As 47 regras que deves seguir para ser saudável… ou então não

Quando a Joana do blog Limited Edition propôs (no Blogger Pitch do Bloggers Camp) participar na sua rubrica “receita saudável” e escrever um texto sobre o que é, para mim, ser saudável, pensei logo na minha própria definição, que é bastante simples, e soube logo naquele momento que teria de escrever sobre isso.

 

ser-saudavel

(crédito da imagem: Matic Kozinc)

 

O que é ser saudável

A minha definição de saudável já mudou bastante ao longo dos tempos e já passou por regras bem rígidas sobre certos alimentos e macronutrientes. Para quem não me conhece, sempre tive alguns quilos a mais, sempre lutei contra isso e já fiz um infindável número de dietas, sempre sem grande sucesso (ou com um sucesso relativo passageiro).

 

Mas a verdade é que a minha definição de ser saudável mudou nos últimos tempos, de uma forma que não me parece que vá voltar a mudar.

 

Para mim, ser saudável é ser feliz.

 

Eu sei que a principal tendência da maior parte das pessoas é associar “ser saudável” com um determinado tipo de alimentação ou de treino ou de outras práticas diárias. Mas para mim e neste momento da minha vida, resume-se mesmo a isto: ser feliz.

 

Também eu já pensei, em tempos, que para ser saudável tinha de comer de uma determinada forma, mexer-me todos os dias, dormir horas suficientes, meditar e lidar melhor com o stress, limpar a mente de pensamentos tóxicos.

 

A verdade é que para ser saudável é mesmo preciso tudo isto e, ao mesmo tempo, nada disto importa. Parece um contrassenso mas não é.

 

É verdade que temos de comer bem. É verdade que temos de nos mexer e dormir bem, aprender a lidar com o stress e limpar a mente.

 

Também é verdade que não basta saber isto para o conseguir colocar em prática. Se fosse assim tão simples éramos todos magros e fit e saudáveis.

 

Quantas pessoas conhecem (se calhar até vocês) que sabem exatamente o que devem fazer para serem saudáveis e mesmo assim não o fazem de forma consistente no seu dia-a-dia?

 

Pois… o problema é esse.

 

O problema é mesmo saber a teoria toda e não conseguir aplica-la.

 

ser-saudavel

(crédito da imagem: Jessica Polar)

 

A diferença entre teoria e prática

Por exemplo, há muitos anos que eu sei que é necessário reduzir o consumo de alimentos processados para ser mais saudável. Mas nunca consegui fazê-lo. Eu pensava – juro que acreditava – que não conseguia deixar de comer bolos, gelados, bolachas e chocolates porque estes alimentos me sabiam bem. Gostava tanto do seu sabor e do prazer que eles me davam e acreditava que era por isso que continuava a comê-los, mesmo sabendo que não devia. Quando ouvia falar em “alimentação emocional” pensava sempre que sim, isso é tudo muito bonito mas é para os outros, eu sou emocionalmente estável e saudável e como só mesmo porque gosto muito de comer e porque estas coisas me sabem bem. Para mim, comer não tinha nada a ver com emoções.

 

Era mesmo o que eu acreditava.

 

Já devem estar a perceber que estava errada.

 

A verdade é que eu não estava completa. Mas não o sabia.

 

A verdade é que faltava algo na minha vida. E preenchia o vazio deixado por esse algo que eu anda não tinha encontrado com comida.

 

A verdade é que desde que sei, finalmente, quem sou, desde que encontrei um equilíbrio na minha vida, nunca mais senti desejos por comida “junk”. Nunca mais comi até ficar mal disposta. Pelo contrário, por vezes estou tão entusiasmada com a minha vida e com os meus projetos que me esqueço de comer. E sim, eu também pensava que as pessoas que afirmavam esquecer-se de comer só podiam estar a gozar, “como assim, esquecer-se de comer!? Isso nem sequer é possível!” E agora também a mim me acontece.

 

A verdade é que a maioria das pessoas não consegue colocar em prática aquilo que sabe ser o mais correto porque habitua-se a usar o prazer momentâneo induzido por alimentos altamente saborosos como substituto para a felicidade. Não somos plenamente felizes e as endorfinas libertadas por esses alimentos fazem-nos ter a sensação, por breves instantes, que afinal o somos.

