bicicleta. Há imensos empresas em São Francisco de aluguer de bicicletas, não é nada caro, o preço mais standard é cerca de 8 a 10$ por hora ou então 30 a 36$ por 24 horas, e permite-nos ter várias perspetivas da ponte. Há muitas pessoas a fazerem isso, o que pode tornar a coisa não muito fácil, mas ainda assim penso ser uma atividade que vale a pena. Para quem não se sentir confortável a andar de bicicleta, pode sempre atravessar a pé. É igualmente giro mas vai demorar mais algum tempo, mas para quem gosta de andar a pé, não é nada de extraordinário. Há montes de possibilidades para tirar fotografias, tanto enquanto nos estamos a aproximar da ponte como depois lá em cima.
Depois de atravessarmos a ponte e de andarmos mais um pouco, chegamos a Sausalito, uma cidade pequena e engraçada, e outra parte gira desta atividade é voltar para São Francisco de ferry. Claro que se pode voltar novamente de bicicleta ou a pé, mas fazê-lo de ferry permite ter mais uma perspetiva da ponte, dando oportunidade para mais uma série de belas fotografias.

DSC00862.JPG

DSC00903.JPG

2 – Museu da Ciência – California Academy of Sciences
Cada vez faço menos questão de ir a museus quando viajo, talvez um, no máximo dois por viagem. E quando há um museu de ciência nos sítios aonde vou, quase sempre será esse o escolhido. Em São Francisco há o California Academy of Sciences e foi esse que decidi visitar. Gostei muito do museu, não tanto como do Museu da Ciência de Londres, mas ainda assim bastante bom. O museu tem várias secções permanentes:
O aquário – idêntico aos nossos Oceanário o Sealife.
O planetário – que para mim foi uma desilusão, basicamente apenas um filme num ecrã gigante em forma de cúpula.
O museu de história natural – não visitei.
A floresta tropical – para mim a parte mais interessante, basicamente é um grande casulo em forma de cúpula onde vamos subindo em espiral e vendo diferentes plantas e animais, incluindo borboletas à solta.
Além disso tem várias exposições temporárias. A que gostei mais quando visitei foi a dos terramotos, que incluia um simulador de terramotos muito interessante.

dsc00822

DSC00827.JPG

3 – Os parques
São Francisco tem tantos parques que o difícil é escolher. Os que visitei foram:
– Bernal Heights Park – vistas lindas da cidade e um sítio muito calmo e com poucas pessoas, ótimo para relaxar. Adorei este parque.
– Buena Vista Park – também tem vistas lindas da cidade.
– Golden Gate Park – onde se situa o museu da ciência. Também se pode alugar bicicletas neste parque (o que fiz no ano passado e recomendo).
– Lands End – onde fica o Lands End trail, um trilho lindo junto ao mar que adorei fazer.
– Presidio – por onde tem de se passar para fazer a travessia da ponte.
– Mission Dolores Park – um marco da Mission district onde vale a pena parar para fazer um piquenique.

DSC00381.JPG

DSC01049.JPG

4 – New Valley
Esta é uma região bastante trendy da cidade, gostei muito do estilo, com sítios muito interessantes para comer e para fazer compras. Tem lojinhas pequenas e independentes, vários cafés, pastelarias e restaurantes. Uma boa zona para passear.

5 – Ferry building e mercado
O Ferry Builiding fica no fim da Market St. e apesar de ter lá dentro lojinhas e sítios para comer, recomendo a visita ao sábado de manhã, quando acontece o farmer’s market. O mercado é lindo, com frutas e flores maravilhosos. Comi lá o pêssego mais doce e sumarento da minha vida. Para além dos produtos dos agricultores, à também stands com comida cozinhada à venda, por isso é o ideal para o almoço de sábado. Também têm eventos mas para isso convém consultar a programação. Eu assisti a um showcooking de um chef com estrela Michelin.

DSC00499.JPG

DSC00508.JPG

6 – Compras na Market St.
A Market St. é o sítio ideal para ir às compras. Lá encontram-se várias lojas, principalmente entre a Market St. e a Union Square, como Old Navy, Levi’s, Urban Outfitters, Gap, Nike, Zara, Tiffany’s e também a Macy’s (department store ao estilo El Corte Inglés). Encontram-se também vários sítios para comer. Recomendo experimentar uma fatia de cheesecake (boa sorte a escolher!) na Cheesecake Factory localizada no piso superior da Macy’s.

7 – Fisherman’s Warf
O Fisherman’s Warf é talvez a zona mais turística de São Francisco. Aqui pode-se encontrar um sem fim de lojas de souvenirs, sempre muita gente, alguns bons sítios para comer (outros nem tanto) e muito clam chowder. Aviso: muito cuidado com o clam chowder. Este é um prato americano típico, mas ao contrário do que se possa pensar quando se visita São Francisco, este prato teve a sua origem na outra ponta do país, ou seja, em New England. Segundo me informei, o clam chowder servido no Fisherman’s Warf de São Francisco não é particularmente de boa qualidade pelo que optei por não experimentar. É mais uma tourist attraction do que outra coisa qualquer, e decidi deixar este prato para experimentar quando for a New England, o que está previsto para breve. Mas o Fisherman’s Warf é um sítio giro para se visitar, eu gosto particularmente de ir lá ao final do dia, início da noite, para um jantar um pouco mais cedo quando estou cansada de um dia inteiro a passear.