 

A comida é só um exemplo.

 

Antes eu também morria de desejos por um dia sem nada para fazer, para poder ficar horas no sofá a ver séries e a vegetar. Hoje nem sei o que é passar um dia sem me mexer, nem que seja apenas uma caminhada de 20 ou 30 minutos, e passar um dia no sofá sem fazer nada parece-me um desperdício brutal do meu tempo.

 

Antes eu ficava stressada com relativa facilidade, tinha pensamentos tóxicos, essencialmente acerca de mim própria, motivados pela falta de auto-estima e de amor-próprio, e tinha dificuldades em ter uma noite de sono tranquila. Hoje sinto-me feliz todos os dias, é raríssimo ver-me a stressar com o que quer que seja e sinto-me praticamente invencível. Chego à cama a adormeço em cerca de 30 segundos, mais coisa menos coisa, para apenas acordar quando o despertador toca e saltar imediatamente da cama, tal é o entusiasmo com as coisas que tenho para fazer e com a vida que tenho para viver.

 

Isto, para mim, é ser saudável. Por isso afirmo que ser saudável é ser feliz.

 

Mas é mesmo só isso? Basta ser feliz?

 

Na minha opinião, sim, basta.

 

Quando percebes o teu lugar no mundo, tudo o resto se encaixa no sítio certo e nem sequer é preciso um grande esforço para coisas boas começarem a acontecer.

 

Quando sentes um genuíno entusiasmo pela tua vida, pelo teu futuro, por aquilo que ainda está para vir, quando te convences que és capaz de tudo aquilo que possas imaginar, o amor-próprio vence, a tua confiança em ti próprio regenera-se, o valor que dás ao teu ser e ao teu corpo é tal que começas a nem conceber fazer coisas que sabes que fazem mal à tua saúde.

 

Há uns anos não imaginava que um dia me iria ouvir a dizer estas coisas. Sou cientista, não se esqueçam, por muito que esteja a tentar dissociar-me dessa identidade. Tenho tendência para ser lógica e analítica e achava que contar calorias e macros e ir X vezes por semana ao ginásio e pesar-me todos os dias é que iria resolver todos os meus problemas. Tantos números para uma coisa tão simples e que não devia precisar de números nenhuns.

 

Tem a ver com encontrares o teu lugar. Tem a ver com saberes o teu porquê. Quando a tua vida começa a fazer sentido, não precisas de procurar conforto noutros lugares.

 

Quando tens na tua vida algo que realmente te faz feliz, algo que te completa, não precisas de um rush de açúcar para sentir prazer disfarçado de “felicidade”. Quando sabes exatamente aquilo que queres para ti e não duvidas que o vais conseguir alcançar, não precisas de comida para te preencher o vazio.

 

ser-saudavel

(crédito da imagem: Chetan Menaria)

 

Como conseguir o equilíbrio

Agora vem talvez a parte mais importante. Como é que isto se consegue? Posso dizer já que pode não ser fácil. Mas há formas de o fazer.

 

Para mim trata-se de:

    • trabalhar muito num processo de libertação de crenças limitantes (identidade!)
    • trabalhar muito num processo de auto-conhecimento
    • trabalhar muito para ter um mindset positivo, motivação interior e amor-próprio de forma a não termos medo de ir atrás dos nossos sonhos
    • ir atrás dos nossos sonhos – todos os dias!

 

Escrito assim pode parecer simples. Não é. São processos que magoam por dentro e que nos podem deixar muito desconfortáveis. Mas a verdade é que saímos do outro lado mais fortes e com uma sensação de liberdade que muda por completo a nossa vida.

 

Talvez haja pessoas que funcionam bem com dietas. Para mim, que já tentei as mais variadas e nunca consegui sucesso duradouro, já consegui perceber que não funcionam. Porque chega sempre o momento de quebra e tudo volta ao antigamente.

 

Hoje sinto que sou saudável. Hoje sinto que estou a fazer progressos, apesar de não me pesar há mais de meio ano. Se já consegui os resultados que quero? Não, nem de perto! Se acho que os vou conseguir rapidamente? Também não. Já me consciencializei que para durar tem de demorar e não me incomodo com progressos lentos desde que seja para sempre. O que sei é que os meus comportamentos alimentares, físicos e mentais mudaram radicalmente e por isso mesmo confio que o meu corpo vai continuar a responder.

 

Confio que enquanto for feliz vou continuar a ser saudável e a ter equilíbrio na minha vida.

 

Após isto tudo, penso que conseguem perceber o porquê de a minha participação nesta rubrica da Joana não ter receita. Porque para mim, a receita mais saudável, e correndo o risco de me repetir, é ser feliz. É óbvio que há regras alimentares que devem ser cumpridas, mas partem mais do bom senso do que outra coisa qualquer. De certeza que já ouviram dizer: se não existia no tempo da tua avó, então não comas. “Eat real food.” É muito por aí. A diferença é que quando se está de bem com a vida, estas regras são fáceis de cumprir porque o teu corpo não pede as coisas que te fazem mal.

 

ser-saudavel

(crédito da imagem: Clem Onojeghuo)

 

Obrigada à Joana pelo convite para participar na rubrica, foi o empurrão de que precisava para finalmente escrever sobre este assunto, que já andava na minha cabeça há uns tempos mas sobre o qual não me é fácil falar.

Se também tiverem interesse em participar neste desafio não hesitem em enviar um e-mail à Joana para lim.edition2012@gmail.com

 

E para vocês, o que significa ser saudável? Gostava muito que partilhasse a vossa perspetiva nos comentários.

#76/100 – Focar no presente e o journaling

#100palavraspordia

 

Ultimamente, como já podem ter reparado por alguns textos no blog, tenho-me sentido muito assoberbada com as coisas que tenho para fazer e os planos que tenho para a minha vida e para o meu futuro. São tantas coisas, muitas que ainda nem posso executar, que às vezes fico com a mente toldada. Sei que tenho de dar um passo de cada vez, levar as coisas com calma, mas sinto-me tão entusiasmada com os meus projetos que por vezes é difícil focar só no presente.

 

Recentemente, apercebi-me que o problema é exatamente esse: nessas alturas em que sinto mais ansiedade estou demasiado embrenhada no futuro, e não suficientemente focada no presente. E se é verdade que devemos ter sempre em atenção o futuro que queremos para nós (caso contrário como poderemos agir para lá chegar?), por outro lado também é verdade que o foco no presente é essencial para nos conseguirmos concentrar nas tarefas atualmente em mãos, sem dispersar pelo que ainda há de vir.

 

Foi exatamente devido a esta conclusão que decidi começar a empenhar-me mais no meu processo de journaling, ou escrita livre. Já aqui falei desse assunto e na altura expliquei que o fazia todas as manhas mas apenas durante cerca de 5 minutos. Agora faço-o durante cerca de meia hora, o tempo que demoro a escrever três páginas.

 

Ora no fim de semana li este artigo, que veio mesmo a calhar após a minha reflexão sobre a necessidade de focar no presente. E foi assim que me decidi a passar a escrever três páginas todas as manhãs, aconteça o que acontecer. Comecei ontem e nestes dois dias senti que escrever três páginas, assim logo pela manhã, sem sequer estar ainda bem acordada, é mesmo um brain dump. Sai tudo cá para fora. A ideia é escrever os primeiros pensamentos e quando eles terminarem sem que tenhamos chegado ao fim das três páginas, forçar-nos a continuar a escrever, buscar mais fundo na nossa mente. Em teoria, acabamos por conseguir revelar pensamentos que nem estávamos muito bem conscientes que tínhamos e isso pode permitir-nos ter mais clareza na nossa vida.

 

Entretanto ontem, depois da minha primeira sessão de morning pages, encontrei mais este artigo sobre o mesmo assunto, e hoje surgiu ainda mais um. Parece que o journaling está na moda para os lados do Medium e eu não poderia estar mais alinhada. Aliás, se fizerem uma pesquisa por journaling no Medium vão encontrar imensos resultados, e muitos escritos por pessoas que afirmam que essa atividade mudou as suas vidas.