DSC00436.JPG

Os próximos três itens são relacionados com comida porque é algo que gosto (comer) e porque penso que uma experiência num sítio novo não fica completa sem experimentar também a comida local.

8 – Food trucks
Uma coisa é certa: São Francisco tem food trucks fenomenais. Para quem não conhece o conceito, consiste realmente em comida vendida em roulotes e pode-se encontrar de tudo. Desde mexicano, asiático (vários tipos), americano, passando por misturas de duas cozinhas (por exemplo, um dos trucks mais conhecidos, Señor Sisig, mistura mexicano com filipino), não falta por onde escolher. A comida é normalmente muito boa e barata. Para saber a localização dos trucks há que consultar o Off the grid e depois é só escolher. Para mim, esta é uma das experiências que não pode faltar em São Francisco.

SAM_4710.JPG

9 – Ghirardelli’s
Esta é apenas e só a melhor loja do mundo para quem gosta de chocolate. A Ghirardelli é a divisão americana da Lindt e tem chocolates deliciosos, nomeadamente os seus famosos quadrados com vários tipos de recheio. Eu sou fã dos quadrados com recheio de caramelo e há montes de combinações com chocolate de leite, chocolate negro, caramelo salgado, enfim, uma perdição. Na praça Ghirardelli (junto ao Ficherman’s Warf) há também a loja de gelados onde é possível comer sandaes gigantescos (aconselho a partilhar), ou apenas cones com bola de gelado e molho, que como podem ver abaixo, já é só por si um gelado com dimensões consideráveis. Há outras lojas Ghirardelli espalhadas pela cidade mas pelo menos uma visita à loja da praça considero indispensável.

DSC00488.JPG

DSC00489.JPG

10 – St. Francis Soda Fountain
Este é o único restaurante que vou recomendar porque em São Francisco há tantos, mas tantos restaurantes, que dão para todos os gostos, que confio que cada um consiga encontrar aquilo que mais gosta. Mas este, para mim, é especial e merece uma visita porque:
1) A comida é boa
2) É muito engraçado e diferente de tudo o que já vi
3) Tem preços bastante em conta para a cidade e
4) Servem pequenos-almoços até às 15h (!!!) (aos fins de semana até às 16h)
Este restaurante existe desde 1918 e está em operação contínua desde essa altura. Está decorado de maneira a simular as antigas soda shops (tipicamente americanas) e ainda servem muitos dos artigos característicos dessas lojas (egg cream soda, root beer float, etc), além de milkshakes, gelados e dos vários pratos típicos dos pequenos almoços americanos, bem como hamburgueres e mais alguns pratos. Além disso, têm uma boa seleção de pratos vegetarianos (como é o caso de muitos dos restaurantes em São Francisco). Aconselho mesmo uma visita, ou idealmente duas, uma para pequeno almoço e outra para uma sobremesa (se bem que nunca ninguém disse que não se podia comer sobremesa ao pequeno almoço).

Por último (já fora do top 10), um sítio fora de São Francisco, para quem tiver tempo e se quiser aventurar um pouquinho ao longo da costa do Pacífico.

11 – Monterey
Esta cidade fica a cerca de duas horas de São Francisco e para quem for com tempo aconselho a visita, dá perfeitamente para ir e vir no mesmo dia com um carro alugado. Além de permitir percorrer um pouco da Highway 1 ao longo do Pacífico, a cidade é deslumbrante. É uma cidade costeira pequena muito tipicamente americana, por isso vê-se muito bem num dia. Tem o Monterey Bay Aquarium e a baía é uma zona protegida, pelo que as águas são extremamente límpidas. À noite, o centro da cidade é encantador, com imensas luzinhas nas árvores e nas ruas, restaurantes e pequenas lojas abertas.

SAM_4864.JPG

SAM_4897.JPG

Dicas adicionais para visitas a São Francisco:

  • Se puderem comprem um SIM card. Eu comprei um por 20$ com dados e chamadas ilimitadas para vários países, incluindo Portugal, durante um mês. Dá imenso jeito para ligar para casa e para usar aplicações e net no telemóvel em qualquer lugar e sem limites.
  • Usem a aplicação do Yelp. Em Portugal, quando quero consultar opiniões sobre um restaurante antes de lá ir, consulto sempre o Tripadvisor. No entanto, nos EUA, o Yelp é muito mais usado do que o Tripadvisor pelo que tem muitas mais classificações e opiniões. Se estiverem em algum sítio o quiserem parar para comer, podem usar a aplicação para consultar o que há por perto.
  • Usem o Uber. São Francisco é a cidade berço do Uber e há sempre Ubers às montanhas. Podem usar o pool e poupar ainda mais, os condutores são muito simpáticos e num instante chegam a qualquer sítio.
  • Vistam camadas! Em São Francisco faz frio de manhã e à noite durante a maior parte do ano, enquanto que a meio do dia chega a fazer bastante calor. Por isso não pensem que por irem para a Califórnia podem levar apenas calções e t-shirts porque se o fizerem vão passar frio na certa!
  • Se gostarem de café, esqueçam os Starbucks e os Peet’s Coffee e vão antes ao Philz Coffee. É uma cadeia local de São Francisco (há imensas lojas espalhadas pela cidade) e tem vários tipos de café mas do bom! A sério, quem gostar de café não se vai arrepender, mesmo que não seja muito fã do café americano (o mint mojito é ótimo para quem gosta de café frio).