 

Vou experimentar este estilo de journaling durante pelo menos quatro semanas (já datei o meu caderno) e depois hei de reportar os progressos que tenho notado.

 

E vocês, têm alguma prática semelhante? Considerariam implementar algo deste género nas vossas manhãs?

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#75/100 – 20 anos de Harry Potter

#100palavraspordia

 

Hoje não poderia falar de outra coisa. É um dia de celebração. É um dia que impactou a vida de tantos de nós.

 

20 anos de Harry Potter.

 

O primeiro livro foi lançado no Reino Unido a 26 de Junho de 1997. A versão portuguesa só chegaria a 14 de Outubro de 1999, tendo sido ainda nesse ano que a li pela primeira vez (nessa altura ainda não lia livros em inglês) e posso afirmar que essa leitura mudou, para sempre, a minha vida.

 

É difícil de explicar o mundo dos Potterheads a quem não o é. É algo que não tem comparação nem explicação possível. É algo que só acontece uma vez na vida e eu tenho bem noção da sorte que tenho por ter tido a oportunidade de crescer com estes livros a acompanharem-me. Quem viveu este mundo em tempo real tem mesmo uma sorte inacreditável. Eram os lançamentos de meia noite e as teorias, as especulações sobre o que aconteceria a seguir e o que significaria um qualquer detalhe – pois todos já sabíamos que todos os detalhes tinham um qualquer significado.

 

Não imagino como é que algo tão complexo, intrincado e cheio de significado saiu da mente de uma pessoa. Só pode, realmente, ser uma mente brilhante. Obrigada, J.K. Rowling, por tudo aquilo que nos deste.

 

Nunca nada se vai comparar ao Harry Potter. E sorte a nossa porque o pudemos experienciar.

 

Parabéns, Harry Potter. Parabéns J.K. Rowling.

 

harry-potter

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#74/100 – Resultados do questionário aos leitores

#100palavraspordia

 

Duas semanas depois de ter pedido aos meus leitores que respondessem a um questionário muito breve sobre este meu espaço, parece-me por bem dar por concluído o período de submissão de respostas. Muito obrigada a todos os que responderam, e se ainda não o fizeram vou, ainda assim, deixá-lo aberto, pelo que podem ainda enviar-me a vossa resposta aqui.

 

Consegui tirar algumas boas conclusões desta questionário e estou a pensar repetir o exercício, talvez daqui a mais uns três meses. Em traços gerais, consegui perceber que aquilo que as pessoas mais gostam e que gostavam de ver ainda mais passa por:

  • artigos sobre escrita
  • artigos sobre livros
  • relatos de viagens
  • artigos motivacionais e com estratégias detalhadas para o alcance de objetivos.

 

Isto deixa-me muito feliz porque são exatamente as coisas sobre as quais gosto de escrever, por isso a minha (ainda pequenina) comunidade de leitores parece estar muito bem alinhada com os meus conteúdos.

 

Algumas coisas que as pessoas que responderam ao questionário pediram mais e que anda não faço foram:

  • artigos sobre workshops e formações
  • mais imagens nos artigos
  • ficção

 

Esta última deixa-me cheia de medo, pois nunca partilhei a minha ficção. Já me passou pela cabeça escrever alguns contos para publicar no blog, mas a verdade é que nunca escrevi um conto e tenho dúvidas em relação à minha habilidade para o fazer. Mas provavelmente só saberei quando o tentar, pelo que esse vai permanecer como um dos meus projetos para o futuro.

 

Quanto a workshops e formações, é algo de que posso, definitivamente, falar mais aqui no blog. A verdade é que tenho feito muitas coisas e não me importo nada de partilhar com vocês mas informação sobre esses assuntos, se realmente for algo que queiram.

 

Em relação a mais imagens, é algo em que tenho de trabalhar, principalmente no que toca a fotografias minhas (tiradas por mim, não fotografias da minha pessoa!). Basicamente, as únicas fotografias minhas que aparecem por aqui são as que tiro em viagem. Sinto que ainda tenho muito para aprender no campo da fotografia e espero conseguir evoluir nos próximos tempos, de forma a conseguir popular o blog com mais fotos minhas. Se souberem de bons cursos/workshops de composição e/ou edição de fotografia, por favor partilhem comigo.

 

Mais uma vez, obrigada a todos pelas respostas!

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#73/100 – Projetos gigantescos

#100palavraspordia

 

Dividir tarefas muito grandes em passos mais pequenos e fazer um de cada vez, sem pensar nos seguintes. Porque para correres uma maratona não precisas de ver a meta, apenas os metros que estão à tua frente. Porque para conduzires à noite não precisas de ver a estrada toda, apenas a porção iluminada pelos teus faróis. E porque pensar em tudo o que ainda precisa de ser feito só pode gerar mais ansiedade.

 

Focar apenas no passo seguinte, na tarefa seguinte, na hora ou no dia que se segue. Quando essa tarefa e essa hora ou dia estiverem concluídos, então, e só então, avançar para os seguintes. Porque é essa a única forma de conseguir realizar projetos gigantescos sem desesperar, e mais ainda quando tudo depende de nós e quando tem de ser feito nos (poucos) tempos livres.

 

Tudo se faz.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#72/100 – São João do Porto

#100palavraspordia

 

A família. Os amigos. As sardinhas (para mim apenas o cheiro delas). As febras. A broa e o pão. O caldo verde (com chouriço). Os balões (ou não) e os foguetes. O fogo de artifício. Os martelos e as marteladas. O alho porro. A cidade. As pessoas e as ruas. A música e os bailes. O caminhar da Ribeira até à Foz. O amanhecer na praia e os cachorros quentes.

 

E agora para gerar a polémica: gosto muito de Lisboa e até acho uma certa piada ao Santo António, mas não há nada (mesmo) como o São João no Porto!

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#71/100 – Duas coisas que percebi a fazer stand up paddle

#100palavraspordia

 

Hoje fiz stand up paddle pela primeira vez e, de forma semelhante ao que aconteceu com a caminhada até à cascata, houve também nesta atividade duas coisas interessantes em que reparei e que podem equiparar-se ao nosso percurso para alcançar objetivos de vida.

 

A primeira foi que é muito mais fácil continuar em movimento do que iniciar o movimento. É a inércia em ação. Fiz SUP num sítio lindíssimo e de vez em quando parava de remar para apreciar a paisagem. Quando depois queria retomar, precisava de aplicar mais força do que quando já me encontrava em movimento. Além disso, aqueles primeiros metros depois de estar parada eram sempre mais lentos do que se continuasse em permanente movimento. Também quando estamos a tentar atingir um determinado objetivo, é mais fácil continuar a trabalhar sempre e aproveitar a inércia ou o momento, em vez de trabalhar uma semana com toda a intensidade, depois estar um mês parado e sem fazer nada, para depois voltar a arrancar. Claro que não há mal nenhum em parar de vez em quando para descansar ou “apreciar a paisagem”, desde que essas paragens sejam bem planeadas de forma a que possamos realmente recuperar as forças e arrancar com mais força. Caso contrário, é simplesmente mais fácil continuar a dar no duro, todos os dias, sem parar. O nosso corpo habitua-se ao que quer que façamos repetidamente.

 

A segunda coisa que reparei foi que muito mais facilmente perdia o equilíbrio se começasse a olhar à volta ou tentasse olhar para trás. Por vezes tinha curiosidade em saber onde andava o R., quando era eu que ia à frente, mas nem me atrevia a olhar para trás para o procurar. Sei que manter o equilíbrio depende muito de manter o corpo numa posição fixa por um lado, e por outro lado do local onde focamos o nosso olhar. Da mesma forma, se estivermos a trabalhar para um determinado objetivo, perdermos tempo a olhar para o que os outros estão a fazer só nos vai prejudicar. Não só vamos perder tempo, como vamos tirar momentaneamente o foco do nosso próprio trabalho, perdendo, lá está, o momento, e mais rapidamente vamos começar a ficar para trás. Não importa onde os outros vão ou como estão a fazer o seu trabalho, se vão mais rápido ou mais lentamente, se estão a fazer da mesma forma ou de maneira diferente. O que importa é focarmo-nos nos nossos próprios objetivos e no nosso próprio trabalho. Tudo vai ficar mais fácil assim.

 

Metáforas à parte, adorei fazer SUP. Pensei que ia ser um bom treino de braços por causa do remo, mas revelou-se também um excelente treino de pernas e core pois toda a parte inferior bem como o core ficam em tensão para conseguirmos manter o equilíbrio. Gostei mesmo muito e adorava continuar a praticar. Tenho de descobrir onde o posso fazer em Lisboa.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#70/100 – O Caminho é tão importante como o Destino

#100palavraspordia

 

Ontem andámos quilómetros para ver uma cascata. Estava calor, o caminho era íngreme, a diferença de altitude era brutal, e mesmo assim adorei fazê-lo. A cascata era linda. No entanto, tenha a certeza que se a única parte empolgante fosse apenas a cascata, não o teria feito. Não me teria sujeitado a horas de esforço apenas para estar uns minutos e ver uma cascata. Vejo aqui um paralelismo com qualquer objetivo que tracemos para nós próprios. Como já referi aqui, o caminho tem de, também ele, ser empolgante. Caso contrário, nunca resistiremos tempos suficiente para chegar ao destino. Eu adorei ver a cascata, mas também adoro caminhar. Gosto de andar no meio da natureza e adoro um bom desafio. Por isso, para mim, todo o caminho foi entusiasmante, e não apenas a chegada à cascata.

 

Eu não escrevo apenas para um dia ver um livro meu publicado. É óbvio que quero que isso aconteça, tal como ontem queria muito ver a cascata. Mas não escrevo exclusivamente para isso. Escrevo porque adoro escrever. Adoro o processo. Escrever livros dá muito trabalho e se me concentrasse apenas no objetivo final, tenho a sensação que já teria desistido há muito.

 

O que farias todos os dias e com prazer, mesmo que não tivesses a certeza que ias atingir o teu objetivo final?

 

cascata

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#69/100 – Vontade de conhecer o mundo

#100palavraspordia

 

Há lugares no mundo tão deslumbrantes e que me fascinam tanto. Há pessoas tão diferentes, que vivem vidas tão opostas à nossa. Caminhos que vale a pena percorrer, sítios que merecem dezenas de fotografias, e gente com quem só ganhamos em conversar. Cada vez tenho mais vontade de conhecer tanto do mundo quanto possível e quanto mais viajo mais me apetece viajar. Há ainda tanto para ver, para conhecer e para experimentar. É tão mais importante ter estas experiências do que ter “coisas”. Prefiro mesmo investir o meu dinheiro em conhecer mais do mundo, muito mais, e viver cada vez com menos coisas.

 

Sei que estes textos andam muito curtinhos, quase não passam das obrigatórias 100 palavras. Vai ser assim por mais uns dias, porque neste momento ando ocupada a viver a vida. Na próxima semana voltarei ao registo normal e aos textos mais longos.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)

#68/100 – Gratidão

#100palavraspordia

 

Pelas minhas pessoas. Pelas mais próximas, as mais antigas e as mais novas. Por ter todo o apoio de que preciso, vindo de várias direções, de várias cidades, de várias formas. Por ter vários conjuntos de braços que me amparam e muitos ombros para chorar sempre que precisar. Por o mundo continuar a empurrar pessoas boas na minha direção. Por aqueles que realmente importam andarem sempre por perto e por outros se aproximarem mesmo quando menos espero. Por sentir, todos os dias, as energias positivas e o carinho daqueles que me querem bem. Por saber que vou ter sempre alguém para me ouvir, e algumas pessoas para me chamarem à razão. Por saber que posso arriscar tudo porque vou ter sempre quem me ajude a levantar e a curar todas as feridas. Por saber que com essas pessoas posso ser eu, mesmo quando tenho medo de o ser perante o mundo exterior, e mesmo quando mudo sem ninguém conseguir prever – nem mesmo os mais próximos.

Gratidão pela sorte que tenho de ser amada todos os dias. Gratidão pelas minhas pessoas.

 

 

(Podem ver aqui como este desafio começou)